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A Minha Sanzala: Agosto 2013
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de agosto de 2013

a gosto último de saudade

Dia último do zulmarinho. Pelo menos deste ano, pelo menos por este estado de felicidade, pelo menos por este estado de alma.
Escusas já de fazer calema, de atirar a tua água sobre onde eu me sento sereno e desfeito de sonhos esquecidos e magoados.
São épocas, sabes. Hoje te digo que sinto saudades de tudo o que marcou, passou despercebido ou não me lembro, na vida.
Quando vejo retratos, sinto perfumes e tenho memórias, sinto saudades. Até dos amigos que ainda não tive, das namoradas que não namorei, dos conhecidos que ainda não nasceram, eu sinto saudade.
Zulmarinho, para que saibas, sinto-te saudades de todas as coisas que vivi e ads que me esqueci.
Até um depois, zulmarinho.



Sanzalando

30 de agosto de 2013

eu sei, até já, zulmarinho

Agora que o sol deixou de ser o que era, o zulmarinho não tem mais o brilho que ele lhe dava e a disposição não é mais a mesma de ver as coisas pelo lado brilhante, penso é hora de esquecer o zulmarinho num para mais tarde lhe voltar a dizer ou lhe ouvir palavras.
Eu sei que nada vai ser a mesma coisa, que os campos castanhos mesmo que verdejam, o céu mesmo que limpo nunca terá a cor desse zulmarinho que afogou as minhas mágoas e a mim também.
Eu sei que outras palavras poderão ver a cor dos meus lábios, que tu sabes que estarei aqui mesmo que não vejas, que tudo posso perder num segundo mesmo que tenha demorado uma eternidade a ganhar.
Eu sei que sabes. Eu sei que sei. Mas as palavras ainda não proferidas não sabem o que serão e eu nem sei que caminhos lhes darei.
Eu sei que neste tempo parece tudo foge, as coisas parece deslizam para longe, outras se aproximam num fingir que não se atinge.
Eu sei que preciso fazer um monte de coisas, de dizer páginas de palavras. Mas isso fica para um depois, logo se vê.
Eu sei, zulmarinho, que me perdi nos teus braços para esquecer outros abraços e caí sempre no vazio do abismo solitário para onde me atirei voluntária e suicidamente.
Eu sei, zulmarinho, outros tempos haverá onde eu te falarei de igual para igual e aproveitarei os teus longos mares para dizer nas minhas kiandas, meus irmãos e nos apenasmente amigos, que as minhas palavras são palavras de fantasia e imaginação que saem dos lábios que tem vezes também servem para beijar.
Termino-te, zulmarinho, dizendo que eu te vou esquecer, por uns tempos é certo, e se por qualquer acaso os nossos olhares se entrecruzarem é apenas porque tu estás no meu caminho e que desde que eu te esqueci nunca mais me lembrei.
Eu sei que aos poucos me fui apagando, assim como o sol, por inteiro, num todo de até já.

Sanzalando

29 de agosto de 2013

foi-se ou vai-se

Semitapado com uma toalha, faz conta é manta, olho o zulmarinho esverdeado e barrento das ondas na areia, e me embalo de paixão em paixão sem chegar perto de umazinha. Não é vontade de sentir tristeza, não é enigma mental nem é para aumentar uma imaginária caixinha de surpresas. 
Eu mesmo ainda não consegui decifrar este meu estar descompensado, esta tendência para o erro, este lidar complexo de coisas simples, este afogar de sorrisos como se tivesse medo de ser feliz. Acho ainda não me libertei de clichês com que um dia me rodeei por ser fácil ou porque ficou na memória o sabor doce que alguém deixou e que, por qualquer razão aparentada com medos ou pavores novos, eu não queira perder.
Cá vou seguindo eu de paixão em paixão, platónica, fechada na solidão das sete chaves, conversando com o zulmarinho e sem fazer grandes viagens para além da memória, procurando novos encontros, novos sonhos, novos caminhos, mas sempre tendo em atenção a velho caminho, o velho estado e a velha ideia primaveril da adolescência eterna como se estivesse num intervalo do filme rasca.
Aqui não me chega perfume de flores, apenas o sabor salgado da maresia. Aqui não vem mais que o tom azul do zulmarinho e não o quarto de corres garridas da minha infância.
Embrulhado na toalha, faz de conta é manta, me espreguiço em ideias novas, em sonhos novos mas a vista sempre a ver as coisas velhas como se nas entrelinhas dos pensamentos eu me escondesse dum verão que não sei foi eterno e acabou.

