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A Minha Sanzala: Setembro 2014
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de setembro de 2014

deitado no teu colo a sonhar

Levanto-me preguiçosamente porque o outono me carrega de preguiça. Tu gostas de música, dias de sol e de mar e eu detesto sentir-me despenteado pelo vento, pele irada pelo frio e a barriga a doer de fome de sol. Gostas de chocolate, de filmes e tv e eu prefiro fins de tarde de rua em tronco nu. 
Já sei, é o outono que me faz experimentar esta solidão. O outono não é solidário.
Fazes-me rir ou pelo menos sorrir. Fazes-me lembrar os mergulhos nas ondas de prazer do verão bem passado.
É outono e sinto-me bem deitado no teu colo a sonhar.

Sanzalando

outonal

De todas as formas e feitios é outono.

As roupas perderam as cores alegras e os corpos perderam o brilho. Os olhares trocados já não são os mesmos e sorrisos esboçados são isso mesmo, esboços.
Outonal época de adaptação.
Os nervos à flor da pele, o cansaço se nota no respirar, no olhar e no desejar.
Outono.
Ouve-se o silêncio da queda outonal.
O que me vale é que tenho um particular sol a me brilhar.


Sanzalando

29 de setembro de 2014

ouço

Aqui estou estendido na noite de outono ouvindo os últimos pássaros que por aqui, como eu, vagueiam. Uns cantam e outros parece choram. Ouço,  apenas. Acho amanhã não estarão aqui. Ouço-Os parece marcam a hora da partida.  Sinto. 
Mas os pássaros cantam à noite? Sou livre e ouço quando me apetece, nem que seja de memória. 
Aqui, onde me vês, ouço não só os pássaros, ouço também o teu coração acelerado quando me olhas. 

Sanzalando

27 de setembro de 2014

vagabundo-me na cidade

Vagabundo-me perdido na cidade como a descobrir novas fachadas, novos recantos e outros esconderijos. Vagabundo-me sem pensamentos e esquecidas palavras. Onde foi que perdi um sorriso? Onde foi que desbaratei palavras? Onde foi que sequei sentimentos? 
A cidade é tão complexa.
Vagabundo-me por ruelas como que interessado na vida e sem saber dela. Procuro insistentemente como criança que não sabe qual o brinquedo com que quer brincar.
Vagabundo-me nas calcadas já percorridas tantas vezes que já nem sei o número de cada porta, apenas sei como é que ela é,.
Vagabundo-me em conversas contigo e contigo tento encontrar-me. 
Olha um sorriso ou uma palavra perdida, te ouço o pensamento.



Sanzalando

26 de setembro de 2014

o limite somos nós

Não existe limite porque o limite somos nós. Alguém disse isto e eu assinei por baixo sem ver. Assim mesmo como me perdi num tempo que não sei onde foi.
Frases. Contexto. Sem texto. Pretexto. Pré texto. Palavras que dou continuidade num caminho que traço por aí. Às vezes a minha coragem aparece quando desaparece a oportunidade de a mostrar, assim como não consigo colher os frutos do amor que espalhei por aí. Definições. Condições. Predisposições.
Afinal de contas é outono e como sempre eu não consigo parar de pensar no meu maior sonho. Por mais que eu sonhe o sonho seguinte é sempre maior.
Gosto de ti, pá!


Sanzalando

25 de setembro de 2014

Para quê gastar palavras

Para quê gastar palavras se posso dar sorrisos?
Eu sei é que se deixar de amar perco não só as palavras como a cor e a alegria delas, perco o sorriso e a face carrancuda vincada no olhar de quem me vê se torna trovoada em dia de sol.
Não quero dor, silêncios, ansiedade ou ciúme, desespero ou implicâncias, palavras carregadas de inconcordâncias e desconformidades.
Para quê gastar palavras se posso usar sorrisos?
A culpa é das estrelas, dos astros ou dos signos. Minha não é. Sou quem sou no uso integral das minhas palavras e sorrisos.

