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A Minha Sanzala: Julho 2010
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de julho de 2010

Afinal tanto e tão pouco

Hoje me sentei a recordar enquanto me deixava embalar no marulhar das ondas a bater nas rochas que me servem de poltrona deste reino de fingir. Afinal de contas que são 20 anos de idade e mais 32 de experiência?
Antes falava de alto, sublinhava alegria em felicidade, pouco a pouco, num quase sem dar por isso entrei nas ruas da confusão e me perdi nas vielas dum amor.
Antes fugia do asfalto em busca do grito de guerra, da voz toldada em encadernação revolucionária, aos poucos, num quase sem dar por isso, me refastelei no sofá e ouvi as melodias de grafonolas modernas.
Antes, tropeçava nas pedras da vida e sorria, aos poucos, num quase sem dar por nada, comecei a sentir dores que faziam coxear a alma.
Antes, pegava na bicicleta e corria mundos de sonhos, aos poucos e poucos, já sem dar por nada, me sento numa pedra e me embalo ao som do mar num quase adormecer.

Sanzalando

30 de julho de 2010

Tempos difícieis para sonhadores

Arranco o passado à memória, umas vezes em esforço e outras nem por isso. O meu futuro está agarrado à memória. É o ciclo, poderá ser vicioso ou não.
Reinvento-me em cada pedaço de passado mas construo o futuro de pedra e cal. Pelo menos é o que eu penso.
Memória.
Passado.
Futuro
Eu. Umbigo da minha existência.
Violência carnal do imaginário tropeçado em frases soltas. Volto a ser eu.
Falta mesmo é tempo para ter tempo de gastar o tempo que já desperdicei em momentos inexistentes.
Assim serei. Vou fazer mais como, então?

Sanzalando

29 de julho de 2010

Em pedrado (12)


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28 de julho de 2010

Em pedrado (11)


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27 de julho de 2010

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26 de julho de 2010

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25 de julho de 2010

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24 de julho de 2010

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23 de julho de 2010

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22 de julho de 2010

Em pedrado (5)


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21 de julho de 2010

Em pedrado (4)

Mensagem 3000 aqui 'postada'. Tá lá, para além da linha recta que é curva.
Sanzalando

20 de julho de 2010

Em pedrado (3)


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19 de julho de 2010

Em pedrado (2)


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18 de julho de 2010

Em pedrado (1)


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17 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXVIII)

- Olá. Como estás?
- Para não variar, estou bem. Sonho e vivo cada sonho como realidade fosse. Imagino e penso que cada imagem é uma vertente pura da realidade. Uma vez ou outra deixo escapar uma lágrima... porque a vida não é só uma flor, é também capim que arranha as pernas desnudas dum caminhante por vezes desprevenido. Grito, barafusto e gargalho não apenas ao sabor do vento. Portanto, estou bem.
- Me surpreendes hoje... Já fiz fez sol.
- Fez sol e eu não fiz mais nada que não olhar para dentro da vida. Rabisquei rascunhos de sonhos, rasurei imaginações tremulas. Que mais quero eu hoje?
- Não te contradigo nem te chamo parasita porque começo a te entender... tu é que as levas na certa. Cada hora é a tua hora e é certinha que nem um segundo lhe falta.
- ... e foi aqui que decidi que ia parar por uns dias!


Sanzalando

15 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXVII)

- Posso sentar-me a teu lado e ouvir-te os pensamentos e sonhos que sonhas?
- Podes, se conseguires entrar no faz de conta sem fazer perguntas cujas respostas eu nunca te saberia dar. Podes entrar no meu mundo se conseguires estar calado no balouço dum sonho e, repentemente acordares num pesadelo que é de fingir.
- Deixa eu tentar...
- Conseguirás... se deixares entrar a luz pela janela da tua alma, se escancarares a porta da tua vida e afastares os segredos para longe, para além da eternidade.
- Pedes tanto...
- Sabes que olhar para trás às vezes é necessário, de modo eventual, para termos a noção de saber donde viemos, para onde vamos e muito importante, onde estamos. É importante manter a claridade.
- E tu sabes isso tudo?
- Tento. Procuro. Sofro. Choro. Rio. Outras vezes me calo num silêncio de gritos interiores. Afinal de contas, ambos procuramos a vida... e eu, um dia, lhe vou achar!


Sanzalando

14 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXVII)

- Olhos fechados a olhar para dentro?
- Não. Olhos fechados mesmo só para não ver. Tem dias que eu estou cansado de lutar sem luta, de iludir-me em ilusões que mais não são que isso mesmo, de ouvir promessas que sei nunca vão ser realidades. Por isso mesmo o melhor é estar de olhos fechados e esquecer que estou rodeado de alguma coisa.
- Epa, tás aqui tás a dizer que eu tinha razão e coisas e tais num etecetera infinito...
- Nunca. Isso nunca poderia ser porque ainda tenho o sabor dos seus beijos mesmo que eles já tenho mais sabor a memória que a realidade. Ainda tenho entranhado na memória o perfume mais doce que alguma vez eu cheirei. Portanto... ainda tenho essa memória que um dia vai ser realidade, enquanto tu de memória nada tens a não ser a minha existência.
- Hum... mas memória não é vida...
- Quem não tem memórias foi quem nunca viveu... e eu tenho memórias e sabedoria suficiente para dizer-te que mais tarde que um dia destes eu vou recapitular as memórias, ordenar num índice e uma a uma ir vivê-las sem o sabor da nostalgia... e tu ficarás roído de inveja que os gritos serão ouvidos nos confins de lado nenhum.

