Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala: Julho 2006
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de julho de 2006

Medo de ter medo

Vamos, caminha comigo aqui onde acaba o zulmarinho e começa a areia de mil cores. Molhamos os pés para nos arrefecer por dentro. Trás as birras estupidamente geladas para que eu consiga te falar as coisas que te quero falar sem interrupções. Em gente que acredita num ser superior, tem outros que são assim como que agnósticos e outros ateus. Mas a verdade é que tem uma coisa que se supera nessa coisa e se chama de medo. E esse aí foi mesmo criado pelo homem.
Só criança mesmo não tem medo porque ainda não se magoou. Ele se atira nos braços do pai ou da mãe, assim sem medo, sem pestanejar, porque sabe que esse não lhe vai largar. Mas se algum dia se der um acidente ele vai continuar a saltar assim, sem pestanejar? Lhe tenho dúvida completa. Tas a ver porque é que a gente às vezes tem medo? É mesmo porque teve experiência antiga que marcou lá nos subterrâneos do consciente.
Mas às vezes a gente tem de fingir fecha os olhos e se atira. Sabendo no caminho os pontos onde se segurar se alguma coisa correr mal.
E aí tu perguntas e se falhar como vai ser.
A minha resposta é assim certinha e sem dúvidas – não sei!
Olhas no zulmarinho e lhe vês alguma coisa de errado? Tem gente aí que tem um medo de lhe entrar. Até esquecem de respirar só de lhe pensar.
Tas a ver que neste mundo de contrastes, de opiniões tão diferentes, do que é o bem e o que é o mal, dos que vivem, dos que sobrevivem e dos que vegetam, neste mundo do verso e do inverso, de maré alta e maré vaza, parece que não há espaço para o imparcial e racional.
Só tem espaço os que conseguem sonhar, os que conseguem ver que tem um mundo para lá da linha recta que é curva.Anda, abre aí outra birra loira estupidamente gelada, que estou a ferver. Vais ver é do sol e não de ter pensado no medo de ter medo
Sanzalando

Entre o Mar e o Entardecer

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30 de julho de 2006

Mar, principio de vida

Caminho num passo parado de olhar no distante como quem ver mais além da capacidade de ver. Tu me acompanhas ao ritmo que te apetece. Mas a verdade é que me acompanhas num ouvir de silêncios e sem lamentos, sem lágrimas que não os salpicos do zulmarinho que nos refresca na união de uma eternidade.
Estamos geneticamente unidos na vontade de sermos uma luz sem reflexos e decomposições prismáticas.
A transparência azulada deste zulmarinho morno me faz ver uma claridade, um rumo recto, muitas estórias carregadas de sons e sonhos, que te conto numa flutuação de voz enrolada pela emoção, vivendo cada palavra como fosse a última.
Acompanhas-me neste sonho de amor, sentindo o que eu sinto, compreendendo cada palavra, cada gesto, como se fossem teus também.
Um dia vamos ter que responder por esta cumplicidade cúmplice de vida vivida a dois. Trazemos o sonho da união da terra e do sonho. Nosso pecado. Mais meu porque eu é que te enrolei num tempo de te fazer-te ouvir-me, perseguição de sonhos que teimo enm tornar realidade.
Tu sabes que eu absorvo as lágrimas antes delas rolarem na minha cara, não porque eu não choro, não porque o zulmarinho ficaria mais cheio, simplesmente porque eu vivo o sonho de ter a capacidade de lhe viver em cada instante, sentir-lhe o perfume de terra molhada, trazido pela maresia que me enrola como um manta em dia de Inverno e de ter a verdade de lhe viver, mesmo quando ela está lá do outro lado da linha recta que é curva. Tenho a capacidade de lhe sentir, mesmo quando me parece distante, fria e apática.
Às vezes está ocupada em si mesmo e finge que não lhe existo, mas eu sei que simplesmente finge. Quer-me como eu lhe quero. Mesmo estando eu aqui no final do zulmarinho e ela no início dele.
E tu aqui a meu lado, umas vezes atrás, outras ausente, me acompanhas fielmente, neste amor sem adultérios, sem enganos, pacientemente ouvindo-me falar dela num nunca mais acabar.
Desde os tempos mais antigos, quando o homem não consegue compreender o mundo externo, cria representações místicas. Assim, a humanidade mistificou desde o nascer ao pôr do sol, o crescimento das plantas, o nascimento e a morte. Eu lhe mistifico no amor que lhe sinto. Vivo-lhe a Primavera amorosa e te transmito estas minhas estórias para que consigas crescer neste sentimento de mar, princípio de vida.
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Encanto

