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A Minha Sanzala: Medo
recomeça o futuro sem esquecer o passado

16 de setembro de 2013

Medo

Não me chamasse eu Zé Ninguém e estaria algures por um aí a ver se chovia. Mas como tenho nome, de baptizado e de Vida, não sei quase nada porém te vou dizer que não tenho Medo.
Sinto que eles, os Medos e Fantasmas, caminham muito devagarinho assim na minha direcção, parece me querem atropelar, abraçar, agarrar e absorver. Mas fecho os olhos, assobio para dentro e eles voam para não sei onde.
Mas se o assunto é eu, eu aí tenho Medo. Mesmo de olhos fechados e assobiando para dentro.
Tenho Medo que haja alguém que não o eu que sou eu, outro eu que eu não goste. Também tenho Medo de gostar e ser gostado, levado assim pela mão e não mais voltar a ser eu. Tenho Medo da distância, não a que se mede ao metro mas a que se dispara no olhar. Tenho Medo da Tristeza e não voltar a sorrir no eu que gosto de ser. Tenho Medo de não ter solução para o meu Medo de ter Medo.
Eu, Zé de nome e apelido Ninguém, só tenho um Medo e todos os outros são acessórios.
É assim porque tudo é ímpar. Imagina eu acordar e não ter nada no estômago, nada no coração, nada na alma. Tenho Medo de não ter espelho onde eu possa ver quem me faz feliz.
É assim que eu, Zé, de apelido Ninguém, me despeço num até mais Viver pois não vá o Medo de não ter letras aparecer e nem assobios nem olhos fechados me valham.
Eu fui e fiz o Medo ter Medo de mim e sorri, o que não significa que sou feliz, apenas que sou fortemente eu, um Zé Ninguém como muitos.


Sanzalando

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