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A Minha Sanzala: 2015
recomeça o futuro sem esquecer o passado

30 de dezembro de 2015

caminhei por estradas fora

Caminhei por estradas boas, más e assim assim. Respirei pó, tossi fumos mas não parei. Caminhei falando ou calado. Nunca o fiz sem pensar nem ignorar as certezas, as dúvidas e as incógnitas. É certo que não apaguei os sentimentos de culpa, de raiva e ciúme, arrependimento ou tristeza. Mas caminhei com desapego, sem obsessões e sem passados escondidos. Tentei sempre caminhar, quer nas estradas da certeza, sem perdas e sem ganhos, sem vitórias nem derrotas, mesmo quando não sabia para o que ia. Mas certo é que caminhei por estradas de todas as qualidades, com esperança de crescer, aceitar mudanças e perceber que o remédio mais forte está aqui, no coração, na mente, em mim mesmo onde quer que isso seja.
Caminhei por caminhos livres, sem necessidade de abrir portas, sem necessidade de luzes extras. Caminhei e ouvi sempre alguém, algures, a pedir, mesmo que em silêncio.
Caminhei sorrindo, desapegado e sem bloquear a memória nem travar o futuro.

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25 de dezembro de 2015

Happy Christmas

Happy Christmas from Cats Protection!

Are you feeling festive, yet? Hopefully our cute Christmas animation will put you in the Christmas spirit (and cheer up your Monday!) Happy Christmas, everyone

Publicado por Cats Protection em Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015
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pa rum pum pum pum

Merry Christmas - Drum Boy

Publicado por ‎Anba Ermia الأنبا إرميا‎ em Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015
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24 de dezembro de 2015

Jingle Bell 2

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23 de dezembro de 2015

Jingle Bells 1

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21 de dezembro de 2015

Índia: a riqueza do coração


Eu andei por aqui com um maço destas. Eu fui às compras e fazia cambios mentais. Rupias. Curioso que todas as notas de todos os valores eram com a mesma foto de Ghandi. Acho nunca tive noutro sítio assim. Pormenor, mas nem tanto.
Na verdade eu vi quem muito tinha e vi quem nada tinha. Eu nalguns casos fiquei sem saber quem é que era o rico. Há quem não tenha nada e se considere auto-suficiente, satisfeito interiormente e sem necessidade de nada. Há quem nada tenha e que aparenta estar na mais completa escuridão de ignorância e afinal é um ser de paixão a Krishna e diariamente faz a sua doação, de coração. Há quem esteja em constante construção mental mesmo que aparente um desmoronamento físico.
Afinal de contas eu andei aqui, cresci e sonhei ao mesmo tempo. A verdadeira riqueza está mesmo é no nosso coração.


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19 de dezembro de 2015

Nutcracker dance

nutcracker dance

The Nutcracker dance you've NEVER seen before!

Publicado por Melody Mendez Fox 32 Chicago em Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2015
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18 de dezembro de 2015

ver a cidade como local

Andei eu por Vridavan. Não é um lugar turístico, posso dizer com a certeza de não ofender ninguém, nem é um lugar bonito. É um lugar para meditar, para conhecer e aprender. Cidade simples. Plana. Tirando a ligeira subida para um viaduto, não me lembro de ver alguma outra. 
Riquexó é o taxi ali ao virar de olhos. Milhentos. Gasolina uns, porém muitos eléctricos, o que me surpreendeu já que respirar é uma dificuldade devido ao pó e poluição. Eu, tal qual nativo, usava-os. Nunca andei com mais de seis companheiros de viagem. Vi um com pelo menos 16 pessoas, contando as que no tecto iam. O preço era negociado à entrada. Descia ao sabor da discussão e parava ao leve sinal de alguém querer desistir. Mas o facto é que parava ao menor sinal de alguém precisar dele. Sempre cabe mais um. Mas o preço anteriormente estabelecido não era de modo algum alterado. 
As ruas são autênticos caos. Desorganizadamente organizados no ultimo instante. Trânsito à inglês no último segundo, porque nos anteriores eu não fazia a mínima ideia qual era a minha posição geográfica. Ia.
Não descobri quem era peregrino ou habitante. Eram milhares em fila indiana a caminhar 24 horas por dia nas ruas de Vridavan.
Agora, a milhares de quilómetros de distância posso dizer que foi das viagens mais emocionantes que fiz.
Levei 10 kg de bagagem e trouxe muito para pensar.

Sanzalando

16 de dezembro de 2015

Nidhivam, um jardim de Krishna


Era manhã, ou seria de tarde, que não marquei as horas, e fui visitar Nidhivan. Um jardim marcado e remarcado com KumKum nos troncos, no chão. Pó sagrado. Escusam de ir procurar porque vos digo que é um pó vermelho que misturado com água serve para fazer a parte interna da Tilaka, que segundo uns se deve usar sempre, outros que dizem que quando se fazem orações e outros que nada têm de relegioso usam apenas porque sim. Mas a verdade é que aqui me foi dito por um monge, pastor ou responsável do altar, que durante o dia faziam ali oferendas, ao fim do dia era tudo fechado mas na manhã seguinte tudo estava revirado, Krishna visita o seu quarto. Fazes uma oferenda e recebes para alem da graça divina um presente anteriormente oferecido e abençoado por Krishna.
Ouvida a estoria, repetida mentalmente, ombros encolhidos a dizer que sim e em passo rapido para outro ponto do jardim, que aqui peregrinos são muitos e nao quero ser atropelado.
Sentei-me à sombra duma arvorezita, posivelmente ja dera sombra a Krishna, e olho a fila indiana que segue interruptamente.
Passei assim por um sagrado lugar recebendo oferendas e colhendo sabedorias.




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15 de dezembro de 2015

como indiano na Índia


Tudo no lugar, num jeito de ser, indiano na Índia. Não tive falhas no roteiro porque não tinha roteiro e se o tivesse era apenas para saber o que ia ser alterado. Porem sentia uma constante ressaca de conhecer mais e mais. Centenas de belos templos adornam a cidade e a região circundante. Uns ricos e ornamentados, outros mais pobres e simples, todos cheios de gente devido à ligação a Krishna.
Olhava à volta e via-me no filme errado e deixava-me ir sorrido e feliz. Afinal algo me diz que pertenço a este lugar e caminhava, descalço por vezes, como indiano na Índia.
A cidade é, segundo dizem, a cidade das viúvas. As mulheres que vestem de branco e ali buscam refúgio. Para ali se dirigem constantemente centenas delas, dizem-me que não as contei, diariamente, porque são desprezadas após o desencarnar dos maridos, nas outras regiões do país. Ali, cidade Santa, elas encontram razões de viver em troca de orações. 
Foi bom ter conhecido Vridavan. Um sonho de conhecimento e de energia. Um pó de respirar.








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9 de dezembro de 2015

reflexo duma viagem

Era por volta das tantas duma qualquer manhã dum sonho de viagem. Olhei para a fotografia e reflexo em reflexo reflecti que foi bom ter aprendido tanta coisa que dou por mim a pensar se ainda alguma coisa funciona bem para de tantas estórias que me contaram,
Vasculhei a memória e acho que foi nesta água que as sagradas vacas que respondiam por nome se dessedentavam.
Afinal de contas as fotografias são pedaços fragmentados de memória.
Neste caso da minha e daqueles que passeiam comigo, ouvindo estórias, participando neste pedaço de tempo meu.
De reflexo em reflexo quase me reflectia na água porém um piscar de olhos me fez desviar um pouco da objectiva.

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6 de dezembro de 2015

Hakan Mengüç

Bu videoyu izlediğinizde ya daha çok dertleneceksiniz ya da dertlerinizi unutacaksınız :)Birazcık huzur isteyen bir taşın trajikomik hikayesi...

Publicado por Hakan Mengüç em Quarta-feira, 1 de Julho de 2015
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4 de dezembro de 2015

Brevíssimo resumo dum sonho de viagem


Se é para ir que o seja: vamos e assumimos. Pois foi mais ou menos assim que me dei a ir ali à Índia. Sim, sim, aquele subcontinente que fica na Ásia, a umas horas largas desde aqui.
A modos de não saber porquê o meu telemóvel desfunciou-se após mandar mensagem à família a dizer cheguei. Assim foram 10 dias de isolamento do mundo, que não o meu.
Foi viagem de sonho?
Esta é a pergunta que mais ouço. Resposta pronta e não hesitante: não! Mas garanto que foi um sonho de viagem.
Mais de mil fotos. Paisagens? Tudo. Porem não encontro uma paisagem que possa dizer esta é bela. A verdade é que foi um sinto. Foi uma viagem de sentimento, de alma, de aprendizagem, de cultura, experiência de vida. Aqui apareço de tilaca que deve ter um significado que por mero acaso desconheço, mas umas eram assim, outras transversais, outras só um ponto.  Mas noutras estou como que a viver a vida do lugar, a comer como se come a comida do lugar. 
Puro exibicionismo? Não. Opção! 
Ah! aprendi a vestir os 'cortinados' como diz e bem o meu amigo Karipas. Mas foi uma das coisas que por força da repetição aprendi como se faz: vestir um sari.
Comprei roupa indiana? comprei e usei por comodidade.
Vivi o dia a dia, desloquei-me, senti e respirei o ar de ser.
Satisfeito porque fiz um sonho de viagem mesmo que não tenha sido a minha viagem de sonho.