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29 de julho de 2006

Caminhando

Encontrei este site assim num mero acaso e vi que ainda tenho de caminhar muito. http://douweosinga.com/projects/visitedcountries Posted by Picasa

Respirar palavras

Calor de sol que ferve quando me chega perto, apetecendo ficar em banho Maria dentro do zulmarinho, aguando pensamentos numa forma de diluir emoções até à transparência das ideias.
Assim, tas a ver, que hoje não caminho na areia das mil cores nem me sento na potrona esculpida na rocha. Nado. Nado caminhando na direcção da linha recta que é curva e posso dizer que estou mais perto do início do zulmarinho que termina ali onde eu costumo a caminhar e estar em contemplação contemplativa das estórias que me chegam numa rede internautica sem fios e de velocidade variável.
Hoje se me queres ouvir tens que de desnudar e entrar nesta água tepidamente salgada, boiar num silêncio auditivo. Deus te livre da água mansa que da brava te livrarei eu.
Leve, nado na superfície, livre de tormentosos sentimentos de culpa e reprovação, numa direcção a sul. Sempre para sul, até que o zulmarinho se seque e eu possa caminhar no seu leito, subindo montes, descendo vales e chegar ao ponto de partida que será sempre o meu ponto de chegada.
Revejo a tua imagem de espiritualidade, foto digitalizada no meu cérebro, ponto de destino marcado por cheiros e texturas só vincadas nesse mapa astral de um cruzeiro no sul.
Nado, despregado de ideias romanceadas e sujas por escritos ruidosos de tormentos e infernos camuflados de teias de aranha e carcomidas por piranhas pensantes de outras épocas. Nado, feliz da vida, vendo-te digitalizada em mim, por mim, transparentemente limpa e fluorescente de vida.
Continuamos a nadar ou queres parar para respirar umas palavras mais?

Sanzalando

Eras pensamento

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28 de julho de 2006

Perdoa-te e vive-te

Zulmarinho de águas mornas, apresenta-se aqui como num final feliz de um início que está a começar.
Sente-se aqui o reboliço de vida que vai lá no início dele. Olha bem nas ondas e vais sentir isso que te estou a te dizer. Claro está que tens de ter a mente limpa dos preconceitos e defeitos que te ensinaram na vida martelada, sons estridentes mais que parecem ruídos ensinados nas páginas dos jornais. Fica só tu e o zulmarinho e vais ver que ouves o mesmo que eu ouço.
Vamos caminhando e bebendo uma birra gelada. Tu para me ouvires mais solta as estórias que a minha voz oleada te possa contar. As estórias que me chegam nas gotas deste zulmarinho.
Te pode doer muito o muito que não ouves o outro lado da linha recta que é curva. O longo cordão umbilical que te liga, mesmo num inconsciente, ao outro lado da linha, pode estar tão esticado que pareces tu já não o tens mas no silêncio do sonho tu lhe ouves os gritos de saudade, a vontade de o sentires. Te recordas, na troca de um passo, dos momentos que fostes feliz e te cai uma lágrima seca, choro mudo da voz calada que te canta por dentro.
Te pode doer muito ouvires os sons quentes, o cheiro que trazes na memória e que entendes te vêm desde a infância, terra em que puseste o pé e te marcou numa tristeza num para sempre que tem de acabar.
A vida não é uma ironia.
Te sentes ferida, vives vitimada nessa imaturidade de sentir saudade e não seres capaz de ouvir o chamar que te surge numa palavra acabada nas ondas que se espraiam nos teus pés.
Te perdoa a ti mesmo e vive-te.
Sanzalando

