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A Minha Sanzala: Abril 2012
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de abril de 2012

Bicicleta 26

Sanzalando

29 de abril de 2012

Asa - Subway



apenas porque gostei

Pensar e Falar Angola

o tempo de hoje é de sorrir

Faz frio e está a chover. Um dia bom para estar num canto, mantinha sobre as pernas, conversa afinada num monólogo, num diálogo a dois ou outros tantos mais.
Importa é sorrir. Sempre.
Pode nada estar a dar certo, pode o frio entrar na alma e gripar a engrenagem da vida, mas me lembro que tudo só pode mesmo é melhorar e sorrio.
Quase sempre depois da tristeza vem um rasgo de felicidade. Penso eu, que a experiência não me faz compêndio.
Se escorrego e trambulho num chão qualquer só tenho que me levantar, mesmo que demore um pouco. Me fortaleço, me recupero e me ergo.
Sorrindo sempre, mesmo que às vezes pareça que preciso de senso.
Faz frio e está a chover. Não posso dialogar, monologo-me, com uma mantinha sobre as pernas fechando a tristeza num armário qualquer do sótão.
Tristeza, felicidade, solidão, multidão, silêncio, barulho. Tudo tem o seu tempo e hoje é tempo de chover e fazer frio.


Sanzalando

Bicicleta 25



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 Sanzalando

28 de abril de 2012

Bicicleta 24

Sanzalando

26 de abril de 2012

Tira 37

Sanzalando

25 de abril de 2012

algum dia vai ser assim

Algum dia, um alguém mais parecido comigo, porém mais velho, te vai aparecer e te vai prometer cuidar como nunca fui capaz de te cuidar. Te vai dar conselhos, de mais velho, te vai abraçar em abraços de calor e protecção, não te vai dar lições de moral, nem de história nem estórias de embalar ou enganar. Te vai segurar a mão na sua tremula mão e se calhar te vai perguntar tantas coisas e nem vai te dar tempo de responderes.
Algum dia, mais velho, vai beber contigo um café amargo para evitar doces, te vai fazer rir para evitar lágrimas e te vai cantar canções de amor feliz para não adormecer.
Vais ver que esse mais velho vai te dizer que sempre esteve contigo, mesmo quando era impossivel veres porque ele estava longe do espírito. Vai te dizer que nunca mais vai deixar o corpo vagabundear longe do espírito. 
Depois, esse mais velho vai repousar para te ouvir, sem te interromper e até que os olhos se fechem te vai sussurrar que sempre foste o amor da vida.

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Bicicleta 23

Sanzalando

24 de abril de 2012

Me sentei a ver o zulmarinho, esse mar que me leva daqui até onde está a minha alma. Amar-te assim é uma prerrogativa amorosa torturante, asfixiante e se calhar até capaz de ser loucamente mortal. Imagino-me, aqui sentado, como terá sido a ansiedade que senti daquela vez que eu abri a porta, após tantos anos, e te dei um beijo. Lembro-me que o cérebro ferveu e o coração fugiu-me assim como o chão onde eu me erguia feito herói. Transpirei num fervilhar de emoções. Já foi tempo a mais de intervalo, mesmo que tenha sido escolha minha deixar a porta fechada e segurando a maçaneta timidamente adio a reabertura.
Será que tenho medo que as minhas bases tremam até ao desabamento do meu pesado corpo?
Será que não consigo cumprir as promessas que fui fazendo?
Aqui sentado, ouvindo o zulmarinho, me encho de perguntas das quais não sei se quero saber a resposta. 
Aqui sentado me esqueço da sensação de queda livre num sonho sonhado em páginas de horas sem fim.
Tudo é real. Tu és real e eu sou fruto imaginário da minha pequena realidade.
Aqui sentado, ouvindo o zulmarinho marulhar contra as pedras que me protegem tenho medo de reabrir a porta. 
As minhas mão estão suadas e o meu coração bate fortemente que nem sei se um dia ele vai aguentar bater tanto assim.
Foste, és e serás minha enquanto eu tiver capacidade de sonhar e de ver através dos meus olhos fechados que estás ali, do outro lado do mar.