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12 de novembro de 2015

Estou a precisar de férias

Me encontrava eu a aqui a caminhar dum lugar para outro mais ou menos sem sentido nenhum, ouvindo o marulhar e saboreando o suave perfume da maresia, quando dou comigo a dizer o teorema de Bolsano: não se vai dum sitio a outro sem passar nos pontos intermédios. Ai me lembrei do Pitágoras e doutros tantos mais. Pifei, disse-me baixinho.
Pé ante pé saí de dentro de mim, olhei-me com olhos de ciência e à distancia mais ou menos segura disse La Palice que disse mais ou menos qualquer coisa que se ele não estivesse morto estaria vivo.
Voltei a olhar o mar que tinha ondas de surf, sorri e afastei-me.
Estou a precisar de férias. Vou fazer meditação transcendental. Coisas que se me virem por aí a levitar podem ter a certeza que não sou eu porque eu estarei a olhar de fora de mim para mim.


Sanzalando

11 de novembro de 2015

silabas de praia

Saltitando palavras como quem brinca na praia deserta vou meditando silabas como se fosse um linguista de silêncios.
Adeus. Palavra que eu não sabia nem o que era. Até ao dia em que partiu gente que nem teve tempo de me dizer.
Obrigado. Palavra sentida com alma e coração que sempre disse nunca por obrigação.
Gosto. Um gostar de força, de sentimento, de alegria, de festa.
Solto palavras ao sabor das ondas que um dia jurei apanhar mas elas me fogem por entre os dedos. Perfume de maresia que me entra no corpo nesta praia deserta que nunca pensei usar antes de agradecer ter gostado.


Sanzalando

10 de novembro de 2015

Uma estória de sofá que não escrevi

Me sentei no sofá e meditei.

Assim num mais sem menos me lembrei que faz tempo te convidei para um cinema. Somos assim uns amigos que de vez em quando falamos coisas horríveis e tudo dá errado. Mas é só porque a gente se conhece faz de cor e salteado.
Na verdade cada vez que a gente tenta ser mais que isso de verdadeiros amigos sai confusão da grossa que até vira um campo de batalha de feridos e mortos e alguns a se salvarem.
Mas lá fomos ao cinema. Sem pipocas e outras modernices de ver cinema.
Respiramos tranquilos e com vontade de nos sentarmos num sofá a ouvir uma musica ou quem sabe saborear um sono relaxante depois de um copo de vinho e dois dedos de conversa.
Não demos as mãos nem falámos de passados. Não nos beijamos nem choramos saudades.
Fui tudo tão diferente que até parece evoluímos para um patamar que não tem posse nem amos e senhores, nem suores nem outros dissabores.
Não, deixamos de ter um amor tipo yo-yo e passamos a ser mesmo amigos.
Meu nome Albertino e teu Josefa nasceram para isso, para não ter nada de orgânico, para ser um silêncio de paixão, uma alegria de companhia, um livro de devorar lentamente na compreensão.
Me sentei no sofá e meditei que faz tempo não escrevia uma estória de sofá.


Sanzalando

4 de novembro de 2015

como parei aqui

E assim de repente perdi palavras e me perguntei: como vim parar aqui?
A resposta foi óbvia. Segui o coração! Taxativamente.

Larguei a marginal, a Torre do Tombo, a Oásis, Avenida, Impala e segui o coração. Simplesmente fácil.
É a estória mais antiga do mundo. Segui o coração da adolescência. Mas na verdade é que não moro mais no meu passado. Esse foi um caminho de passagem para chegar aqui, ao hoje. Fui atrás do coração. Fui desejando, querendo, procurando. Ambição é boa quando integra. Sonhei
Fiz. Faço e não espero. Segui o coração. Sigo o coração. Sigo a mágica e com todo o coração eu acredito no amor.


Sanzalando

3 de novembro de 2015

golpe de vida

Recorrendo da memória, procurando na imaginação, sentido nos sentidos, me pergunto se a vida que tenho é a que sonhei.
Nem por sonhos, diria baixinho com medo que entre areia na engrenagem. Já dei tantas voltas às rotundas da vida, já tive tantos sonhos, tantas partidas e tantos regressos, tantos desejos  e tantos medos que me apetece até dizer que não é preciso sofrer para saber o que é melhor para mim.
Mas olhando bem, vasculhando tudo, hoje digo à boca cheia que sim: sou feliz. Podia estar melhor? Podia. Mas se calhar não estava-o.
Recorrendo à memória sinto saudade. Mas feliz. Felizmente, acrescento.
Já percorri uns tantos mares, já chorei umas quantas lágrimas que agora sorrio de saudade. Felizmente. 
Enfim, é um golpe de vida que vivo.


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30 de outubro de 2015

autoretrato

Deu assim uma de voltar antigamente no mais agora. Imagina só subir a SOS de burra, ainda não lhes tinham inventado mudanças e a força das pernas era a desmultiplicação dos pensamentos para aguentar e não sair da chica e lhe levar subida acima ao lado.
Assim num repentemente eu queria descobrir o que é que me fez ser assim tão bondoso que lembro até de quem me chingava porque as orelhas pareciam era avião a aterrar.
Assim num agoramente me recordo que o vento que ondula as searas é o mesmo que ondulava o capim do deserto uns dias depois de chuva miúda que tinha caído e inundava as ruas da cidade quadriculadamente desenhada e sem essas modernidades de saneamento.
Assim num instantaneamente sonhei acordado com os lábios que pela primeira vez se encostaram nos meus.
Assim, num ápice, voltei uns anos atrás e desenhei-me numa folha de papel.



Sanzalando

29 de outubro de 2015

Obrigado, simplesmente lindo

Que belo e grande texto eu poderia por aqui espraiar. Mas eu ainda não aprendi a escrever para escrever assim, pelo que, usando as poucas palavras que sei, aquelas que o professor Amaral teve a gentileza de começar a me ensinar e que outros bem mais tentaram e ainda hoje tentam, eu quero dizer que ontem eu tive saudade. Sim, esse sentimento tantas vezes doloroso porém também significa alegria. Pois se a gente sente a falta de algum pedaço da nossa estória e porque valeu a pena e a gente quer reviver esse momento assim num novamente.
Eu ontem senti saudade de ser criança, de fazer aquela festa no quintal e juntar gente à minha volta.
Mas ontem senti-me feliz com a prova de carinho enorme que as novas tecnologias me proporcionaram. Acho que não faltou forma nenhuma de me chegar carinho. Já sei que faltou uma, essa que já não se usa faz tempo: a carta perfumada vindo pelos correios.
A todos o meu muito obrigado e vos trago no coração.


Sanzalando

28 de outubro de 2015

ANIVERSÁRIO

Hoje"ele " faz anos.


Sanzalando

26 de outubro de 2015

Memória sem ramo

Olho o mar que teima em parecer bravo. Espumoso, barulhento e espraiando-se como que violentamente na areia e atirando a maresia até mim. Não me trás nenhuma mensagem nem recorda nenhuma lembrança. Olho à volta e vários somos os que desde aqui de longe vamos olhando admiradamente. Devem ter eles mensagens ou lembranças e nada sobrou para mim. As folhas continuam nas árvores e os parques estão cheios de gente que brinca ao tempo no tempo que tem.
Está a fazer anos que eu pensava que a vida fora deste mar era mais bonita que a vida que eu iria viver nele. Talvez tanta coisa foi acontecendo que passados anos eu me lembro como se fosse hoje das caras, dos sorrisos e gargalhadas, das surpresas e abraços, das certezas e dos cansaços.
Olho o mar e vejo a conterra com um maboque a sorrir-me.
Vejo tanta gente bonita a gostar-me.
Mas as folhas continuam nas árvores e o mar não me trouxe nenhuma mensagem.


Sanzalando

22 de outubro de 2015

todos os caminhos

Todos os caminhos são curtos, mesmo que nos levem a lado nenhum, mesmo que nos obriguem a dar voltas sobre um eixo imaginário.
Todos os caminhos são fáceis mesmo que por escarpas ou nuvens tenhamos que passar.
Todos os caminhos que usarmos são os nossos caminhos, pelo que mais vale sorrí-los que lamentá-los.
Todos os caminhos são claros mesmo que os façamos nas noites sem lua ou de tempestade.
Todos os caminhos nos levam à memória. Mais cedo ou mais tarde!


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16 de outubro de 2015

altamente tecnico

Seguro o meu notebook, aprendi palavra estrangeira para dizer uma computador verdadeiramente portátil. Mais coisa menos coisa. Por aqui vou ficando a saber como está o mundo mas ao mesmo tempo o mundo não sabe como estou eu, o que pode parecer uma pena ou descano, conforme as diversas e possíveis opiniões.
Pois bem, no meu notebook eu procuro notícias da terrinha que fica para lá da linha curva que separa o que os meus olhos vêem e o coração sente. Coisas de alta tecnologia que um sábio vai aprendendo a usar com mestria de aprendiz.
Mas na verdade eu confio em mim, sei que vou aprender, inclusive a escrever. Tudo porque me disseram que confiança é como vidro. Se parte, não importa se tudo fica direito que nem puzzle da Majora, porque na verdade ele nunca mais vai ficar direito e as marcas da cola nunca desaparecerão.
Por isso eu tenho confiança que vou dizer as coisas certas nos certos momentos, porque as coisas certas são ditas com o o coração e é invisível aos olhos incrédulos.