Recolhi-os em mim

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Cansado, mas feliz

Sento-me agora na poltrana de rocha esculpida. Pés inchados e doridos. Voz ciciada de cansaço. 9 horas de desenhos em x-acto sobre três telas diferentes. Calor aperta e a invasão do final do zulmarinho faz com que este cantinho esteja sobrelotado. Colesterol solidificado, comidas comidas num ritmo destreinado, bebidas emborcadas na despreocupação de esquecer tempos de stress.
Sinto-me cansado porém contente com as telas pintadas com x-acto. Mas eu preferia não ter pintado. Seriam telas que manteriam a pureza da sua virgindade.
Olho na escuridão a noite, fecho os olhos e consigo ver muito para lá da linha recta que é curva. Sorrio de felecidade.
Cansado, mas feliz.
Sanzalando

27 de julho de 2006

A Educação

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26 de julho de 2006

Estória com bolor

Caminho no meu passo lento de quase parado. De verdade que eu não quero nem andar nem estar parado.
Me segues, nem que seja com o olhar, nem que seja no ouvido à escuta, que eu hoje te conto uma estória de muitas luas e muitos sois passados.
Ouvindo o marulhar do zulmarinho se espraiando na areia até que me chega aos pés, me deu uma recordação dos tempos do biquini azul, um misto de saudade com angústia.
O meu caminho para a loucura deve estar a ficar mais curto, ou será que é mesmo normal esse zulmarinho me vir segredar aqui as estórias que quase parecem fábrica de penicilina, por estarem assim cheias de bolor branco azulado?
Aqui, no final do zulmarinho, me ouve uma estória passada no início dele, uma estória que não sei se existiu ou se foi só sonhada nesse ondular de mar calmo e sereno de um dia de verão.
Bebo uma birra estupidamente gelada para te poder contar tudo de um fôlego e sem que a voz me doa no seu final, nem uma gota de zulmarinho me escorra na cara, parece é lágrima rebelde e descontida.
Quando lhe conheci, a ela do biquini azul, não podia imaginar que hoje estaríamos numa situação que só de lhe olhar já estou a ser agredido com olhos de fogo, com setas de arrepiar caminho à vida lançadas pelo olhar. Nunca podia imaginar que depois de tanto amor, depois de ter encontrado a alma gémea, a força motriz da minha vida, a dobradiça da minha mudança, hoje não nos podemos comunicar, nem com a troca de um olhar furtivo, nem com um intermediário aparando as balas perdidas de um paiol de raiva.
Como o tempo fez mudanças no mundo de nós, trocando o azul do zulmarinho interior da gente, em vermelho de sangue, ódio ardente, só de ouvires o meu nome. Tivesse havido uma frase mal dita, uma ambiguidade mal interpretada, uma coisa desimportante esquecida, eu compreenderia e não estaria aqui a ouvir o marulhar e a ter as alucinações de te ver a jogar ténis ou a velejar na tua juventude eterna. Mas a verdade é que não me lembro de nada disso. Só me lembro dos teus olhos de fogo a dispararem setas queimando-me de ti para a eternidade.
Não me canso de falar de ti, de recordar-te nos nossos encontros sem desencontros, na ansiedade doas horas que pareciam não passavam até chegar a hora encontrada e, depois, na rapidez com que elas voavam quando trocávamos palavras, ideias e sonhos.
Não me canso de imaginar a maneira de eu ganhar uns pontos e desqueimar-me nesta eternidade curta que vai do nascimento até à morte.
Não me canso de pensar em cada frase que eu te queria dizer se fosse possível eu estar na tua frente à frente deste zulmarinho que me energiza e me ritmiza a vida.
Estou cansado de viver a vida de um condenado eterno.
A verdade é que te estanho. Estranho o termos sido tão amigos. Estranho quando me ouvias. Estranho o quando éramos felizes. Estranho querer ouvir-te. Resolvo acelerar o passo, mergulho no zulmarinho como a querer afogar as ideias, os filmes e os sonhos que sonho-te
Sanzalando