Sanzalando

24 de setembro de 2014

sorriso de outono

Todo o céu que me habituara a ver azul está branco de tufos de algodão. Algumas zonas estão sujas que parece são cinzentas. Adivinho tempestade. Sempre que tentei adivinhar errei por isso vamos lá a ver se assim isto melhora.
Mas mesmo com este céu assim eu digo que o teu sorriso é o sol que me enche as noites vazias de sono. Com este ar de tempestade é a tua calma que me acolhe a minha alma. 
Afinal de contas, de todas as provas reais e dos nove, eu sei que um dia, se não for hoje, tudo vai dar certo porque as coisas são feitas pelo lado certo e nunca pelo lado errado de ver.
Pode estar céu de tempestade que o meu sorriso brilhado pelo teu sol sorrirá enquanto estiver de mão dada contigo.


Sanzalando

23 de setembro de 2014

Estou feliz neste tempo

Não faz cacimbo, não faz sol. Não sei que tempo é este. É tempo de ter tempo para gastar tempo no tempo que faz.
Assim como assim deixei-o sentar-se na minha cama e de surpresa o tempo acordou-me. Não morri de susto porque o tempo não assusta ninguém. Desgasta.
Deixei-o balancear-me em conversa mole e de olhos fechados fingi insegurança enquanto me equilibrava no colchão. 
O tempo deu-me carinho, o tempo cuidou de mim enquanto me fez companhia. O tempo me deu a certeza que a insegurança de estar sozinho terminara quando te conheci.
Estranho a maneira de ser e de estar, talvez a de vestir e de falar. Gosti, pá! Bebo mais um gole de tempo, o olfato se apurou, o olhar se afinou e o paladar de sensibilizou,  Gosti, pá!
Com tempo que o tempo me deu fui passear o cão e sonhar com ela.
Sorri ao tempo do tempo da memória chorosa. Ela escolhe o cinema, o programa ou o desprograma. Eu curto o tempo. Curto ou longo. Futuro que é isso?
Não faz cacimbo, não faz sol. Não sei que tempo é este. Estou feliz neste tempo.


Sanzalando

21 de setembro de 2014

feliz

Solto-me livre pela praia de outono, limpando depressões, varrendo medos e areando inutilidades que me dariam um ar pesado de quem caminha por nadas.
Tudo acabado, tudo limpo, tudo livre na praia de outono. 
Dou-lhe um beijo e recebo um exercito de poderosos poderes para continuar a adolescência que se calhar deixei passar em branco.
Solto-me livre de braço dado e de olhos nos olhos vivo a vida de palco tal e qual nos bastidores: feliz.


Sanzalando

19 de setembro de 2014

sigo

Sigo em passo apressado como que a fugir dalguma chuva que possa cair e lavar-me a alma. É que eu quero a minha alma mesmo assim como está. Feliz!
Sigo em passo apressado acelerado pelo vento que teima em ventar, impedindo-me de passear â minha velocidade quando vou contra ele.
Sigo por aí à procura duma resposta à pergunta que nunca me fiz, mas que sei um dia terei e então saberei qual a pergunta que deveria ter feito, e quando.
Sigo de suspiro em suspiro suspirando por ter hora ouvida num qualquer sino a dizer-me que chegas tarda nada.
Sigo a seta que inventei nos meus olhos com vontade de escrever nela o teu nome.
Sigo por mim.


Sanzalando

18 de setembro de 2014

auto-retrato de letras

Se eu soubesse escrever desenharia o meu auto retrato. Sem modéstia e claro está, fidedigno. Não me escreveria com palavras sem verdade, nem me pintaria com palavras garridas, nem desbotoaria cinzas ou negros e nem usaria pincéis de fingir.
Eu nem sei todas as palavras, todas as regras de gramática e o traço já não é certo por defeito de muitos temporais.
Se eu soubesse escrever desenharia um retrato contigo ao lado para poder sentir-me acompanhado sempre.


Sanzalando

17 de setembro de 2014

afinal de contas

A chuva bate no vidro da janela e eu até recuo com medo que ela me entre alma dentro. Aproveito para sonhar e sonho por cima de palavras, de sons e de ideias. Me acuso culpado de querer viver o tempo que perdi num não sei onde, porem numa vida transloucada de lágrimas e gargalhadas, de marmotos e calmarias, de gritos e silêncios. Felizmente nunca me deu para sair a meio da viagem. Como é que agora ia ser feliz assim?
Afinal de contas o tempo com o tempo que faz, nos mostra o tempo que a gente vive. Afinal de conta tudo se supera e nada é para sempre, nem as dores!


