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A Minha Sanzala: a cor da lembrança esquecida
recomeça o futuro sem esquecer o passado

28 de fevereiro de 2012

a cor da lembrança esquecida

Olho o longe mar desde aqui na ponte velha. De verdade eu lhe conheci ela já era velha. Hoje ela continua velha. Se eu fosse mais velho eu ia dizer que ela nunca trabalhou porque eu nunca lhe conheci a trabalhar. Sé serve mesmo é para dar mergulhos e apanhar mexilhão. Pelo menos é só assim que eu lhe conheço. Se calhar já vi aqui alguém de fio de pesca a apanhar mariquita e balhacu. Também nunca vi ninguém pescar outra coisa. Mas a verdade é que hoje estou na ponte velha que está mais velha mas ainda não tão velha que eu lhe chame de ruína arqueológica.
Mas eu vim aqui olhar o mar e chorar. Pudesse eu me deitava nestas tábuas carcomidamente velhas e chorava sem parar e sem pensar no mundo, nesse que tem lembranças que volta e meia vêem à cabeça faz de conta é martelo a te recordar de pessoas e gentes que não sabes mais o que é feito delas.
Olho à volta e se dum lado vejo areia, doutro pedras, em frente eu vejo mar azul sarapintado de barcos parados faz tempo querem descansar, mas não tenho onde me deitas sem me sujar dessas lembranças ausentes.
Aqui na ponte velha, mais velha que o meu tempo, recordo o Drs. Brandão, Balsa, Resende, e esposa do Dr. Coutinho, a Dra. Lucília Rocha, a Elsa. Nunca foram meus professores. Não sei se eram bons ou maus profs como se diz agora. Sei que nunca apanhei com eles nas aulas e não sei porquê hoje me fui lembrar deles, aqui na ponte velha onde não tenho onde me deitar.
Olho para mais longe, quero fugir deste choro calado que me veio à lembrança e vejo lá longe um barco grande que parece se vai embora. De que cor estão os meus olhos agora? pergunto-me sem se quer saber que os olhos brilhantes de lágrimas continuam a ter a mesma cor de olhos de outras horas.
Deitado na ponte velha, passo horas a pensar, está tudo sem cor porque eu vim aqui para ver o mar e chorar e afinal eu estou a me lembrar de gente que nem conheço ou alguma vez se apercebeu que eu existia. 
Não existe mais cor no lugar que eu olho de lembrança esquecida que me recordo desde aqui na ponte velha que eu conheço já velha.

Sanzalando

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