No Inferno

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25 de julho de 2006

A mesma alma o mesmo coração

Caminho na areia das mil cores que borda o zulmarinho, deixando marcados os meus passos de forma que uns segundos depois eles já lá não estão. Passeio como se nunca passasse por aqui. Desmarco o terreno que piso.
Me segues com os ouvidos à escuta, atenção ao rubro.
Tenho medo que o sol se ferva ao chegar a ti. Tu, fresca, sempre jovem, sempre bonita, sempre airosa, respirando alegria mesmo quando não mostras o teu sorriso permanente.
Ainda há quem vá a Paris ver o sorriso enjaulado de um quadro. Vissem o teu e jamais te largariam, passar-me-ias para um teu segundo plano.
Tu pareces estar sempre na Primavera quando eu caminho para o Outono da vida. Só o perfume da maresia me faz sentir jovem, com forças para lutar pelo teu amor que há muito deixou de ser platónico.
Se pudéssemos estar a fazer as caminhadas do lado de lá da linha recta que é curva, eu não me importaria de deixar as minhas marcas bem vincadas no chão que pisas, no chão que afinal é teu, que és tu, agarrar nos teus braços como fossem ramos de árvores e pular até não poder mais, cantar-te versos nunca feitos sobre sons que só tu sabes escutar.
Eu voltava a mostrar o meu sorriso quase permanente, eu conseguia fazer com que as rugas da minha cara se fossem esbatendo como se tivesse encontrado a pedra filosofal.
Nunca pergunto como estás nem como gostarias de estar. Sei de saber te olhar e ver, com os meus olhos lacrimejando gotas de zulmarinho, que estás primaverilmente bem, outonamente ansiando por me ouvir nas minhas estórias, que mesmo que não tenham acontecido não deixam de ser verdadeiras.
Troco uma lágrima minha por um sorriso teu, numa promessa em que esteja onde estiver tu estarás sempre dentro do meu coração, faças tu o que me tiveres feito, que eu não destilarei o amor que sinto por ti.
Sei que é difícil estar aqui e lá. Mas por ti eu estarei sempre onde queres que tu estejas a passear o teu primaveril ar, estarei sempre a falar, oleando a goela com uma ou outra birra estupidamente gelada.
Tu e eu somos a mesma alma e coração
Sanzalando

Ondjaki

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24 de julho de 2006

Da velhice à infância

Às vezes vejo imagens que parecem saíram de um sonho.
Ainda com os olhos fechados, como quem acorda de um sono em plena madrugada, estendo as mãos para o vazio tentando apanhá-las, tentando ver se elas ainda dormem ao meu lado. Olho, de olhos fechados com medo de te perder, para as tuas formas, as tuas curvas, sinto o teu perfume como se estivesses aqui. Ou como se eu estivesse contigo. Sinto o teu respirar.
Dormes-me no meu sonho de estar acordado dentro de ti.
Caminho em passos suaves com medo de te acordar, procurando os teus olhos e a tua alma. Sorrio-te como quem sorri pela manhã de um novo amanhecer.
Beijo-te numa despedida de um até já.
Cruzamo-nos esperanças de novos abraços.
Abro os olhos e noto que são imagens ainda de um sonho constantemente sonhado. Um sonho ao virar da esquina.
Como eu tenho medo de crescer e de perder a capacidade de sonhar. É um medo de verdade.
Olha me ouvindo com atenção que eu acho que a vida deveria começar na velhice e terminar na infância.
Sanzalando

A poesia

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23 de julho de 2006

Olho pró céu

Sentado na minha poltrona na rocha esculpida por muitos anos de zulmarinho martelando, umas vezes doce, outra ferozmente, observo a escuridão do céu. Não há lua hoje, pelo que na minha paz decido contar estrelas. Começo a contá-las desde a linha recta que é curva, até à minha verticalidade, da direita para a esquerda. Dez. Cinquenta. Cem. Perco-me e começo outra vez. Consigo chegar às duzentas e catorze, mas uma onda mais alta, que me salpicou com muitas lágrimas do zulmarinho, me fez perder o ponto. Reolho o céu outra vez e vejo que ele está mudado. Todas as estrelas estão num equilíbrio sobre a linha recta que é curva, desenhando-se em constelações que não estão em nenhum livro de astrologia. Indignado pela minha admiração decido ir dormir e amanhã pensarei nisso, ou noutra coisa qualquer.
Sanzalando