Sanzalando

Tira 36

Sanzalando

23 de abril de 2012

bicicleta 22

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21 de abril de 2012

tira 35

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20 de abril de 2012

de coração, de memória de sonhos - adeus

Já percorri todas as curvas do teu desenho geométrico, já falei com todos os que te conheciam. De memória pouco há que me falte lembrar, já estou completamente vazio, as borboletas dos recantos voaram e no lugar delas permanece a penumbra duma vaga ideia, mesclada num nostálgico vazio. Perdi aquela sensação dum amor que foi bom enquanto durou. A sua eternidade foi efémera. Ficou só mesmo a sensação de que ambos existimos. Tu aí, eu aqui e talvez um dia nos sentemos a recordar num diálogo de silêncios. Sinto acabada a fantasia do nós. Pelo menos agora em que parece que entrei numa guerra interior que não comprei, não pedi nem procurei.
Poderia dizer-te que o coração te grita, que o cérebro reclama e o orgulho abafa. Mas não quero entrar nesse oceano de ilusões.
Por amor, dirias, vale tudo. Eu replico menos sentir dor, menos sofrer.
Tu não és o meu jogo de tabuleiro feito quadriculado de ruas que sobem e descem, sem sentido plano de tem que haver sorte ao jogo ou teremos azar nos amores.
Dominas o meu pensamento, preenches os meus sonhos, pelo que não vou esquecer-te, vou-me de férias de ti.
Olho para o mapa e tento ver se te vejo. Cidade pequena de tanta areia que não encontro senão dentro do meu coração, dentro da minha memória, dentro dos meus sonhos.
Preciso amar-te tanto para poder esquecer-te.
Adeus cidade que hoje termino a minha vadiagem por ti.



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jantar



Enviado do meu Windows Phone

Tira 34

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19 de abril de 2012

Tira 33

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18 de abril de 2012

Tira 32

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17 de abril de 2012

Numa rotunda da cidade da vida

Estou na rotunda do Hospital assim como quem não sabe para onde ir. Vou na Escola Industrial visitar quem já não sei mais quem é? Vou nas Obras Públicas ver se já posso tirar a carta? Vou para sul e me perco na areia que está depois do campo do Benfica?
Me sinto misturado e confuso num difícil de me entender. Aprendi tantas coisas e não aprendi a pensar em ti. 
Sei que não sou mais o mesmo miúdo que calcorreava a cidade de calções feito vadio certinho, ajuizado e tão naif que fazia as mais variadas perguntas apenasmente para saber mais coisas. Mas nunca aprendi a perguntar se estavas feliz ou apenas bem.
Eu não estou bem nem feliz. 
Estou na rotunda sem saber onde ir. Na verdade levo a vida. É, eu a trago do jeito que lhe encontro, não aprendi a lhe modificar, nem mesmo quando calcorreava a cidade com os meus noncacos, as minhas sandálias feitas de pneu de carro mais que careca.
Acho vou caminhar para sul que estou faz tempo que estou parado na rotunda. O dispensário me olha e parece me pergunta se já fiz a vacina do BCG. O Hospital me escuta e parece quer saber eu já fui operado a alguma coisa. O Liceu se admira de eu não estar em aula. As Obras Públicas, lá bem no fundo, me esperam para me mostrar a carta de condução que um dia eu lá vou tirar. Acho vou para sul que nada tenho a encontrar.


Sanzalando

16 de abril de 2012

diálogos de pensamento

Assim mesmo sem rodeios eu me sento na esplanada do Hotel Turismo. Quem é que me vai ruar daqui? Vou ficar aqui, mesmo que tem gente que nem me liga, que nem sabe eu existo. Hoje me vou armar, vou ser do jeito que tu gostarias eu fosse. Calça passada a ferro, sapato engraxado, que acho eu já não sabia a cor deles antes mas acho acertei, camisa aos quadrados grandes. 
Me sentarei e pedirei um café e um copo de água que acho é assim eles lhe bebem. 
Vais passar no teu passeio de fim de tarde e sei vais me olhar e te vais perguntar o que é que ele faz ali sentado. Eu em pensamento te vou responder que faço figura de parvo como todo o apaixonado parece que é que faz, e tu vais ficar de boca aberta um milionésimo de segundo. Enfim, o tempo necessário que eu demorarei a pensar que te gosto. 
Ou será que tu estás a pensar que eu não me cansei de ser um nada na vida?
Vou ser gente e vou começar desde hoje. Na Esplanada dos ricos, dos que fingem ser ricos e das ricas pessoas que apesar de não terem guita são gente. É aqui que eu decidi e é aqui que eu me te vou mostrar nesta ascensão até ser um monte de nada, porque sei o futuro e, entre nós, não existiu mais nada que a minha vontade enorme de ser teu.

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Tira 31

Sanzalando

15 de abril de 2012

mais o que?