Sanzalando

28 de agosto de 2013

quase em fim de festa

Aproveito um fim de tarde, após umas entradas imperiosas zulmarinho dentro, para reflectir em mim todas as palavras que disse, as que apenas pensei e as que um dia queriam ver encadernadas numa estante. 
Eu sou forte, pelo menos é o que me digo e penso, mesmo sabendo que há abismos entre ser, aparentar, fingir e o que eu realmente sou. Meu coração é um saco de remendos, uma manta retalhada, uma sarapilheira desfazendo-se no tempo. Na verdade até que é uma imagem bonita, reconheço. Repara só nos prespontos, na rústica tecelagem de fios, na ausência aparente de nós. Olha bem como chego a ser poéticamente patético. Olha a força das palavras como parecem recitadas por voz de rádio...
Aproveito e reflicto. Sou um conjunto de pedaços em fim de festa


Sanzalando

27 de agosto de 2013

ainda estou no zulmarinho

Estou no zulmarinho até dar. 
O tempo não é de estar, mas teimosamente vou-me deixando ficar já que fiz dele o meu roteiro, o meu esboço de vida presente enquanto não passo a futuro e o deixo de passado. 
Olho-lhe as ondas bravas e vejo a espuma como palavras soletradas num rosto de sobrancelhas carregadas de pingos de esperança a reclamar por mim num quase adeus deste estilo de vida. Olho-lhe num acordar cedo de pequeno almoço esquecido de tomar e com cara de preguiça reabro-lhe a cortina de neblina que se vai entrepondo entre nós num gesto bagunçado e barulhento de engrenagens cantadas em marulhares de despedida.
Estou no zulmarinho enquanto dá, num abraço apertado, meio sem jeito mas interminável de quase abacar e de rever todas as palavras que disse para começar tudo de novo numa esperança de quase futuro.


Sanzalando

26 de agosto de 2013

paradoxo

Atiro o olhar para o zulmarinho e, sentado em silêncio, contemplo o mundo que imagino exista para além de mim. De verdade que é preciso viver uma vida para se aprender a fazer isso. Só nós, os mais velhos, conseguem ver isso assim sentado a olhar para lá do além ao sabor do marulhar. Eu e o zulmarinho num silêncio quase perfeito, sagrado mesmo conseguimos estar assim sentados, lado a lado. Os jovens, por inquietude e impaciência quebram sempre o silêncio, não conseguem escutar o marulhar e para se ver o mundo para alem da gente o silêncio é sagrado.
Atiro o olhar e confortavelmente em silêncio converso-me. Extremo paradoxo.


Sanzalando

25 de agosto de 2013

desarrumadamente esquecido

Me sento na areia que margina o zulmarinho e ponho as minhas contas em dia. 
Já não me lembro de quando ouvia Elias Dia Kimuezo, Jovens do Prenda, Minguito, Mingas ou Vieira Dias. Já não me lembro de Chico Buarque ou mesmo do Roberto Carlos. Não tenho memória dos Beatles. Já não sei da minha pseudo-cultura, já não me recordo dum dia inteiro, duma noite de poesia com António Jacinto ou Alda Lara, Ernesto Lara ou as que eu mesmo rabiscava em sebentas, fazia de conta era intelectual. Já não sei as baladas de José Afonso ou Adriano Correia cantadas nas serenatas do início da noite nas namoradas que não adivinhavam o nosso amor.
Já não me lembro das juras de amor eterno e imutável. 
Já não me lembro das estradas esquecidas percorridas horas sem fim pelo prazer de passear.
Já me esqueci o sabor dos cigarros comprados em pacotes de 100 e que nos obrigava constantemente a cuspir os pequenos pedaços de tabaco que se colavam aos lábios.
Já me esqueci dos olhos sempre abertos que não adormeciam para te ver num constantemente e com medo de fraquejar no reino encantado dos sonhos.
Assim, desarrumadamente esquecido, ponho na cara um aspecto sexy-cativante e entrego a minha alma às kiandas que vivem num marquistão qualquer deste zulmarinho ou num estreladoquistão das noites de luar com o sentido de elas me embalarem num palavreado de entretantos sonhos e maravilhas.

Sanzalando

24 de agosto de 2013

um dia não

Eu não preciso de datas especiais para dizer o tamanho do zulmarinho e do quanto ele representa para mim. Cada dia eu vejo o tamanho dele dentro de mim e o que ele aumenta. Só para te dizer, afim de ficares com mais conhecimentos, eu hoje acordei te vendo milhões de vezes maior que eras quando me deitei. Hoje tens mais um sorriso na tua essência, um fragmento da minha alma, um pedaço dos meus momentos de alegria e felicidade, as minhas lágrimas que chorei desde ontem, estão em ti.
Tu me unes ao outro lado e vais dissolvendo, felizmente muito lentamente, aqueles que me fazem ser feliz e por isso eu te agradeço o que fazes de mim ser uma pessoa melhor.
Zulmarinho, desculpa quando eu não te estou de feição para ti...
Um beijo ILDA.