Eu não quero

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22 de julho de 2006

Hoje é Sábado


Como é sábado não caminho na areia. Me sento na poltrona de rocha esculpida pelo zulmarinho ao longos dos seus milénios, porque ele gosta de fazer as coisas com devagar, divagando na construção da natureza que lhe limita os espaços.
O meu corpo dorido de uma semana de cá para lá e de lá para cá, pele seca, queimada e áspera pelo sol e pelo sal que fica depois das lágrimas explodidas do zulmarinho secarem na minha cara e no meu corpo, precisa ficar no repouso do guerreiro.
Me ouves ou preciso beber umas e outras para olear a goela de modo que a minha voz esteja limpa como um céu sem nuvens?
Tu sabes que aquilo que não se começa nunca pode ser acabado. Assim tu ficares aqui pareces é pedra, silenciosa e escutativamente acho não te vai levar a lado nenhum, ficas é com muitas palavras no teu cérebro.
Pensa só que o que tem de ser não precisa ser empurrado e que ser humano não é peixe para morrer pela boca. Olhando para ti vejo que como nos passo dos bois se vê o peso que vai na carroça.
Eu sei que me respondes que perdido por mil é o mesmo que perdido por dois mil. Tu sabes que se formiga cria asas se chama salalé e pensa já é dona dos ares, imagina já é águia. A sorte é que guardado está o bocado para quem o há de comer. Quem está na chuva se molha.
Te falei duns provérbios que me vieram à tola assim num repente, assim num ápice, vértice de um triângulo de conhecimentos avulsos que servem para os dias em que a imaginação não consegue escutar os sons que vêem desde o início do zulmarinho na forma das suas ondas, a paciência está assim como que a ficar parece é bateria de telefone a se gastar.
Olha, fiquemos só mesmo aqui.

Sanzalando

Sintonizo 101.5

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Buda

Perguntaram ao Buda:

"O que mais te surpreende na humanidade?"

E ele respondeu:

"Os Homens,
porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para
recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem-se do presente de tal forma
que acabam por não viver o presente nem o futuro,
e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido."
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21 de julho de 2006

Tem gente

Senta só aqui comigo e vamos navegar nos sonhos que a nossa imaginação nos levar. Se tu tens querer fica só no teu silêncio, olhos postos no zulmarinho que balança aí nos teus pés, às vezes com um bocado mais de força que até salpica parece é lágrima quando nos cai na cara.
Me dá de beber, um birra estupidamente gelada, para olear a goela e não parar de te falar no filme que corre na minha cabeça e que tu sabes o argumento me chega desde lá, do lado de lá da linha recta que é curva.
Tas preocupada com o tempo. Olha bem que o tempo mais não é do que um monte de momentos amontoados desde o dia em que nascemos.
Tu sabes que tem pessoas que vivem o tempo passado tentando sobreviver nas lembranças das coisas importantes que aconteceram, Fazem desses momentos o seu hoje se esquecendo que vivem no ontem, que vivem no dia que foram afectados e caminham com triste melancolia, infelizes no peso passado deixando escapar por entre os dedos as oportunidades de viverem o hoje do presente. Eles esquecem mesmo que viver no passado é esquecer as coisas boas que a vida tem.
Me acompanhas num passeio na areia das mil cores?
Tás a ver, essas pessoas ainda estão a pensar que se tivessem feito assim, ou tivessem assado a coisa, o rumo tinha sido assim diferente. Tu lhes ouves apenas o som do lamento.
Tem outras aí que vivem já no amanhã, no que vão viver de planos e como sabem que o amanhã não é hoje tudo fica inacabado porque amanhã vão acabar. Complicado? Desconsigo lhes imaginar a pensar a vida do hoje. Senta só na cadeira da vida e espera chegue amanhã. Amanhã, sempre amanhã. Olhas nos olhos e lhes vês o vazio da ilusão feita realidade.
Tem os outros, esses que sabem que a vida é hoje, começa hoje o seu princípio e que não podem perder a vida, por medo, por cobardia, por incertezas. Olhas e lhes vês os planos de agora, a consciência da possibilidade do erro e da sua capacidade de lhes emendar, confiantes. Olhas nos olhos e vês que não vivem isolados. Tem gente nos seus planos, tem vida na sua volta. Tem pulsar.
Em resumo, ouves-me e não contestas porque sabes eu falo só mesmo com a alma toda na voz, certeza de verdade verdadeira mesmo que não esteja na científica cadeira.
Vamos dar um mergulho e ficar mais perto do início do zulmarinho?


