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A Minha Sanzala: sabor de sorriso preciso
recomeça o futuro sem esquecer o passado

28 de julho de 2012

sabor de sorriso preciso

Mergulho na praia. Pouco importa é inverno, está cacimbo e mãe me mandou vestir casaco. É, ela manda vestir quando ela tem frio.
Mergulho mesmo como que a lhe castigar. O corpo, o meu corpo que leva a alma junto. Esse que pensa é jovem mas sofre de idade, de saudade e de amor de tantas coisas. Lhe dou um banho de mar gelado que ele até se arrepia na alma. Certeza tenho é que hoje não tem pica-pica no mar a me deixar gritar de dor de urticaria. Dói mesmo é de frio.
Mas que lhe faço sofrer, faço. Não me interrompas que eu já te digo mais o porquê.
Hoje comecei mais um dia de linhas direitas. Vou fazer isto, aquilo e mais aquele outro. Só não vou mesmo é pensar, sonhar, recordar, imaginar e fazer esforços de memória para ver só as cisas boas. Não vou no parque infantil, porque a idade já não é a mesma e o tempo passou. Não vou na saída da missa que hoje não é dia e também a idade e as hormonas não são mais as mesmas. Vou fazer só mais linhas perfeitas, caminhar longos caminhos em direcção no futuro, não me desviando do risco invisível que tracei e picotei de interrupções umas tantas vezes. 
Bumba, virou na rotina. 
Pensei-te. Sonhei-te. Recordei-te. Quando é assim, não termina bem. 
Se apagou o sorriso que se afogou na lágrima que não saiu. 
Porque é que eu não consigo seguir a linha recta feita de régua e esquadro, como as ruas simétricas da minha cidade, imagino está de ruas desertas deste cacimbo que cai parece é noite branca.
Mergulho. Me arrepio. Suspiro e me sento na areia à espera duma qualquer reacção que eu não quero é pensar. Apenas se desprendem lágrimas que caiem silenciosamente sem perturbar o marulhar desse mar gelado que me entrelaçou arrepios sem me tocar na alma e não me mandou nenhuma canção de kianda.
Bem, vou ter de esperar amanhã eu consiga seguir a linha recta traçada, fugir desse mar, desta simetria de ruas, destes cruzamentos de pensamentos e sonhos, engolir o sabor amargo da saudade e quem sabe ganhar um sabor doce de sorriso.


Sanzalando

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