Sanzalando

23 de agosto de 2013

Até já, Ilda

Tudo o que falei até agora ficou no silêncio. Tudo o que eu chorei ficou seco. Todas as palavras que eu podia ainda dizer foram caladas assim num repente. Como é? me dizias tu na tua voz cândida e doce de minha segunda mãe. Força, estamos contigo, reforçavas. 
Ilda, até já porque agora te choro e te recordo como todas as minhas memórias.


Sanzalando

soma

Nado num sem parar, parece me ligaram na electricidade. Se às vezes o céu parece enubla porque eu não deveria ter vontade de chorar e esconder aqui no zulmarinho as minhas lágrimas. Já sei, tu aí, não, ao lado, vais dizer que lá vem ele com as lamurias dele e do zulmarinho. Mas ao menos eu aqui escondo e ninguém vai dizer eu lhe vi a chorar, a lamentar ou a esconder sonhos. Nado e disfarço nos salpicos.
Hoje acordei assim ou acho foi ontem me deitei assim. Tanto faz.
Tudo afinal tem o tempo da minha imaginação, dos meus sonhos e do meu mundo desde que fale o que penso e não tenha o que desejo.
Aqui, assim num nadar quase olimpicamente imperfeito, vou e venho de sonho, de ideia e de imagem, cumprindo o meu princípio, que é o destino de ser feliz um dia, nem que seja no somatório de pequenas felicidades em que eu finjo que não sei que o nada é para sempre.


Sanzalando

22 de agosto de 2013

ainda tenho tempo

Olha só o azul desse zulmarinho... um dia, qualquer dia, ele vai-se lembrar de mim, cada onda vai ser uma chamada, uma frase, um pedido, um querer falar comigo sem ter que marcar número ou hora. 
Olha bem que, pode acontecer que nesse dia, não me apeteça lhe falar, lhe ouvir ou até querer lhe ver.
Aí ele vai fazer ondas grandes, fazendo fugir gente que como eu lhe olharam dias, semanas, meses ou anos, e numa fracção de segundo, no tempo exacto, ele se esquece do caminho limitado da sua existência, e sai correndo por entre a areia de muitas cores e já não terá por perto os meus grisalhos cabelos nem a terra rodará em torno do meu eixo porque os meus pés já se foram para uma outra vida e já não terá o calor do meu abraço, a doçura da minha voz e a calma do meu ouvir.
Aí ele se vai lembrar do meu carinho, do meu sorriso infantil, dos meus sonhos de sabor a música, dos meus pensamentos com sabor a nostalgia , das minhas ideias com perfume de maresia e vai-me chamar em tom de sinfonia com a sua dor no peito e a sua falta de ar e o seu ar de lágrima vertida, com um ar carregado de saudade.
Olha bem na cor desse zulmarinho e me diz se não parece que ele hoje brinca numa divertida brincadeira com a minha cara?
O que lhe vale é que ainda tenho tempo de lhe esperar ele falar comigo.


Sanzalando

21 de agosto de 2013

conversando zulmarinho

Olha só o zulmarinho como parece está calema mas afinal está só a fazer ondas como que a me desafiar. 
- Me instiga, vá, te arma em forte comigo mas aproveita para dizer todas as coisas que sabes e te chegam do lado de lá. Não é só provocar e  fazer espuma rebolando na areia parece estás a espraiar preguiça.
Já sei o que vais dizer, como sempre quando me dizes qualquer coisa, que tens pena de mim, que não tenho sorte nas cartas, nem na sina, mesmo se atirarem búzios, conchas e ler as linhas da minha mão, me vai mudar a sorte de ter azar. Eu sei que te espero e que essa espera é em vão que nem vão de escada que serve apenas para entulhar coisas inúteis. Eu sei que me vais soletrar ao ouvido que qualquer espera é um engolir de saudade, que vou disfarçando com sorrisos, com palavras embrulhadas em papel pardo e que nada volta a ser como já foi.
- Mas olha o zulmarinho e lhe vê diferença desde quando lhe vias com ar de adolescente apaixonada? 
Sei que não verás diferença, mesmo que a tua indiferença seja perpétua.
Eu olho as estrelas e me conforto em lhes ler que um amanhã qualquer dia todas as coisas estavam erradas excepto eu.
- Fala aí com o zulmarinho, lhe desabafa os teus erros e deixa que ele me conte, que lhe ouço de braços abertos e um dia eu vou aproveitar esses espaços de um abraço, sem sufocar, deixarei de ser egoísta covarde e de erro em erro passado descobrirei um futuro de felicidade.