Sanzalando

16 de setembro de 2014

hoje é hoje e pronto finalmente

A areia está molhada assim que nem carga de água que não para de cair. Faz calor que até faz ir buscar memórias guardadas na caixa delas. Me sento mesmo assim na areia e olho o mar tentando ver para lá do que consigo ver. Eu lhe queria contar todos os meus segredos mas ele, o mar, sabe faz tempo que ela é parte integrante deles.
Olhando o mar eu desentendo-me de como é que eu quero sempre ir na memória buscar os segredos lá guardados. Estou farto de me dizer que esse já era, olha em frente e vive-o amanhã.
Tu olhas-me e me entendes. Ele, o mar, finge descompreender e me quer dar banho de espuma numa onda parece é revoltada.
Afinal de contas com tantas memórias e tantas procuras eu me lembrei agora que estou integralmente ocupado por ti, pelas tuas carícias, teus beijos e tuas falas certas.
Na areia molhada eu me vou recordar que esqueci a memória dom passado que quero viver no futuro e dizer ao mar que hoje é hoje e pronto finalmente.


Sanzalando

13 de setembro de 2014

viver

Não quero gastar por aí as palavras bonitas que acho ainda tenho para dizer.

Acho mesmo vou-as deixar repousar em lume brando, assim num não arrefecer nem queimar.
Vou guardar as palavras da saudade e de alegria. Vou guardar as letras dos nomes felizes da minha vida.
Não vou gastar mais as palavras de amor que tenho para te dizer, vou vivê-las.


Sanzalando

12 de setembro de 2014

delírio de amor

Aqui estou sentado na praia deserta dum quase outono. 
Tu estás fotografada na memória como impressão dum fio de água, permanente mesmo que aparentemente invisível. Só por isso não estou na solidão da limpeza dum sotão que um dia alguém chamou de memória.
Vasculho assuntos, pendências e interdependências, ligações e desligações e por fim encontro uma carta que nunca escrevi, mesmo que ela começasse num para ti.
Eras a destinatária. Porque não escrevi já não me lembro, se calhar nem assunto teria. Olhei-a de todos os ângulos, não encontrei nenhuma pista e nela não repousava mais nenhuma letra para além das que diziam para ti.
Fiz um esforço que acho até sinais de fumo a minha cabeça deitava.
Acho que para ti era para dizer apenas que te amo e algum medo me impediu de te dizer.


Sanzalando

11 de setembro de 2014

Maré cheia

Olho o mar desde aqui onde me abrigo do vento e de alguma chuva possa cair só para me chatear. A maré está cheia até parece vai derramar sobre fora do mar.
Sentado, lápis na mão e folha em branco à frente olho o mar.
Estou a organizar os meus sentimentos para lhes escrever, assim sei não me vou esquecer deles. Sei parece difícil mas ultimamente até que não é. O meu primeiro pensamento hoje fostes tu e me lembro perfeitamente que o ultimo de ontem foste tu. Logo parece é facil. Estranho, mas o papel ainda está em branco. É que hoje penso em nós.
É isso. Escrevo na folha de papel em branco que está à minha frente enquanto olho o mar: amamo-nos!


Sanzalando

10 de setembro de 2014

lado nenhum

Sob chuva que apareceu assim num repente vagueio ideias pelos caminhos abrigados em que me passeio. Dumas vou gostando, doutras vou limando aresta, de outras mais vou esquecendo e de poucas tantas vou compreendendo. Mas o que sublinho é que vou indo, vou andando nestes caminhos, umas vezes sabendo explicar outras calando-me em palavras doces e sempre entendo-me.
Sob chuva vou caminhando mesmo que seja para lado nenhum.


Sanzalando

9 de setembro de 2014

caminhos

Percorro os caminhos do pensamento como quem caminha pela solidão de ser gente solidário. Guardo as minhas expectativas ou tento não criar novas sem gastar as anteriores. Na verdade, é que se eu espero assim tanto por algo e isso não acontece ainda acabo surpreendido e arrefecido e verifico que tudo não passou duma perda de tempo. Se der errado vou achar que a minha expectativa não valia a pena existir, assim como o tempo que perdi nela.
Percorro os caminhos do pensamento porque afinal tenho que caminhar, pela vida na vida.
Não quero perder o poder de chorar.