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Tira 30

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14 de abril de 2012

Tira 29

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13 de abril de 2012

Fui ao Horto para lhe ver

Passeio no horto porque não me apeteceu ir no Mercado. Não é bem assim. Vim no Horto mesmo só para ver uma garina que não me olha e ela mora aqui bem pertinho. Eu sei lá o que é que são estrelícias, orquídeas, malmequer ou outra flor que não a rosa de quintal. Venho aqui para perfumar minhas narinas enquanto tento ver as garinas da minha alma. Verdades são para dizer e mentir é coisa de pecado que faz perder o sono, amogos, amigas e outras coisas mais.
Retomo. Vim passear no Horto para ver uma garina que mora aqui perto. Nesta altura da adolescência é a fase crítica de ligar uma garina com uma música. Esta aqui me faz lembrar o Because I love dos Majorety One. É a música que liga o sentimento ou coisa mais ou menos parecida. 
Já sei que fui bobo em pensar que um dia ela seria para mim. Acho mesmo ela deveria ser o Song song blue de Neil Diamond.
Mas afinal de contas eu vim falar do horto ou das músicas da discoteca da paróquia que me correm na alma?
Eu vim ao Horto para ver uma garina que mora aqui perto e ponto final sem parágrafo, pois se não daqui a pouco eu estou a dizer que você levou tudo de bom que era meu e coisas e tais de ir às lágrimas.
Já sei que na minha cabeça ainda ecoa o Because I love you, mas isso eu vou cantarolar o resto do dia e não é por isso que agora consigo recordar o teu nome que esqueci no queimar do tempo que perdi a crescer. Daí eu voltar a assobia o Song song blue porque toda a agente tem uma canção triste ou sabe de alguma.
Em resumo vou resumir-me numa canção Let it be e ponto final


fotografia de Oratura...dos Ogros
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12 de abril de 2012

Tira 28

Sanzalando

11 de abril de 2012

Sou mais do que pareço

Sentado no muro da casa em frente ao Liceu, fazendo horas de ir fazer qualquer coisa, que ainda não me habituei depois destas férias de Março, dou comigo a imaginar que sou muito mais do que pareço. Quantas vezes pensei esta frase? Quantas vezes já a rascunhei? Tantos significados ouvidos na surdina do meu silêncio ecoam após esta frase imaginada.
Tento equilibrar-me, porque não só estou mal sentado como também o muro não é feito para sentar já que tem uma floreira no seu meio. Deve ser mesmo para a gente não sentar. Ainda Bem que o Dendeka não plantou cactos por aqui. Mas deve ser o balanço de frase tão profunda que me faz oscilar. Sou mais do que pareço! Sinto inveja da minha perentoriedade. Falo caro para pensamentos caros usando palavras que nem soletradas eu acertaria. Mas é como tudo na vida, mesmo com quedes de chumbo eu sou capaz de correr mundo sem sair deste muro em frente do Liceu.
Já sei... há coisas melhores na vida para fazer. Mas aqui eu sou rei, mesmo sem coroa, encantado mesmo sem encanto. Eu sou o que quero ser levado na imaginação sem ter que dar tiros no escuro da desilusão. 
Angustia? Sonhos? Incógnitas? Tudo aqui é possível, depois das férias de Março em que ainda não me habitei a ter que fazer.
Aqui vou dançar a valsa do meu silêncio enquanto não saem as turmas da tarde do Liceu que está à frente do muro onde me sento a imaginar que sou mais do que pareço.



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Tira 27


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10 de abril de 2012

Idiotice




Sanzalando

Saudade

Faz tempo que não faz frio e faz também tempo que não chove e por isso não ouço o barulho reconfortante da chuva que cai com força no telhado de zinco do armazém do quintal. É só silêncio e daquele que incomoda. 
Os meus amigos devem andar vagabundando pelos sítios do costume e eu aqui sentado no calor a pensar em frio e chuva. A Rádio transmite a Voz do Subúrbio e eu inconscientemente danço sentado na cadeira a rebita que sonhei um dia desfrutar lá para os lados do Forte de Santa Rita.
Olho pela janela e recebo tranquilidade, essa paz que me perturba e por vezes me assusta por falta de hábito. 
Se tivesse frio e estivesse a chover eu ainda tinha desculpa para estudar. Mas nem o faço e nem vagabundo com os meus amigos. Enclausurado sustento o mundo nas costas. Castigo meu que se encaixa nesse vazio em que me sinto.
Faz tempo, incerto como as certezas em que sempre apostei, que crio expectativas de receber um alô, pronto, está, na tua voz tropical e quente que eu não sei mais como é, assim como não sei se a minha ainda continua a doce voz que gostavas de ouvir. 
Sei que isto tem um nome e se escreve simplesmente SAUDADE. Um palavra como poucas, cheia de sensações e multifacetada que se consegue ver de olhos fechados como quem canta um fado.


