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A Minha Sanzala: Janeiro 2014
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de janeiro de 2014

amor cura

Já me estás a dizer ao ouvido que o amor cura tudo.

Já me estás a dizer que a gente chora e sofre, mas um belo dia, num golpe de amor a gente resolve ser melhor, maior e a gente fica. Assim num golpe de amor.
Faz de conta que a gente, assim num golpe de azar, sem o despertador tocar, acorda quando ainda não é hora de acordar, o tempo está fechado porque ainda é noite de sem luar, há um perfume no ar e olha no relógio como que para confirmar e sente um baque no peito e sorri. 
É a hora mágica de dizer te gosto.
E o tempo voa até na hora real, sendo que cada sessenta segundos passam em cada vida que muda, que transforma e eu sorrindo te digo um obrigado amor que o teu beijo me acordou para a vida.


Sanzalando

30 de janeiro de 2014

A amizade

Sanzalando

metades

Dou comigo a passear ao som duma música qualquer num qualquer sítio deste mundo. Aprendi a falar e passo o meu tempo mais calado, aprendi a escrever e, no silêncio das palavras escritas, vou debitando sonhos de criança feita homem ou vice versa.
Dou comigo a passear e a dar valor ao silencioso voo dos pássaros que levam as minhas palavras escritas como a cauda dum papagaio de papel que só eu consigo ver.
Passeio ao som duma música sabendo que sou apenas metade de mim porque a outra metade não está comigo quando tu dizes até mais logo, coração. A outra metade, que passeio, escreve silenciosamente palavras a pedir para ficares.
Passeio como se este passeio fosse dum alto teor alcoólico e eu queria esquecer este tempo em que resta apenas metade de mim.
Vem logo, coração...



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29 de janeiro de 2014

Sorriso lindo

Assim num vento  virado brisa sorri e dei comigo de mão dada contigo.

Em silêncio te pedi para rires comigo, das minhas piadas mesmo das sem, dos meus defeitos mesmo sem, do que te apetecer rir mas não deixes de sorrir para mim. 
Assim num pé de vento te olhei e num ápice vi: sorrias-me feliz!

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28 de janeiro de 2014

sorri, coração

Distribuo sorrisos porta a porta como se fosse um carteiro de alegria. 
Já chorei porque tinha desejado para a vida o que eu sentia num determinado momento esquecendo que o tempo é um rio que corre só numa direcção.
Hoje sorrio porque aprendi que o amor nunca acaba, as pessoas é que se cansam e que a vida é mais pesada quando vazia.
Hoje  distribuo sorrisos porque descobri que o fim é um início retardado, umas vezes doce outras amargo, mas sempre um início.
Sorri, coração, sorri e verás os meus olhos brilhantes, galantes e elegantes.
Sorri, amor, porque ouço a tua voz falando-me ao ouvido como memória dum sonho que realizo.
Sorri, meu bem que eu hoje distribuo sorrisos enquanto transbordo sentimentos.



Sanzalando

27 de janeiro de 2014

Saudade irracional

Caminho ao vento em direcção a lado nenhum. Ando apenas para arrumar ideias, limpar conceitos e acabar pre conceitos. Vou sem limites, sem tempos parados, sem contas de fazer. Muitas vezes caminho como que para curar saudades. Às vezes mesmo saudades irracionais, daquelas acabadinhas de sentir porque ainda faz pouco tempo te disse xau.
Caminho ao vento como um ninguém à espera que tu apareças e digas olá com o teu sorriso feliz, o teu olhar brilhante.
Caminho ao vento porque estou feliz de saudade irracional, assim como se me tivesse atirado dum penhasco para os teus braços.


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25 de janeiro de 2014

passeando de ver e olhar

De mãos dadas caminhamos à beira mar, num faz de conta fomos feitos um para o outro sem defeito nem feitio. Conversamos. Falamos de tudo e calamos de quase nada. Sabemos que só vemos o que queremos. Olhamos para tudo. Olhar e ver são verbos diferentes. Difícil mesmo é olhar e entrar no enxergar. 
Ver seleccionamos. Olhar de enxergar só se faz com amor. Com amor conseguimos ver o real de verdade, o que o olhar diz.
De mãos dadas caminhamos sem saber o tamanho do nosso amor mas ambos sabemos que conseguimos olhar com forma de enxergar.
Caminhamos à beira mar como reflexo um do outro até à eternidade do tempo que durar.
Caminhamos à beira mar sabendo que estamos de mãos dadas.


