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A Minha Sanzala: eu, propriamente dito
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de maio de 2013

eu, propriamente dito

Olhei na minha sombra e vejo que já não sou o mesmo que fui uns dias atrás. Já não faço rendas de palavras, já não faço brincos de frases nem naperons de ideias. Estou-me a notar tão diferente. Que se passa comigo?
Imagino que me fui buscar num qualquer aeroporto e me esqueci de pôr uma placa com o meu nome e trouxe um outro eu qualquer, que não o eu que gostaria de ter trazido. Sei que sorri para quem me sorriu e me seguiu. 
Cansado da viagem, pensei eu, nem me fala e nem diz nada, deve estar a desejar um banho e depois volto a ser eu como gostaria que eu fosse. 
Me enganei porque não me vejo como eu gostava de me ver. Será que se eu me abraçar volto a interligar todos esses eus num eu como acho que eu deva ser?
Imaginem-me! Apenas isso! Quem sabe amanhã eu seja roubado num sítio qualquer e me levem um qualquer outro eu dos meus?
Quantas palavras já gastei para dizer os defeitos e as que calei para dizer os feitos? Eu, propriamente dito, desconheço o eu que me descreve em rendas e floreados, em jóias e outros pichebeques de vulgaridade duvidosa.
Eu, propriamente dito, desconheço-me por completo porque eu, propriamente dito, ficou retido nuns tempos atrás.

Sanzalando

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