Sanzalando

13 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXVI)

- Olá... estás assim num bronze de fazer inveja é mesmo porquê?
- Só mesmo porque gosto de estar aqui a ver o azul e ouvir o marulhar. É como arrancar todas as cortinas que me separam do mundo e deixar entrar todo o ar que me falta mesmo que não seja para respirar. Estar aqui, à torreira do sol, navegar por pensamentos e pesadelos, sonhos e e ilusões, amores e desamores, birras, gritos e silêncios é um segundo da minha vida que passa num instante.
- Perda de tempo...
- Ganho de vivências. Tudo uma questão de olhar... podes dizer-me que lá fora não existe mais nada, mas eu tenho o sonho que um dia vai existir e eu vou estar lá para o viver.
- Ilusões não alimentam...
- Pensas tu. Olha para mim e vê este sorriso mesmo na minha cara de zangado. Consegues? Desacredito. É a ilusão que me faz ter força para amanhã acordar e levar com todo este sol outra vez.
- Que seca...
- Fechaste a tua persiana e espreitas pela minha... Te conheço, malandro e sei que te vais aproveitar no dia que eu tiver boleia para viver o sonho que sonho todas as vezes que inspiro a maresia.



Sanzalando

12 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XXV)

- Bom dia!
- Só se for para ti...
- Ena pá, que isto hoje está azedo... porque róis as unhas?
- Só perguntas, só perguntas... está para aqui uma pessoa a divagar no silêncio das coisas materiais, na dor da solidão, na lágrima da desilusão e no desespero da irritabilidade e caiem perguntas vindas dum nada qualquer...
- Acalma-te, companheiro de lutas e descansos.
- Qual quê... a rigidez dos meus flácidos músculos já não permitem que eu esteja calmo a ver o tempo voar. Começo a sentir a falta de tempo...
- Tás pessimista... bebe água que isso passa...
- Louco... e pensava que o louco era eu. Ouves o mar? Está em silêncio! Sentes a maresia? Não há nenhum odor no ar. Sinto a fragilidade do meu retiro a fraquejar na ferrugem do tempo. Queres que eu tenha calma?
- Tás entre a neve e a noite escura...
- ... quando queria estar refrescado na tina do calor tropical. Não, não me dês música hoje. Hoje nem o silêncio me é suportável. Nem a minha companhia me é desejável. Deixa-me mergulhar de cabeça no abismo da minha existência e eu encontrarei um ramo onde me agarrar enquanto tiver forças. Mas hoje deixa-me...


Sanzalando

11 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XXIV)

- Sentado nos sentidos apurados de quem absorve a vida através do pensamento. Quadro lindo para toda esta luz.
- Olá. Vens poético interromper o meu navegar no sentido lato das coisas simples que teimo em complicar.
- Pelos vistos hoje estás conversável...
- Hoje escancarei o olhar para lá do que a vista alcança e deixei o meu corpo sintético sair deste esquelético suporte e viajar suavemente pelos nomes dos amigos e assim fazer um trilho que percorro sem me cansar.
- Tens quase o mundo para percorrer...
- ... com agrado o faço. Mesmo quando não lhes vejo, lhes ouço ou lhes toco, eles sabem que eu estou ali ao lado, num virar de cabeça simples.
- Pelo que vejo hoje tens saudades dos amigos.
- Sempre. Preciso deles mesmo quando não estão aqui ao meu lado e estás tu feito arara falante sobre o meu ombro.
- Para mi tu és indiscritível, imperceptível, impernunciável e um grande chato.
- Mas não me largas e até queres ouvir os meus pensamentos, entrar nos meus sonhos e navegar para lá do meu corpo.
- Por acaso até tenho perguntas para te fazer. Um dia fá-la-ei...
- ... e terás o silêncio como resposta ou eu terei a paciência de te responder?
- Deixa que o tempo tenha tempo de decidir...