Sanzalando

14 de outubro de 2015

Notificação de extinção

O telemóvel vibrou. Novas tecnologias em escrita inteligente mandou-me uma mensagem.
Desconsegui perceber o que me queriam dizer. Respondi um Como? e devolveram-me 'o que te apetecer'.
Conversa de surdos, pareciam-me, pelo que resolvi não replicar.
Foi então que me lembrei que devo ser um ser em vias de extinção. Estava qualquer coisa escrita como que: bons estão em vias de extinção. Pensei. Repensei. Eu sou um gajo literalmente bom. Estou extinto e não sabia.
É melhor ficar a olhar para a memória daquele aparelho que levantava e esperava um pouco até alguém me perguntar para onde queria ligar

Sanzalando

12 de outubro de 2015

wi-fi

Virado para as tecnologias, procurando sempre um wi-fi livre, dou comigo a tropeçar em amigos que circulam na vida, que deambulam nas ruas virtuais de solidões com estórias esquecidas ou escondidas em falsos sorrisos, e lá vou eu seguindo sem estórias para contar, porque as minhas são verdadeiras mesmo que ainda não tenham acontecido.
E não é que num wi-fi em encontrei-te sorrindo-me como que cativa. Somos cativos um do outro e sem termos de sair de férias.
Foi assim que aproveitando este wi-fi eu digo que resumo a nossa estória num verbo que conjugo em três tempos: amei, amo e amarei. Vai ser assim num motor de todos os tempos.
Por favor, não desliguem o wi-fi


Sanzalando

9 de outubro de 2015

tecnológicamente

Assim num modo de altamente tecnológico eu seguro o teu corpo num abraço e no meu peito faço o teu leito de repouso. Suavemente passo os meus dedos  no teu corpo, beijo o teu pescoço e quando abro os olhos vejo que sorris.
O meu coração bate devagar, relaxado, sereno como que seguro.
Afinal de contas eu estou aqui a sonhar com a realidade enquanto não chegas e eu tenho medo da escuridão fria da solidão.
Afinal de contas sou refém num motim inventado por mim enquanto não acendes a luz com a tua chegada e o brilho do teu sorriso.
Assim, tecnológicamente, o meu abraço te aguarda.


Segura meu corpo dentro do teu abraço. Faz da minha alma a tua moradia. Estrelaça nossos dedos, não solta a minha mão. Faz cafuné, carinho no meu rosto. Beija-me intensamente me levando até o céu. Deita minha cabeça no teu peito pra acalmar meu coração. Tenho medo do frio da escuridão. Sou tua refém e você é o motivo da minha alegria. Acende a luz do meu olhar antes que as estrelas leve o brilho do meu sorriso.


Sanzalando

7 de outubro de 2015

selfie

Queria tirar uma selfie. Essas fotos da gente mais no mesmo, braço esticado ou modernamente com stick. Uma vez e olhei, admirei e apaguei.
Estava a sorrir.
Mais uma vez. Outra e outras tantas mais que se fosse num antigamente de rolo a revelar eu não sei quando eu lhas ia ver.
Apaguei todas num todo. Eu estava ou de brilho nos olhos, ou de cara feliz ou só transparentizava raios de luz.
Não posso fazer uma selfie assim, pensei com a minha t-shirt que por mero acso não tinha botões para comigo pensar.
Foi assim que parei comigo a contar números impares quando a tendência é para se gostar de números pares. 
Se eu não estou sozinho, não sou impar e nem sei se sou par e ando para aqui a tentar tirar selfies mesmo por causa de quê?
Sorri e fui transparentizar a minha felicidade por aí num lugar qualquer com o sorriso dela desenhado na t-shirt que por acaso não tem botões para pensarem comigo.



Sanzalando

6 de outubro de 2015

em resumo de vida

Bebi uma tonelada de café para acordar para a vida. Tremi, é verdade. Transpirei ansiedade por quanto era poro. Gaguejei palavras que nunca saíram porque embarguei a voz em nós de desespero.
Afinal de contas também usei um mapa de península ibérica para encontrar uma aldeia de 5 pessoas. Perdi-me vezes sem conta e de que valeu parecer-me com um durão se não conseguia seguir em frente sem olhar para trás?
Com tudo isto aprendi que amar é uma arte e eu nem sempre soube ser artista.
Saio do elevador que me transporta na verticalidade e ouço vozes vindas dum além que mais não é que um muito aquém da felicidade. Desisto? Nem que as sombras me pareçam trevas!
Agora nem por nada deste mundo ou qualquer outro eu te quero perder. Eu sei que seria duro te soltar deste meu amor porque imagino que qualquer outro seria melhor que eu. Eu sei que às vezes até o céu chora.
Tu de perto és um amor e de longe uma saudade que não tem medida.


Sanzalando

23 de setembro de 2015

Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler

Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler. É verdade que eu tenho uma árvore onde me sento a ler nas tardes quentes da primavera e verão. Já lhe perguntei o nome e com silêncio de árvore propriamente dita me respondeu. É antiga porque é mais velha que a minha memória da sua não existência.
Tudo isto para dizer que a minha árvore de ler me disse que era outono. Eu aí pensei no outono da vida. Reli a primavera e o verão.
Aqui, sujeito a levar com uma folha na cabeça dou comigo a sonhar que o amor é uma coisa tola de gente tola. Sou tolo, eu sei. Em cada 5 segundos eu sinto borboletas na barriga, uma vontade enorme de sair a correr, um repente de calor e frio arrepiante.
Caíram as primeiras folhas da minha árvore de ler.


Sanzalando

18 de setembro de 2015

vou por aí

Vou num ziguezague parece eu sou um lunático. Olho o mar e olho a areia. Procuro palavras como se elas estivessem numa profundidade de mar que a minha apneia não dava nem para olhá-las de longe, onde as minhas pupilas dilatadas não conseguiam nem focar. Eu caminhava num meio escuro, meio claro, onde fazia falta a luz dum projector de cinema a me indicar uma qualquer palavra, surda, muda, com ou sem til, acento circunflexo ou seja lá o quê.
Vou por aí, num filme de comédia, coisa séria sem gargalhada, passeando na praia à procura de palavras que os meus lábios possam dizer-te num fim de tarde em que o sol vai parecer é fogo e em que o dia se some para uma noite retemperadora.
Vou por aí.


Sanzalando

16 de setembro de 2015

Tem vezes as palavras fazem chorar

Faz tempo não falas para eu chorar. Foi assim mais ou menos eu recebi uma mensagem. Foi assim mais ou menos eu recebi um elogio.
Mas não me apetece chorar e também ando entretido noutras feituras que nem me apetece gastar palavras assim.
Mas hoje até liguei o rádio onde dá música daquela que parece é chorar, num calmo sem barulho, num ritmo é dança, num esquecer que o tempo passou dos tais de anos 60.
O condutor dum carro atrás apitou parece tem pressa de ir nem ele sabe onde. Foi nesse instante que acelerei o meu carro e disse comigo agora corre para ver se me apanhas. Olhei no espelho e nem no por trás do pó lhe via.
Sorri. Voltei a ser um cabeça tonta como era nos tais dos anos 60.
Inventei uma desculpa e voltei a ser o mesmo que era até à pouco. Ocupado sem tempo para gastar as palavras que tem vezes fazem chorar


Sanzalando

11 de setembro de 2015

Anda sorrir-me

Sem o teu sorriso no meu olhar eu não vou a lugar nenhum. Eu quero ver o teu sorriso, eu quero sorrir-te em cada segundo.
Anda, pega na minha mão e de mãos dadas vamos correr a praia de fim de tarde como um par que é só um.
Anda esquecer a desarrumaçâo mental da vida, esquecer as respostas das perguntas que não se fizeram, esquecer os acontecimentos que não aconteceram.
Anda sorrir-me.

Sanzalando

9 de setembro de 2015

PAZ

Posted by Abdalmajid Askari on Sábado, 7 de Março de 2015
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Já o sol não é quente e o vento sopra lento

Já o sol não é quente nem a gente se atrapalha no meio de tanta gente. Já o vento sopra lento e pouco a pouco se vai o talento de por as palavras num qualquer computador lento.
Bem, na verdade a gente acha que tem tempo e o tempo se gasta e não houve tempo para as letras. Pode ser agora, que o sol não está mais tão quente, que o vento sopra lentamente, eu tenha tempo para com palavras escritas te dizer que gosto de ti tanto como outrora.
Eu sei que sabes. Muito sabes tu. Sei que desafias diariamente a gravidade, o tempo e és o meu parapeito da alma. Sei que sabes que recomeçar é o meu lema em cada minuto, o meu reinventar de flor que trago na lapela, a minha descoberta de novamente ser eu em cada tempo que gastei.
Já o sol não é quente e o vento sopra lento.


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2 de setembro de 2015

Passo a passo

Passo a passo sigo em frente. De quando em vez um desvio, uma paragem, um sopro de descanso. De vez em quando crio uma personagem na minha mente, cheia de palavras, frases imperfeitas, parágrafos inacabados. Mas quem ouve ou lê meus sons ou meus lábios? O vento, creio eu, que no seu silvo me abafa. 
Passo a passo sigo em frente, numa viagem que um dia terá o seu fim e alguém acrescentará um posfácio. Eu não direi adeus e nem fico sentado à espera. Sigo, passo a passo, de braço dado de preferência, sempre em frente, mesmo que de vez em quando faça um desvio, uma paragem ou dê um sopro de descanso.
Sei que nada dura para sempre. Nem as dores nem a felicidade.
Por agora sigo em frente, feliz, mesmo que às vezes possa fazer uma paragem.


Sanzalando

31 de agosto de 2015

Le coeur c'est un metronome

Posted by Abdalmajid Askari on Sábado, 28 de Fevereiro de 2015
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29 de agosto de 2015

delírio numa tarde de verão

Assim descalço sigo caminho rente ao mar. Ouço o marulhar e me lembro das vozes dos anteriores aos antepassados me contar estórias que eu não sei eram verdadeiras ou apenas delírio dos tempos mortos. Sei assim num fugazmente que se eu me calar eu vou morrer sufocado nas palavras que calei. Por isso agora vim ao mar gritar todas as vozes que ouço das palavras que um dia direi.
Delírio, pensam.
Loucura, imaginam.
Vertigem de vapores alcoólicos, sussurram.
Apenas palavras. Exercito letras, parágrafos e concluo ideias. São escritos de verão, dum tempo que não dá tempo para parar e pensar. Ouve-se e anda-se num embora para a frente que o tempo não pára.
Afinal de contas as palavras não acabam.


Sanzalando

28 de agosto de 2015

animação

Wonderful art video ....