Sanzalando
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a nacionalidade

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Hoje não deu (20-07-06)

Tudo porque hoje não tive tempo de caminhar na beira do zulmarinho e ouvir o marulhar. Posted by Picasa

20 de julho de 2006

racionalidade

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19 de julho de 2006

Um beijo suspirado

Caminho com olhar feito farol. Minha cabeça precisava ser cabeça de pombo e olhar a toda a volta. Assim não era preciso arrastar este pesado corpo por tanto atrito de ar para estar a ver tudo o que eu quero ver e mais ainda aquilo que eu gostaria de ver. Sinto-te a degustar uma birra geladinha que muita falta me vai fazendo nestes dias em que o calor me aquece o cérebro e me enferruja a goela de sede. Estende aí uma para mim e vamos conversando as minhas palavras, em troca do teu silêncio e da tua capacidade de escutares.
Daqui a pouco me viro para trás num repente e te beijo. Nem tens hipótese de esboçar uma fuga ou um gesto de contrariedade. Me segues nesta praia de areia de mil cores, me escutas as palavras com sabedoria silenciosa, me acaricias com olhos ternos e eu só te tenho dado estórias.
Nunca te dei um beijo, esse beijo que, penso, tens esperado, ansiado, suspirado. Falo, falo e nada. Olhamos a linha recta que é curva tentando ver o que está para lá dela, trocamos silêncios cúmplices, carícias de olhar algumas vezes raras. Mas um beijo?
Quem não se recorda dos momentos que antecedem o beijo? Esses momentos podem ser segundos, minutos, horas, dias ou anos.
Porque nos filmes do cinema eles fecham os olhos quando se beijam?
Em que livro, em que escola, a gente aprende a beijar? Tem movimentos, tempos e rituais específicos que definam a qualidade de um beijo?
Acho mesmo que é só um deixar-te levar na onda.
O primeiro beijo te leva a uma espécie de pânico incontrolado. As pernas te tremem parece é caniço num dia de vento, coração bate parece correste na frente de um cão faz horas de seguida e a boca te seca parece estás perdida no deserto faz meses.
Como posso beijar com toda esta minha ignorância de sabedoria beijal?
Um dia, assim sem sabermos mesmo mais como foi, ele foi dado, lábios nos lábios, cabeça torcida, língua sobre língua, uma guerra campal dessincronizada que te deixou sem ar e sem palavras.
Vamos mesmo só continuar a caminhar neste areal, sentindo o perfume da maresia e dançando nossos corpos no ritmo do marulhar das ondas desses zulmarinho que nos separa mas nos liga nas suas correntes, nos nossos segredos.