Sanzalando

24 de janeiro de 2014

pôr do sol

Passeio na praia em fim de tarde em que o sol se está a deitar e pôs no ar aquela cor de fogo parece é pintura de encantar.
Te levo comigo não vá eu esquecer o tempo e me esquecer de voltar.
Com o teu braço em meu redor eu não só me aqueço neste fogo de inverno como me seguro na certeza de caminhar em passo certo com a vida.
Fim de tarde na praia a teu lado parece é sonho de criança a se concretizar.
Como está lindo o pôr do sol nesta praia da minha imaginação.


Sanzalando

23 de janeiro de 2014

quero

Aproveito o vento e bolino ao deus dará. Um pensamento me salta à costa: eu quero crescer! Quem me dera aprender tudo o que não sei, novos lugares e novas culturas, novas certezas e novas ciências. Quero crescer e saber tudo. Desapegar do velho, das ideias marteladas e gravadas como definitivas e certas. Quero crescer num novo conceito, saber e mudar. Quero deixar espaço para mudanças. Muitas porque todas.
Quero ter lugar para o amor, a grande essência da vida.
Quero crescer sem rancores e nem mágoas. 
Quero crescer sabendo pedir desculpa e abandonar saudades.
Quero crescer sabendo conviver com o que não posso mudar.
Quero me mover para crescer.
Quero crescer esquecendo o que preciso esquecer.
Quero tanto.
Mas não quero deixar de sentir.


Sanzalando

22 de janeiro de 2014

sol e eu

O sol rasgou um pouco das nuvens pelo que consigo passear pela praia, faz de conta é verão de calor gelado. Por aqui, pés na areia seca, porque a outra faz doer os frágeis dedos, estou num mais contacto comigo mesmo faz de conta eu sou eu mesmo. 
Me desculpei dos erros que cometi, dos que não sei errei e dos que possa ainda eu errar. Me desculpei em acto de construção de gente futura ainda melhor.
Me consegui ver sem ter aquele ar de quem vai rebentar com o mundo ou que tem medo o mundo lhe caia nas costas e tenha que o carregar num nunca mais conseguir.
Me encontrei a ver que passado é assim que nem roupa velha comida pelas calorias que não serve mais.
Me descobri que o importante é, quando tudo parece desabar, decidir se choro ou riu, se fico ou fujo porque o importante é decidir, mesmo na incerteza da vida.
Me descobri que sem ti eu não seria, me disseste tu, menos do que eu mesmo.
O sol rasgou um pouco das nuvens e eu consegui ainda ver-te melhor e continuar a dizer que afinal é fácil gostar de ti



Sanzalando

21 de janeiro de 2014

gosto

Já percorri todo o tipo de caminhos. Já andei por todo o tipo de pisos. Já escorreguei, já me levantei um número finito de vezes. Mas acho continuo a ser o mesmo, por acaso mais sabedor, por acaso mais conhecedor de mim.
Gosto de quem admite o erro, de quem diz tem saudade mesmo que o orgulho parece fala mais alto. Gosto de quem sorri mesmo cansado, zangado com o mundo e quase morto por dentro. 
Por isso não é difícil eu gostar de ti, menina mimada dos mimos que mereces, que sorris, que me fazes sorrir sorriso alegre estampado no rosto, que me faz sentir forte quando estou fraco, que me fazes sentir gente quando a minha dor afoga a alma.
Por tanto isso não é difícil gostar de ti e me encaixar neste mundo que me levas.
Por muito mais que isso é simplesmente por gostarmos de gostar.

Sanzalando

20 de janeiro de 2014

lágrima feliz

Feliz é a lágrima não chorada.

Pensei e logo a escrevi numa folha de papel para não me esquecer. Agora dar continuidade sem cair na tentação da morte viva, sem me afogar no mar da nostalgia, dar colorido que condiga com o brilhozinho dos meus olhos, com o sorriso maroto da minha cara, com as frases desfeitas ditas pela minha boca, tarefa mais difícil.
Feliz é a lágrima não chorada. Repeti-me de propósito, como que a ganhar tempo. Os neurónios trabalham mas não dou por eles porque tenho a mente fixada no teu rosto, no teu sorriso e nas tuas palavras.
Mantenho-me na frase e dou comigo a clamar aos quatro ventos que, ou isto acaba ou finalmente começa de verdade. Assim só não dá. Não arranca a continuação da frase.
Na verdade eu sempre disse que a felicidade era coisa banal, que tem hora a gente sente e depois passa sem saber porquê. Mas o que passa, de desaparecer, é mesmo é só a nossa vontade de ser feliz. Muitas vezes basta o cheiro da chuva para me sentir feliz, outras vezes nem nem o teu sorriso me consegue fazer regressar ao estado banal. 
Uma lágrima não chorada pode ser feliz?
Sou feliz e não sabia que estavas ali a olhar-me fingindo não me ver. 
Sou feliz porque me deixaste chorar no teu ombro as lágrimas que não me apeteciam chorar com medo de ser infeliz.


