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A Minha Sanzala: Novembro 2014
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de novembro de 2014

Stephen Wiltshire

Sanzalando

28 de novembro de 2014

palavras que escondi

Malditas letras que não encontro.

Como é que escrevo que estou a rir sem parecer um tonto? Dito assim secamente parece sou tonto de rir. Quando falo que choro me dizem lá está o sentimental. E rir? É que é bom. Como o descrevo? Malditas palavras que não sei onde as escondi.
Amor. Sinto amor. O mais que poderia acontecer é não ser correspondido mas isso não precisava escrever. Quero é rir. Como escrevo sem parecer um tolo?
Olha, amor, vou-me rindo e seja como for. Gosto-te assim sem ter as palavras para te escrever porque as arrumei não sei onde.


Sanzalando

27 de novembro de 2014

a chuva e a realidade

Olho pela janela e me revejo escorrendo pelos vidros como a água da chuva que cai. Se eu não soubesse que os meus vidros eram transparentes eu ia dizer eles estavam transformados em deturpadores da visão, tal é a distorção que fazem.
Ali, distorcidos vejo os meus medos. 
Olha-me tu a tropeçares numa qualquer rua e um qualquer sorriso mais puro que o meu te levar.
Olha-me tu a ficares cansada da minha constante e sempre igual gargalhada.
Olha-me tu a seres acariciada pela água da chuva e eu aqui fechado com medo de me molhar.
Olha só o que a água da chuva faz ao bater na minha janela. Distorce a realidade


Sanzalando

ABC

Sanzalando

26 de novembro de 2014

fui dar uma volta

Como diz a minha companheira destas coisas de blog e afins: lá está ele em crise de palavras. É. Gastei-as. Das mais diversas formas elas se foram. Umas poderiam ter sentido e outras deveriam ter sido caladas. A falta de jeito tem destas coisas. 
Hoje estou que nem o tempo. Frio. Chuvoso. Brilho de sol nem vê-lo. Eu sei que é noite faz tempo. Mas o tempo não se faz e as palavras não se recauchutam. Fui dar uma volta.


Sanzalando

25 de novembro de 2014

memos

Já reli rascunhos, uns consegui decifrar o que rabisquei e noutros deduzi. Já relembrei as mensagens que deitei em garrafas mar adentro, já idealizei novos meios para novos recados, mukandas e outras informações.
Apenas sei que dói. Se me perguntam eu digo dói. Onde? E eu não saberei responder porque apenas sinto a dor. 
Tudo tem a haver com o grito de guardei tanto tempo dentro de mim, até tu apareceres e como que por milagre me abriste a garganta e ele se soltou. 
Dói ter recordações, sonhos e memórias que não se realizaram, mas um corpo de água afoga-me a mágoa e trás-me à vida na tua carícia que sinto em toda a parte.


Sanzalando

21 de novembro de 2014

queria e quero

Queria partilhar palavras como se fossem carícias, gestos como se fosse diálogo, olhares como se fosse um filme.
Queria abrir as portas do mundo e sorrir como se fosse um dia de muita luz.
Queria olhar no espelho e ver-me como me sinto faz vinte anos atrás.
Queria desenhar a alma com mão firme e esquecer as dúvidas que atafulham meus medos.
Queria ser tanto para o tão pouco que sou.
Queria ter espaço futuro sem necessidade de usar o agora como se fosse o último minuto.
Queria e continuo querendo poder amar-te num interminavel templo de sol.


Sanzalando

19 de novembro de 2014

só porque chove

Chove que nem parece ter céu que chegue. Tanta água remexe a terra, lava a fundo a consciência, enfraquece o medo e as luzes da rotina se apagam.
Chove num adultério de memórias, numa orgia de dores.
Chove afinal apenas.


Sanzalando

18 de novembro de 2014

É assim a vida de cada dia

Assim como gasto o tempo vou gastando palavras. Umas ao deus dará e outras darei a quem as receber. Umas vezes desperdiço tempo enquanto outras eu o ganho. Como assim, é simples estar bem, o difícil é conseguir-me manter simples. E lá vou eu sorrindo, umas vezes com lágrimas nos olhos, outras transbordando sorrisos. Umas vezes grito que desisto, outras caladamente expulso faíscas que acendem enormes lareiras que me aquecem.
É assim a importância que me dou importante.
É assim que vivo, umas vezes deitado no teu ombro soluçando silêncios e outras vezes sussurrando carícias ao teu ouvido. 
É assim a vida de cada dia


Sanzalando

15 de novembro de 2014

diferente

Nem frio nem calor. Nem sol nem chuva. Um dia diferente. Faz conta a casa é diferente, eu sou diferente, tu és diferente. Hoje não temos maquilhagem, máscaras ou simulações. Hoje é diferente. Hoje não há sofrimento no mundo, não há fome, nem doenças nem alegrias nem tristezas. Diferente. Não há rua nem abrigos. Hoje é dia de ser dia. Apenas dia.
É que para além de ti, amor, só quando me olho ao espelho eu vejo quem me faz feliz.

Sanzalando

14 de novembro de 2014

bom para o ego

Porque teimo olhar o céu cinzento se dentro de mim faz sol? Procuro novidades a ler as nuvens? Nem a sina, nem as estrelas nem os lábios e às vezes nem os olhos.
Afinal de contas no face aprece que o tomate faz bem a isto, o chá de qualquer coisa aquilo e por aí fora, pelo que não devo adivinhar nada de novo. Acho está tudo adivinhado.
Mas eu olho o céu cinzento nem que seja por vício. Algum havia de ter, digo eu. Tenho medo que chova? Medo antecipado é sofrimento com antecedência.
Bem. Hoje não vou gastar mais letras. Vou-lhe dar abraços e fazer carícias. É bom para o ego.


