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A Minha Sanzala: Diálogo duma só voz (XXVII)
recomeça o futuro sem esquecer o passado

14 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXVII)

- Olhos fechados a olhar para dentro?
- Não. Olhos fechados mesmo só para não ver. Tem dias que eu estou cansado de lutar sem luta, de iludir-me em ilusões que mais não são que isso mesmo, de ouvir promessas que sei nunca vão ser realidades. Por isso mesmo o melhor é estar de olhos fechados e esquecer que estou rodeado de alguma coisa.
- Epa, tás aqui tás a dizer que eu tinha razão e coisas e tais num etecetera infinito...
- Nunca. Isso nunca poderia ser porque ainda tenho o sabor dos seus beijos mesmo que eles já tenho mais sabor a memória que a realidade. Ainda tenho entranhado na memória o perfume mais doce que alguma vez eu cheirei. Portanto... ainda tenho essa memória que um dia vai ser realidade, enquanto tu de memória nada tens a não ser a minha existência.
- Hum... mas memória não é vida...
- Quem não tem memórias foi quem nunca viveu... e eu tenho memórias e sabedoria suficiente para dizer-te que mais tarde que um dia destes eu vou recapitular as memórias, ordenar num índice e uma a uma ir vivê-las sem o sabor da nostalgia... e tu ficarás roído de inveja que os gritos serão ouvidos nos confins de lado nenhum.

Sanzalando

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