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A Minha Sanzala: Julho 2015
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de julho de 2015

Acaso por acaso

Afinal no ermitario acontecem coisas.  Cai cacimbo no meio do calor parece é spray que alguém usou noutas galáxias. Repentemente vem, de fato com gravata, um secretario de estado do turismo dizer olá simpático porém mais rapido que super homem num filme que vi em preto e branco. Noutro momento as palavras não saem para o papel porque sim ou porque não.
Já sei que tudo foi força da meditação ou simplesmente acasos do por acaso.


Sanzalando

28 de julho de 2015

Ermitario

Marquei na paisagem que era tempo de cacimbo mesmo que aqui, onde estou no faz de conta, não cacimbe nesta altura. Tomei o quebra jejum que antes eu chamava matabicho, mas hoje eu sei que bicho nao deve morrer só assim todas as manhãs so para eu ser feliz. Pão cozido, nunca percebi se é feito no forno não é assado, em forno de lenha, que até manteiga escorrega parece faca quente no gelo,  um café de saco que até parece tem colher se segura em pé. 
Enfim, eu no ermitario com os meus pensamentos e as minhas imagens de memória, fugido do boliço da cidade grande, das vidas corridas tantas vezes contra marés,  dos sonhos feitos pesadelos, troco palavras com sossego e silencio pelo caraquejar das galinhas que resolveram me serenatar desde madrugada. 
Eu, ermita de mim, corro tanta que dou comigo atras de mim a escrever as palavras que não sei vão chegar ao outro lado dum mundo que ansiosamente um dia espera por mim, assim como que sentado no vazio do esquecimento.
eu aqui, ermita, levito todos os nomes de quem um dia, pelo menos, foi meu amigo.


Sanzalando

27 de julho de 2015

Conterra eu estou num aqui

Um dia eu disse na conterra que vou comprar esse morro, vou ficar sem televisão,  sem ruído do mundo e vou ermitar-me. Não falei mentira nem disse toda a verdade.  Conterra me entendeu e disse um que sim que me convenceu. 
Pois não é que hoje estou no morro, sem televisão,  sem telemóvel (MAS COM UM TABELET) a escrever as letras que me saltam na memória , as frases que um dia poderão ter sentido ou, como diria meu amigo Cipriano, proibidas não serão ao certo. Troco palavras com silêncio,  chilrear por folhas batidas pelos ventos que não sei de onde sopram, tantas as volas que já dei. Aqui, batido pelo horizonte, sem maresia e sem roncos ensurdecedor de carros, troco tranquilidade com sabedoria das folhas que folheio dos livros adiados, com reflexões de alma e coração.
Sei que não molho os pés no zulmarinho,  não me embalo nas ondas dele para caminhar para sul. Aqui estou eu, simples feito gente de quase nada valer.
Aqui estou , conterra, no ermitario a sonhar acordado.

Sanzalando

24 de julho de 2015

olha eu

Olha o mar empurrado pelo vento, fazendo cordeirinhos pastando nele, marulhando sem ondas de meter medo. Olha o mar ou me olha a olhar o mar. Sabes, coração, eu não sei viver tristeza sem nome, decepção sem remetente, vingança sem cedilha. Nem rápido nem devagar. A vida tem o ritmo dela e eu me deixo ir assim num vai assim que vais bem. Sabes amor, às vezes eu tenho defeito, tenho génio ou mau feitio. É a vida, me dizem. Sabes eu já fui feio. Me dizem os amigos. 
Mas contigo, a olhar o mar ou a olhar-te, coração, eu vou saboreando as pequenas doses de felicidade que vão chovendo no meu dia a dia.
Mas sabes, amor, nada disso me agita ou me amedronta, nada disso me faz ser deus ou demónio, doido ou sério, abstracto ou real.
Olha o mar e me gosta assim tal qual eu sou que nem eu.


Sanzalando

22 de julho de 2015

Me sentei apenas para ouvir o silêncio

Me sentei, pés no mar, só num assim de ouvir o meu silêncio, o meu sangue a correr nas veias, o vento a varrer pensamentos e o marulhar a apagar as dores de passado e futuro.
Me sentei num assim faz tempo não tinha tempo para me ouvir calado num contrabando de ideias, presentes, ausentes e remanescentes.
Me sentei, pés no mar, ouvindo-me zumbis de cicatrização, as verdades de futuro, partes de mim.
Me sentei apenas para ouvir o silêncio.


Sanzalando

20 de julho de 2015

Desejos de amigo

Me disseram bom dia, ao mesmo tempo me diziam era dia do amigo. Sorri.
Eu sempre digo bom dia, Vício, hábito ou simples cortesia. Educação, diria a minha mãe.
Hoje então aproveito e te peço se eu passar por algum dos teus pensamentos, aproveita e diz-me bom dia ao mesmo tempo que me abraçares.
Hoje farei isso por todos os meus amigos, assim eu tenha pensamentos.


Sanzalando

Transportando o peso do mundo



Sanzalando

8 de julho de 2015

poesia à vida

Olha para mim a passear o corpo pelo mar. Salgadamente sorrindo em cada passo, num perpétuo movimento de procurar a felicidade. Olha para mim a escrever palavras no pensamento. Não. Não me apetece chorar. Não tenho lágrimas para desperdiçar, apenas palavras para me sorrir, frases para me transcrever ou parágrafos para me retratar.
Olha para mim a passear no meu labirinto de palavras, subterrando o meu túnel de tristeza, rebolando as minhas lamentações para recantos de pontuações mal feitas.
Olha para mim a fazer poesia à vida.

Sanzalando

1 de julho de 2015

TCHI campeão

TCHI campeão... faz tempo não me ouvia. Silêncio de palavras escritas na fala duma preguiça. 
De verdade que ser feliz é uma responsabilidade assim como que grande ser ter tamanho como referência. Tás-me a acompanhar? Pouca gente tem coragem para ser feliz. Eu também tenho medo , mas tenho coragem. Tás a ver os meus músculos mentais a fazer um esforço de coragem? Eu sinto assim uma angustia, um susto. Mas estou vivo e feliz. O mundo me atormenta, os instintos me subterram, as leis me limitam, os olhares me violentam. Mas não sofro da vertigem de ser feliz. Sou-o. Cabelos brancos? Sim e depois?
O que me assusta mesmo é ver as entranhas das almas dos outros. Os espíritos cinzentos, os abismos amordaçados dos mentecaptos.
TCHI campeão... faz tempo sou feliz e não deito palavras para fora com medo de as gastar num vácuo de orelhas moucas.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007