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18 de janeiro de 2014

noutra encarnação

Sopra vento parece é nortada mas vinda doutro lado qualquer. Passeio na praia como que a arrefecer os instintos fatais dum ser normal que se encontra rodeado de pressão por todos os lados que nem ilha com o mar. Mas passeio e deixo o pensamento vagabundar por entre pesadelos e sonhos, entre armadilhas e carícias.
Me despenteio em sorrisos marotos, canto eu tons cuja língua acho ninguém falou nunca. Só mesmo passatempo é diversão de descompressão.
Parei num intervalo de ondas e dei comigo a imaginar que um pouco de imaginação e de coragem nunca matou ninguém.
Olhei-te, mesmo não estando ao meu lado neste instante, e perguntei-te:
- Vamos tentar?
Acho quem respondeu foi o mar, uma onda caiu da sua altura com estrondo na areia e me pareceu dizia que me gosta de ouvir e que não era hora de fugir.
Continuei a caminhada e lá, vinda de onde o sol se põe, me apareceste e demos um abraço, que eu acho noutra encarnação eu era leitor de ondas de mar, pois tu logo me disseste que o melhor lugar para estar era dentro do meu abraço


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17 de janeiro de 2014

me olho o reflexo

Me olho no espelho vezes sem conta. Já fui mensageiro, já escrevi cartas, já carpi mágoas e já libertei raivas. Me olho e não encontro mais esse aí que eu já fui. Vejo eu sou outro. Mais experiente, menos esquecido de si. 
Me olho no espelho e vejo que gosto de ti, despreocupada, sem olhar no relógio com medo que o tempo está a fugir, sentada no sofá e ri só porque sim, que perde tempo a falar, que aproveita o tempo para compartilhar, que reflecte luz mesmo que não saiba que roupa vai vestir.
Me olho no espelho e gosto de ver essa pessoa que tem gostos incomuns, se apaixona por livros, que gosta de ver, que sabe amanhã é outro dia, que sai de casa mesmo está a chover.
Me olho no espelho e vejo-te a sorrir mesmo para quem não conheces só porque sim.
Me olho no espelho e te vejo a dançar mesmo a música tenha acabado.
Me olho no espelho e te digo: surpreendes-me todos os dias.
Me olho e te vejo feliz.


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16 de janeiro de 2014

treino-te

Fui ao arquivo buscar a minha cara mais séria. Nem um músculo mexia desritmado. Pestanejei? Não dei por isso. Zanguei-me? Que saiba não! Emoção transparecida na cara. Tentei escondê-la. Em vão. É bom ter emoções. Boas e más, me dizem. Prefiro as boas mesmo que as más sejam necessárias para termos de comparação.
Mas afinal que é que me fez ir ao arquivo buscar cara tão séria?
Assunto sem interesse digo desde já. Não me faz nem feliz nem infeliz. E não volta a fazer parte de mim porque lhe dei importância zero. 
Foi bom para fazer-te um treino. Afinal de contas as emoções fazem parte da vida e tu fazes parte dela. Da vida. Da minha vida.
Sorri. Escondi no arquivo a cara séria a aguardar algum momento de verdadeira tristeza que espero não ter.
E dali fui, sorrindo, para lugar nenhum.


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Sanzala digital - History of Typographie

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15 de janeiro de 2014

hoje

Divago por caminhos conhecidos, como se passeasse pelos quatro cantos do mundo. 
Achei piada porque de repente me lembrei que o mundo é redondo e eu tenho andado aos círculos. 
Eu sei que é difícil entender-me, depois de eu ter tantas vezes dito que já amei tanto que agora tinha jurado não voltar a amar. 
Mas neste vagabundear, não só de palavras mas também de sentimentos, quando eu me tinha fechado ao mundo, quando eu tinha imaginado que já me tinham secado por dentro e fora, quando eu tinha perdido as forças, houve um clique, uma borboleta voando sobre a barriga cocegando por dentro, uma sístole extraordinária, uma qualquer coisa que me despertou e me fez sorrir-te.
Na verdade eu hoje posso dizer, emendando tudo o que falei, que terei pena de conhecer alguém um dia, depois de ter-te conhecido. 
Hoje és o amor da minha vida!



