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A Minha Sanzala: Junho 2015
recomeça o futuro sem esquecer o passado

24 de junho de 2015

gastei o tempo de hoje

Tem tempo que faz tempo que o tempo não é gasto em gastar palavras. A memória das estórias passadas, acontecidas ou inventadas está cá. As palavras para as contar estão cá. O que não está é o tempo. Paciência. Essa também não. É que com o tempo que o tempo faz não me apetece gastar em palavras com palavras que nada contam. 
O corpo físico anda por aqui. Espreita, sorri ou não, vai embora com o silêncio com que aqui entrou. 
Não zanguei nem me zangaram. Não me aborreci, nem me aborreceram. Não mudei nem uma vírgula de quem era. 
Às vezes o silêncio sabe tão bem... Guardo os pensamentos para amanhã porque um dia eu vou ter tempo para gastar o tempo em palavras que ainda devo saber de cor.
Pronto, gastei o tempo de hoje...


Sanzalando

20 de junho de 2015

vagabundo palavreado

Passeio na praia e tropecei no teu sorriso. Foi aqui que descobri que há finais felizes e outros que são finais necessários. Tropeçado no teu sorriso eu chego a brilhante conclusão, imagina que eu fico preso no teu abraço?
Na verdade eu pensando em ti fico tão criativo que não tendo nada para fazer eu problemas invento.
Já tropecei no teu sorriso, já sufoquei no teu abraço que agora só me falta ouvir dizer coisas doces que até a dormir eu sonharia: quando o amor é forte nem nem toda a inveja o poderá destruir.
E lá vou eu passeando na praia mostrando-me tal como sou: saudoso de ti contigo ao lado

Sanzalando

16 de junho de 2015

por ti

Rebolo na areia como uma criança, pareço um croquete de areia. Mas rio-me de alegria. Alegria de estar aqui. Simples e barato, digo.
Na verdade poderás pensar que eu não tenho com quem conversar e por isso faço estas baboseiras. Mas antecipadamente a teres este pensamento eu diria que é falso. Posso ser motivo ou problema, ou até os dois ao mesmo tempo, mas tenho com quem conversar e até boas conversas. Não conversas de encher tempo. Consigo fazer tudo errado, tudo certo ou tudo assim assim. Confuso?
Se calhar é, até para mim.
Mas na verdade rebolo na areia e divirto-me porque é sinal que estou aqui. E tu estás aí desse lado se calhar a sorrir ou apenasmente a chamar-me doido. Por ti.


Sanzalando

13 de junho de 2015

aqui na praia

Aqui na praia, onde sopra o vento que vem da montanha e arrefece o corpo quente de amor, sinto que o teu abraço foi feito só para mim. Assim como que encolhe o meu cansaço, descomprime o meu drama, anula os meus erros e tapa as minhas falhas.
Aqui na praia, de onde o vento leva a areia, sito o teu abraço a me salvar da intriga, a me abrigar do egoismo e a me defender da maldade.
Aqui na praia eu me abraço num encontro contigo.


Sanzalando

11 de junho de 2015

Até lá que me aturem, quem assim entender.

Chega neste tempo e eu digo vou embora. Vou deixar as palavras descansarem. Com as frases farei o mesmo. Com as ideias nem se fala. Vou-me dar férias. 
Mas depois eu viro guerra, maka de faca e facão, atiro a porta contra mim e me grito num acordar toda a rua. 
Vem um momento bom e lá estou eu agarrado à caneta, à sebenta vermelha e a gastar palavras como se elas não me fossem fazer falta um dia.
Quantas vezes eu pensei nas palavras de que me desfiz? 
Eu acredito na palavra mesmo que ela me seja um fracasso, em enrolar de dia a dia, um desajuste ou uma vaga lembrança e depois lá volto eu ao gasto desnecessário das palavras.
Nova guerra se abrirá um dia no campo de sempre o mesmo e lá eu páro com as silabas e ditongos, solilóquios e monólogos de uma só voz contra a parede do silêncio.
Até lá que me aturem, quem assim entender.



Sanzalando

9 de junho de 2015

tenho a certeza

Tenho a certeza que entre mim e o mar existe um quase nada. Às vezes um quase nada frio, outras um pouco nada de vento e outras ainda um calor tórrido. Tenho a certeza que entre o mar  e a tua alegria não existe espaço. Tenho a certeza que somos um.
Me disseste uma vez, ou pelo menos eu fiquei com essa ideia, que mil vezes zero é nada. Daí eu nunca mais ter colocado a minha intensidade onde não existe nada. 
Entre nós existe um só nós.
Tenho a certeza que mais logo vais dizer que eu falo pareço as estrelas do céu, cintilantemente belas mas... mas nada.

Sanzalando

3 de junho de 2015

eu lembro, amor

Olha só eu por aqui sentado pés na água salgada e meditando em levitação temporal. 
Eu lembro, amor, de cada passo que demos, das diversas direcções que tomámos, das guerras que abafámos, das palavras que calámos e dos silÊncios que criámos para chegarmos aqui hoje.
Olha eu, amor, aqui sentado a refrescar os pés de modo a pensar sem sobressaltos.
Eu me lembro, amor, das vezes que fiquei triste por te deixar triste e das vezes que fiquei feliz por me lembrar de ti. Eu me lembro, amor, que isto não é filme, é mesmo vida real.
Eu me lembro, amor, de tudo o que consigo. 
Não te esqueças de me ir lembrando alguma coisa que me esqueça, amor.


Sanzalando

2 de junho de 2015

olha só para mim

Olha para mim a passear na beira mar parece um faz nada.
Assim até parece o céu é mais azul e logo a lua cheia vai parecer quer rebentar.
Dou passos curtos e certos por esta areia onde marco a minha passagem para uma onda qualquer me apagar deste mapa, como se eu fosse um transparente de existência fictícia. Mas na verdade dou os meus passos como certos, cabeça erguida e costas direitas.
Olha só para mim a caminhar nesta areia inclinada parece houve tempestade um dia destes e eu não dei por nada.
Olha para mim a caminhar os meus pensamentos por esta praia fora, gastando palavras soltas numa ode a ti, coração.
Olha só para mim...


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007