Posted by Abdalmajid Askari on Sábado, 7 de Fevereiro de 2015
Sanzalando

21 de agosto de 2015

vou atirar-me ao mar

Passo a passo sigo em direcção ao mar. Contra o vento porque ele hoje vem de sul. Quente como quem me trás notícias. Sorriu enquanto caminho. Brilham-se-me os olhos enquanto saboreio o perfume de sabor a mar. 
Desde pequeno aprendi a desfrutar de coisas simples, impossíveis de comprar e não entendia como havia quem não me entendesse.
Passo a passo, simples, tenho dias que gostava de ser diferente. Mas é impossível. Estou amarrado ao meu carácter.
Se às vezes até o céu chora em forma de trovoada porque não posso eu continuar a ter um simples choro de silêncio.
Passo a passo vou atirar-me ao mar, sorrindo.


Sanzalando

19 de agosto de 2015

saudade de letras

Às vezes tem vezes parece eu tirei férias de mim, assim num banho de preguiça, num carregado de vontade de faz nada, num dormir acordado parece é sonambulismo agudo que até parece eu não sei onde estou, me deito ou acordo. Tem dias guardei as letras, as palavras, acentos e parágrafos num saco e fui a banhos de sol numa vertigem de vontade.
Mas depois há um acordar lento, se calhar pausado, com uma vontade de debitar parece é doença, numa vontade de dizer que parece as estrelas brilham é para mim e que a brisa que às vezes sopra por cima dos meus cabelos trás um perfume que é igual que nem o teu e aí bota a saudade de te dizer: gosti, pá.
Às vezes tem vezes eu sinto saudade das palavras.


Sanzalando

13 de agosto de 2015

Wedding ring

WEDDING RING

Film - Tangled Ever AfterFunny Video

Posted by Thimuthu Darshana Rathnayaka on Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015
Sanzalando

True Love Last Forever

REMEMBER WHEN

True Love Last Forever[ The love story felt the love in thousands of people' s hearts.This video will teach you about true love ]

Posted by Thimuthu Darshana Rathnayaka on Terça-feira, 30 de Junho de 2015
Sanzalando

9 de agosto de 2015

faz tempo dei-me louco mas cheguei a tempo

Faz tempo decidi poupar nas palavras e amar de coração, sendo que uma das razões foi o medo. É que tenho medo que a força deste medo me impeça de ver o que desejo, que a morte desaparecida do que acredito me tape ouvidos e boca e eu não consiga dizer amor com o sentimento marcado em cada letra. 
Faz tempo decidi poupar palavras porque metade de mim é o que eu grito e outra metade é silêncio que calo.
Faz tempo decidi ouvir a música, ao mesmo tempo que deixei de a inventar, cansado de a inventar triste.
Faz tempo que metade é o que ouço e outra metade é o que calo.
Faz tempo que eu desejo ter tempo para não sentir a solidão, que a vontade se me torne calma, que a solidão me traga sossego e que um teu sorriso me preencha a outra metade calada.
Faz tempo que eu desejo que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e as outras metades são ficção para plateias anonimas que fazem florescer as pontes duma qualquer existência.
Faz tempo eu teria querido falar de futebol, de sexo e de cor mas deixei a minha loucura abrigar-se num canto de ti.
Faz tempo eu decidi fazer as minhas escolhas e se eu errar, acredita, foi por uma escolha que fiz, não tua, coração

Sanzalando

31 de julho de 2015

Acaso por acaso

Afinal no ermitario acontecem coisas.  Cai cacimbo no meio do calor parece é spray que alguém usou noutas galáxias. Repentemente vem, de fato com gravata, um secretario de estado do turismo dizer olá simpático porém mais rapido que super homem num filme que vi em preto e branco. Noutro momento as palavras não saem para o papel porque sim ou porque não.
Já sei que tudo foi força da meditação ou simplesmente acasos do por acaso.


Sanzalando

28 de julho de 2015

Ermitario

Marquei na paisagem que era tempo de cacimbo mesmo que aqui, onde estou no faz de conta, não cacimbe nesta altura. Tomei o quebra jejum que antes eu chamava matabicho, mas hoje eu sei que bicho nao deve morrer só assim todas as manhãs so para eu ser feliz. Pão cozido, nunca percebi se é feito no forno não é assado, em forno de lenha, que até manteiga escorrega parece faca quente no gelo,  um café de saco que até parece tem colher se segura em pé. 
Enfim, eu no ermitario com os meus pensamentos e as minhas imagens de memória, fugido do boliço da cidade grande, das vidas corridas tantas vezes contra marés,  dos sonhos feitos pesadelos, troco palavras com sossego e silencio pelo caraquejar das galinhas que resolveram me serenatar desde madrugada. 
Eu, ermita de mim, corro tanta que dou comigo atras de mim a escrever as palavras que não sei vão chegar ao outro lado dum mundo que ansiosamente um dia espera por mim, assim como que sentado no vazio do esquecimento.
eu aqui, ermita, levito todos os nomes de quem um dia, pelo menos, foi meu amigo.


Sanzalando

27 de julho de 2015

Conterra eu estou num aqui

Um dia eu disse na conterra que vou comprar esse morro, vou ficar sem televisão,  sem ruído do mundo e vou ermitar-me. Não falei mentira nem disse toda a verdade.  Conterra me entendeu e disse um que sim que me convenceu. 
Pois não é que hoje estou no morro, sem televisão,  sem telemóvel (MAS COM UM TABELET) a escrever as letras que me saltam na memória , as frases que um dia poderão ter sentido ou, como diria meu amigo Cipriano, proibidas não serão ao certo. Troco palavras com silêncio,  chilrear por folhas batidas pelos ventos que não sei de onde sopram, tantas as volas que já dei. Aqui, batido pelo horizonte, sem maresia e sem roncos ensurdecedor de carros, troco tranquilidade com sabedoria das folhas que folheio dos livros adiados, com reflexões de alma e coração.
Sei que não molho os pés no zulmarinho,  não me embalo nas ondas dele para caminhar para sul. Aqui estou eu, simples feito gente de quase nada valer.
Aqui estou , conterra, no ermitario a sonhar acordado.

Sanzalando

24 de julho de 2015

olha eu

Olha o mar empurrado pelo vento, fazendo cordeirinhos pastando nele, marulhando sem ondas de meter medo. Olha o mar ou me olha a olhar o mar. Sabes, coração, eu não sei viver tristeza sem nome, decepção sem remetente, vingança sem cedilha. Nem rápido nem devagar. A vida tem o ritmo dela e eu me deixo ir assim num vai assim que vais bem. Sabes amor, às vezes eu tenho defeito, tenho génio ou mau feitio. É a vida, me dizem. Sabes eu já fui feio. Me dizem os amigos. 
Mas contigo, a olhar o mar ou a olhar-te, coração, eu vou saboreando as pequenas doses de felicidade que vão chovendo no meu dia a dia.
Mas sabes, amor, nada disso me agita ou me amedronta, nada disso me faz ser deus ou demónio, doido ou sério, abstracto ou real.
Olha o mar e me gosta assim tal qual eu sou que nem eu.


Sanzalando

22 de julho de 2015

Me sentei apenas para ouvir o silêncio

Me sentei, pés no mar, só num assim de ouvir o meu silêncio, o meu sangue a correr nas veias, o vento a varrer pensamentos e o marulhar a apagar as dores de passado e futuro.
Me sentei num assim faz tempo não tinha tempo para me ouvir calado num contrabando de ideias, presentes, ausentes e remanescentes.
Me sentei, pés no mar, ouvindo-me zumbis de cicatrização, as verdades de futuro, partes de mim.
Me sentei apenas para ouvir o silêncio.


Sanzalando

20 de julho de 2015

Desejos de amigo

Me disseram bom dia, ao mesmo tempo me diziam era dia do amigo. Sorri.
Eu sempre digo bom dia, Vício, hábito ou simples cortesia. Educação, diria a minha mãe.
Hoje então aproveito e te peço se eu passar por algum dos teus pensamentos, aproveita e diz-me bom dia ao mesmo tempo que me abraçares.
Hoje farei isso por todos os meus amigos, assim eu tenha pensamentos.


Sanzalando

Transportando o peso do mundo



Sanzalando

8 de julho de 2015

poesia à vida

Olha para mim a passear o corpo pelo mar. Salgadamente sorrindo em cada passo, num perpétuo movimento de procurar a felicidade. Olha para mim a escrever palavras no pensamento. Não. Não me apetece chorar. Não tenho lágrimas para desperdiçar, apenas palavras para me sorrir, frases para me transcrever ou parágrafos para me retratar.
Olha para mim a passear no meu labirinto de palavras, subterrando o meu túnel de tristeza, rebolando as minhas lamentações para recantos de pontuações mal feitas.
Olha para mim a fazer poesia à vida.

Sanzalando

1 de julho de 2015

TCHI campeão

TCHI campeão... faz tempo não me ouvia. Silêncio de palavras escritas na fala duma preguiça. 
De verdade que ser feliz é uma responsabilidade assim como que grande ser ter tamanho como referência. Tás-me a acompanhar? Pouca gente tem coragem para ser feliz. Eu também tenho medo , mas tenho coragem. Tás a ver os meus músculos mentais a fazer um esforço de coragem? Eu sinto assim uma angustia, um susto. Mas estou vivo e feliz. O mundo me atormenta, os instintos me subterram, as leis me limitam, os olhares me violentam. Mas não sofro da vertigem de ser feliz. Sou-o. Cabelos brancos? Sim e depois?
O que me assusta mesmo é ver as entranhas das almas dos outros. Os espíritos cinzentos, os abismos amordaçados dos mentecaptos.
TCHI campeão... faz tempo sou feliz e não deito palavras para fora com medo de as gastar num vácuo de orelhas moucas.

