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A Minha Sanzala: Junho 2014
recomeça o futuro sem esquecer o passado

29 de junho de 2014

gastar palavras

Tantas vezes se gastam palavras para chorar o que nunca se teve. Que ridículo perder palavras a lamentar os sonhos que não se realizaram, as esperanças que se perderam e as expectativas perdidas. 
Tantas vezes se gastam palavras para dizer que agora é que é.
Eu guardo as palavras para te dizer: gosto de ti, pá.


Sanzalando

28 de junho de 2014

palavra solta

Uso palavras em pensamento,  voz ou escrita; gasto-as ou as guardo numa estante da memória sem saber o que com elas faço ou farei num qualquer presente. O que sei é que neste instante faço: tas dou com carinho, o mesmo com que a brisa me despenteia, a maresia me perfuma ou a areia me esfolia os pés.  Uso a palavra mesmo quando apenas te olho.


Sanzalando

27 de junho de 2014

faz de conta

Faz conta eu leio pensamentos e adivinho sonhos que nunca sonhei e coisas que nunca vi. Faz conta eu conheço cada suspiro, cada olhar de medo, cada escolha e cada erro ainda não cometi.
Faz de conta eu curo tristeza, espanto monstros e afasto perigos.
Faz de conta sou um arquivo de coisas da minha vida que fiz nossa.
Faz de conta eu sou tu e tu parte integrante de mim.
Faz de conta apenas tudo é real e olha nos meus olhos o brilho que brilham quando te vêem.


Sanzalando

26 de junho de 2014

tempo

Vamos, num por assim qualquer, dizer que eu não me recomendaria nem a mim mesmo.

Força de expressão ou impressão depressiva.
Coisas do diabo que não dão nem para economizar a alma nem tempo para esquecer desgostos.
Na verdade mesmo é que eu desconfio do destino e acredito em mim, tal e qual sou em defeitos e virtudes.
Para melhorar acho vou ter de subornar o verão e ver se o tempo melhora. Pelo menos assim eu tenho uma vantagem, tenho o teu abraço a servir-me de cachecol.


Sanzalando

25 de junho de 2014

por assim

- Olá, como estás?
- Tudo bem por aqui. E tu?
- Assim num mais ou menos!

Era assim um diálogo que eu ia ter comigo e parei. 
Não vou gastar palavras só porque estou triste. Eu tenho força para guardar silêncio mesmo que me apeteça gritar ou para sorrir mesmo que a vontade seja de chorar. 
Eu tenho força, amor. Eu sei, dás-me o teu ombro.
Eu sei amanhã vamos todos sorrir.


Sanzalando

23 de junho de 2014

fecho os olhos

Espirrei e fechei os olhos. Depois comecei a lembrar:
 - Não há quem não feche os olhos também quando pensa na boca que beija, nos braços que abraça.

Deve ser mesmo só para garantir que tudo fica na memória.
Hoje fecho os olhos porque penso em ti e vou pensar o dia todo. 

Sanzalando

22 de junho de 2014

amor é...

Eu te amo! O amor vai mais além disso. Não é assim uma paixão de chegar e partir, de ir às lágrimas e esquecer. Não é um  momento de apagar com a borracha do tempo. É compreensão, é suporte, frases simples ou compostas, acontece sem um quê ou porquê, é um delicado cuidado que precisa ser regado, podado e quem sabe estrumado.
Bem, posto tudo isto quer dizer se acabar é porque não era amor. O verdadeiro fica. Não é, Coração?



Sanzalando

21 de junho de 2014

sonhar é fácil

Seria apenas mais uma noite de olhar estrelas se o céu não estivesse nublado. Vá lá que se vê a lua no seu escurecer minguante e uma ou outra estrelas pelo pequeno intervalo das nuvens. Em resumo, está escuro e eu não me posso distrair a desenhar linhas entre as estrelas que nem sei quem são. Assim nem dá para inventar uma canção que eu poderia cantar para ti tivesse eu voz. Mas mesmo assim eu invento uma letra onde entram nuvens, chuvas e as poucas estrelas que consigo ver por entre os estreitos intervalos. Tento cantar e mandas-me calar e dizes apenas para admirar. Como posso admirar sem lhes cantar um hino, penso eu na minha santa ignorância dessas coisas de meditar sobre os assuntos profundos como o que é das estrelas se aguentam lá em cima sem caírem.
Mas imagino estou a ver as mesmas estrelas de África e a batida que ouço no coração é mais forte. Sinto o perfume da noite.
Afinal de contas, ao teu lado, é fácil sonhar.


