Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala: Abril 2010
recomeça o futuro sem esquecer o passado

29 de abril de 2010

renascer ou talvez não

Tento esconder o meu pudor, esquecer o passado e reinventar o meu corpo, desta feita na perfeição e proporcionadamente num conjunto que seja perfeito. Sinto a força nos braços, não é o que era mas também não foi nunca grande coisa, as curvas do corpo não foram esculpidas num ginásio mas arredondas em roda de amigos, o passado não foi destino mas apenas uma fracção da vida. Perder o pudor para quê? Fugi por amor, um qualquer dos tantos que já perdi. Corro por amor, um tonto corre por coisa nenhuma.
Seja como for, sinto as minhas mãos na tua cintura, mesmo que ela esteja para lá da linha que nos separa. Ouço as tuas palavras mesmo quando sei que estás calada.
Na verdade nem o passado está comprometido nem o futuro é comprometedor.
Temos as nossas vidas que às vezes se cruzam num xadrez que um dia será padrão, tema, divergência na conveniência ou apenas uma forma de estarmos juntos num alegre sunguilar, debaixo duma mangueira ou mesmo só à torreira do sol a recordar todos os tempos que não passamos juntos.
Um dia renasceremos um para o outro. Há quem tente dizer que talvez não e eu teimo em mostrar que talvez sim.
Pois então, vou fazer mais como para saciar esta sede que te tenho?

Sanzalando

25 de abril de 2010

um plano B

Faz conta cheguei, assim mais ou menos feito naufrago, a uma ilha deserta. Me repletava a fome e o frio num encher de raiva que até me perguntei porquê era eu e não outro dos biliões que havia na terra. Mas olhei para todos os lados e só lá estava eu por isso não tinha nem resposta para me dar. Me calei num quase rebentar de raiva, procurei qualquer coisa para matar a fome, umas folhas que quase pareciam as costelas de Adão, mas não tinham os recortes, construi um refúgio e lentamente comecei à procura doutras respostas. Já tinha comido umas ervas que me sabiam a cebola, já tinha construído uma cabana e já tinha reconstruído a pouca roupa que me sobrava, pelo que fiquei com tempo para ter tempo para pensar em mim.
Me sentei na areia da praia por onde tinha chegado vindo a nado e aos rebolões.
Olhei em frente e tentei perceber o que é que tinha acontecido e só tinha uma resposta: é passado, olha no futuro!
Acordei do faz de conta e decidi que um dia vou ter que ter um plano B.


Sanzalando

24 de abril de 2010

me de mim

Me olhas e me vês de olhar triste?
Me ouves soluçar num silêncio de dor?
Me sentes presente na ausência de existir?
Não!
Todas as forças tentam matar este meu amor, mas elas são gingubas de vida que após serem bem torradinhas até que ficam bem com uma birra loira estupidamente gelada bebida com os olhos frente ao zulmarinho a medir a distância que me separa do teu perfume de cacimbo nas madrugadas de insónia.
Assim, me podes continuar a olhar, a ouvir e a sentir porque mesmo que eu esteja distraido eu eutou aí a teu lado num qualquer lugar.

Sanzalando

22 de abril de 2010

Me perguntam... eu respondo

Foi assim numa surdina que quase nem deu para ouvir. Mas eu acho consegui captar a pergunta e como não sou de deixar joeira (papagaio de papel) no ar ao deus deixa andar que eu vou ali e já venho mas não volto, eu respondo.
Mas vou responder mais o quê? Ah, desculpa, me distraí a ver uns sonhos sonhados, a rever as imagens imaginadas e a ler as palavras que nunca recebi. Vou responder sim e sem mais delongas depois de eu refazer a pergunta.
Que é feito do teu escrever? Como se pode regar essa inspiração? Acho foi mais ou menos assim. Mais coisa menos coisa.
Estou de férias de sonhar, estou a descansar das imagens vividas na imaginação. Tu sabes, como ela sabe, que eu vou ali mas volto que nem io-io dos tempos de kadengue. Tu sabes que nem ela também sabe que o sonho vai voltar nas ondas do zulmarinho quando o sol ficar mais azul deste lado de cima da linha recta que é curva.
É, estou mesmo só na sombra a ver passar o tempo no quadriculado emaranhado da vida. Um dia destes, pegado o fio da meada, regresso à terra e te falo as coisas que eu queria falar com ela.
Deixa só apanhar um pouco mais de ar...
Beijos e abraços que eu já volto no dia que eu ainda nem sei.

