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A Minha Sanzala: Janeiro 2015
recomeça o futuro sem esquecer o passado

29 de janeiro de 2015

Soltamente 10

Mantendo a minha tradição, não vou entrar em detalhes, não vou descrever os ricocós da vida nem os bilros de pensamentos gastos ou por gastar em sonhos e devaneios. Digo apenas que houve alguns detalhes simplesmente horríveis, intercalados nos lindos, nas palavras escritas nas cartas de amor, na fuga dum olhar, na alma dum dia cansado, no ponto final da última carta que ainda não escrevi.
Mantendo a minha tradição, solto-me por entre tropeções vocabuláricos, rasteiras gramaticais e precipícios pontuais, para dizer que há quem não pense nunca, outras, duas vezes e outras que simplesmente não acontecem.
Mantendo-me na tradição caminho letras soltas por entre sonhos e devaneios infinitos, que termirarão quando assim acontecer, sem detalhes nem ricocós.
Mantendo-me na tradição olho-me e vejo-me a acreditar que juntos somos infinitos, mesmo que eu não veja os detalhes.


Sanzalando

27 de janeiro de 2015

Soltamente 09

Porque ando por aqui a saltitar palavras? Porque gosto do infinito e de sentir aquilo que gosto. Cada segundo que passo calado é uma eternidade que deixo morrer por aí, é procurar o que fiz alguma vez de errado, é sentir o fim do mundo na minhas costas, é ser o problema e não ter solução. Por isso saltito palavras silenciosas mesmo quando me apetece dormir, cantar ou apenas estar num vaguear por aí.
Mas não gosto de palavras tristes, assim como as palavras de ódio, não fazem sonhar. Não gosto de palavras carregadas de lágrimas nem as que escondem o lado sombrio da tarde.
Saltitando soltamente por aí um dia vou chegar a um qualquer por lá.


Sanzalando

20 de janeiro de 2015

soltamente 08

Eu vivo sorrindo mesmo que por vezes tenha de chorar. Eu vivo reflectindo nem que seja apenas um reflexo baço numa qualquer montra devoluta. Eu vi o tempo passar e por isso continuei por um caminho diferente. Eu vi que o amor começa lá, onde não se espera nada em troca. Eu atraquei num porto perto da cidade do caos e soltei amarras para derivar por aí.
Eu. Tantos eus num corpo temporalmente finito.
Eu que bebi um café com aroma de poesia, que soletrei versos que mais não eram que porcaria, hoje resolvi dizer-me coisas que não te tinha dito.
Eu sou assim e pronto afinal.
Eu sou capaz de imaginar flores num deserto, cantar o 'Tombe lá nege' onde não chove faz décadas e abraçar-te mesmo que não estejas aqui.
Solto palavras que me servem de aconchego e me agasalham nas tardes frias de solidão.
Eu sou assim.

Sanzalando

17 de janeiro de 2015

soltamente 07

Salto ideias como se procurasse o último parágrafo dum livro que gostei de ler. Mas é ali que acaba o texto.  Mais letras não fariam sentido.  
E se eu estivesse no lugar da lua a olhar?
Teria de procurar mais palavras para descrever a saudade?
Salto de assunto e termino o parágrafo porque amanhã vai chegar e com ele tu.


Sanzalando

16 de janeiro de 2015

soltamente 06

Vou por aí saltitando palavras sem me preocupar se ouço ecos, se tropeço em regras gramaticais ou caio em buracos negros de fragilidade. Vou por aí como podia ficar por aqui no meu silêncio. Tal qual me apetece, faço.
Mudarias por alguém?
respondo de pronto: sim. Por mim!
Calar-te-ias a pedido?
sim. Por meu pedido!
E assim continuo à procura da palavra para exprimir o que sinto, falando com as mãos e colocando carícia em cada letra.
Saltito gotas de letras, frases feitas, ideias inventadas e sonhos sonhados ou somente desejádos, com a vantagem de não ter de alegrar mais ninguém se não tu, que sou eu.


Sanzalando

15 de janeiro de 2015

soltamente 05


Afinal de contas li livros à procura do romance que gostava de ter tido e afinal ele estava ali, ao alcance do meu olhar.
Já sei que sou da geração romântica, da que ama de corpo, alma e coração. 
Afinal de contas só os fingidos não amam assim e seja lá qual seja a geração.
Já sei quanto dói uma decepção, uma brincadeira, uma piada de mau gosto, uma desilusão.
Afinal de contas eu sou dos que ouvem os mais sábios, novos e velhos.
Andei por aí a saltitar e perto dos meus olhos estavas sorrindo para o meu corpo, alma e coração

Sanzalando

14 de janeiro de 2015

soltamente 04


Pego numa maçã e trinco. Sabor a maçã. Pego numa caneta e faço um risco. Não me vá apetecer trincar a maçã enquanto tento reconstruir palavras para fazer um palácio. 
Nem uma palavra sai. Riscos e mais riscos e lá se foi a maçã.
Pergunto-me como vão as coisas e vejo um papel riscado e o pouco que resta duma maçã.
Sorri. 
De um salto vou buscar outra maçã. Lembrei-me de ti assim. Sabor de maçã.