Sanzalando

24 de junho de 2015

gastei o tempo de hoje

Tem tempo que faz tempo que o tempo não é gasto em gastar palavras. A memória das estórias passadas, acontecidas ou inventadas está cá. As palavras para as contar estão cá. O que não está é o tempo. Paciência. Essa também não. É que com o tempo que o tempo faz não me apetece gastar em palavras com palavras que nada contam. 
O corpo físico anda por aqui. Espreita, sorri ou não, vai embora com o silêncio com que aqui entrou. 
Não zanguei nem me zangaram. Não me aborreci, nem me aborreceram. Não mudei nem uma vírgula de quem era. 
Às vezes o silêncio sabe tão bem... Guardo os pensamentos para amanhã porque um dia eu vou ter tempo para gastar o tempo em palavras que ainda devo saber de cor.
Pronto, gastei o tempo de hoje...


Sanzalando

20 de junho de 2015

vagabundo palavreado

Passeio na praia e tropecei no teu sorriso. Foi aqui que descobri que há finais felizes e outros que são finais necessários. Tropeçado no teu sorriso eu chego a brilhante conclusão, imagina que eu fico preso no teu abraço?
Na verdade eu pensando em ti fico tão criativo que não tendo nada para fazer eu problemas invento.
Já tropecei no teu sorriso, já sufoquei no teu abraço que agora só me falta ouvir dizer coisas doces que até a dormir eu sonharia: quando o amor é forte nem nem toda a inveja o poderá destruir.
E lá vou eu passeando na praia mostrando-me tal como sou: saudoso de ti contigo ao lado

Sanzalando

16 de junho de 2015

por ti

Rebolo na areia como uma criança, pareço um croquete de areia. Mas rio-me de alegria. Alegria de estar aqui. Simples e barato, digo.
Na verdade poderás pensar que eu não tenho com quem conversar e por isso faço estas baboseiras. Mas antecipadamente a teres este pensamento eu diria que é falso. Posso ser motivo ou problema, ou até os dois ao mesmo tempo, mas tenho com quem conversar e até boas conversas. Não conversas de encher tempo. Consigo fazer tudo errado, tudo certo ou tudo assim assim. Confuso?
Se calhar é, até para mim.
Mas na verdade rebolo na areia e divirto-me porque é sinal que estou aqui. E tu estás aí desse lado se calhar a sorrir ou apenasmente a chamar-me doido. Por ti.


Sanzalando

13 de junho de 2015

aqui na praia

Aqui na praia, onde sopra o vento que vem da montanha e arrefece o corpo quente de amor, sinto que o teu abraço foi feito só para mim. Assim como que encolhe o meu cansaço, descomprime o meu drama, anula os meus erros e tapa as minhas falhas.
Aqui na praia, de onde o vento leva a areia, sito o teu abraço a me salvar da intriga, a me abrigar do egoismo e a me defender da maldade.
Aqui na praia eu me abraço num encontro contigo.


Sanzalando

11 de junho de 2015

Até lá que me aturem, quem assim entender.

Chega neste tempo e eu digo vou embora. Vou deixar as palavras descansarem. Com as frases farei o mesmo. Com as ideias nem se fala. Vou-me dar férias. 
Mas depois eu viro guerra, maka de faca e facão, atiro a porta contra mim e me grito num acordar toda a rua. 
Vem um momento bom e lá estou eu agarrado à caneta, à sebenta vermelha e a gastar palavras como se elas não me fossem fazer falta um dia.
Quantas vezes eu pensei nas palavras de que me desfiz? 
Eu acredito na palavra mesmo que ela me seja um fracasso, em enrolar de dia a dia, um desajuste ou uma vaga lembrança e depois lá volto eu ao gasto desnecessário das palavras.
Nova guerra se abrirá um dia no campo de sempre o mesmo e lá eu páro com as silabas e ditongos, solilóquios e monólogos de uma só voz contra a parede do silêncio.
Até lá que me aturem, quem assim entender.



Sanzalando

9 de junho de 2015

tenho a certeza

Tenho a certeza que entre mim e o mar existe um quase nada. Às vezes um quase nada frio, outras um pouco nada de vento e outras ainda um calor tórrido. Tenho a certeza que entre o mar  e a tua alegria não existe espaço. Tenho a certeza que somos um.
Me disseste uma vez, ou pelo menos eu fiquei com essa ideia, que mil vezes zero é nada. Daí eu nunca mais ter colocado a minha intensidade onde não existe nada. 
Entre nós existe um só nós.
Tenho a certeza que mais logo vais dizer que eu falo pareço as estrelas do céu, cintilantemente belas mas... mas nada.

Sanzalando

3 de junho de 2015

eu lembro, amor

Olha só eu por aqui sentado pés na água salgada e meditando em levitação temporal. 
Eu lembro, amor, de cada passo que demos, das diversas direcções que tomámos, das guerras que abafámos, das palavras que calámos e dos silÊncios que criámos para chegarmos aqui hoje.
Olha eu, amor, aqui sentado a refrescar os pés de modo a pensar sem sobressaltos.
Eu me lembro, amor, das vezes que fiquei triste por te deixar triste e das vezes que fiquei feliz por me lembrar de ti. Eu me lembro, amor, que isto não é filme, é mesmo vida real.
Eu me lembro, amor, de tudo o que consigo. 
Não te esqueças de me ir lembrando alguma coisa que me esqueça, amor.


Sanzalando

2 de junho de 2015

olha só para mim

Olha para mim a passear na beira mar parece um faz nada.
Assim até parece o céu é mais azul e logo a lua cheia vai parecer quer rebentar.
Dou passos curtos e certos por esta areia onde marco a minha passagem para uma onda qualquer me apagar deste mapa, como se eu fosse um transparente de existência fictícia. Mas na verdade dou os meus passos como certos, cabeça erguida e costas direitas.
Olha só para mim a caminhar nesta areia inclinada parece houve tempestade um dia destes e eu não dei por nada.
Olha para mim a caminhar os meus pensamentos por esta praia fora, gastando palavras soltas numa ode a ti, coração.
Olha só para mim...


Sanzalando

27 de maio de 2015

Quem me dera ser criança outra vez

Sentado a ver o mar dou comigo para lá de mim. Assim no mais ou menos a ver-me do lado de fora como que a me olhar com olhos de outro alguém que não eu mesmo.
Sonho com o querer estar todo o tempo ao ar livre, ser novamente aquela criança selvagem de quem não sabe quem é nem o porquê das coisas, rir às gargalhadas sem noção do parece mal ou não é bonito.
Sentado a ver o mar dou comigo a pensar porque ferve-me o sangue por palavras que ouço e se me apagam os brilhos nos olhos com a tristeza que vejo.
Quem me dera ser criança outra vez.


Sanzalando

24 de maio de 2015

olhar

Olho o mar como quem olha para amanhã, lugar onde ainda ninguém sabe como é que é ou vai ser. Afinal de contas num distrair de tempo, olho para lá do lá que há em mim.
O vento sopra fraco mas trás o teu perfume, o que faz com que eu sinta na alma todas as dores do mundo só porque eu deixei-te faz cinco minutos ainda não contados.
Olho o mar e parece desembarco nesse porto de abrigo que é o teu peito onde encosto a cabeça.
Olho-te.


Sanzalando

23 de maio de 2015

caminho ao som de um mantra

Vou caminhando na praia, olhando umas quantas vezes para ver se a linha que me separa do lá de lá está mais perto do lado de cá, outras vezes olhando para ti e é quando me lembro que és outra pessoa, quando me pareces uma parte essencial de mim, um pedaço do meu coração, um orgão vital da minha existência.
Vou caminhando na areia da praia, pensamentos livres como que em busca de um momento de solidão interior quando dou comigo a ver que não consigo preencher um espaço vazio com o tempo que já perdi. Na verdade os pedaços de vida perdidos nunca mais caberão dentro de nós.
Vou caminhando como que voando de mão dada na areia da praia, a teu lado, meditando ao som dum mantra que me ensinaste


Sanzalando

18 de maio de 2015

Era apenas a minha onda

Dei um mergulho no mar, daqueles que nem nos filmes. Ao mergulhar fechei a minha mão direita e agarrei, literalmente, a onda. Feliz me levantei, me aplaudi pela perfeição, mas sem abrir a mão, não queria a onda se fosse mar dentro..
Estiquei a toalha apenas com a minha mão esquerda. Difícil porem missão cumprida e não deixei a onda fugir. 
Devagarinho fui abrindo a mão e lá estava a onda porem estava desenrolada na concha que a minha palmão da mão fazia.
Olhei-a de todos os lados e de todos os lados sorri-lhe.
Ali estava a minha onda, a primeira onda que apanhei este ano e não era do meu mar. Era apenas a minha onda.


Sanzalando

12 de maio de 2015

é o tempo quente

Começa o tempo a aquecer, do lado de cá da linha que separa do lado de lá, onde arrefece lentamente, quase sem se dar por isso. é a estória dos hemisférios, do aquece ali para arrefecer lá, dos balanços e quem sabe dos aconchegos.
Começa o tempo que, mesmo com as brigas e intrigas, entendimentos e complicações, tudo vai dar certo porque o tempo é quente e quente a gente não arrelia, nem arrefece.
Começa o tempo em que dividimos a estória, tiramos roupa e bebemos um copo até mais tarde.
É o tempo de ter tempo para o gastar com tempo.
Mesmo que me digam que o diálogo morre, que a estória não intercala as personagens que não interagem na percentagem igualitária duma vida viva, o tempo quente faz com que a gente se esconda um bocado menos. É, fica menos escondido dentro de si.
É o tempo quente que aquece o tempo que a gente gasta a conversar silêncios nos momentos de leitura do fim do dia.