Sanzalando

20 de agosto de 2013

verdades ao deus dará

Me deito onde rebentam as ondas do zulmarinho. Faço de conta que tenho o coração despedaçado e o cérebro como um batido de frutas tropicais. Os meus sentimentos rebolam contra areia como se fosse um tubo ao deus dará. Já não sinto o estômago e o meu falso sorriso foi diluído na espuma assim como o meu ar de parvo faz transparecer uma felicidade eterna. 
Ninguém é obrigado a acreditar nas minhas mentiras nem a sustentá-las. Ninguém é obrigado a ouvir-me e os que me ouvem fazem-no por vontade própria quer tenham 20 ou 70 anos, enquanto eu rebolo no zulmarinho como se fosse um tubo ao deus dará. Eu sou o príncipe da minha estória que não precisa ter princesa, nem final feliz nem de ir às lágrimas.
Afinal de contas eu não sou o lado errado da estória. Gosto mesmo é de brincar no zulmarinho, com os meus defeitos, meu cabelo comprido de fazer rabo de cavalo, minha verborreia de silêncios e o meu ar de perfeição.
Eu gosto de ser assim e o resto é mais uma caminhada para ser livre


Sanzalando

19 de agosto de 2013

pic-nic de palavras

Rodeado de zulmarinho por todos os lados, olhos abertos para ver os recifes, as pedras e os peixes multicolores que a minha imaginação acredita haver, mesmo que eu não os veja de olhar verdadeiro. Olha ali um cachucho, uma garoupa, um mero, uma morianga, uma mariquita, aquela pedra até que parece uma âncora. Vendo mais de perto até que é uma âncora forrada de mexilhão. Como é bonito o fundo do zulamrinho visto desde a minha memória, auxiliada pela estórias ouvidas do Raul Gomes. 
Como é lindo sempre o zulmarinho quando está assim feito um mar de calma e serenidade, uma tranquilidade em que as minhas lágrimas já deixaram de o salgar mas ainda não foi capaz de fazer o sorriso perder o tom amarelado pálido.
A velha ponte entra mar a dentro e dizem um tal de filho dum rei por aqui passou. Eu só a recordo porque é a amarra do meu mar do lado de lá, enquanto do de cá sou eu que limito as pontas como uma toalha de piquenique deitada na areia multicolor.

Sanzalando

18 de agosto de 2013

brinquei

Brinco no zulmarinho, parece esqui os muitos anos que passaram e eu olhava em volta a ver quem eu queria ver. Hoje brinquei com vontade de brincar e esqueci os olhos que já não vêem como viam, a resistência respiratória que já não era famosa naqueles tempos e só piorou, os músculos inexistentes e que sobrou só o espaço deles. Esqueci tudo até o parece é ridículo. Brinquei nas ondas, na areia fiz buracos, joguei à bola nos falhanços mais acentuados de outrora. Não senti nostalgia do futuro porque não parei para pensar e amanhã. Brinquei pura e simplesmente.
Nem tive tempo para saber que as recordações da dor são mais fáceis de recordar que as do prazer, que as pessoas são mais difíceis de conversar, que todos somos perfeitos mesmo quando só lembramos os defeitos.
Brinquei pura e simplesmente, sem me importar se era o lugar perfeito para o fazer, se era amanhã perfeita ou se altura da vida perfeita. 
O zulmarinho estava espectacular e eu tembém.


Sanzalando

17 de agosto de 2013

cintilante brilhante diamante

Olha só como cintila o zulmarinho no seu ondular suave. Não vais me contradizer quando eu te disser que parece é diamante na luz desse sol quente que abafa parece custa até aqui a lhe olhar na areia. 
Já sei que me vais dizer, como sempre fazias, que para ti não tem lindo nessa coisa de brilho sol, de cor de fogo na hora do sol ir embora, que chocolate não é doce, que os meus olhos castanhos eram mais bonitos se fossem verdes, que o grisalho cabelo era mais charmoso se fosse loiro madeixado de castanho claro.
Já sei que não me mudaste, que continuo a gostar dos meus abraços silenciosos, que acho que o maior naufrágio foi não partir para o lado sul da minha vida, que sei que para me acharem eu não posso estar escondido, que a vida é cheia de obstáculos e que eu sou bom em lhes contornar.
Não gosto de diamantes mas gosto do belo assim como sei que gosto do que sinto, mesmo sabendo que não o posso escolher, mas sei o que fazer a respeito.
Na verdade verdadeira é que se entro no zulmarinho não canto mas penso. 
É tão bom ser livre para poder sonhar, idealizar e pensar, mesmo quando olho de longe o zulmarinho, o verdemusgo dum ribeiro ou o azulceleste dum céu sem nuvens. Pena mesmo é que o coração não vai atrás do cérebro.

Sanzalando

16 de agosto de 2013

preguiça

Olho para dentro do zulmarinho. Calmo e sereno ele ondula em minha direcção. Tento perceber se tem código misturado nesse ondular. Acho-o anárquico, descompreendo a sequência e frequência. Mas tem de ter um código a segredar qualquer coisa. Meto-me dentro dele e para além da sua transparência sinto as correntes frias, laminares por entre as mantas aquecidas e sou derrubado por uma onda mais forte que deveria ser as reticências do que me falava. Hoje não estou a compreender esse zulmarinho. Deve ser é preguiça.