Sanzalando

20 de junho de 2014

tu

Ando para aqui dum lado para outro que até parece é barata tonta perdida num labirinto de ideias e perguntas.
Eu não quero outro riso nem outro sorriso. Também não quero mais outro olhar que me olhe. Disse e está dito. É o teu. São os teus. Incluindo abraços, que parecem laços a me segurar num entrelaçado mundo de hesitação.
Eu não quero outro amor nem outro beijo. É o teu. São os teus


Sanzalando

19 de junho de 2014

o tal que sou eu

Passos lentos, curtos, ritmados como se andasse em compasso com relógio de batida certa. Eu gingão, absorvido em palavras, frases e ideias não entendo a minha necessidade de escrever. Acho é acto de prazer ou apenas meio degrau de estado de loucura passageira antes de me trancar num quarto escuro, esquecido numa caverna onde nem titulo de rei ou lobo poderia ter. Eu gostava de ser o tal, aquele que em palavras descreveu o que quer que seja como se um retrato fosse.
Pena mesmo é que esgotam-se as palavras e sobra amor e prazer e se aumenta a paz de eu quer ser eu a teu lado.
Passos lentos de amor em textos sem poesia mas com carradas de sentir.

Sanzalando

18 de junho de 2014

grito

Eu grito palavras para mim e digo que quero ter um amor arrebatador, daqueles que faça suspirar a cada segundo, que me deixe as pernas tremulas e o coração acelerado, daqueles que faça sorrir mesmo enquanto durmo.

Quero ter um amor que se automultiplique e que todos os dias pareçam férias na praia, passeios no campo e produzam calor romantico duma fogueira.
Quero ter um amor assim que nem no cinema.
Vá lá, dá uma ajuda e grita comigo.


Sanzalando

praiamar



Enviado do meu Windows Phone

17 de junho de 2014

rosa linda

Já era quase meio dia gasto, hora de recomeçar, não fazia a mínima ideia do que fazer nem como fazer o nada tanto que me apetecia. Ofereci a rosa mais linda à minha linda Rosa e para ti sorri, Rosa Linda.
Não quero gastar palavras em lamentos, em saudades de amanhã nem cair na força do hábito de chorar na solidão da espera. 
Pensei em mil maneiras de sobreviver no meio dia que ainda faltava gastar, mas nem em palavras, actos ou ideias me safei. 
Rosa Linda havia recebido a rosa mais linda, através dos virtuais meios de conversar.
No meio dumas tantas palavras encontrei um recanto onde descansado poderia esperar gastar o tempo que faltava para em vez dum rosa dar um beijo à mais linda Rosa do meu coração.
Em palavras simples me sentei e com elas me acompanhei na espera de te ver chegar.


Enviado do meu Windows Phone

16 de junho de 2014

palavras sem voz

Atirado no sofá, assim feito amarrotado de cansado, vestido com roupa de não sair de casa, despenteado despreocupado e um livro na mão, olhos perdidos em palavras escritas por outras mãos, sem sentir mais do que devo, sem viver mais do que vivo e sem procurar memórias nem matar a sede em copos perdidos de espaços soltos, recuso a largar a tua mão.
Hoje é dia de ver palavras sem a minha voz e de lembrar que eu deveria ter-te conhecido desde sempre.

Sanzalando

15 de junho de 2014

caminhos

Caminho segredando-me pensamentos, desejos e alguns sonhos que não sei sonhei ou apenasmente desejei.
Às vezes dou comigo a pensar que houve tempos que tranquei todas as portas, que fechei janelas e corri cortinados, mas era só uma forma de estar no meu presente sem ter mágoas ou recordações do passado, ter pesadelos ou acautelar-me de alguma coisa que tenha criado no meu subconsciente.
Caminho a teu lado como que a proteger-me dos medos, fantasmas e monstros que idealizei quando pensava que o mundo era apenas eu.
Pensamentos, desejos e sonhos hoje são diferentes, mesmo que o caminho que percorra seja o mesmo. Hoje sorri de cara completa, de brilho nos olhos e brilhante cor de pele.
Caminhos que caminho mesmo que as palavras não façam eco. 
Gosto-me gostando-te neste caminhar a dois.


Sanzalando

14 de junho de 2014

faz conta

Faz conta é de noite e eu estou a admirar a lua que por acaso hoje é cheia mas vai começar a caminhar para o escuro. 
Faz conta eu vi uma estrela cadente e de pronto fiz um desejo que guardei na memória.
Faz conta me deu para cantar e de viola em punho sigo cantando baladas para ti.
Faz conta eu imagino as estrelas que se vêm na America, em África ou na Ásia.
Faz conta eu imagino que vejas o mesmo que eu.
Faz de conta eu estou a teu lado e me sinto assim feliz que nem há palavras para dizer
Faz conta eu não precisa te escrever.

