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A Minha Sanzala: me disseram ao ouvido e eu acreditei
recomeça o futuro sem esquecer o passado

15 de outubro de 2009

me disseram ao ouvido e eu acreditei

Assobio alegre nuns olhos que riem sem mentir. Me disseram assim num pertinho do ouvido que as minhas palavras quando lhes digo saem assim como que bonitas que até metem raiva. Corei na altura ao mesmo tempo que dava pulos de contente sem mexer um único músculo. Faz conta não percebi, não entendi ou não ouvi. Mas lá dentro de mim tudo foi no céu e desceu num rapidamente para manter a compostura. Algumas palavras eu queria dizer mas até a garganta ardia. Foi inesperado. Caminhei para me recompor e entrar novamente nos meus mundos, no real e nestes sonhos que sonho com a vontade que seja real. Complicado.

Já sei, sigo o conselho, me meto aí no meu mato, lá em cima nesse planalto que o Arquitecto fez como o mais lindo do mundo e donde eu posso ver até o deserto se desaguar no mar como se fosse um rio de águas douradas. Aí, eu vou falar num não calar mais e contar todos os sonhos, todas as curvas da vida, todos os olhares que olhei e os que me olharam, as lágrimas que chorei e as que guardei para mais tarde chorar. Aí, nesse meu planalto, eu não vou sentir mais a tristeza da solidão, a impotência na tristeza e a solidão impotente, porque vou ter como companhia as minhas palavras, alegres gargalhadas de sonhos que um dia eu gostava de ter vivido e por isto e por aquilo ficaram para amanhã eu poder apenas contar. Aí, no meu planalto, os meus ouvidos vão ficar atentos para te ouvir mesmo quando choras para dentro para não me incomodar, os meus olhos vão fixar os teus e as minhas mãos vão acariciar as tuas até não poder mais olhar porque alguém te vai dizer ele morreu.

Porque me falaram assim pertinho do ouvido coisas doces que eu não devia ter ouvido?

Quando mesmo é que eu vou acordar? Assim nem que apeteça eu vou despertar.


Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007