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A Minha Sanzala: domingo à tarde
recomeça o futuro sem esquecer o passado

26 de fevereiro de 2012

domingo à tarde

Fico por aqui sentado na Cábula. Vou comer um sorvete, não vou nas aulas nem vou vagabundar pelo parque infantil. Vou fazer hoje desta esquina o meu quartel general. É daqui que vou comandar as minhas mentais tropas, meus generais pensamentos e meus sargentos sonhos.
Para já, desta velha pasta de cabedal que me acompanha desde a escola 56, tiro uma sebenta de capa vermelha e uma bic azul roída na tampa. Na avenida que vai até ao colégio e vem desde a casa do Bento nem viv'alma, de carro ou a pé. Tirando eu que estou sentado nesta esplanada comendo o meu sorvete, não tem mais ninguém no mundo. Do Bairro da Mineira ninguém desce. Da cidade ninguém sobe. Vais ver é hora de ouvir rádio em família. 
Ouço os animais do parque infantil. É um pássaro que canta. Nem lhe seiu o nome e os nomes que sei não cantam, ruidam. Eu sorri olhando para a folha em branco da minha sebenta vermelha. 
Ao lado o liceu parece casa de fantasma. Nem ruído nem movimento.
Tiro a tampa da caneta, num movimento involuntário ponho a tampa na boca, e comecei a escrever.
Vou escrever um poema, decidi. Um poema à minha cidade. Voltei a sorrir.
Escrever poesia é piegas. Vou escrever mesmo em prosa, assim fosse uma carta a descrever a minha cidade que adormeceu num domingo à tarde.
Mas só consegui escrever que com todo o amor do mundo a minha cidade está ali silenciosamente à minha espera.


Sanzalando

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