Sanzalando

9 de maio de 2015

obrigado família


Aqui me deixo a debitar palavras como quem põe gasolina numa fogueira. Queima em alta chama e não sei para quê que serve. Gosto e chega-me. Aqui estou numa fotografia de quando ainda não era nascido. Eu sou o acumular desta família, sem ela eu era um caminho incerto, mesmo uma inexistência. Por ela o meu olhar não é triste nem vazio, o meu andar não é tropego e tenho sempre uma primavera nem que seja no sorriso ou na palavra que sai impensada. Sem ela eu seria o caos, uma equação matemática erradamente descrita. Sem ela era viver em vão.
Obrigado família.



Sanzalando

7 de maio de 2015

Hoje gastei palavras

Hoje ando com vontade de gastar palavras, soltas e ao acaso. Umas para ti e outras para quem as apanhar. Hoje deu-me para aqui. Antes assim do que pior, diz-se em mentalidade daqui. Eu digo que afogada morre a saudade. Em lágrimas ou em álcool, acrescento.
Às vezes gastar palavras tem custos acima da média, porque ser adulto quer dizer que tenho que dizer as coisas certas, fazer as coisas certas mesmo que não seja essa a vontade.
Bem, meu amor, guardei as partes boas de mim para ti. Doces palavras, meigos pensamentos e tivesse eu um dom literário, dava-te uma moldura de amor, deste amor quase imperfeito.
Eu te escuto no meu silÊncio enquanto debito estas palavras soltas que me ditas na transmissão de pensamentos, calma a e tranquilamente ditados. Escutas bonito as minhas palavras soltas, as palavras que aprendi porque prestava atenção e não porque vinha num livro de escola.
Hoje gastei palavras, espero não me venham a fazer falta.



Sanzalando

6 de maio de 2015

Eu, sujeito de mim e da frase também

De verdade eu gosto da palavra EU. Bem que ela podia ter acento que assim assentava melhor, acho eu. Mas como não o tem eu não vou desdenhá-la só por essa causa. Mas pelo sim pelo não, Eu, sujeito de mim e da frase também, afirmo que trágico mesmo é poder olhar para o céu e me lembrar que não sou mais que um pedaço minorca de carne e osso, falível no tempo e sem necessidade de ter espaço.
Afinal de contas o tempo passa mais rápido que Eu e eu começo a me arrepender de não te ter dito tantas coisas que Eu, sujeito de mim e da frase também, te deveria ter dito para nunca te sentires só.
Eu só te posso dizer que os meus olhos tem dias que salgam mais que qualquer maré porque não te vêem tantas vezes como gostariam


Sanzalando

5 de maio de 2015

existe que eu sei

Existe remédio para o cansaço da alma?
Tenho um à mão de semear.
Olha, ficar assim a te olhar, descobrindo detalhe sobre detalhe e dizer que mais vou te amar.
Vais dizer que eu me perdi em ti. Se não fosse hoje seria amanhã.
Olha, sou assim um todo teu, em qualquer lugar ou em qualquer hora.
Existe remédio para o cansaço da alma!

Sanzalando

3 de maio de 2015

dia da mãe

Me disseram assim num alta voz que hoje era o teu dia. Dia especial. Eu sei que não dá para esquecer que todos os dias é o teu dia. Mas de verdade me apetece dizer que eu não vou comemorar. Eu vou aproveitar é este dia para te agradecer o que fizeste por mim. Para além de me teres gerado, tu viste-me nascer, crescer e dar os primeiros, segundos e terceiros passos. Tu cuidaste-me e ainda por cima me ensinaste o muito que aprendi. Eu sei que tu fizeste sempre tudo por mim e nunca reclamaste ou te vi arrepender. Tu sempre tiveste tempo para me dar carinho e atenção.
Mãe, onde estiveres me ouve eu te agradecer cada segundo que me deste. Sei não vou ter tempo para isso, mas fica a intenção e a tentativa.

Sanzalando

28 de abril de 2015

Às vezes

Às vezes cansado de verter palavras, de construir sonhos e emparelhar ideias, dou por mim descansado na sombra duma árvore a meditar, esquecendo que há quem ainda me queira ouvir, sorrir ou comigo pensar.
Às vezes digo-me que para deixar saudade me afasto, mas sempre com receio que exagere e que, pela ausência, deixe de fazer falta.
Às vezes dou comigo a sonhar porque o que mais é nosso é o sonho e a capacidade de o fazer.
Às vezes, cansado da ideia, me afasto mas continuo a sonhar.
Às vezes dou comigo a pensar que ela era o amor de muitos mas eu o amor da vida dela.
Às vezes tem vezes que não apetece verter palavras com as mesmas ideias nem os mesmos sonhos.
Tem vezes que são apenas às vezes.

Sanzalando

24 de abril de 2015

daqui Germânica vontade

Desleixado caminho sem rumo a tentar dizer às pedras, aos cantos e esquinas, que o amor não tem preço, não é pedível nem esperado. Inevitavelmente ele está ou não num lá qualquer.
Acontece aqui são 6 da manhã e lá donde vim tem menos uma hora. Mas qual espanto se me vê na cara um sorriso,  se nota uma frescura e quem sabe eu lo que por ser assim como que nem eu sou mesmo.
Peguei num papel parece é jornal e as letras, consoantes umas, vogais outras e outras ainda não faço ideia. Dei uma volta 360 graus e despercebido completamente.  Voltei a sorrir.
Pego nas pernas e vou caminhar. Eu e a minha vontade de sentir feliz. 

Sanzalando

21 de abril de 2015

lembrei um antigamente mais antigo

Me deu assim uma de saudade que nem eu mais me lembrava ela existia. Me lembrei assim num momentaneamente parece é agora de jogar à bola em campo era inclinado para favorecer os mais fracos quando era a descer e dar cabo deles quando era a subir. Ups que saudade me deu de ter dez anos ou sei lá quantos poucos mais.
Me lembrei que do lado de lá dos vidros da janela, quem olha para a casa da vizinha ver ela me procura num olhar de janela, e eu só vejo está a chover que até parece tem remoinho de chuva. Era mesmo só remoinho no olhar acho eu. Eu ali a olhar a chuva e ao mesmo tempo tinha esperança ela vinha na varanda me procurar com seu sorriso que não ri.
Me lembrei agora que um dia ela me tinha sorrido num mês de Abril, faz agora uns muitos anos...


Sanzalando

19 de abril de 2015

livremente

Calcorreio a minha praia de muitas as cores e formas. Aqui sou vagabundo, astronauta, rei e senhor, nada ou quase tanto. Aqui me perco na correria do pensamento, na força da meditação e na leveza da vadiagem.
Foi por aqui que me perguntaram se eu gostava mais de amar ou ser amado. Foi por aqui que fiquei sem saber se gosto mais da perna direita ou da esquerda.
Calcorreio a minha praia não deixando ferver o meu sangue nos pensamentos traduzidos em palavras largadas ao vento. Aqui sou livre de ser eu amando-te, vendo-te entrar no mar.


Sanzalando

15 de abril de 2015

64 - Estórias no Sofá - o Se de Leopoldo

Meu nome é Leopoldo e venho de família mais antiga que o antigamente tem memória. Joguei à bola quando ela era de trapos. Basculei bailes por portas secundárias quando eram estes os fins de semana de arromba. Dancei na rua e pulei muros quando era agarrado por terceiros, quartos e outros porteiros que invadiram os banquetes da minha vida.
Mas agora, eu Leopoldo, de letra grande, tirei as trancas das minhas portas, deslarguei prisioneiros de ambos lados da porta, entra e sai quem quer porque eu não sou dono do mundo e o mundo não é pertença minha. Vem quer quer e vai quem quer pela ordem que entender.Eu sou dono apenas da minha felicidade e vou viver dentro de mim sem outro remédio ou pensamento. Estou de paz comigo e com as plantas, com os perfumes que entram pelas minhas abertas janelas, canto com os ladrares dos cães e miares dos gatos vadios que saltam telhados da liberdade.
Eu, Leopoldo de nome inteiro, saio de casa e encontro as pessoas, as malditas pessoas que têm mentes cheias de nada e vertem ignorância que se transforma em lagos de angustia, declaro que pequei muitas vezes no antigamente recente a pensar no SE. Curioso por natureza tenho curiosidade de saber se era igual se eu tivesse tomado outro caminho que não o que tomei. Este Se que segue-me pela vida e que me entra nos olhos mas Se os tivesse fechado seria difícil sair por aí sem tropeçar.
Eu Leopoldo tenho saudade do tempo em que o Se não me seguia na vida fora.


Sanzalando

14 de abril de 2015

trocado por miúdos

Trocado por miúdos, as palavras são ecos da alma. Assim num faz de conta, as verdades são certezas em que as coisas nunca ficam vazias, em que o amor não é um temporal, em que as estrelas do céu iluminam mesmo que poucamente.
Trocado por miúdos, eu não deixei de ser eu mesmo que as palavras estejam caladas.
Mas se eu parar para pensar eu vou concluir que estou sempre a recomeçar. Mesmo quando estou parado a olhar-te.

Sanzalando

7 de abril de 2015

as minhas palavras

Passeio-me por ruas claras e revejo palavras, uma a uma. 
Bonitas as palavras que escrevo. Letra redonda, legível, soletradamente corretas. As frases que essas palavras formam é que..., como direi, não sei a cor nem decorei uma. São palavras em carreirinha escritas em letra redonda e bem legíveis. 
É, tenho uma lado estranho que às vezes encanta quem as lê. 
As minhas palavras não têm sentido quando estão soltas. Mas em carreirinha às vezes também são bonitas como as palavras que as compõem. É, contigo ao meu lado as carreirinhas de palavras até são bonitas. Às vezes gosto das minhas palavras escritas em carreirinhas.
As minhas palavras não têm horário. Chegam e partem quando lhes apetece. Mas são bonitas as minhas palavras.
As minhas palavras são como a paixão. Umas vezes sim, outras não.