Sanzalando

15 de agosto de 2013

física e química dum dia de verão

Olha o zulmarinho parece é vidro azul clarinho transparente que nem a minha alma olhada através dos meus olhos.
O olhar é, me disseram, o espelho da alma e eu não sou de contrariar ninguém, nem mesmo quem me irrita nas mukandas clandestinas que vêm através das ondas silenciosas deste zulmarinho como se fossem ruídos oportunistas. Sou mau feitio mesmo de feitio físico, nascido e criado e com alma mais escura que a transparência desse vidro zulmarinado no tempero duma chama que lhe derrete para dar força depois.
Mas hoje relaxo os sonhos, os pensamentos e até as ideias. Primeiro porque dá calor e a transpiração dentro do zulmarinho pode dar uma química explosiva e rebentar com qualquer corrente alterna ou alternada de alta ou baixa voltagem num curto circuito de explosiva fúria. Segundo porque dá uma onda de calma espiritual que faz tempo acho mereço, mesmo depois de saltar e pular pelo quente escuro alcatrão que teima em ferver para eu não andar em contacto directo com este redondo mundo. Terceiro porque não me apetece dar música a ouvidos surdos de acústicas idosas.
Olha só a transparência vitral e me diz se vale a pena eu me irritar. Vou boiar faz de conta sou apenas e só leveza pura de mim.


Sanzalando

14 de agosto de 2013

zulmarinado

Vejo e sinto o zulmarinho. Estou cansado para entrar nele pelo que me estendo aqui na areia das mil cores e disparo o olhar para o ondular doce dessa água salgada, como se tivesse boca que eu lhe beijo, como se tivesse curvas que acaricio, como se fosse gente de me fazer perder a cabeça.
Zulmarinho, pudesses tu falar todas as coisas que eu queria te ouvir e os meus instintos seriam insanos como sussuros de respiração alterada, ofegante em que o gelo da noite se tornaria quente ternura de um só corpo de verão.
Pois é, zulmarinho, vai chegar um dia que tu me esquecerás e terás outros horizontes que nem as bebidas mais fortes me farão esquecer as lembranças do meu passado contigo, nem novos sorrisos me darão conforto nas noites quentes do inverno e ficarei a saber que viver é difícil mas esquecer ainda é pior.

Sanzalando

13 de agosto de 2013

sufocada, afogada e inundada

Mergulho no zulmarinho como quem ver o fundo do mar e esquecer a superfície barulhenta, confusa e quem sabe anárquica. Mergulho afogando sonhos, inundando ideias e demolhando pensamentos. Aqui no fundo, olhar distorcido, imagino que não estamos preparados para a partida de ninguém e a vida sempre nos prega uma ou outra partida e tem pessoas que vão embora. Se calhar é por isso que temos dificuldade de deixar entrar gente nova nas nossas vidas.
Olha ali um peixe cheio de cor. Nem pousou para a fotografia. Ingrato, mas também não fica para a posterioridade, castigo.
Mas estava eu demolhando a cabeça no partir e a partida não é fácil porque se ela vai fica a saudade que é algo que consome tudo até a vida por inteiro. É difícil ver com ela por inteiro dentro do coração, é horrível viver com a vontade de abraçar e não poder, de beijar e não conseguir e de tocar e não sentir.
Vamos lá sufocar a saudade porque ela dorme até com a gente e acorda e é a primeira coisa que a gente vê.
Eu vou deixar morrer a saudade aqui em baixo, sem ar, sufocada, afogada e inundada.
Aqui mergulhado no zulmarinho vejo que às vezes o orgulho grita mais alto que a saudade mas não lhe vence em sofrimento..


Sanzalando

12 de agosto de 2013

nada de nada

Uê, quem vai sair na rua com este calor que nem fritadeira. É, me lembrei de fritadeira porque aqui em cima me chegou ao nariz o cheiro desse óleo todo que se está a pôr no corpo parece é ficar lustrado e brilhante sem ter que entrar no zulmarinho. Acho essa gente entra no zulmarinho e ele fica assim manchado parece é arco-íris.
Mas isso não importa. Que importa mesmo é ver esses olhos todos brilhantes e rindo parece estão felizes. Eu cá de cima lhes vejo, eu cá de cima parece lhes guardo a alma. É que hoje tem dia não posso entrar nesse zulmarinho, porque hoje é dia de meter mãos em outra obra.
Hoje não vão dizer tem nostalgia, tem sofrimento, tem fantasia, tem recado camuflado, tem arma, tem faca ou tem nada. Hoje aqui não tem nada a não ser dia de fritadeira, tremideira e trabalheira que nem a estória dum mouro.


