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A Minha Sanzala: me lembrei é dia de ser criança outra vez
recomeça o futuro sem esquecer o passado

1 de junho de 2007

me lembrei é dia de ser criança outra vez


Hoje caminhamos num passo que nem sei como nos movemos. Lentamente, para não deslocar o vento que não sopra, não vai ele acordar e dar umas de rajada que nem joeira ia ficar quieta lá no céu rodopiando seu rabo colorido feito de papel celofane.
Ai uê! me fui recordar dos caniços cortados em quatro para ficar assim que metade de meia cana, cola branca se havia ou então cola de farinha, papel colorido de muitas cores, barbante de sapateiro e uma alegria enorme de construir a joeira que outros lhe chamavam de papagaio de papel que eu nunca soube porque já que joeira não fala, por isso não pode ser mesmo papagaio. Se joeira falasse ia só dizer palavrões, que nos tinha ouvido quando as coisas ficavam mal feitas da primeira vez e tinha de ser reconstruído. Nessa altura mesmo, ainda não tinham inventado essa coisa de manual de instruções para as coisas feitas em casa de ver outros fazer. Acho mesmo ainda não tinham inventado a física e o aerodinâmico. Havia mesmo era só vontade e entusiasmo no coração.
Vais ver me lembrei porque é dia de ser criança outra vez.
Já sei, a memória é assim como que selecciona aquilo que a gente quer recordar, o que convém e nunca faz comentários, não protesta nem reclama com o entender porque sabe que às vezes o entender só trás confusão a mais nela. Eu e a minha memória nos entendemos. Às vezes ela me faz traição, outras vezes sou eu que lhe corto a raiz, assim ficamos quites.
Minha memória é assim como que nem os meus olhos. Estes só observam mesmo o que acreditam ser a realidade e não me deixam ver o que eles vêem.
É assim como que o meu corpo, feito de cartolina que fica mole em dia de humidade, que rasga se eu tento mexer os braços e as pernas de encontro às inconsequências da vida.
Agora já entendes porque caminhamos nesta velocidade de palavra a palavra?
Vá lá, faz mais um esforço e me ouve enquanto eu tiver forças e vontade para te falar. Afinal de contas, mesmo a gente estar assim separados mas ligados não deixas de ser parte de mim e vice versa também.
Cada vez acredito mais que o meu sangue, e o teu que não tens também, é água desse zulmarinho que começa lá e acaba aqui. As minhas veias são assim como estradas que ele usa para se entranhar aqui na terra e se aprofundar como se fossem as suas raízes.
Meus dedos são assim como que abanam esse zulmarinho e lhe fazem ondas.
Hoje te falei assim porque me lembrei que hoje é dia de ser criança outra vez.

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007