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A Minha Sanzala: sonhei um sonho que não tive tempo
recomeça o futuro sem esquecer o passado

10 de outubro de 2009

sonhei um sonho que não tive tempo


Me deixo embalar nas memórias do cacimbo, que quase já nem me lembro mais como é que é, me envolvo na corrente do rio que quer dizer que choveu bué nas terras do planalto e me acastanhou o zulmarinho não me deixando ver claro a transparência que eu queria ter na alma.
Pouco a pouco as gotas do tempo caiem como guilhotina nos meus sonhos. Pode ser que eu ainda tenha tempo de chorar os sonhos que não tive tempo de sonhar, que abafei nos gritos calados da zanga interior como que lhes varrer de dentro de mim como se fossem lixo que me entorpece as articulações mentais. Enfim, todos os dias a guerra cai na mesma lenga lenga de sobrevivência mental. Acho que está na hora de comer um chocolate, deixar aquecer a noite nas saudades escaldantes da memória, agarrar um caderno de capa vermelha e tirar apontamentos enquanto a liberdade de movimentos está mantida.
Ai, quem me dera que o meu sonho não termine assim num dia carregado de repentementes, surpresas salgadas das lágrimas daqueles que fingem estão a chorar por mim e a dizer bem baixinho que eu bem lhe avisei que sonhar não enche barriga.
Mas que me importa se eu consigo passear nas avenidas das acácias, das palmeiras, das bungavílias, da D. Josefa e senhor Serafim, sem me importar se está frio, chove ou o sol torra que até pode pensar eu sou café que seca ao sol.
Faz hora que é hora e vai ter uma hora que a gente ainda diz que chegou. Depois, logo se verá se ela vem envolta num cilindro de ternura.


Sanzalando

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WebJCP | Abril 2007