Sanzalando

19 de abril de 2010

de A sem ser a Z

Letra
Silaba
Palavra
Frase
É tudo apenas o que me tem faltado.
Se calhar falta o Sol.
Se calhar falta o ritmo.
Se calhar falta a essência.
Se calhar falto eu.

Sanzalando

17 de abril de 2010

atiro os ramos para o lado


Sanzalando

14 de abril de 2010

Divagabundeando palavras

Por trás de mim, murado em silêncios e ferrolhado em lágrimas escondidas, espero o que sempre de ti esperei, templo sagrado dum coração que bate para além dos meus segredos.
Por trás, escondido pela minha forma disforme de ser, existe a esperança de um dia ter-te como pensei que já te tivera.
Por trás de mim, tapado pelos panos garridos das dores agudas, graves ou silenciosas, não esquecendo as que se sofrem pelo silêncio obrigado dos castigos temporais que se esquecem mas não se perdoam, há um momento de quebra que não se dobra nem se retorce.
Por trás de mim nada ficará como dantes se um dia um porto de abrigo eu tiver no teu colo.
Fazes anos e eu penso-te no silêncio.
Choves-te e eu molho-me no abrigo da minha fuga.
Aqueceste-te eu queimo-me na sombra dum tambarineiro tão grande que já nem sei mais qual o tamanho que ele tem hoje.
Por trás de mim... só podes ser tu.


Sanzalando

13 de abril de 2010

escape de ideia

Tentei dar voltas ao tempo e o tempo deu-me voltas a mim.
Tentei apagar a memória e a memória se avivou.
Tentei saber o que não sabia e assim continuei.
Por mais voltas que eu tente apagar-te mais continuo a querer-te.
Se não te falo, logo alguém me aparece a falar de ti como que a fazer-me ciúme.
Se não te penso, logo aparece uma fotografia a dizer-me que estás ali, à mão de semear, formosa como sempre e eu desperto-me em raiva de não ter forças ainda para te poder abraçar.
Um dia... sei lá quando, agarro em todas as palavras que te dirigi, em todos os ventos que te soprei, em todos os tempos que te desejei e junto tudo num caderno de trazer na mão, para te entregar e ficares a saber de mão própria que te quero.
Depois, o tempo dirá que tempo fará amanhã.

Sanzalando

11 de abril de 2010

indisconfiável domingo

Me sentei e disse:

- é este domingo um dia indesconfiavel para regressar e derramar as minhas letras transformadas em palavras que o vento, as lágrimas, as dores sofridas na solidão, o inchaço que desenformou a minha cara numa assimetria disforme, não levou

Iniciei-me pelo gesto fingido de roer as unhas, vício que não tenho, hábito que nunca sofri, ao mesmo tempo que verifico se a minha mímica facial já é o que era e olho como que esperasse que as ideias se derramassem no papel, que já não uso, como uma mancha de tinta que se vai organizando em palavras sentidas no sentido possível de as ler coerentemente. Mas o papel teima em ficar branco. Imaculado.

Afinal de contas parece que ainda não é este o domingo indesconfiavel de regressar.

Penso no teu tempo, no teu perfume, na tua música. Penso-te e continuo de papel branco. Foges por entre pensamentos, rodopias por entre olhares que te deito num enamorar calado de ternuras.

Hoje é domingo, vou vestir a roupa mais bonita, vou olhar o mar e desde aqui vou-te acenar com um adeus de mão num movimento de quem te está a chamar.


Sanzalando

2 de abril de 2010

por aqui...

...nada de novo. apenas um vazio de letras, ideias de conceitos. pelo sim pelo não, nem maiúsculas aqui entram. digamos que entrei de férias sem papel assinado nem consentimento consentido. me ausentei apenas daqui, pelo menos de cabeça que o corpo esse já tá como tá e não vale a pena insistir com ele. verga-se no esforço, dobra-se a dobradiça que não é quebradiça mas que doi que até a gente diz xiça.
como vês, por aqui está tudo mais na mesma, que quer dizer está é pior que não vale a pena nem gastar letras, palavras mudas e pontuação virgulina.

Sanzalando

1 de abril de 2010

planície de mar

deixo deslizar os olhos como se eles fossem um barco, navego por entre ondas de ideias, ventos de calemas, sonhos de criança.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007