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A Minha Sanzala: Agosto 2011
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de agosto de 2011

voltando ao cacimbo

Me despeço da areia quente entrando no cacimbo de mansinho para não lhe acordar num susto de lhe arrepiar e ele me trafulhar o resto do tempo com tempo impróprio. 
Me despeço do mar, que  de azul carregado parece é cinza, me desconvida a lhe visitar cedo. Neste despedir custoso me lembro que posso ser assim que nem chuva, ser um passageiro molha tolos ou tempestade que entro no vidro das almas em feridas difíceis de sarar. 
Mas posso ser um livro para ler, antes de ser julgado pelo gosto da capa, ou ser conjunto de letras dispersas numa folha de papel sem sentido.
Afinal de contas sou livre e não me tentem aprisonar em capítulos.



Sanzalando

Tanto mar 17

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30 de agosto de 2011

Madonamente Árthemis


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29 de agosto de 2011

Tanto mar 16

Sanzalando

28 de agosto de 2011

maresiando tranquilidade

Olhei o mar. Calmo, maresiando tranquilidade. Sentei e vi que as ondas do mar estavam devia ser eram férias. Me deixei embalar e fui navegando de pensamento em pensamento como se eu estivesse também era de férias. Olhei tempos de longe, vi tempos de agora, olhei-me por dentro e por dentro vi o tempo passar. Sorri. Deixei o tempo passar e o tempo passou, tranquilo como as ondas deste mar. Me esqueci as tempestades, as calemas e outras intempéries.Ficou-me só esta imagem de tempo maresiado de tranqulidade.
Hoje quero esta maresia. Apenasmente esta. 



Sanzalando

27 de agosto de 2011

Só memórias






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Pôr do Sol - 15

Sanzalando

26 de agosto de 2011

Fotograficamente Árthemis






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25 de agosto de 2011

Um dia





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24 de agosto de 2011

distância e memória




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Tanto mar 15

Sanzalando

23 de agosto de 2011

carta de amor sem destino

Para aqui sentado tentando recordar a primeira vez que escrevi uma carta de amor. Devia ser madrugada, pois, é na insónia que eu sofro mais da memória e me devo ter esmigalhado em triliões de pensamentos sobre ti. Agarrei num pedaço de memória, rabisquei umas tantas frases e como sempre num texto pequenino, poucas linhas, e lá debitei a alma, o tanto que eu te queria ter dito, as promessas que eu sempre te fiz, a vida eterna, os olhares fixos em ti. Essas coisas que a paixão dita e a memória grava numa qualquer página para mais tarde recordar.
Olha para mim agora. Consegues ver-me? Faz um esforço. Difícil não é?
Sentado no sofá duma casa imaginada, saboreando a ideia duma praia, refrescando as palavras de maresia, abrigado das intempéries, acobardado do esquecimento, sonhando contigo como sonhava da primeira vez que te escrevi uma carta de amor.
Como sempre, sou uma casca dura, que tanto tremeu para ter um final feliz e que um dia escreverá o contrário no romance da vida, chorando memórias, sonhos e ideias feitas pesadelos.
Afinal de contas quem é que é o culpado da nossa vida um dia se ter cruzado e não entrelaçado? O destino, como certo eu não me lembrar é eu não me lembrar a quem escrevi a primeira carta de amor.







Sanzalando

Tanto mar 14

Sanzalando

22 de agosto de 2011

Tanto mar 13

Sanzalando

21 de agosto de 2011

Pôr do Sol - 14

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20 de agosto de 2011

Angelinamente Árthemis



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atravesso o deserto

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19 de agosto de 2011

sem sol

Me passeio na areia sentindo a falta de sol e até parece trago nos olhos os desencantos de outros tantos tempos passados. Desbrilhado o sol eu fico assim num entristecer fácil, num ficar longe do mais longe que eu queria estar, num desescolher do brilhozinho dos olhos feito de lágrimas caladas. 
Estar sem sol, sem o teu sol, é uma pressão que eu não sei nem aguentar nem esconder. 
Até que pode parecer fácil matar o tédio de um dia assim, mas a pressão me leva a dizer se a vida é assim eu vou fazer mais como se não só aceitar?