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9 de abril de 2012

tira 26

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8 de abril de 2012

Tira 25

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7 de abril de 2012

55 - Estórias no Sofá - faz tempo

Faz tempo que o tempo passou desde o dia que eu, Isaías Salu, te deixei para trás. Eu alarguei os meus passos para que obedientemente seguissem em frente, como era meu desejo. Mas afinal os meus pés continuam no mesmo sítio, no mesmo lugar, na mesma memória. Aqui parado eu tento perceber como mudar tudo isto.
Passaram-se dias de sol, dias de chuva, de frio e tórrido calor e eu me mantenho inerte encarando rostos desconhecidos que me afogam as mágoas como se fossem doses de bebida para esquecer. 
Faz tempo que o tempo passou, mas não imagines que eu me solidifiquei em solidões. Levanto a cabeça muitas vezes para ver se te vejo ao virar da esquina e poder dizer-te que lamento ter-te desapontado, ter-te pedido para me deixares ir embora. Mas mesmo que nada veja eu olho para o virar da esquina na companhia destes rostos desconhecidos que me acompanham na embriaguez do esquecimento.
Te imagino a chegar a dizer-me no teu tom desértico de mar salgado que eu te desculpasse, que este atraso não iria mais voltar a acontecer. Tu a me pedires desculpa de eu te ter pedido para me deixares ir embora e não voltar mais até aos dias de hoje que são agora. Só mesmo nesta cabeça embriagada de desejos, sonhos e memórias.
Eu estou atrasado uns 30 anos. Coisa pouca afinal comparada com a eternidade. Mas aqui estou eu, no mesmo sítio, no mesmo lugar e na mesma memória esperando seguir em frente como era o meu desejo.
Não sei se sabes a quantidade de bilhetes que rabisquei em papeis de rascunho como que a choramingar arrependimentos que até parece dia de chuva sobre a mesa onde estão arquivados tantos rascunhos.
Já não sei quantas vezes eu prometi que ia voltar atrás, percorrer o tempo passado e chegar ao ponto em que eu, altivo, perentório te afirmei que ia embora para crescer. Eu sei que prometi outras tantas coisas e não cumpri. Mas eu sei que sempre pensei que te digo que para os teus braços eu vou voltar.
Faz tempo que o tempo passou e eu já tenho saudades do teu perfume, do teu calor e da tua voz silvada de vento.
Faz tempo que tenho a estória escrita na imaginação, para te contar, ambos sentados no passeio, num fim de tarde como tantas tardes passamos juntos sentados no teu passeio.
Mas palavra de Isaías não fica por escrever e se te digo que um dia eu te vou pedir desculpa por ter-te pedido para me deixares ir embora, escreve, que eu vou, mesmo que o relógio de parede que dá horas de quarto em quarto pare. 
Faz tempo que a tua voz não me acerta, não me atinge ou me acaricia. Faz tempo que eu não descanso os meus olhos sobre ti. Faz tempo que passou o tempo e eu só estou atrasado uns 30 anos. Já sei que tens perguntas muitas para fazer. Não vou gaguejar nas respostas nem te responderei com sim ou não. Eu te conheço e eu vou precisar te convencer que os trinta anos foram os anos necessários para eu crescer e que os dias passados foram repetitivos dias que duraram todos estes anos.
Eu estou no mesmo sítio, no mesmo lugar e na mesma memória, novamente como sempre que rascunho um bilhete para te escrever, na mesa molhada das lágrimas que chorei sobre rostos desconhecidos que me embriagaram de esquecimento.


Sanzalando

Tira 24



Sanzalando

6 de abril de 2012

não deu para mais

Minha cabeça parece remoinho de rio depois de chuvada lá nos lados do planalto. Até mais parece me afogaram dentro dum vaso de ideias soltas em que meu intelectualmente forte vagabundar de memórias se tornam moles, frouxas, caducas e se calhar repugnantes. Meu olhar permanece parado, fixo num ponto perdido do tempo. Irreconhecível, reconheço.
Procuro razão e a única que encontro, repescada, rebuscada, forçada e ao mesmo tempo insuficientemente esclarecedora, é que eu parei nuns anos mais lá para a adolescência, onde eu hoje iria aos anos dela.
Indecisões, decepções, amores e desamores, choros e gargalhadas, mesmo que me atolassem eu não iria estar assim. 
De facto hoje não me salta à memória nenhuma memória.
Hoje não deu para mais.

