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A Minha Sanzala: sonhar-te assim é forma de vida
recomeça o futuro sem esquecer o passado

16 de setembro de 2009

sonhar-te assim é forma de vida

Me sinto como que perdido nos gritos, mais pressentidos que gritados, por entre gente invisível que me vai povoando o labirinto da imaginação, ruas poeirentas dum passado que acho que não foi o meu. Se o foi, deve ter-me passado despercebido, ou então é mais um fruto dos sonhos que sonho de ti. Também não é hora de perguntar se o passado me volta a visitar, porem navego por rostos que me são familiares mas que se calhar hoje não os reconheceria. Enigmas. Enigmas da minha interioridade física e metafísica. Afinal de contas sou um conjunto de espelhos quase paralelos que mostram numa repetição infinita o reflexo dos meus sonhos, mesmo os não sonhados ainda. Vá lá que não me cai o céu em cima, nem flocos de neve caiem numa marginal desconhecida. Não me afundo na triste notícia da incapacidade de ver mais além que o alcance dos meus olhos, não me afogo nas lágrimas que choramos os dois, cada um por si e seus motivos. Enigmaticamente sonho-te, dia e noite, ininterruptamente e abruptamente. Quem sabe até violentamente. É o meu modo de vida, sonhar-te, ter-te, possuir-te, viver-te. Mas também o é chorar-te.

O marulhar deste mar que é meu, a água dum rio numa zona de rápidos, são cânticos que te canto e te ouço e me socorrem na forma de vida cinzenta da nostalgia dorida que escolhi vestir.

Aos poucos, sobe-me a sabedoria do socorro carregado de medo, elevo-me quase aos céus numa entrega que me faz esquecer a matéria e quase me faz rezar rezas que não aprendi.

Aos poucos deixei de ter pressa e, num caminhar pensativamente dolente, me elevo para ver os tuneis da vida sulcados num qualquer manto de luz.

Sonhar-te e assim procuro a minha vida aqui neste catinho de silêncios.

Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007