Sanzalando

13 de junho de 2014

florescente

Falo, falo e não páro de falar. Sei o que sinto mesmo que não saiba o que dizer, como o fazer ou mostrar.
Troco as palavras, misturo ideias e empacoto sonhos e fico sem saber como dizer as tantas que tenho na ponta da língua.
Contudo sei que no meu epitáfio, posfácio ou seja lá onde fôr, aparecerá escrito que tentei ser e não consegui; tentei ter e não tive; tentei continuar e não segui; mas que te amar lá isso te amei.
Tantas palavras soletradas e não sei como te dizer tanto amor florescentemente verde.


Sanzalando

12 de junho de 2014

caminho

Caminho em passos lentos como que a contar palavras para um poema que quero escrever, um poema amante, escaldante, ardente e docemente cantado em voz serena de felicidade. Para ser bom poeta tento ser bom amante e para isso não falho as lições que me ensino nas minhas solitárias caminhadas.
Aprendo a fazer tudo direito porque, só já sendo poeta, poderei errar, ser estrela mesmo que em performances medíocres.
Caminho em passos lentos como que a medir as minhas palavra, como que a ver-te em letras soltas do meu alfabeto.
Caminho em passos lentos sabendo que tem gente que apareceu e marcou.

Sanzalando

11 de junho de 2014

calma e serenamente

Calmanente percorro a linha de água de uma onda mais atrevida que se espraiou em praia alta. Descontraído como que a  precisar de estar a teu lado mesmo que estejas ocupada na labuta diária, olhar-te e ver como quem quer ver, sentir-te mesmo que escuro esteja e a alma ocupada mas ainda com espaço para te amar.
Calma e descontraidamente eu preciso de alguém sem pressa para comigo andar à chuva ou ao vento quando o tempo dele voltar.
Calmamente continuo a ter-te mesmo sabendo como sou, trapalhão de mistura de tristeza e alegria.
Serenamente eu preciso de alguém que vale a pena precisar para calmamente eu deambular sem tempos de demora ou necessidade de elogia.

Sanzalando

10 de junho de 2014

amor

«Por mares nunca dantes navegados...» É o teu dia pá. Quase que eu ia ficar em silêncio mas a «ferida que dói e não se sente» foi mais forte e lá vim eu ainda ofegante, da correria, arrumar umas palavras que dessem sentido ao que sinto e tu tão bem soubeste escrever.
Tentei em verso e apaguei. Tentei em prosa e rasurei e quase em silêncio murmurei:
Sou um pouco de ti no meu corpo, um olhar dos teus olhos e um beijo dos teus lábios. Eu sou eu feito de ti, sombra minha que te segue.


Sanzalando

9 de junho de 2014

a ventos

Deixo o vento refrescar-me a cara como se fosse um radiador dum carro. Já tentei soprar contra ele mas não deu resultado nenhum, pelo que agora me agarro a ele e lhe dou utilidade.
Vento leste, vento sul ou norte. Ele que sopre que eu lhe dou uso e se calhar abuso.
Aproveito o vento e ponho conversas em dia, encontros e desencontros em ordem. Até ponho a leitura em dia.
Afinal de conta somos suficientemente fortes para aguentar as rajadas. E se estivermos de mãos dadas aguentaremos os remoinhos. É, estive a ver as leis da física.
Deixo o vento refrescar-me e fazer sentir vontade de seguir em frente, voar e levar-te sempre a meu lado.


Sanzalando

8 de junho de 2014

Só porque sim vivo

Esqueço o vento que sopra forte vindo de sueste. Esqueço, por que nem sei onde é que é o norte quanto mais os outros pontos menos importantes só porque alguém disse que o norte e o sul é que se deixam falar ao deus dará, e me deixo cair num período de desligamento total. 
Faz conta deixei de lado os sentimentos, desisti deles e finjo entender porquê.
Faz conta esqueci de magoar-me navegando na memória e nos sonhos de amanhã.
Faz de conta passei a ser espiritual assim que nem alma redentora.
Faz de conta hoje não é domingo e tu não estás ao meu lado.
Esquece. Hoje faz vento e eu feliz estou a teu lado. Só porque sim nem faço de conta: vivo!