Sanzalando

5 de abril de 2015

Sorrimos à beira mar

Beira mar. Perfume de maresia. Marulhar das ondas. Tantas vezes o silêncio é a melhor opção mas, quando nos atolamos nele, quando lhe ficamos prisioneiros nos sufocamos e se nos distraímos pode ser tarde de mais.
Beira mar. Perfume de maresia e descobrimos que o mundo é triste porém solene. Procuramos o mundo maravilhoso, caminhos juntos que se entrecruzam. Inexplicavelmente surgimos lado a lado, em silêncio, mãos dadas.
Sorrimos à beira mar

Sanzalando

3 de abril de 2015

à luz dum candeeiro

Sentado num candeeiro de esquina, deixo-me levar nos sonhos desde os tempos de criança, assim moleque de sandálias de pneu, despreocupado das coisas da vida até aos dias de facto e às vezes gravata, parece é sessão solene. Num recanto me lembro que o amor verdadeiro começa lá naquele ponto onde não se pede nada em troca, naquele degrau onde tudo fica claro como água da Senhora do Monte, onde os relógios deixaram de ser ditadores de compassos marcados numa língua áspera de espaço compartimentado em horas distintas e por vezes sem fuso nem horário.
Sentado numa esquina com candeeiro mais nada me resta a não ser adiantar o relógio para o tempo sem ti passar mais depressa

Sanzalando

1 de abril de 2015

se tem vezes

Se tem vezes que não sei quem sou, sei sempre que sou o Homem mais importante para mim. Pelo menos o melhor da minha vida. Não sou comediante mesmo que às vezes me veja a sorrir, não sou rico nem dou presentes caros, não sou Homem de luxo porque o único tesouro que tenho é ser eu. Um eu que te ama, que me cuida te cuidando, um chefe de cozinha que não sabe qual a tua comida perfeita e que ainda assim te agrada, um piloto de avião que te eleva ao céu da vertigem, um explorador de recantos que tenta te encantar em cada gesto sintonizado na pureza da alma, um caminhante reflectido no teu sorriso enquanto caminhas a meu lado, um médico que não sabendo os teus sintomas te olha com olhos doce de cura.
Se tem vezes que não sei quem sou, sei sempre que sou o Homem mais importante para mim.

Sanzalando

30 de março de 2015

quem sabe

Amarro as letras num fio de guita bem apertado e, para segurança, as fecho numa gaveta duma paragem solitária. Não quero perder nem uma, porque me pode fazer falta num qualquer dia de passado, presente ou futuro. 

Quem sabe um dia, assim como que esquecido das rosas porque uma roseira me picou, eu resolva estragar os sonhos porque não se realizaram e desatar a escrevê-los com essas letras atadas num atilho.
Quem sabe um dia, perdidas todas as amizades eu escreva todos os nomes num livro de pardo papel e utilize essas letras guardadas na gaveta.
Quem sabe um dia, lembrando todas as lembranças, eu vá à garagem buscar esse molho de letras e desatilhadas eu as encarreire num palavreado simples para dizer quanto gosto de ti.


Sanzalando

23 de março de 2015

palavras sem vento

Procuro palavras para descrever sensações,  feitos e feitios. Procuro perder-me em alfabetos simples, letras vivas em sorrisos de trocadilhos e não sei onde me encontro. Atravesso parágrafos, tropeço em pontos e vírgulas e dou de caras com retratos pintados em letras soltas.
Afinal de contas gastei letras trocadas em silêncios preguiçosos só para perder um segundo e por esta via dizer um  gosto-te.




Sanzalando

21 de março de 2015

poema cansado

Tenho medo de me cansar. Canso-me do silêncio,  da mentira,  da irá, do ócio. Tenho medo de me cansar de que um dia te cales. Cansado te peço: não te cales.



Sanzalando

19 de março de 2015

eu e o Meu pai

Acordei e me disseram de consciência que era dia do meu pai. De imediato chorei. Eu o amava quando ainda não sabia o que era amor porque ele partiu para parte incerta era eu ainda um cadengue que não se recorda do som das gargalhadas diziam ele dava. Chorei num cansaço profundo, não por melancolia, apenasmente porque não me lembro do perfume natural do Meu pai. Chorei exausto porque envelheço na rotina de recomeços sem me recordar da palma da sua mão a me acariciar os cabelos que eu tinha antes dele partir para parte incerta. Chorei por uma infinidade de razões até conseguir abrir a arca do tesouro de ser pai e me recordar que ausentemente não deixei de o ser assim como não deixei de o ter, o Meu pai.


Sanzalando

17 de março de 2015

63 - Estórias no Sofá - Uma garrafa pela pensão de viuvez

É tão bom ganhar assim um presente inesperado, ouvir uma coisa que nunca nos pensou na cabeça ouvir, receber um abraço assim como sem motivo, trocar um sorriso a dar ao desconcertante. Viver assim uma coisa simples numa complexa vida que mesmo depois de morto deve continuar a dar prazer. 
Assim num repente alguém desmaiou ao pensar que eu louquei de loucura irreversível.
Explico. 
Eu, Cipriano Acácio de nome registado no registo, já não me lembro nem de onde, assim fez o tempo que passou, casado com mulher mais jovem, de boas parecenças e saúde de ferro novo, faleci de natural morte, com vidas gastas em boa vida vivida, gargalhadas e outros prazeres sentidos na alma, sem dívidas à vida e sem lágrimas de missão incompleta. Em resumo, morri de bem feito, deixando viúva de bom gosto e gosto da vida.
Alegre meia idade, três amigas se juntam na praia, discutem decotes de outras eras, gargalham estórias escondidas que nunca haviam ousado falar em voz alta e algumas escondidas nos pensamentos noturnos, bebem uma garrafa de vinho marcado em boas cepas e pedigree. 
Uma a uma contam tostões, discutem preços, sobra para mais uma. Esta é paga pela pensão de viuvez por mim, Cipriano Acácio, deixada a mulher mais nova de boas parecenças e saúde de ferro  para que elas possam rir e de mim continuar a dizer as coisas bonitas que vou ouvindo desde o miradouro que um dia ganhei no céu.


Sanzalando

15 de março de 2015

poliban e eu

De repente dou comigo frente a um poliban. Sim, desses mesmo mínimos em que quando entra um o outro tem de sair. Tem porta que fecha não vai cair a água no resto da casa. Assim a modos que mal comparado tem amores que são tipo poliban. Tão apertado que só cabe um nesse amor. Ele se interessa por tudo o que a ela diz respeito. Ou vice versa que o género não é para aqui importante. São os estudos, os amigos, a família, o trabalho, a respiração, o sorriso e a transpiração. Um recebe tudo e o outro nem retribui. Nem nas angustias. A situação vai andando, levada tanta vezes pela inércia, que um dia porque a paciência se cansou ou simplesmente acabou e tudo acabou, sem brilho, sem chama, sem o rufar dos tambores, apenas pelo cansaço dos amores e as lágrimas das dores. O outro então dá conta que até parece passe de mágica ou drible da vida ela mesmo. Vai ser duro. Insiste. Nada. Vazio onde antes estava cheio. Tudo muda de contornos. São mails, sms e outras tantas modernices. Uma vida desabou e a outra vida se constrói no contraponto. Gato escaldado de água fria tem medo.
De repente dou comigo frente ao poliban, desses mesmo muito pequeno onde afinal ainda há espaço para dois, mesmo que seja por amor.


Sanzalando

10 de março de 2015

perfeita vida

Caiu nevoeiro parecia queria cegar o horizonte. Mas eu podia ficar contigo ali, nos silêncios do pensamento, no cruzamento de ideias, no abraço forte dum sorriso face a face e nos desejos da noite sonhada como que embrulhados num manto de nevoeiro.
A dois metros céu azul, horizonte como que longe nuns passos infindáveis de alcançar.
Como seria perfeita a vida.


Sanzalando

6 de março de 2015

62 - Estórias no Sofá - Notícias de Jornal

Joaquim Sentado, apelido de parte de pai que já vinha dum avô, filho de mãe desconhecida, pelo menos dele, literalmente jazia dia a dia debaixo duma acácia lendo jornais velhos, com um olhar de quem nem sabia o que era uma letra. Fazia vento, chuva ou sol e lá estava o pré-cota na sombra, mesmo nocturna da acácia, agarrado ao jornal que não sabia a idade, que as notícias não passavam disso mesmo e as fotos não amareleciam, e Joaquim Sentado lá estava cultivando o olhar pelo jornal.
Tantas vezes ali passei que cheguei a pôr hipótese de ser uma estátua de gente importante sentada como existem nas cidades importantes que alguma vez albergaram gente ilustre. Mas Joaquim Sentado não era de bronze e de vez em quando se mexia. Som é que nunca tinha lhe ouvido.
Um dia, estava eu com vagar e ali fiquei uns instantes a estudar o ar posto de Joaquim Sentado sobre o então já velho jornal, de fotos já sem nitidez e enxovalhado de tantas vezes dobrado. Levantou a cara, olhou-me nos olhos e num sotaque que não sei como escrever me disse:
- Não fica aí. Vai passear. É horrivel te ver me olhar e eu sem aguentar a força desse teu ver que até parece eu vou explodir as letras que bebi deste velho jornal que um dia foi novo e tinha notícias que eu ainda não sei porque lhes olho e elas não falam.
Se mudo estava, mudo continuei porém pensei que as notícias eram novas porque não tinham sido lidas, embora escritas faz tempo.


