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A Minha Sanzala: deserto de tempo
recomeça o futuro sem esquecer o passado

1 de junho de 2011

deserto de tempo

Debruçado na rocha olho o mar. Não só quero ver o meu reflexo, aquela imagem enrugada, queimada pelo tempo e vincada pela tristeza de já não ser o adolescente que te não conheceu como agora gostava de te ter conhecido, como para ver se a corrente está de feição e me consegue levar-te. Olho o mar como quem vê um futuro agarrado ao presente e embrulhado no passado. Olho o mar porque aqui ficarei o tempo que for preciso até conseguir ver-te a olhar-me por detrás do meu reflexo.
Aqui, ar de seguro perfeito, ideias fixas e sonhos vincados, não mostro as minhas duvidas porque não te ver desvalorizar-me, enquanto te tento olhar até à minha alma conseguir ver.
O sol nasce e o sol se põe e eu aqui, olhando o mar, mesmo que de olhos vendados pelo esquecimento, mesmo com a memória gasta da falta de tempo, te olho na imaginação dum amanhã que irá nascer depois dum qualquer pôr de sol que ficou na memória.
Terra molhada, olhos de lágrimas, eu esqueleticamente te olho até à eternidade, seja ela quando for, neste mar de areia que chamaram de deserto.

foto de Eric Lafforgue 
Sanzalando

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