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Tanto mar 12

Sanzalando

obrigada





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18 de agosto de 2011

Tanto mar 11

Sanzalando

17 de agosto de 2011

Tanto mar 10

Sanzalando

16 de agosto de 2011

na areia

Rebolo na areia. 
Fazia tanto tempo eu não brincava parecia ainda era o puto tímido de outras eras, calção gasto de tanto sentar nos muros dos vizinhos em longas conversas de quase nada sobre tudo, calçado nos meus nonkakos feitos num pneu que deve ter calcorreado ruas sem fim.
Mas hoje eu rebolei na areia como nesses tempos em que tudo era tão forte, tão profundo, tão bonito que acho eu ainda não conhecia se quer a palavra feio. Eu brinco com os grãos de areia que se colaram no corpo como se cada grão fosses tu, o teu cheiro, o teu perfume, o teu odor.
Eu hoje rebolei na areia e acho não precisava doer assim tanto ter recordações.
Eu sei, é lindo ter memória, recordar vidas que me passaram. Mas dói uma dor cujo remédio só podes ser tu e por isso ainda não tenho cura. Mas um dia eu vou ter.



Sanzalando

Tanto mar 9

Sanzalando

15 de agosto de 2011

Percorro segundos, minutos ou horas por esta praia escaldante que me atormenta ao mesmo tempo que me brilha a alma e não consigo perder o medo de não conseguir manter as minhas ideias, os meus pontos de vista, as minhas escolhas, os meus sonhos e fantasias.
Procuro distrair-me com o bater das asas dum beija-flor, com as acrobacias duma ou outra andorinha e a minha cabeça é como um bola que não permite que eu estacione num ponto qualquer da felicidade.
Verdade. Se por mero acaso encontro um lugar seguro onde o sorriso se abre e os olhos brilham, logo a minha cabeça ou os meus medos me dizem para circular.
Hoje não circularei porque o quente da noite do dia do fim do cacimbo me atormenta calado numa pausa merecida.



Sanzalando

14 de agosto de 2011

porções caladas

Eu tenho uma porção de coisas para te dizer. Sabes, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas. Bem que percorro esta praia de agora maré vazia, como que a arranjar palavras que acho foram afogadas na maré cheia. Bem que procuro na areia das mil cores e mil formas as silabas certas para te dizer no ouvido o tanto que eu tenho para te dizer que acho nem porção de livros têm tantas palavras assim para eu usar.
Afinal de contas eu não te vou dizer porque sei não vais ouvir como sempre me fizeste.
Vou só mesmo soletrar em pensamentos essas coisas todas que um dia, sem maré, eu te vou dizer. 
Vou só te olhar desde aqui como quem não te vê, só mesmo para um dia eu me lembrar de tantas porções de coisas que eu não te disse e as ilusões que tive antes que elas me acabem


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Pôr do Sol - 13

Sanzalando

13 de agosto de 2011

voa o tempo faz de conta

Corre um fim de tarde como se a noite fizesse questão de chegar. Pelo menos é o que me dá de aparecido. Acho o minuto tem a duração do segundo. Já sei, vais dizer que eu deliro por causa do sol que solei na cabeça enquanto olhava-te deste lado do mar.
Pronto, o tempo voa, faz conta é um andorinha, uma gaivota, uma águia (esta não teve piada para o Benfica) e não uma galinha. É que nem me dá tempo de pensar para falar em voz alta. É tão rápido que quando abro a boca já saiu só o ponto final.
Mas eu sei que o medo é só de coisas supostamente coisas. Pelo menos eu não tenho medo do agora mas só mesmo do depois de agora, desse futuro desconhecido que vai chegar rápido com esse tempo que voa, faz conta é andorinha e etcs, essas outras aves raras.


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Mecânicamente Árthemis


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Tanto mar 8



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12 de agosto de 2011

olha-me esse mar

Me olha só esse mar.  Não precisas dizer nada. Senta só aqui e olha esse mar desde aqui ao meu lado. 
Não te preciso dizer promessas nem outras palavras, nem rir nem sorrir só por simpatia, te faço carinhos de olhar, se olhares com os meus olhos este mar.
Vês esse brilho que vai até no infinito? É o brilho da minha alma quando te penso.
Sentes esse perfume de maresia? É o meu cheiro quando te penso.
Vá, olha esse mar comigo usando os meus olhos.
Se eu te pudesse dar a mão? Ambos de mão dada a olhar esse mar.
Eu morrerei um dia a olhar este mar desde o teu lugar e com os teus olhos, mas por favor, olha agora este mar aqui comigo, com os meus olhos.