Sanzalando

...quem me dera

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18 de julho de 2006

fábula parabólica ou uma parábola fabulosa

Caminho num passo mais lento que a lentidão. A esta velocidade se não tomo cuidado tu me ultrapassas e nem ouves o meu falar, a minha voz enroscada pelo tempo, pelos cigarros fumados e birras emborcadas com medo de enferrujar a goela.
Hoje, não sei é pelo tempo quente, não sei é o cansaço físico, não sei é só mesmo um nada qualquer, me te apetece falar de uma fábula parabólica ou uma parábola fabulosa. Uma das duas coisas vai sair, ou não.
Imagina, pode ser mesmo de olhos abertos para veres que existe uma realidade real que nos circunda como a gente fosse uma ilha, que um dia tu acordas de uma noite bem dormida com um cão latindo, ganindo, fazendo sei lá mesmo mais o quê. Estremunhadamente vais na janela do teu quarto e olhas na rua e vês que tem ali um gato que tá morto de morte morrido. Pões o teu ar sério e sais numa investigação séria, com todas as provas científicas e outras também. Após investigar, vês que foi por envenenamento que esse pobre animal te foi morrer debaixo da tua janela.
À noite, a meio da noite, ouves outra vez o referido anteriormente cão a latir, ladrar e a correr desesperadamente, sem um motivo aparente. No teu pijama de riscas, horizontais ou verticais, que isso aqui é menos importante que a importância de dizer que não foste sem estar vestido, investigas tudo novamente, e vês que ele tem espuma a sair da boca. Te recordas que o que leste na investigação anterior e dizes que pela segunda vez que foi é veneno que deram no cão.
Paras para pensar e pensas como pode haver tanta gente má no mundo? O que é que os pobres animais fizeram para ganhar água com veneno?
A resposta é curta.
Fizeram o dono deles serem felizes.
Simplesmente.

Sanzalando

Miró

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17 de julho de 2006

Saudades de mim

Às vezes tenho a sensação que é a última vez que estamos juntos. Ou melhor, que tu estás aqui a me ouvir num constante falar de sonhos e devaneios, a ver o mesmo filme que eu quero que tu vejas. Lembro-me de todos os detalhes, de todas as conversas existentes entre mim e o teu silêncio, as imagens que te imagino, os sons que te levo.
Lembro os teus sorrisos de satisfação, o teu rosto transparecido de felicidade, o teu adormecer sereno.
O marulhar te embala no ritmo das minhas palavras que me chegam em sussurro desde lá do início do zulmarinho, as imagens de cores garridas que vêem comprimidas numa gota de mar salgado, te elevam aos céus.
As tuas gargalhadas, o teu ar ávido de me ouvir no rosário de estórias verdadeiras mesmo que não tenham acontecido, o teu acompanhar-me nas birras estupidamente geladas.
Desde esta areia de mil cores, corpo suado de destrabalho de estar aqui deitado a ouvir as kiandas a me cantarem as suas canções, a me recitarem as suas odes de esperança, olho para o mundo vazio e recordo todos os momentos que passámos juntos. Quer dizer, os momentos em que eu nem te via mas sabia que estavas aqui a me ouvir num deleite que fez nascer invejas, raivas, ódios e outros amores.
Me perguntas no teu silêncio se eu não faço mais nada que falar. Faço, pois claro que faço. Bebo birras geladas que me lubrificam a goela para eu poder continuar as minhas estórias e te teletransportar para outras fantasias, outros sonhos, outros lugares.
Caminho na beira-mar deste zulmarinho que é a alma que me ilumina mesmo nas noites de tempestade, para te poder dizer todas as coisas que gostas de ouvir, mesmo que não me ouças.
Por isso, hoje, caminhando na areia escaldante deste final de zulmarinho eu não te conto nada. Eu hoje fico em silêncio para despertar em ti outro sentimento. Saudades de mim.

Sanzalando

Portrait Black Woman

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16 de julho de 2006

Esperar a esperança

Sigo debitando palavras num sussurro rouco de voz cansada pelo tempo gasto nestas deambulações pela beira do zulmarinho. Caminho constante de cá para lá, outras vezes, corpo cansado me sento na poltrona de rocha esculpida pela força das águas invernais traduzidas pelos infernos da angústia da espera.
Espero sempre qualquer coisa. Que me ouças, que te provoque um misto de saudade e melancolia, que te leva a emoção e te desperte uma curiosidade. Ouves-me no teu silêncio, por vezes forçado, outras vezes propositado, umas vezes dou por ti outras nem sei se estás aí a me ouvir. Mas mantenho sempre a esperança de poder com emoção abrir-te o coração e falar-te dos meus segredos, de transparentizar a minha alma. Ouço as vozes que me chegam de desde lá do outro lado da linha recta que é curva, ouço os choros, as gargalhadas, lamentos e júbilos. Sinto as lágrimas que nascem lá e ao sabor das correntes me chegam aqui, como mensagens telepáticas e que eu te falo na minha voz docemente surda. Sinto a esperança que vem desde lá e aqui eu tas traduzo nestas minhas frases simples, desparagrafadas e despontuadas, num ritmo que eu sei tu entendes. Se te falo do biquini azul eu sei que descodificas no teu código de barras, se te falo da lagosta mapundeira que se banha no início do zulmarinho, tu logo vês o paradigma de um retrato ainda feito a preto e branco.
Caminho na beira do zulmarinho, deixando marcas que uma maré mais cheia as apagará, mantendo a esperança de te ter viva dentro de mim, de te sentir viva dentro de ti. Na tua introspecção nocturna vês o filme que te enceno na tela do teu pensamento como um filme em que tu és a artista principal.
Sanzalando

