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A Minha Sanzala: Salada de assunto sem motivo
recomeça o futuro sem esquecer o passado

22 de março de 2010

Salada de assunto sem motivo

Não sei o que é pior, se não editar aqui qualquer coisita no meu habitual rotinário, porque não tenho ideias, porque acho que já disse tudo, porque já se me gastaram as lágrimas que tenho para chorar, porque já naufraguei em toda a nostalgia, porque já desejei todos os meus desejos, ou porque tenho tanto ainda para contar, para dizer, para chorar, para rogar por mim, o que não tenho é vontade de estar aqui sentado a debitar letra a letra numa canhota que não há meio de se educar e reciclar para a utilidade duma direita indefesamente menos válida.
Pese a situação conjectural - que é que foi que eu disse? - custa-me deixar aquela meia dúzia de não sei quantos leitores que aqui vêm numa religiosidade que até parece ritual vêm ver o que foi que ele agora chorou.
Deve haver por aí outros mundos onde poderão até chorar por mim, no meu, ignorantemente, passo despercebido, o que me leva a um síndrome, amplamente documentado na literatura científica, pelo menos sonhei que sim, em que além da grande dificuldade de adormecer se aqui não debitar seja o que for, atira-me para lojas de sapatos com avidez de comprar ou até para lojas de informática na busca de novidades, em vez de me deixar cair refastelado no sofá e pensar que eu agora não estou a transpirar, não sinto o cheiro a pó, não preciso urgentemente duma birra geladinha, não tenho de ouvir o infernal trânsito de todas as horas de ponta.
Deve ser uma andropausa literária que me faz ver as coisas deste prisma fosco, quase opaco, que desenha um sorriso em forma de ruga, permanente, na minha face parecendo que eu sou eu quando não o sou.
Até já!




Sanzalando

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