Sanzalando

11 de agosto de 2013

Jibóio

Finalmente boiando no zulmarinho como jibóia se aquecendo ao sol. 
Jibóio para relaxar as memórias, descansar os sonhos e renovar pensamentos. Jibóio só porque sim ou porque talvez ou se calhar é mesmo porque não. Mas hoje jibóio porque é mesmo difícil amar quando as coisas estão erradas, quando a vida está desarrumada, quando o mês é maior que o ordenado, quando os silêncio revoltam-se em dúvidas, quando as palavras se sentem enlatas nas cordas vocais, quando um gesto de ternura não existe, quando um beijo é substituído por um seco e transpirado olá, quando um abraço é teleguiado por um fantasmagórico aceno de adeus, quando a espera é um vazio carregado de nadas.
Finalmente jibóio no zulmarinho para mascarar as minhas lágrimas ao lembrar o que poderia ter acontecido e não aconteceu, para esquecer a porta batida numa paciência esgotada e uma riso que não segue uma frase carregada de humor.
Jibóio no zulmarinho, olhando o céu azul e pensar que não tenho de mentir para estar aqui a jibóiar os pensamentos, os sonhos e os desejos sempre renovados.


Sanzalando

10 de agosto de 2013

Olha só

Olha para esta brasa.

Lá estás tu, estou a falar do calor e tu a olhar em redor parece é luz de farol em pleno dia.
Vou dar um mergulho, entrar no zulmarinho de cabeça e aproveitar esta onda, de calor e rumar para sul ver se consigo chegar lá onde o meu olhar não chega.
Pensas eu enlouquei? Olha as ondas e não parece te está a chegar o convite de um vem para aqui. As ondas do mar. Tás hoje para me contrariar?
Já sei, o calor te faz mal e desconversamos.
Vou tratar o meu bronze a imaginar cada braçada eu daria.


Sanzalando

9 de agosto de 2013

vou viver

Sanzalando

sonhando

O zulmarinho como tanta gente dentro dele deve que estar quente parece é sopa. Vale mesmo é não tem pica-pica nem alforreca. 
Brrr, entrei nele feito campeão mas afinal ele parece é geleira na parte mesmo do gelo. Zulmarinho me enganou. Acho já começa a ser um hábito dele. Mas que vou fazer então. Lhe aguento já que passo tanto tempo a lhe esperar visitar por dentro com a esperança de um dia eu consegui chegar para lá do que o olhar chega.
Com isto tudo me esqueci faz tempo que ele, o lado de lá, tem tempo não me vê e nem ouve falar de mim. Eu continuo a ver porque vejo através da saudade, o amor não morreu por isso o meu silêncio mata a distância, porque se penso nisso eu morro e ela não fica a saber. Eu sei que longe da vista longe do coração e com o tempo já ela se esqueceu de mim. Já tanta coisa mudou menos o meu esquecimento porque esse nunca existiu.
Entretanto pareço os outros e não saio de dentro do zulmarinho parece até ele aqueceu. Só estou mesmo é a tremer e assim meio que roxo faz de conta estou gelado.
Saio do zulmarinho, me embrulho numa toalha como se ela fosse manta, e digo que vou viver para descansar os sonhos.


Sanzalando

8 de agosto de 2013

palavreando

Hoje passo o dia sentado no camarote presidencial a ver o zulmarinho como se eu estivesse num teatro cheio de vida. A meu lado tem gente. Gente que fala, que ri e por ali alguém parece está zangado, irritado e ao mesmo tempo com ternura para consigo mesmo. Se vê nos olhos isto que eu tento dizer em voz baixa para não incomodar. Mais acolá tem gente que nem está aqui porque está como se não existisse. Morreram vivas e ainda não lhes disseram. 
Já sei que o zulmarinho me está a estranhar eu misturar palavras em salada de temperos e temperamentos. Mas há dias que um pouco de azeite e vinagre até que anima o colorido azul deste zulmarinho que é paixão. É que guardar tanto soluço de palavras pode levar ao sufoco para não magoar ninguém. Mas uma ou outra onda mais assustadora até que anima a bancada vista daqui.
Por aqui continuo a olhar olhares e vejo que todos são tão verdadeiros quanto o é o quase. Riem, zangam-se, irritam-se, acariciam e insultam. Até parece eu não estou aqui, no camarote presidencial, rodeado de gente vulgarmente séria e culta que gosta de olhar, tal que nem eu, o zulmarinho.
Acho vou procurar um lugar isolado e lembrar o peso que sou, na importância que já fui e arranjar no meu peito um cantinho para juntar uma nova forma de ser.
Hoje o zulmarinho não tinha a mesma maresia nem o mesmo sabor salgado por isso não lhe entrei nem de longe olhei para a linha recta que me separa