É o poema que não se escuta

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15 de julho de 2006

Falar de amor

Senta aqui e faz corpo comigo numa atmosfera de paz e calor ardente.
Vês este corpo? É uma mentira, cortante; a única e infeliz companhia, sem alma e sem sentido; de vista surda, de fala cega que não consegue dizer o amor que tem para contigo. Tudo passa por essa palavra como uma força de bilhões de outras, que invertem o espaço, desfazem a ordem e conduzem ao caos.
Está certo que precisamos fumar um cigarro, abrir uma birra estupidamente gelada, conversar na sombra da lua, distrairmo-nos em poesias, provocar o mundo com nossas mentiras, falsidades, menos verdades e verdades verdadeiras. Mas há tanto em que pensar. Só um dia, caso ele chegue: quando não nos veremos mais tão comuns, não precisamos pensar.
Vai, cada vez parece mais distante, Aqui fico eu, parto do inferno no infinito presente.
Um dia, de volta a este mar, serei maior que o mundo, anónimo entre bares sempre dantes navegados. Beberei as minhas birras nesta mesma areia de mil cores e folgarei no meio das trevas do zulmarinho carregado de calema. Nesse dia, o fogo deste cigarro e a claridade da lua serão os meus guias, ainda que a brisa fria e a manhã que chegará serena. E com os olhos rasos de água, na tua esperança, na tua inocência, seremos irmãos e inimigos, ignorando as horas, qie passámos em silêncios e distantes

Sanzalando

O marinheiro do Mundo

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14 de julho de 2006

Que te vês?

Caminho em passo lento, fervilhando ideias, imaginando conceitos e desconstruindo preceitos. Caminho ao ritmo do marulhar, nas curvas e contracurvas desse mar que se espreguiça na areia nas formas geometricamente anárquicas.
Às vezes segues-me ouvindo, outras pareces distante que nem te consigo ver.
Se eu te dissesse um poema que eu soubesse dizer de cor compreenderias a saudade que tenho, a nostalgia e o meu desejo ardente?
Bebo uma birra gelada na tentativa desesperada de olear a garganta, afugentar fantasmas que me entorpecem a goela.
Conseguirei saber porque continuamos assim afastados como no começo de uma partida? Como no início da despedida?
Porque estamos tão distantes, se a voz, que em outros tempos nos separava de aflições, nos aproxima nas euforias e paixões?
Eu por ti criaria vida, acenderia muitos sois e inventaria novos mundos.
Vejo as minhas mãos trémulas quando te falo ao ouvido. Tudo porque sinto que não sentes a minha existência como se fosse tua. Sinto um medo terrível de não me seres fiel quando eu te pedi apenas para seres o meu encosto de cabeça, os ouvidos que me ouçam, o perfume que cheiro.
Olho-me no espelho do pensamento e vejo-me a carregar um ou dois mundos às costas. E tu? E tu que vês quando te olhas? Vês-te como que a ajudar-me a carregar este peso?
Eu consigo ver-te, no meu espelho côncavo de experiências feito, confusa, bélica, seca com vontade de sorveres as minhas lágrimas, chorosamente distraída porém com vontade de fazer novas amizades que germinam em mim uma neblina de desentendimentos.
Tas-me a acompanhar no filme e na birra estupidamente gelada?
Sanzalando


WebJCP | Abril 2007