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A Minha Sanzala: duvidamente cego
recomeça o futuro sem esquecer o passado

11 de junho de 2007

duvidamente cego

Vamos mesmo só ficar aqui sentados, quietos, bebendo o som do zulmarinho se espraiando na areia ou preferes desenferrujar as penas numa caminhada sem fim? Quer uma quer outra está certo para mim.
Tu sabes que sempre que procuro alguma coisa, mesmo que eu não saiba o quê, a minha cegueira mental não me deixa ver. É uma cegueira que eu não te sei explicar nas palavras simples, nem nas rebuscadas nos mais importantes livros que nunca leste. É assim um andar perdido de mapa na mão, bússola e outras coisas mais modernas. É um não encontrar a saída quando acabo de entrar. É assim uma paralisação que me entrava o corpo assim num ângulo esdrúxulo. Me perco mesmo após me ter reencontrado.
Após os meus tristes olhos terem dado com o que procuram nesse instante parece já não é importante, já não faz falta seguir na procura.
Sabes mesmo que eu queria era agora sentir nos meus olhos o perfume, o calor e o sorriso de vida dela?
Pois. Vou fazer mais como então se sempre que lhe procuro e lhe acho eu paraliso num voltar de perder-me?
Desculpa mesmo, mas na verdade eu vou continuar na procura e se meus olhos não quiserem ver vão ter que me aguentar que eu lhes vou contrariar até à exaustão.
Anda, vamos dar de caminho, deixar os meus pés marcados nesta areia de mil cores até que uma onda assim mais rebelde lhes venha apagar.

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007