Sanzalando

7 de agosto de 2013

olha

Olha bem eu aqui rodeado de zulmarinho pareço uma ilha. Respiro fundo, descontraio e deixo os meus pensares voarem por entre ondas. 
De verdade mesmo é que não estou a conseguir direito dizer o que eu quero dizer-te, acho estou a tropeçar nas palavras que ainda estão na minha mente e te dizem respeito. Eu e tu acho ainda tropeçamos nas conchas da minha imaginação e não consigo soltar a lígua para dizer essas palavras que parecem estão amarradas à tua memória que existe em mim. Vais ver qualquer dia ainda vou lembrar as palavras todas, só não vou é recordar para quem eram. 
Vês como estou descontraído? Não, não penses tem aqui sofrimento. Tem mesmo é só palavras que acho deveriam ter saído na altura certa e que agora estão a tropeçar outras. Não tem sermão que me convença do contrário. Eu só não sei é o motivo porque amarrei essas palavras faz tanto tempo. Como te disse ainda vou esquecer para quem são.
Olha o zulmarinho me rodeando parece sou ilha. Olha, tem gente pensa eu sou oco, na verdade pareço vazio mas sou mesmo um fardo penetrante de memórias de coisas passadas e um monte de alegrias futuras.
Olha o zulmarinho e olha eu, sorrindo!


Sanzalando

6 de agosto de 2013

quem sabe

Quem sabe hoje não é dia de sol, não é dia de visitar o zulmarinho, não é dia de ver o brilho de mim reflectido na ideia de mudar e falar de mim. Quem pode saber se eu mesmo não sei?
Quem mais sabe que eu não consigo dormir sem imaginar o teu marulhar se espraiando na areia preguiçosamente? Tu, zulmarinho, saberias se estivesses aqui, porque tu sabes o que eu vejo, o que sinto porque tu és água de todas as lágrimas que não chorei, de dor ou de felicidade.
Quem sabe eu não sou a tua voz e a tua memória e tu a minha alma?
Quem sabe eu te posso ouvir e sentir só de te imaginar?
Quem sabe tu és o meu amor que nunca soube dar.
Quem sabe como vai ser hoje?
Quem sabe hoje é dia de tanto faz?


Sanzalando

5 de agosto de 2013

hoje mudou o vento

Hoje não sento no zulmarinho. Mais tarde lhe vou espreitar, lhe vou contar as coisas que sei, ouvir-lhe o que não sei. Enfim conversar com ele e saber coisas desde lá até acolá, já que ele sabe tudo e como ele anda calmo vai ter tempo para me abraçar um outro dia que eu possa lhe visitar mais cedo. O abraço dele não é um simples abraço, não é a facilitação do encontro dos dois corpos, é mesmo assim uma subtileza, uma música, um poema, é o apertar do meu coração como toda a superfície dele e sentir aquele afago que até o silêncio parece é música.
Hoje não posso sentar perto do zulmarinho, mas vai ter horas depois para a gente matar as saudades, porque eu não te vou dizer nunca que fizeste-me as tuas coisas e agora tens que te aguentar sozinho porque se não fui suficiente para te aguentar também não o sou para te consolar. Não, tu sabes eu estou aqui a te ver mesmo que os meus olhos não te vejam, mesmo que o meu olfacto não sinta o teu perfume de maresia. 
Hoje não me sento, zulmarinho, porque a boa vida tem um preço e eu vou iniciar hoje a pagar o ter estado estes dias a te mimar. Hoje mudei de ares. Mas te visitarei todos os dias eu possa.

Sanzalando

4 de agosto de 2013

calmo e sereno

Aproveito as horas calmas do zulmarinho que acho fez as pazes com ele mesmo. Não lhe ouvi pedir desculpa mas a verdade é que ele hoje nem parece o que eu lhe deixei. Este sim, é o zulmarinho que começa lá e acaba aqui.
Eu sei que nasci com a doença dos sentimentos fracos e tantas vezes confusos. Eu sei que sempre vivi assim e acho um dia eu vou morrer e quem falar de mim vai dizer ele era um gajo forte e etc e coisas e tal. Mentiras. Eu ainda não vivi. Mas ando a tentar. Já não tenho medo do escuro, nem do novo nem do desconhecido. Tenho apenas um medo que é chegar ao fim sem ter entrado. É, ainda me sinto vazio de vida e o marulhar sossegado e ritmado desse zulmarinho hoje me fez pensar com calma. O amor não é um quebra nozes, nem um parte cabeças e esfola corações. É apenas o encaixe perfeito de umas quantas peças mentais, tacteis e oculares. 
Já sei que vão dizer que foi o sol que estoirou o cinzento pardo das células gastas da cabeça dele, que é a minha. Mas estou só mesmo a aproveitar a lagoa que parece o zulmarinho virou quando ontem estava que nem eu.
Eu sei que o tempo não pára e aqui estou eu à espera que alguém me derrube da fila de espera. Mas eu acho ainda vou viver mais um bocadinho para saber como é e depois te contar.