Sanzalando

10 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XXIII)

- Outra vez à torreira do sol. Tás aqui, tás uma torrada bem passada...
- Que nada. Estou apenas a gotejar pensamentos para dentro de mim...
- ... ferventes?
- Não. Estou a fazer crescer os meus lagos de aborrecimento com suores, com lágrimas e muitos azedos pensamentos.
- Tou a ver que hoje não é dia...
-... todos são dias. Uns mais que outros, apenas isso. Quando se me apaga a motivação eu gotejo pensamentos para dentro de mim de forma que um dia eu tenha uma resma deles... gosto de ter um plano B, até para atar os sapatos. Apenas nunca os contigo ter.
- Sapatos...?
- Doido, planos B! Faz conta aqui à frente está uma janela que deixa ver o azul mar, que deixa passar o sabor perfumado da maresia, que me deixa cantar sons de marulhar, que me trás imagens do antigamente mais antigo do que o antes. Vês, está a nascer um plano B... e ela entra outra vez nele... Que raio de plano B...
- Vai mergulhar... arrefece os ânimos e amolece os ímpetos...
- Não, este mar não é para mergulhar... apenas para eu poisar os meus olhos nele e deixá-los ir no ondular suave dos rolamentos de cloreto de sódio que lhe dá o sabor... É para eu ir longe sem mesmo sair daqui onde me torro em torrentes de calor.
- Eu vou... levo-te no coração enquanto a tua cabeça por aqui fica a gotejar ideias...


Sanzalando

9 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XXII)

- Olho nos teus olhos e parece vejo mar...
- Não me olhes que eu hoje sou água salgada aquecida em sol maria. Me entristece a alma porque não consigo ver nada para além dum agora. Assim como tu estás sempre, estou eu agora. Até parece não tenho futuro e apenas alicerces de passado mal passado.
- Oh, lá lá. Situação aqui parece preta...
- Não consigo acompanhar os meus passos com fotogramas de realidade, não consigo verbalizar todas as quedas que caio. Apenas ouço a minha boca falar palavras caladas de faz tempo.
- Como é o tempo do silêncio?
- Além de calado é cacimbo que cacimba na cabeça destapada numa noite sem dormir.
- Tás... péssimo...
- Maneira negra de ver as coisas que não se vêem... talvez seja esse o meu segredo que faz tempo eu procuro.
- Parece fechas as portas...
- ... que nunca consegui abrir e não sei se algum dia vou ter força para lhas abrir.
- Não te esqueças que começar de novo é apenas começar novamente...
- Tantas vezes comecei que não sei se alguma vez acabarei... talvez... eu seja eternamente um ser calado mergulhado em mar de saudade.


Sanzalando

8 de julho de 2010

Diálogo duma só voz (XXI)

- Pensei que te tivesses derretido com o sol, te tivesses evaporado na onda calórica do tempo, te tivesses escondido dos olhares indiscretos dos velhos merdosos que te agouram tragédias nas comédias do dia a dia...
- Entrei apenas numas férias de ser visto. Estava aqui mas apenas eu via. Me camuflei atrás da cortina feita com os raios de sol num bordado de ilusões. Mas daqui não sai e nem perdi os meus sonhos, nem calei as minhas canções que nunca cantei. Quando aqui tombar a neve... eu irei viajar no yellow tambarino da vida calada para a eternidade da saudade que sei vais sentir. Eu sei quem sou mesmo quando não sei para onde vou...
- Um dia te entenderei... mas tá difícil...
- Velho do Restelo e seus arredores. Olha bem para a linha do horizonte e diz-me o que vês...
- ... o fim do mar e o início do céu.
- ... materialista... há muito para lá dessa linha, desse início e desse fim... aprende a ver com olhos de futuro.

Sanzalando

2 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XX)

- Como é que é?
- É!
- Deves ser a pessoa mais anti-social que conheço...
- ... não conheces mais ninguém, é?
- O sol hoje não te nasceu?
- E tu com isso?

- Desabafa... te ouvirei sem interromper, sem comentar e sem fazer caretas que traduzam o que eu possa estar a pensar...
- Tu me ficas a ouvir e eu nem sei que caras fazes porque apenas olho para os meus pensamentos... Agora queres fazer de psicólogo?
- Apenas quero ajudar-te com um olhar de inocência...
- Deixa-me sofrer os meus sonhos no silêncio das palavras que não disse, não escrevi e se calhar nem as pensei.
- Me sento a teu lado?
- Como te apetecer gastar o tempo. O meu gasta-se num gastar lento de ver o dia que um dia vai chegar numa madrugada de muitas noites passadas, talvez orvalhado de lágrimas, talvez apenas chegue num chegar sem ser dado conta. Senta-te, parte, fica ou talvez não. Não sei de mim, quanto mais de ti...
- Me deixas chorar lágrimas invisíveis de sofrer por ti, calado para não te magoar...






Sanzalando

1 de julho de 2010

Diálogos duma só voz (XIX)

- Torrando ao sol que nem lagarto...
- Rezingão... deseducado... bruto e outros adjectivos que nem reconheço na gramática pouco prática dum qualquer dia de verão.
- Que me contas hoje, se é que fizeste mais alguma coisa do que pensar.
- Pensar não é coisa? Ignorante, inculto e outros adjectivos inqualificativos.
- Não te reconheço...
- Nunca reconheces porque sabes que eu sou o lado certo do eu.
- ...
- És o lado casmurro. Um dia te vais apaixonar e vais dizer que eu é que tinha razão. Como sempre.
- Declaro-me culpado porém vou sempre existir, mais não seja para te manter acordado.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007