Sanzalando

4 de abril de 2012

Fim de tarde

Fim de tarde dorido, choroso, arrastado e frio. Fosse um ponto final e era um final triste. Ninguém decreta fim de dia assim, nem em discurso mudo nem no silêncio dos adeus.
Parece mesmo um fim de dia daqueles que nem a gente fala quanto mais não seja para não dar azar.
É só mesmo fim de tarde em que todo o amor parece pouco, muito pouco, em que não se vê o que se gostaria de ver, em que não se sente a carícia que se gostaria de sentir. 
Fim de tarde, duma tarde qualquer sem flores, sem cores nem odores.
Afinal de contas é um fim de tarde simples como simples são os fins de tarde doridos, chorosos e arrastados ao longo do frio final de tarde.



Sanzalando

3 de abril de 2012

gastar dias

Me sentei à beira do mar e lhe ouvia marulhar no seu espreguiçar na areia que não estava quente porque era um dia mais parecia de inverno.
Embalado no vai e vem das ondas vi que os dias se gastavam num amontoado de semanas que ultrapassavam meses dos gastos anos. E eu aqui sentado a olhar.
Se tivesse uma bússola... me distraía no baralhar da agulha.
Se tivesse GPS metia destinos à toa e ver a que distância estava.
Mas estava de mãos a abanar.
Era eu e o mar mais a imaginação a trabalhar num abrilhantar de imagens gastas pelo tempo.

Sanzalando

2 de abril de 2012

hoje falo pouco

Vamos por esta areia fora, assim num brincar de crianças, saltando ondas, pulando pegadas alheias, correndo, parando. Vamos fazer o que as outras pessoas fazem numa praia. quando estão felizes.
Eu falo ou me calo, consoante a vontade do momento, tu ouves ou te surdas conforme o vento.
Eu sonho e te conto e nós ouvimos os recados que chegam desde lá do outro lado da linha mágica que nos separa, que vêm através das ondas do zulmarinho, num festival de letras soltas.
Mas não te esqueças que mesmo que seja a inteligência quem procura, é o coração mesmo que é quem encontra.
Hoje te falo pouco porque hoje me apetece mesmo é correr e por isso vou-me sentar a ver se passa essa vontade enorme.
Olha, senta aqui a meu lado a ver se me passa e entretanto me conta coisas novas, me fala da Lagoa dos Arcos que foi coisa que eu não sabia tinham inventado faz mais tempo que o tempo, me conta da Baía dos Tigres que tem vezes é ilha e eu nunca lhe conheci, me fala do Catrona que eu não sabia lhe tinham descoberto, me descreve o Morro Maluco que eu lhe conheço de ver desde muito longe.
Olha, senta só aqui e me deixa inventar saudades para eu mais tarde sorrir de ver.


Sanzalando

1 de abril de 2012

Praia das Miragens

Sorrisos, sorrisos. Nem sempre significam felicidade. Hoje posso pegar uma máscara de sorriso, colocar na minha cara e ir por aí escondendo atrás dela as minhas lágrimas. Machuca? Dói? Claro que sim porque ninguém é imune à decepção e eu já não sei o que fazer comigo. 
Vou na praia das miragens, dia de festas do mar, manhã de sol queimante e asfalto escaldante, e decido dizer que é o fim dessa nostalgia que começou no dia em que nasci.
Sou forte mas não é fácil. Seguir em frente de olhos fechados nunca foi o meu lema. É mais mesmo ser Março e Mar. Chorar de amor e continuar combatendo o meu interior num eu devia ser assado e não assim.
Mas vou na praia das miragens, decidido a dizer-te hoje que o mundo nosso acabou e vai começar o meu. Me luto num contra mim e decido que eu vou ser mais assim doutra forma. 
Chego na praia das miragens, olho à volta. Os mesmos e as mesmas de sempre. Amigos do peito. Repenso e reafirmo que afinal, na praia das miragens ou fora dela eu vou ser mais do mesmo que nem eu, errado, machucado e sofrendo de nostalgia até ao dia que passar a cortina do tempo para o tempo sem cortinas.
Na praia das miragens me sento e decido: sou assim e vou fazer mais como então!

foto retirada do Faccebook


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007