Sanzalando

5 de março de 2015

do sol à sombra

Retiro-me do sol e me sento na sombra como que alinhavando ideias, calcetando sonhos ou simplesmente a olhar para lado algum enquanto imagino a arranjar-me desde que torto nasci.
Retiro choros que chorei por estar cansado e porque às vezes tudo me cansa. Retiro lágrimas soltas que deixei cair por melancolia. Seco os olhos dos choros envelhecidos nas saudades. Limpo a cara das que rolam por rotina.
Retiro-me do sol e me sento na sombra, feliz porque estou num constante começar-te.


Sanzalando

2 de março de 2015

simplicidade

Aproveito o sol que aquece neste inverno se sorrisos e felicidades como faz tempo eu não me lembrava e debito palavras soltas sem medo que elas sejam levadas pelo vento para lugares distantes ou fiquem por aí represas num qualquer galho da vida. Não me importa que diga uma ou miles de palavras, não importa o quanto eu demore a dizê-las. Porque se valer a pena, a espera é apenas um detalhe, um pormenor ou um grão de areia numa praia deserta.
Aproveito o sol e pouco me importa que dê certo ou não. A vida é assim, as coisas são assim e dum nada chega a felicidade e eu nem noto porque sou.
Aproveito as palavras para estender ao sol e dizer que quero tudo de novo. Simples.

Sanzalando

26 de fevereiro de 2015

Faz sol de vento frio

Faz sol de vento frio que sopra sei lá de onde. Tremo ao mesmo tempo que me incomoda olhar em frente, para o lado onde ele se vai deitar. Nunca se está satisfeito. Caramba para mim e mais eu que nem sei mais como ficar.
Olha só para mim. É necessário sonhar para saber que a estrada vai para mais além do desejo, mais para lá do querer e depois do desejar.
Olha só para mim e fica a saber que a solidão desmorou daqui, foi num céu de outros sois que não o sol que agora brilha. mesmo refrescado pelo vento frio que sopra sei lá de onde.
Olha só para mim e repara que as flores dançam ao sabor do vento e eu aqui direito, tremendo não vacilante, sorrindo porem não abusante, não desviei um risco do trajecto de ser feliz.
Faz sol de vento frio.

Sanzalando

24 de fevereiro de 2015

palavras: gosti

Palavras usadas e abusadas, intervaladas em silêncios, umas vezes sombrios e outras vezes solarengos, desalinham-me na cabeça num constante dizer que estou aqui, que não parti para outra dimensão, com nexo e sem ele, me destruí e me reconstruí numa nova composição de cores, riscos e arabescos, de abraços e sorrisos, de esquinas dobradas ao ranger de dentes, em equações matemáticas não práticas nem reumáticas. Palavras que usam letras abusadas, vogais mudas e outras caladas, sentido prático de dizer vivo-me feliz num acordar diário, numa sebenta rascunhada ou num dia de trabalho suado.
Palavras usadas, abusadas e pouco caladas para dizer: gosti!


Sanzalando

21 de fevereiro de 2015

perdido

Perdido no ar sério que me impus, caminhei em direção a lado nenhum como se fosse o dono e senhor do meu mundo.
Sorriste-me. Levianamente, diga-se. Provocadoramente, entendi.
Senti-me com a vida cheia, sem o vazio da minha porque deixei de sentir-me vazio por não te ter. Estavas aqui. Frente ao meu olhar. Sorrindo
Perdido no ar sério acabei por sorrir. Para nós, momento de ternura.


Sanzalando

19 de fevereiro de 2015

penso eu

Pego na balança e tento ver qual a quantidade de amor é que cabe num abraço. Te peço um abraço e tu dizes que o teu é maior que o meu. Empatamos acho eu.
Pego numa fita métrica e tento medir o amor que sinto e dou comigo a fazer contar de somar.
Agarro num medidor e tento quantificar os litros de amor que cabem num olhar e dou comigo a pensar que alguns pensam que pensam e outros não sabem nem o que é amor.
Dou comigo a pensar que eu preciso, perto ou longe, é de amar.


Sanzalando

17 de fevereiro de 2015

esqueci

Perdido em letras, silabas e frases, parágrafos e capítulos, textos e prosas, vagabundei esquecimentos e desvontades, sendo que a minha maior mágoa era não ter escrito um texto que merecesse ser guardado como referência. Nem que fosse um texto como mau, uma coisa qualquer num qualquer papel amassado atirado numa cacimba e afundado até aos confins do mundo.
Deixei passar datas, títulos e ocasiões, deixei de dançar no baile da imaginação, de rolar descida abaixo nos rolamentos da infância crescida, de rir só porque sim e soletrar pronuncias doutras brincadeiras, sendo que a minha maior mágoa foi não ter escrito nunca um texto na memória futura.
Brinquei em roupas de cores garridas, milflores e bocas de sino e não me lembrei de contar estorinhas de soletrar nas noites caladas das quentes noites tropicais nem escrever um texto a dizer-me que sim.
Esqueci-me de me lembrar de gastar umas palavras de vez em quando neste bairro que um dia eu cresci com ele.
Esqueci porque me lembrei de ti num constante lembrar, sem ter um texto para te ler em qualquer hora do dia.


Sanzalando

10 de fevereiro de 2015

alfabeto

Peguei no alfabeto e escolhi as letras que nunca usei. Veriquei que não era analfabeto e assim não me insultei. Parei, peguei em sílabas e contei. Versátil palavras escritas num qualquer vão ou verão,  desde que não chova. Tanta as são as palavras por soletrar que as deixo soltas.
Afinal de contas porque quero guardar eu palavras se te tenho para as ouvir?
Alfabeto.


Sanzalando

29 de janeiro de 2015

Soltamente 10

Mantendo a minha tradição, não vou entrar em detalhes, não vou descrever os ricocós da vida nem os bilros de pensamentos gastos ou por gastar em sonhos e devaneios. Digo apenas que houve alguns detalhes simplesmente horríveis, intercalados nos lindos, nas palavras escritas nas cartas de amor, na fuga dum olhar, na alma dum dia cansado, no ponto final da última carta que ainda não escrevi.
Mantendo a minha tradição, solto-me por entre tropeções vocabuláricos, rasteiras gramaticais e precipícios pontuais, para dizer que há quem não pense nunca, outras, duas vezes e outras que simplesmente não acontecem.
Mantendo-me na tradição caminho letras soltas por entre sonhos e devaneios infinitos, que termirarão quando assim acontecer, sem detalhes nem ricocós.
Mantendo-me na tradição olho-me e vejo-me a acreditar que juntos somos infinitos, mesmo que eu não veja os detalhes.


Sanzalando

27 de janeiro de 2015

Soltamente 09

Porque ando por aqui a saltitar palavras? Porque gosto do infinito e de sentir aquilo que gosto. Cada segundo que passo calado é uma eternidade que deixo morrer por aí, é procurar o que fiz alguma vez de errado, é sentir o fim do mundo na minhas costas, é ser o problema e não ter solução. Por isso saltito palavras silenciosas mesmo quando me apetece dormir, cantar ou apenas estar num vaguear por aí.
Mas não gosto de palavras tristes, assim como as palavras de ódio, não fazem sonhar. Não gosto de palavras carregadas de lágrimas nem as que escondem o lado sombrio da tarde.
Saltitando soltamente por aí um dia vou chegar a um qualquer por lá.


Sanzalando

20 de janeiro de 2015

soltamente 08

Eu vivo sorrindo mesmo que por vezes tenha de chorar. Eu vivo reflectindo nem que seja apenas um reflexo baço numa qualquer montra devoluta. Eu vi o tempo passar e por isso continuei por um caminho diferente. Eu vi que o amor começa lá, onde não se espera nada em troca. Eu atraquei num porto perto da cidade do caos e soltei amarras para derivar por aí.
Eu. Tantos eus num corpo temporalmente finito.
Eu que bebi um café com aroma de poesia, que soletrei versos que mais não eram que porcaria, hoje resolvi dizer-me coisas que não te tinha dito.
Eu sou assim e pronto afinal.
Eu sou capaz de imaginar flores num deserto, cantar o 'Tombe lá nege' onde não chove faz décadas e abraçar-te mesmo que não estejas aqui.
Solto palavras que me servem de aconchego e me agasalham nas tardes frias de solidão.
Eu sou assim.

Sanzalando

17 de janeiro de 2015

soltamente 07

Salto ideias como se procurasse o último parágrafo dum livro que gostei de ler. Mas é ali que acaba o texto.  Mais letras não fariam sentido.  
E se eu estivesse no lugar da lua a olhar?
Teria de procurar mais palavras para descrever a saudade?
Salto de assunto e termino o parágrafo porque amanhã vai chegar e com ele tu.


Sanzalando

16 de janeiro de 2015

soltamente 06

Vou por aí saltitando palavras sem me preocupar se ouço ecos, se tropeço em regras gramaticais ou caio em buracos negros de fragilidade. Vou por aí como podia ficar por aqui no meu silêncio. Tal qual me apetece, faço.
Mudarias por alguém?
respondo de pronto: sim. Por mim!
Calar-te-ias a pedido?
sim. Por meu pedido!
E assim continuo à procura da palavra para exprimir o que sinto, falando com as mãos e colocando carícia em cada letra.
Saltito gotas de letras, frases feitas, ideias inventadas e sonhos sonhados ou somente desejádos, com a vantagem de não ter de alegrar mais ninguém se não tu, que sou eu.


Sanzalando

15 de janeiro de 2015

soltamente 05


Afinal de contas li livros à procura do romance que gostava de ter tido e afinal ele estava ali, ao alcance do meu olhar.
Já sei que sou da geração romântica, da que ama de corpo, alma e coração. 
Afinal de contas só os fingidos não amam assim e seja lá qual seja a geração.
Já sei quanto dói uma decepção, uma brincadeira, uma piada de mau gosto, uma desilusão.
Afinal de contas eu sou dos que ouvem os mais sábios, novos e velhos.
Andei por aí a saltitar e perto dos meus olhos estavas sorrindo para o meu corpo, alma e coração

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007