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A Minha Sanzala: me sento por aqui
recomeça o futuro sem esquecer o passado

23 de outubro de 2010

me sento por aqui

Me sento aqui como se fosse o único no mundo. Há muito me perdi no tempo e não me fui procurar. Se penso nela o meu coração começa a vibrar e parece eu sou um tremor de terra. Se penso nela a minha boca seca parece vira o deserto que me rodeia. Porque é que quando eu lhe penso não me vem à cabeça ser um canguru e dar saltos de corrida, ou avião e ter asas para voar, ou ser apenas eu e passar ao lado?
Me sento por aqui, isolado, longe e perto (sei que só a morte, essa coisa que os comuns de nós nem sabe o que é, essa coisa que está para além do sono e não aquela coisa que a gente diz que viu a morte pela frente, essa coisa que só mesmo os mortos sabem o quê que é) me vai fazer parar de pensar.
Me sento por aqui num vagabundear de sentidos, de ideias e memórias e me deixo levar para além da imaginação e quase chego no sonho e lhe vejo ali, ardente, calma e ao mesmo tempo mostrando formas de agitação, a me esperar, nem que seja uma ínfima parte dessa eternidade que eu já esperei.
Vagabundo de sentidos, de formas e certezas, riu e choro por ela em cada segundo. Ela ali, quase num esticar de braços, mas ao mesmo tempo longe porque ela não me espera nunca. Ela não me sabe de existir.
Me sento por aqui, perfumado na maresia e quase me apetece deitar fogo aos pensamentos. 
Me sento por aqui, embalado no marulhar e quase me apetece afogar a imaginação.
Me sento por aqui, arrepiado de frio dos salpicos feito lágrimas e quase me apetece acordar.

Sanzalando

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