Sanzalando

13 de novembro de 2014

delírio nominal

Faz conta meu nome é João Pedro. Delírios dum ser maior. Porquê este nome? Saiu assim num repentinamente de quem tem memória esconde qualquer coisa soltamente perdido nas palavras. Ri. Até que é parecido. Excepto que não é real e o imaginário seria mais imaginável, mais elaborado, invulgar. Sei lá. Faz conta meu nome é João Pedro. Assim mais nem menos. Soltamente saído pela boca que não estava ligada ao cérebro.
Vamos procurar na ciência o porquê? Vamos perguntar ao Sigmund Freud?
Tanto trabalho para quê?
Sou feliz assim, com delírios e sem eles também.

Sanzalando

11 de novembro de 2014

fui que sou

Usei as letras que sabia para construir uma prisão onde me aprisionei. Todas as palavras serviram de grades. Todos os parágrafos eram vedações. Eu, solitário, sobrevivi. Desmontei letra a letra tudo o que desconstrui. Soltei amarras e voei. Livre pelos quatro cantos duma existÊncia. 
Umas vezes tenho medo de não ser quem acho que sou, com pavor de não saber reconstruir-me em cada desfaçatez, de não ver-me livre dos abismos intragáveis que inventei e de me apodrecer no reflexo dum espelho.
Já fui apenas um corpo com vida.
Já gastei o corpo nas vagas da inércia.
Já me varri para debaixo do tapete com medo do vazio existencial.
Livremente sorri e deixei-me levar pela alegria. 
Desmontei a minha prisão, soltei as minhas grades e arranquei as vedações.
Existo integralmente.


Sanzalando

10 de novembro de 2014

brilha sol ou não

Será que fazia sol?

Acho que não porque além do mais era noite. À noite em Novembro neste local não faz sol. 
Na verdade mesmo é que não sei a hora, mas falar-te foi assim como um brilhar de estrela, um brilho verdadeiro, intrinsecamente ligado à tua beleza nos meus olhos. 
Passado um ano ainda fico de olhos brilhantes observando-te, admirando-te, sonhando-te e esperando-te.
Passado um este tempo não ofusquei o brilho e o bilhete que eu não sabia se era de ida, ida e volta ou se era apenasmente válido não me deixou sozinho no meio da multidão.
Faz sol porque brilha, seja a hora que for.

Sanzalando

7 de novembro de 2014

namorando

Troco palavras faladas numa conversa animada contigo. Aliás, seja lá isto o que quer dizer, não imagino passar o dia sem te dizer as palavras que o coração me cria. O engraçado mesmo desta rotina de falarmos de tudo, das frustrações às alegrias, do trabalho ao laser, dos assuntos sérios às piadas, é que eu comecei a amar-te sem me aperceber e agora amo-te num quase entendendo tudo, num quase compreendendo tudo.
Nesta múltipla troca de palavras é como que me olhasse ao espelho e não me vejo diferente. Eu sou a imagem que o espelho reflete e isso me deixa satisfeito. Não me mudaste, aperfeiçoaste-me!


Sanzalando

6 de novembro de 2014

O que eu queria da parte última

O que eu queria mesmo era escrever um livro que meditasse na pureza da alma, independentemente do que isso quer dizer.
Mas não queria um livro de palavras, porque para esses eu tenho Saramago, Ondjaki, Mia, Gabriel, Namora e outras tantas palavras que até me dá fome de ler.
Eu queria um livro onde a nudez de palavras fosse vestida com sentimentos, que a minha timidez fosse disfarçada com ventos e as virgulas e pontos finais fossem de muitas cores sem esconder pudores e outros rumores.
Eu queria escrever um livro sem ter de usar as poucas palavras que soletro nos meus momentos de loucura com doçura.


Sanzalando

5 de novembro de 2014

o que queria, parte incerta

Eu queria escrever um livro, sem palavras, onde ensinasse a esquecer a dor, o sofrimento físico e mental, o esforço, a raiva e o ódio, as lágrimas e as caras tristes. Todos os outros livros nos ensinam tudo menos a nos defender das pequenas coisas do dia a dia, da vida como que ela é.
Eu queria escrever um livro que tivesse o perfume das flores, o meu perfume, o teu perfume. 
Nesse livro eu ia dizer quem sou e porque o sou. Nós somos o que somos por várias razões e nem sabemos delas nem metade porque não vem nos outros livros todos que eu já li.
Eu queria escrever um livro a que páginas tantas eu te visse e eu me transformasse num ser de sentir sentidos.
Eu queria e vou continuar querendo, mesmo me esquecendo por tempos o tanto que eu já tinha querido antes.


Sanzalando

4 de novembro de 2014

o que eu queria mesmo

O que eu mesmo queria era escrever um livro. Mas não um desses livros de palavras que ficam bem nas prateleiras, que dão ar de intelectual, que se enchem de pó, que se arrumam para um canto, que não dizem nada, que não ensinam nada e que não passam por nada. 
Queria mesmo escrever um livro de sentimentos que nunca fechei em nenhum cofre ou armário, que vivi nas muitas idades que senti desde que me lembro ser estudante, trabalhador ou vadio. Um livro que sentisse amor ou ódio, fuga ou entrega, sons ou silêncios, mas sentimentos verdadeiros.
Queria mesmo escrever um livro em que tu serias a página principal, a capa, a contacapa e quem sabe o conteúdo todo.
Queria mesmo escrever um livro que te sorrisse o meu sorriso, que te molhasse com a minha lágrima ou apenas te embalasse no teu adormecer.
Mas se eu não sei escrever como poderei eu desenhar sentimentos assim?

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007