Sanzalando

7 de setembro de 2014

caminho

Sentei-me numa beira de estrada a ver o caminho passar. Quer para a direita, quer para a esquerda ele vai dar a lugar algum mesmo que esse lugar nada me diga. Mas eu pacientemente deixo-o passar e com o olhar sigo-o. Todos os caminhos dão a lugar algum, repito-me.
Fechei os olhos e chorei lágrimas infinitas e virtuais, afoguei-me dentro de mim. Qual caminho eu vou escolher? Dói-me ver aqui preso na minha indecisão.
Sentei-me na beira da estrada e sem pensar na estrada da Beira adormeci nos teus braços sem saber qual o caminho que tomei.


Sanzalando

6 de setembro de 2014

e foi assim

Olho a praia deserta no seu ar de quem vai levar com chuva. Quem diria que dum dia para outro ia ficar assim. Sem aviso prévio ou distracção minha.
E foi assim que eu fiquei com esta cara sem sorriso. Odeio saber que um dia tudo pode ser reduzido a nada. Os amores. Os poemas. Frases feitas e desfeitas obras..
E foi assim que fiquei sem brilho os olhos porque veio à memória que um dia, sem saber quando, terei um palmo de terra como tecto.
E foi assim que lacrimejei ao lembrar-me que passo mais de metade da vida feito parvo para acabar feito morto.
E foi assim que comecei a andar, sorrindo porque afinal há sempre um sol, mesmo que esteja por trás duma nuvem densa, que me brilhará todas as alegrias que já tive.


Sanzalando

4 de setembro de 2014

meditação

Parti do principio que...
Quê?
Nunca parto do meio e muito menos do fim.

É verdade que às vezes digo coisas que nem o diabo entende. Fosse eu diabo e respondia-me.
Agora penso numa pessoa chata, melodramática, estranhamente teimosa, insuportavelmente feliz ou infeliz...
Eu!
Bolas que hoje as palavras saem como se fossem torpedos, balas de borracha, carícias fictícias.
Hoje simplesmente não falo. Soletro me di ta ção.


Sanzalando

3 de setembro de 2014

estradas

Mete-me à estrada como se não tivesse um rumo e recomecei a pensar como se fosse uma primeira vez.
Troquei as voltas e verifiquei que doeu muito ter um coração partido, porém, a dor maior foi quando verifiquei que não me lembrava como é que era antes de o ter partido.
Acelerei, assim num misto de angustia e amargura, a estrada passava por baixo de mim mais depressa do que eu a podia ver ao pormenor. Sorri e pensei que a vida era a estrada e que eu tinha andado mais depressa do que devia. Quase nesse instante parei e veio-me à memória a tua frase doce a dizer-me 'respira'. Respirei e mentalmente sorri-te. Acho tu sentiste porque eu acho senti-o.
Destravei, andei ao relanti, ao sabor da suave descida, penteei-me, aprumei-me e fui ter contigo sorrindo, sabendo-me feliz porque sei o nome de todas as minhas saudades e que sei não desisto do que quero, apenas da dor.



Sanzalando

2 de setembro de 2014

quando

Estendi-me na areia como que a captar todo o sol do mundo e reparei que a gente não se encontrou, acho foi uma colisão de olhares, um acidente sem sentido que deu sentido a tanta coisa.
Quando me sufoco na ansiedade das descobertas que me faço, encontro o teu olhar me sorrindo como se o sorriso fosse uma multidão em rua deserta.
Quando o mar me molha numa distracção momentânea ouço a tua gargalhada feliz como se fosse uma manta a aparecer numa noite fria de inverno.
Quando tropeço na solidão recordo-me das tuas palavras a me encherem de ser eu.



Sanzalando

1 de setembro de 2014

azul

Ia eu a passar por mim quando reparei que sorria e me indaguei como é que é possível sorrir assim e por nada.
Olhei o mar e lá estava ele azul como sempre. Olhei o céu e lá estava ele azul como tantas vezes. Olhei para o chão e lá estava ele a me segurar como quase sempre, mesmo não sendo azul.
Assim num repente dou comigo a dizer-me que estava apaixonado. Norte, sul este e oeste, bem orientado no tempo e no espaço. Passeio o cão e rego as flores. Só pode ser paixão. Ou novos tempos. Melhor: ambos!

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007