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Tanto mar 7

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11 de agosto de 2011

Tanto mar 6

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10 de agosto de 2011

Tanto mar 5

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9 de agosto de 2011

Tanto mar 4

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8 de agosto de 2011

coração matumbo

Me atiro num por aí sem rumo nem destino à procura de te conhecer e descobrir um defeito para colocar no meu coração. É, eu queria que ele visse assim qualquer coisa e deixasse de morrer de amor. Mas desconsigo. Sei que tens defeitos, que tem erros, que isto e mais aquilo. Eu sei mas ele não sabe e parece até nem quer saber.
Sabes, ele te vê como quem olha numa rosa de porcelana, como quem beija num pôr de sol, como quem sente uma carícia numa manhã de cacimbo. Como é que eu lhe vou dizer tantas coisas que eu te penso e ele não faz nem uma ideia por mais pequena que seja.
Acho vou ter de virar fera, gritar com ele e dizer que tu não és nem princesa nem salvagem.
Eu sei, ele me vai dizer nas calmas dele: ela me é perfeita e vou fazer mais como então?





Sanzalando

7 de agosto de 2011

estou aqui vagabundado em palavras

Passeio na areia escaldante, dizendo ais e uis e blasfemando pelo facto de me ter aventurado nesta areia. Não há necessidade de sofrer assim para recordar o passado em que pé ante pé, ai e uis silênciosos, procurava sombrinhas côr de laranja ou biquinis azuis, fugia do pica pica ou procurava alguma mancha vermelha de tanto sol em tão pouco tempo vindo dum planalto perto de mim.
Mas foi o que me deu e aqui estou eu blasfemando pensamentos retrogados enquanto me passeio num tempo intemporal. Na verdade não sou de me iludir nem de esperar mundos e fundos e antes um aperto de mão circunstancial que dois beijos faciais de traição dados com a intensidade da mentira. Afinal mesmo estou para aqui a me bronzear em imagens de passado, em memórias vivas amarelecidas pelo tempo, sem puxar o saco de ninguém, sem conveniências e sem me rir a bandeiras pregadas na desgraça da solidão. Estou aqui, saltitando na areia escladada duns sonhos sonhados em olhos bem abertos, procurando nas minhas memórias a juventude que se vai evaporando na quentura dos tempos que passam.
Estou por aqui a tentar não ser um livro que pela capa é desprezado, pelo conteúdo é massador, pelo enredo enfadonho e pelo peso é ilegível.


Sanzalando

Pôr do Sol - 12

Sanzalando

6 de agosto de 2011

Giselemente Árthemis


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Tanto mar 3

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5 de agosto de 2011

Tanto mar 2

Sanzalando

4 de agosto de 2011

and rockandrollmente Árthemis




Sanzalando

concÊntricos círculos

Percorro caminhos sem fim em passada desprendida de tempos ou vontades. Um hábito, um vício ou outra coisa qualquer, e me deixo concluir que o mal sou eu tentando ser o centro dos círculos concêntricos que penso que sou. Mas na verdade, só me posso aproximar assim dos outros quando eu me conhecer no eu que existo em mim. Antes de atirar os braços para te abraçar preciso saber o que tenho dentro destes braços. Não os quero atirar com um espaço vazio no meio. Também não quero ser igual aos outros e ser apenas mais um a ter como os meus pensamentos os deles.
Calcorreio caminhos sem parar, busco identidades, memórias e sonhos, ideias e fantasias. Tu és o centro dos meus concêntricos círculos.



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Tanto mar 1

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3 de agosto de 2011

Reflaces


Sanzalando

te telefonei ou me esqueci?

Te telefonei e foi mais ou menos assim:
- Então, como vão as coisas por aí? 
- Por aqui está tudo na mesma, um pouco triste, um pouco vazio. 

- Estes dias eu pensei muito sobre nós. Pensei no tempo em que eu achava que te estava a perder. Agora eu posso perceber que só aprendi com isso. Eu aprendi muitas coisas com o passar do tempo, entre as lições da vida, aprendi que as pessoas nem sempre são o que elas demonstram ser. Eu sou a maior prova disso, pelo menos para mim e olhando para as minhas muitas desistências...
- Eu desejo-te tanto. Espero que um dia tomes todas as decisões  com um rumo certo. Aliás, eu espero que, ao menos, as coisas tomem um rumo.




Mas foi assim que tudo aconteceu na minha cabeça. Eu de repente me vi perdido num por aí e não havia nenhum telefonema e tu nunca pensaste em mim com cabeça de pensar. Tudo existiu apenas na minha cabeça e só. Sei que deu para aprender, sei que deu para eu me falar de ti e ver-te como eu te quero ver.
Não estou perdidamente perdido num esgotar de existência, talvez lamente um pouco a impaciência ou a escassez de tempo. Não lamento as facadas que me dei na alma quando eu pensava que eu era dono do meu universo e não precisava de ajuda para tomar as decisões que acabei por não tomar.
Tu, como sempre estiveste ao lado, do lado de lá num paralelismo sem fim e nunca tiveste um olhar para ver se eu conseguia ser salvo da indecisão
Afinal eu telefonei com a imaginação e tu não tiveste imaginação para me atender.
É bom te amar com todas estas minhas deficiências e incongruências assim como é bom chorar-te por minha culpa e defeito.
Um dia destes, te telefono de verdade e ponho um selo nesse passado e remeto para a estante do esquecimento



Sanzalando

2 de agosto de 2011

Reflaces





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Reflexões facebookianas (1)

Ligo o Facebook e me aparece 'em que estás a pensar?'
Com esta familiaridade toda tem momentos que até me apetece responder e quando respondi deu neste conjunto de frases soltas, desconexadas, reflectivas, adjectivas, objectivas ou coisa nenhuma.