Sanzalando

3 de agosto de 2013

Pode não ser hoje

Um dia a gente cria juízo. Mas pode não ser hoje? 
Com esta brisa revoltada em vento sul devia ser descontado o dia porque assim o zulmarinho parece se afasta sabendo que eu não gosto de mais que brisa. Ele já anda zangado, revoltado e ao mesmo tempo lhe olho e vejo com saudade do sossego de mim, de vontade de abraçar e molhar todo o meu corpo com a sua suavidade salgada. Pois os teus abraços são óptimos porque não são qualquer um. Vá lá. Pode não ser hoje? Ficar a aqui a ver só por ver o zulmarinho e esperar que o meu coração volte a bater no ritmo de cada dia não estou nem aí. Me deixa passar um dia inteiro com ele. De manhã até na noite, de modo que a minha pele fique assim num enrugado que nem melhor amigo me conheça e eu possa viver num desconhecido mundo de ideias, sonhos e pensamentos sonhados todos de novo.
Eu sei que tenho que ter juízo. Mas pode não ser hoje?
Eu queria deixar por aqui a minha marca mesmo que não soubessem que eu parei por aqui. Eu não gosto como eu me afasto dos sentimentos que são humanos, só porque eles são humanos e eu não me acho merecedor de os ter. Eu sei que a vida não é longa para me deixar enrolar em cada passo que dou com medo que seja em falso ou seja julgado por um júri que não reconheço.
Eu queria seguir o meu rumo como sinto o meu coração.
Pode não ser hoje?

Sanzalando

2 de agosto de 2013

calema

Olha só para ele, continua revolução sobre ele mesmo. Mergulho e não nado nem bóio. Ele está assim só para me revoltar os pensamentos, para tumultuar os meus sonhos e embaralhar as minhas ideias. Mas ele esquece que assim eu tenho mais tempo aqui na areia para mim. Me organizo, reoriento e se tiver para ali virado me revoluciono em silêncio e em segredo.
Aqui, assim, tenho tempo para ir buscar coisas às prateleiras da memória, desde a saudade às conversas tidas, desde um beijo a uma carícia ou ficar pelo sabor de um chá de capim. 
Te revolta, afasta as gentes de ti e daqui a pouco estás mergulhado na tua própria solidão. Te aviso, zulmarinho. Não é altura de fazer amuação nem calema. Serena as calmas e tranquiliza porque o silêncio impera e não armes a tua própria campa. Zulmarinho tem-te e contem-te.
Olha eu aqui a giboiar transpiração, a lavrar ideias e a sussurrar-te segredos da minha alma.
Aqui, na areia, zulmarinho, eu vou fazer mais o quê se não consigo ouvir as vozes que deviam chegar desde o lado de lá da linha, tal é o barulho que fazes.
Olha, zulmarinho, afinal de contas eu hoje só vou querer saber se existe alguém do lado de lá da linha que possa ficar com a minha memória, saborear os meus pensamentos e resumir as minhas ideias, e que não tenha medo de ter assim revolto, bravo, espumando pela areia fora. 




Sanzalando

1 de agosto de 2013

Hoje areiamarinhei

Zulmarinho virou zangado parece lhe caiu calema em cima e lhe revoltou as ondas. Foi Neptuno ou uma kianda que lhe reviraram os remoinhos e depois de eu ter boiado numa leveza de fazer inveja a muitos barrigas grande, ele virou fera e hoje não deu descanso na minha cabeça. Foi só rebolar, levar pancada até todos os músculos que sei que tinha mais uns que aprendi hoje doem parece é fogo dentro deles.
Assim tive que sentar na areia, levando salpicos, e foi então que fiz meus pedidos ao dono das palavras para eu poder falar coisas, em canções, em memórias, em pensamentos, no tempo, na forma, mas de forma serena em contraste com esse areiamarinho que hoje me joga fora parece lhe fiz mal. Te chamo mesmo espumamarinho, areiamarinho porque hoje não tens nada de zulmarinho.
Aqui na areia e de olhos postos nele eu lhe admiro em silêncio mas o praguejo em voz alta porque estou a aprender a desesperar, é assim um de não saber esperar melhores dias.
Com tudo isto o tempo passou e está tudo tão igual. Hoje areiamarinhei.
Não me peças para sorrir se hoje não me deste motivo para isso e se me perguntares qual o amor que eu mais gostaria de receber eu tenho a resposta na ponta da língua. Te respondo, cara na cara, que é o amor próprio. Mas nota que não é por egoísmo mas sim porque sei que esse nunca me vai faltar. E toma!


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007