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14 de janeiro de 2014

como estou

Caminho sorrindo na areia da praia esquecendo que por cá faz frio. Mas quero olhar o mar e ver para além do que consigo olhar. Quero poder ver o que já me esquecia existir.
Seriamente já me cansei de não saber se estava bem, triste, mal, contente ou animado. Já estava a ficar farto de inventar respostas para a sacramental pergunta:
- Como estás?
Uma coisa eu me digo, neste meu caminhar sereno e feliz por areia molhada desta minha praia onde me esqueço faz frio por cá, se tudo estivesse óptimo, às mil maravilhas, eu estaria triste porque errado. Ninguém que eu saiba existir pode estar bem a 100%. Existe sempre um mas qualquer. Aqui nesta praia eu ia dizer que sentia frio, mas estou na terra onde agora faz frio.
- Como estás? me pergunta a consciência num quase silêncio para não me perturbar.
Sorri num quase gargalhar. Eu me respondo:
- Estou! A vida não é uma causa perdida, o sorriso não pode ser um amarelo forçado e os olhos não podem ser brilhante lágrima. Estou!
Sim, eu sei que houve alturas que até a máquina me disse eu era inválido. Apaguei e sorri, atirei esse tempo para a indiferença e caminho agora na praia, com frio, na terra que agora faz frio, com um sorriso nos lábios e uma voz dentro de mim dizendo:
- Além de feliz como estás?


Sanzalando

13 de janeiro de 2014

não despertei

Não despertei mesmo que tenha abandonado o meu ponto de vigia na costa dum gosto que apeteceu sonhar. 
Não sinto a boca dorida dos silêncios guardados assim como não me doem as costas do peso da consciência e não me rio das injustiças que não tive. 
Nesta vida de sonho sinto a curiosidade de evitar tragédias que fazem rir, lágrimas furtivas que caem por necessidade de controlo emocional. Sonho os sonhos que quero sonhar sem ter vencidos nem vencedores nem punhais expostos em mãos sem rosto.
Não despertei com o passar do tempo que passa sem que tenha tempo de me acordar. Ouço num suave tom de melancolia uma canção que ninguém cantou, um batuque que ninguém tocou porém segue-me a poeira da terra por onde alguém dançou.
Não desapertei deste sonho de amar.


Sanzalando

12 de janeiro de 2014

ham ham

Dia radiante sem sol. Mas que mais posso querer se te tenho a meu lado, segurando o meu tempo, acalmando a minha pressa e respeitando o meu silêncio?
Depois de estar contigo, sentir o teu perfume, acariciar a tua cara, ouvir coisas banais e ainda sorrir, que mais eu posso querer?
Depois de ouvir o teu ham ham aprovativo podes ter a certeza que eu não quero que saias da minha rotina. 
Vá lá, responde ham ham!


Sanzalando

11 de janeiro de 2014

instante teu

Mas afinal o que é que é instantâneo? O arroz instantâneo leva uns minutos a fazer. Qualquer pudim instantâneo leva minutos a ser feito. Duvido que o instante da dor forte pareça instantânea. 

Mas foi naquele instante que percebi que silenciosamente choravas. Um instante que se prolongou no tempo. Fiquei nervoso e imaginei tempestade. Silenciei-me num nó apertado na garganta. Perguntei-te alguma coisa a despropósito, tentei que esboçasses um sorriso. Silêncio era mortal na minha alma. Abri janelas e apesar de ser noite, o sol brilhava. 
Naquele instante em que silenciosamente choravas vi filmes, cenas, enredos. Tanto dejá vu. 
Instante! Destestável instante que dura eternidades. 
Disseste horas depois nada tinha a ver comigo. Sorri tentando apagar as horas que não tive. Olhei-te e voltei a ver o brilho nos olhos. Nos teus olhos. 
Foi um instante teu aquele. Respeito.



Sanzalando

10 de janeiro de 2014

claro

É mais que claro que eu não vou para aí a andar e dizer que vai dar tudo certo e diabo a quatro que podem ser uns dez.
É mais que claro que não te dou a certeza que a eternidade existe assim como também nunca me deste.
Mas é mais claro que terás todos os meus abraços, até mesmo aqueles que eu cansado, acho tens o direito a receber.
Também é claro, que nem água da mais pura fonte que possas conhecer, que és a única pessoa que me pode moldar o mundo e me fazer confessar que o coração bate acelerado quando tu não estás perto.
E para clarear mais o fim de tarde, te digo com toda a clareza, que doravante e até me provarem o contrário eu jamais fugirei do equilíbrio que me equilibraste.