A vida é muito curta para esperar que o corrector seque. Risca e continua a escrever - JCCarranca reflectindo porque não tem mais nada que fazer


Não imagino onde me leva o destino, mas não fui eu que escolhi. JCCarranca reflectindo enquanto olha uma bússula


A vida pode surpreender em questão de 1 segundo - JCCarranca reflectindo sobre a falta de tempo quente

 Não me lembre dos meus erros, eles me perseguem o dia todo - JCCarranca reflectindo porque não é tolo





Pensamentos, assim como cabelos, também acordam emaranhados - JCCarranca reflectindo sobre se corta o cabelo ou deixa de pensar


Um dia aprenderei a fechar ciclos e a deixar de dar pontos finais - JCCarranca reflectindo para 'chatear'
Na noite todos os gajos são parvos mas se bebem então não há adjectivos - JCCarranca delirantemente reflectindo


O caminho é longo, eu sei, pelo que temos que ter pernas para andar. Por isso me treino. JCCarranca reflectindo em delírio


Os amores mais bonitos são aqueles que nunca foram usados - JCCarranca reflectindo porque sim


Se me disseres bom dia e eu não te responder, não te admires, sai do meu corpo para me ver por fora. - JCCarranca a reflectir sobre um narciso


Não pretendo ver a glória dos fracos nem a destruição dos fortes - JCCarranca reflectindo revolucionariamente por dá cá qualquer coisa


Basta nascer para começar a sofrer, tudo é impermanente, não te iludas - JCCarranca sem razões para reflectir


A vida é definida pelas oportunidades, talvez as perdidas - JCCarranca reflectindo à toa


Antes de ferir um coração, lembre-se que você pode estar dentro dele - JCCarranca reflectindo sobre coisa nenhuma


Será que eu me lembro que atrás dum olhar está sempre uma pessoa? JCCarranca a reflectir porque sim.


Um coração partido lembra-se de todos os detalhes e de todos os lugares - JCCarranca em dia de reflectir sobre nada em especial


Afinal de contas eu não preciso de certas pessoas. Preciso mesmo é das pessoas certas. - JCCarranca em momento de reflectir sobre nada


A saudade não trás nada de volta e um ar carrancudo não esconde um medo - JCCarranca em dia de reflectir sobre nada


Nem todas as palavras são sinceras, nem todos os sorrisos verdadeiros - JCCarranca em dia de reflectir sobre nada


Disseram-me que o orgulho não me ia levar a lado nenhum e eu respondi, em silêncio, que até era bom, uma vez que não queria sair daqui - JCCarranca em dia de reflectir sobre nada


Primeiro viva a minha vida e só depois terá autoridade para dizer que é errada - JCCarranca em dia de reflectir sobre coisa nenhuma


Quando tudo nos parece dar errado, acontecem coisas boas que não teriam acontecido se tudo tivesse dado certo - JCCarranca em dia de reflectir sobre nada


Ninguém é tão feio como na identidade, tão bonito como no Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático como no Twitter, tão ausente como no Skype, tão ocupado como no MSN e nem tão mal amado como na vida JCCarranca reflectindo para onde estava virado

Sanzalando

1 de agosto de 2011

até ter tempo

Já percorri o mundo desde aqui a minha praia. Embarquei em navios de luxo, pesqueiros, casca de noz, catamarans e outras formas de andar na água. Já remei contra a maré, apanhei boleia nas ondas, dei murros em pontas de faca, me rebolei na rebentação. Aqui me diverti, chorei e magoei. E nunca mais daqui saí. Acho encalhei e, num quase pronto a desistir, me atirei à água e nadei com toda a força que tinha. Cinco metros mais à frente parei para pensar e pensei em ti, como sempre. Não tenho outros argumentos, vou fazer mais como?
O zulmarinho me abraça, me conta os teus segredos, me leva lembranças, mas me separa.
Eu fico aqui até ter tempo de sair daqui. 




Sanzalando


WebJCP | Abril 2007