Sanzalando

7 de junho de 2014

deixo-me

Deixo-me navegar por sonhos e memórias e dou comigo a olhar uns olhos que não têm olhar. Ficou-me na memória apenas os olhos. Deslembro de todo o brilho que podia ter existido no olhar daqueles olhos.
Deixo-me navegar por tardes imaginadas com vida e apenas recordo o tic tac do passar do tempo. Ficou-me apenas a marca do tempo sem tempo para o marcar de outra forma.
Deixo-me caminhar por presentes ausentes e dou comigo agora abraçado a ti e esquecido do tempo que passa.
Deixo-me caminhar nos teus braços embalado pela felicidade de poder recordar passados sem ter de chorar, esconder ou inventar.
Deixo-me ser livre porque te gosto com vontade de te gostar


Sanzalando

6 de junho de 2014

nublado e ventoso

Passeio nublado e ventoso. Despenteio-me. Irrito-me porque o vento não me deixa olhar de frente e a nebulosidade não me deixa ver mais além do que a distância do umbigo.
Já sei que eu gosto do barulho da chuva mesmo que tenha medo das trovoadas tropicais. Já sei que gosto do cheiro a terra molhada mesmo que tenha medo dos rios de lama que podem correr comigo dos sonhos que idealizei.
Já sei que gosto dos filmes antigos, dos trágicos amores sem ligação à dura realidade.
Mas gosto mesmo é de olhar e ver o céu azul e o sol amarelo a dar azul ao meu mar.
Mas eu gosto é de olhar em frente e ver um belo sorriso a sorrir-me.
Gosto de tanto que até às vezes parece que gosto que me dês um desgosto para eu olhar o mundo de outra forma.
Passeio nublado e ventoso.


Sanzalando

5 de junho de 2014

cantarolando

Dou comigo a trautear palavras fossem elas duma canção que acabei de inventar:

Vais-me com outros olhos ver
ou olhar com olhos de outra,
daqui até morrer
muito temos para fazer
e em silêncios dizer.

Vais senti-me diferente,
meigo uma e outra vez,
dirás mudei para ser gente,
que o meu abraço passou a ser quente
e ausente estarei presente.

Quero repetir e me esqueci o primeiro verso, esqueci a música e a melodia. Coisas difíceis para mim. Terra a terra, homem de sonhos, digo-me a tentar recompor e a ganhar tempo para pensar. Afinal de contas eu sou o gajo que gosta de colo mas não sabe pedir, espera que adivinhem. Pragmático. Pouco prático. Dependente. Tantas qualidades que ainda acabo por arranjar defeito.
Assobio. Disfarço a letra, a música e quero lá saber se tem melodia. Chamei-te à atenção. Beijo-te. Até já.


Sanzalando

4 de junho de 2014

doido

De todas as palavras gastas ainda vão sobrando algumas para dizer o tudo e nada que vem à cabeça. Reflexos, reflexões e outras razões vão-me saindo num acaso sem ocasos e sem casos, frases escritas na memória como se um poema se escrevesse num futuro que há de vir.
Frases pomposas e coloridas, pontuadas ou descontinuadas, descortinadas e sem tino num vértice triangular de palavras feitas canção duma música que não toquei.
Doidei ou doidaram as palavras que hoje usei quer para pedalar, quer para regar, quer ainda para te dizer quanto eu poderei gostar mais de ti.
Doidaram as vírgulas e pontos que caíram sobre as palavras numa gramática sem métrica ou numa métrica gramática de quem grama por gostar sem ser a metro ou ao quilo.


Sanzalando

3 de junho de 2014

previsões

Já rasguei as cartas do passado, já tracei novas rotas, já pintei novos cenários e já sorri sorrisos novos desenhados por ti.
As rotas tracei em papel vegetal.
Os cenários pintei-os em troncos de árvores imaginadas.
Os sorrisos desenhei na terra dum canteiro onde semeei sonhos com ideias novas e adubei com carícias e mimos que recebi.
Aos poucos fui tratando a alma, depois de tratar do corpo e do cabelo. Tratei de conhecer gente nova e caminhos novos. Tratei-me a divertir sem me deixar sair do contexto e sem tropeçar mais na vida nem cair em rasteiras dos meus próprios pés.


Sanzalando

2 de junho de 2014

Remexendo palavras

Reaparecido dos escombros dos passeios que arejam as ideias, das noites divertidas que alegram a alma, dos repastos que enobrecem o perímetro abdominal, das carícias que felicitam o facto de estarmos e sentirmo-nos vivos, passeio por entre palavras, becos de ideias e ruelas de sonhos.
Podia chorar porque tudo me acontece mas a verdade é que com tudo isto a gente cresce. Eu podia ter diamantes mas aí não teria o teu sorriso. Eu poderia ter de olhar para trás enquanto caminho, mas olho em frente de cabeça erquida porque ambos temos fé um no outro.
Eu sou feliz e canto, dizia o poeta.
Podem tirar-me tudo o que tenho mas não conseguem apagar as coisas boas que já me deste. O universo é o meu mundo e a tua presença é o completar dum sonho vazio que em tinha por aqui guardado.


Sanzalando

1 de junho de 2014

Ancorado - sanzalacine

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007