Sanzalando

9 de janeiro de 2014

subitamente inverno

Assim num subitamente entra a estranheza. Imagina eu sou câmara de fazer cinema que pára num súbito passo meu e ali fico imortalmente parado. Flagrante de litro dei a vida por um instante.
Imagino me chamaram de louco ao ler o parágrafo inicial. Sem sentido. Em sentido lato, cru e duro.
A vida é essa câmara de filmar que parou para me ver ser feliz. Instante. Segundos. Minutos. Dias. Meses. Anos. Que me importa. Imortalmente estou ali parado e feliz. Esse é o instante que me interessa.
Obrigado, coração, por ainda bateres normal. Acho eu mereço


Sanzalando

8 de janeiro de 2014

palavra puxa palavra

Palavra puxa palavra e na delicadeza delas procuro escrever-te e descrever-te. Tento, com as mais fortes, dizer qual é o meu pensamento de ti, e com as mais frágeis porém lindas tento desenhar-te. As nossas mãos são livres e livres as palavras que dizemos, os sentimentos que sentimos e as baboseiras não ensaiadas que nos saem assim por acaso.
Não procuro as palavras certas para te pensar, procuro pensar-te, apenas, nem que para isso tenha de usar as palavras do silêncio. 
Não encontro palavras para molhar os meus lábios nos teus. Não te dou flores nem ramalhetes de palavras floreadas. 
Palavras fortes para descrever-te. 
Palavras frágeis e lindas para desenhar-te e mostrar a suavidade da tua pele.
Palavras simples para pensar-te.
Silêncio para quando não te vejo.
E as tuas palavras são luzes que iluminam o meu mundo.


Sanzalando

7 de janeiro de 2014

um quase nada de tudo

Eu desenho um grão de areia suspenso num raio de sol, como se fosse um universo enorme, onde não faltam números nem letras que eu te possa dizer ao ouvido.
Somos um quase nada transformado em quase tudo pela troca dum olhar, pela química dum sorriso trocado.
Escrevo uma morada da casa num post it e as estrelas cintilantes brilham ao meio dia e transformam um vazio num quase cheio de tudo.
Passo um fim de tarde que não tarda, um pequeno pedaço de tempo que é tão grande e tão simples que modifica tanta coisa..
Rabisco num pedaço de papel o teu nome, vezes sem conta como se estivesse a aprender a crescer.
Sou um quase nada que transformaste em quase tudo


Sanzalando

6 de janeiro de 2014

arrisco

Ganhas-me ao detalhe e não sabes.

Se calhar nem desconfias que chegaste no momento certo. Eu já estava do lado de lá sem saber vir para cá, sem ter vontade de voltar. 
Não vou pedir que fiques. Imploro.
Mesmo que o futuro seja cheio de incertezas, mesmo que o duradoiro seja um instante. Imploro.
É um pedido egoista.
Eu quero estar na ponta da tua mão.
Eu quero estar na origem do teu sorriso.
Eu quero ter tudo o que posso perder num instante.
Arrisco.


Sanzalando

5 de janeiro de 2014

as palavras hoje

Deixei cair palavras como se fossem folhas duma árvore em pleno inverno. A grande maioria se foram no outono e as poucas restantes se têm ido uma a uma. Cada palavra perdida é um pouco de mim que vai, por isso optei por estar num stand by, num modo pausa, numa reflexão. 
Preciso de cada palavra para poder usar quando ela me olhar. Preciso construir frases incompletas para ela me completar. Mas preciso de palavras, não chega apenas o brilho dos meus olhos nem o calor do meu coração.
Já não deixo cair palavras porque ela as seguras para podermos falar.
Na verdade não lhe prometi nada porque estou feliz, nem lhe responderia se estivesse irritado ou decidiria se estivesse triste. 
Uso as palavras com gosto porque lhes vejo brilhantes, sentidas e significativas e com destino certo.
Para ti... que sabes quem és!


Sanzalando

4 de janeiro de 2014

JCCarranca perguntando ao eco

Consegues ouvir como tudo em mim te chama?

Quem inventou a distância conhecia a saudade?

Os dias maus passam como os outros?

Onde posso procurar o tempo perdido?


Sanzalando

1 de janeiro de 2014

2014

Sou filho deste mundo,
rodeado de seres racionais
e uns tantos irracionais.

Sou um filho deste mundo
que transporto sentimentos,
alguns penosos
e outros normais.

Sou um filho deste mundo
batido pelo drama
duma corrida que me trama
e duma cena em chama.

Sou o amigão,
por vezes vilão,
dissimulado ou idiota,
mas sempre valentão
que não entra pela porta,
com medo de ser alma morta.

Sou filho deste mundo,
dono da minha liberdade,
criador das minhas graças e desgraças,
sem rumo,
sem caminho
ou sem cidade

Sou filho deste mundo
que chega a 2014


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007