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A Minha Sanzala: gastar de angustia
recomeça o futuro sem esquecer o passado

19 de fevereiro de 2012

gastar de angustia

Me sento no passeio alto do liceu velho, de lado para o tribunal, de frente para a Rua dos Pescadores e tento me reler em voz baixa páginas da minha memória. Não sei se é qualidade ou defeito, apenas sei que gosto de ser directo e objectivo. Sei o meu nome, a minha idade, o que faço, mas não sei por onde vou começar a ler essas páginas da minha memória. 
Na verdade uma angustia me invade o corpo, faz para aí uns cinco minutos. 
Leio ou esqueço as páginas da minha memória? Já fui carro de rolamentos, vagabundo nas horas livres e paraquedista numa esplanada de café. E agora? Aqui sentado, vestido com os meus calções coçados de uso, minhas sandálias gastas e remendadas, pensando em gastar o dia num dia normal, lendo sonhos e voando imagens, e afinal, estou angustiado, faz pouco mais de sete minutos.
Até agora não passou nenhum carro por aqui. Ali na curva e contra curva do tribunal se passou era silencioso que eu não dei por ele. As crianças não brincam mais na rua porque outros brinquedos inventaram e lhes fecharam em casa. Eu aqui, sentado, no passeio alto do liceu velho, descanso as horas que passam sem saber se leio as páginas da minha memória ou se me deito por aqui a esperar que o céu escureça para eu ver as estrelas que vão cintilar mais uma noite. E a angustia gastou-se em dez minutos

Sanzalando

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