Sanzalando

13 de janeiro de 2015

soltamente 03

Fui andando num saltitar de lugar em lugar, de medo em medo, sem encontrar algo que seja muito importante que me fizesse voltar atrás sem ter de guardar segredo nem viver em degredo. 
Sem procurar um dia cruzei-me com o teu olhar e parados ficamos sem falar, apenas admirávamos o brilho. Sem me lembrar já o porquê e o como é que foi os nossos lábios se tocaram num longo beijo que ainda não terminou. Ainda hoje o meu primeiro pensamento, assim como o último, é teu. Eu acho mesmo foi um Arquitecto que te mandou para mim. Afinal de contas és o oxigénio da minha alma.

Sanzalando

11 de janeiro de 2015

61 - Estórias no Sofá - O Luar e a Victória uma estória de tragédia

Era uma vez, um dia com imaginação e céu limpo, mar calmo, sem vento e a areia estava úmida pelo frio gelado da noite. Sentei-me nela e com o meu ar mais calmo deste mundo de fantasia me lembrei de contar-me uma estória sobre a lua da manhã que nos está a observar. É, tem dias que a lua nasce de manhã para ver como é que é o dia.
Era um dia normal, comecei eu a falar para a minha plateia de gente nenhuma, na altura em que as noites eram claras como que iluminadas por um farol, sem lua e com muito sol. 
Nessa altura havia homens que lutavam à toa entre si, já ninguém lembrava porque eles ainda lutavam em lutas que destruía tudo que estava ao pé e outras coisas que estavam longe e não sabiam. Bem, eram guerras que atingiam toda a gente menos um casal simpático, uma ela dum lado e um ele do outro. A paixão deles era assim como que um trunfo que superava a guerra como se esta fosse um jogo de cartas. A guerra era desnecessária para o casal. Tudo lhes era normal. Victória ela se chamava e Luar o nome dele. Eram-se fieis e todas as noites lá se encontravam perto do mar. Um dia, um desses meninos armado em mais esperto seguiu Victória e lhes encontrou beijando num beijo que teve início e parecia não ia ter fim. Ele, o dor de corno, raivoso, com ódio à flor da pele, sem ofensa para as flores. Silêncio diurno interrompido na noite de grandes gritos quando a dor de corno e mais uns tantos despeitados lhe seguiram e agarraram Luar, lhe amarraram e o deixaram no claro da noite a chorar e a escaldar dia inteiro debaixo de sol até que sucumbiu à morte anunciada duma luz mais clara dum meio dia escaldante.
Com a sua morte uma coisa aconteceu, a luz do farol não mais iluminou a noite e estas ficaram escuras. Victória continuou a caminhar para o mar todas as noites sem parar. Um dia ele olha no mar e vê o brilho baço reflectido da Lua, pensou era o Luar e de novo o farol voltaria a iluminar a noite.
Os homens continuaram a brigar e a menina Victória olhava o reflexo como se este fosse o seu amado Luar que deveria estar ali a seu lado mas agora estava nas ondas calmas do mar. Victória uma noite se afogou na tentativa de abraçar o brilho baço da Luar como se fosse o seu Luar. Victória não sabia nadar.
O mar nada nos diz, Victória já ninguém se lembra e a Luar ninguém lhe dá importância. Lembra-se só que os homens continuaram a lutar e que o amor fez que de vez enquanto houvesse luar.



Sanzalando

Constipação

Este copo abriga enigmas
e possibilidades que são estigmas:
este copo tão inocente
pode me deixar bem demente:
neste copo eu bebo
minha perdição:
ele me deixa doente
mas nessa doença
eu acho a cura de você
vírus potente
que tanto me faz sofrer

Neste copo me avinho 
nesta manta quentinho. 
Espirro e do nariz pingo
grito alto: Bingo
saiu-me a sorte
de não ser a morte,
vem apenas um virus
dores e sarilhos


Sanzalando

7 de janeiro de 2015

O hoje: presente

As barafundas da memória trocam ideias e arrepiam caminhos porque nos levam a lado nenhum.  Eu explico.  Tens na cabeça uma ideia, misturas com a realidade dum passado e sai uma salada de coisas inertes, assim como uma vaga lembrança.
Posto isto eis-me sentado sobre o ano novo, que, como dizia o outro, agora começa e dou comigo a falar sozinho.
- Existe idade para ser feliz? pergunto-me numa voz que só eu ouço.
- Existe alguma época para fazer planos, sonhar e ultrapassar obstáculos? continuo sentado sobre o ano novo e a falar-me.
- Há alguma fase da vida que possamos dizer é agora que vou experimentar todos os sabores, viver todos os amores e esquecer pudores? lá insisto-me com questões.
E conclui que, sentado sobre o ano novo, que, dizia o outro, agora começa, há. Perentóriamente há. Com exclamação e ponto final.
- Quando? me questionei eu com tamanha descoberta. De imediato respondo.
A idade, a época e a fase da vida para tudo é o presente.


Sanzalando

3 de janeiro de 2015

soltamente 02

Deixando-me levar por palavras soltas vejo que toda a gente tem a sua estória. O problema mesmo mesmo é quem as conta ou as guarda no silêncio da memória


Sanzalando

2 de janeiro de 2015

soltamente 01

De tantas coisas me deixam escolher eu escolho te abraçar. De verdade, escrito nas escrituras antigas ou apenasmente por mim inventado, quanto mais eu amadureço mais me desligo das opiniões e mais me interessa estar assim num contigamente junto. Me abraça e deixa o tempo desgastar-se.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007