Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala: 2016
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de dezembro de 2016

Só para encerrar o ano

Sanzalando

Porque é final de ano eu desarmo-me com estas coisas

Esse é um médico inteligente...! Alguém tem o endereço dele ?????????????? Quero fazer um estágio com ele

Dr. Paulo Ubirtan, de Porto Alegre, RS, em entrevista a uma TV local

Pergunta: O exercício é saudável?

Resposta: O seu coração foi feito para bater por uma quantidade de vezes e só... não desperdice essas batidas em exercícios. Tudo gasta-se eventualmente. Acelerar seu coração não vai fazer você viver mais: isso é como dizer que você pode prolongar a vida do seu carro dirigindo mais depressa. Quer viver mais? Tire uma soneca !!!

P: Devo cortar a carne vermelha e comer mais frutas e vegetais?

R: Você precisa entender a logística da eficiência... .O que a vaca come? Feno e milho. O que é isso? Vegetal. Então um bife nada mais é do que um mecanismo eficiente de colocar vegetais no seu sistema. Precisa de grãos? Coma frango.

P: Devo reduzir o consumo de álcool? ´

R: De jeito nenhum. Vinho é feito de fruta. Brandy é um vinho destilado, o que significa que, eles tiram a água da fruta de modo que vc tire maior proveito dela. Cerveja também é feita de grãos. Pode entornar!

P: Quais são as vantagens de um programa regular de exercícios?

R: Minha filosofia é: Se não tem dor...tá bom!

P: Frituras são prejudiciais?

R: VOCÊ NÃO ESTÁ ME ESCUTANDO!!! ... Hoje em dia a comida é frita em óleo vegetal. Na verdade ficam impregnadas de óleo vegetal. Como pode mais vegetal ser prejudicial para você?

P: Flexões ajudam a reduzir a gordura?

R: Absolutamente não! Exercitar um músculo faz apenas com que ele aumente de tamanho.

P: Chocolate faz mal? R: Tá maluco?!!!! Cacau!!!! Outro vegetal!! É uma comida boa pra se ficar feliz !!! E lembre-se: A vida não deve ser uma viagem para o túmulo, com a intenção de chegar lá são e salvo, com um corpo atraente e bem preservado. Melhor enfiar o pé na jaca - Cerveja em uma mão - tira gosto na outra - muito sexo e um corpo completamente gasto, totalmente usado, gritando: VALEU !!! QUE VIAGEM!!!

P S.: SE CAMINHAR FOSSE SAUDÁVEL O CARTEIRO SERIA IMORTAL...!


Sanzalando

29 de dezembro de 2016

Balanço sem baloiço

Olha só para mim a ver o céu, ver as estrelas e desconseguir tocar-lhes. Olha só para mim a ver os pontos cintilantes que piscam lá no escuro e não saber dizer que é o cruzeiro do sul, sagitário, leão ou a estrela polar. Me disseram ao ouvido que aquela estrela era um planeta. Como eu não percebo nada de estrelas e afins. Mas olho o céu.
Olha só para mim a ver o zulmarinho ondulante, umas vezes sereno outras revoltante. Olha só ele carregado de fishes, ou fixes ou mesmo só peixes que navegam sem fronteiras e sem se importarem com isso. É carapau, é lula, choco ou golfinho. Este não é peixe e aquele também não. Ingnorante que eu sou. Mas olho o mar.
Olha só para mim a ver o teu rosto, a desenhar mentalmente as curvas do teu corpo, a saborear o teu sorriso e sorrir-te na volta. Olha só para mim afagar os teus cabelos, beber as tuas palavras e receber o brilho do teu olhar. É, sou sortudo, tenho um amor verdadeiro, não muito exagerado porém também não escasso.
Olha só para mim a fazer de balanço anual verdades verdadeiras sem ser no baloiço do parque infantil onde me perdi tardes inteiras.
Olha só para mim, desenhando palavras na ardósia da nuvem com receio de perder as palavras que canto em silêncio.
Olha só para mim a desejar BOM ANO a quem me olha.


Sanzalando

27 de dezembro de 2016

eu, a praia e a gripe

Sentei-me mesmo no meio da praia. Olhei o zulmarinho que tinha ondas miniaturas, parecia estava até com preguiça de chegar na areia. Deixei-me esvaziar de pensamentos até ficar só assim a lhe olhar como se nunca lhe tivesse visto. O meu corpo doía. A minha cabeça fervilhava de febre. Os meus olhos lacrimejavam pelo que só estava bem com eles quase fechados.
Sentei-me mesmo no meio da praia e deixei a gripe ir embora.


Sanzalando

25 de dezembro de 2016

NATAL - uma oportunidade para aprender várias lições

Sanzalando

24 de dezembro de 2016

o Natal pode ser todos os dias

Sanzalando

23 de dezembro de 2016

NATAL



Sanzalando

22 de dezembro de 2016

o verdadeiro presente de Natal: a família





Sanzalando

Boas Festas Zulmarinho

Acendi a lareira. Inverno. Natal. Faz um frio do caraças. Dizem aqui faz bom tempo. Me enganam e parece eu deixo. O zulmarinho é azul. Pois, mas está gelado. 
É Natal. 
Faz árvore. É de plástico ou real. Importa é o espírito. Tem luzes e cores. É festa!
Faz frio. É inverno. Inferno. Mas o pior frio é o interno. Aquele que gela até o coração. Acendi a lareira para não sentir o frio do caraças. Estou em festa. Todos me dizem Boas Festas.
É assim o espírito. Oferendas. Intenção.
Não ofereço meias palavras, nem palavras completas, não ofereço promessas nem ilusões. 
Boas Festas.

Sanzalando

20 de dezembro de 2016

Um dia de sol faz diferença

Faz sol na minha praia. As mil cores da areia brilham parecem diamantes, como se eu tivesse visto algum e ainda por cima assim tantos de forma a fazerem um areal. O zulmarinho brilha parece é vidro reflectindo o sol. As caras com que me cruzo parecem trazem um sorriso no lugar da boca e uma luz nos olhos.
Eu pedalo pedaços de silêncios em mantras sincronizados no pedalar. Eu vejo para lá da minha linha recta que é curva. Eu vejo transparências nas aparências e decido sorrir também. 
Como o raio do sol num simples raio faz tanta diferença?
Não é por eu ver pessoas morrerem de amor que eu vou matar-me em vida. Amo.
Não é por eu ver pessoas sorrindo de nada que eu vou chorar de ciúme. Sorrio.
Um dia de sol faz diferença.


Sanzalando

17 de dezembro de 2016

Estórias Soltas e Palavras Vadias - as fotos

https://goo.gl/photos/kFTwdoAYE4n1QUtS8

fotos de António Rivero, João Carranca, Nuno Campos Inácio e João Carlos Figueiras

Sanzalando

16 de dezembro de 2016

Sanzalando em Livro

Deste blog e por aí da nuvem saiu este livro. Por razões que desconheço não se encontra em muitos sítios deste mundo ou de outro, acho. Por mensagem se aceitam encomendas a enviar à cobrança.
Sanzalando

15 de dezembro de 2016

porque sim

Sentado num algures por aí, para os lados de África, para os extremos do oriente ou para um canto redondo qualquer, eu sou importante. Sei que sim porque num lugar qualquer desses que tu estejas eu sei pensarás em mim.
Num dia qualquer, quando parecer que nesse dia tudo vai desaguar como tempestade de chuva, calor ou frio, eu sei que sou importante porque tu pensaste em mim.
Porquê isto agora? Apenasmente porque me perguntei se gostavas de mim e me respondi por ti que sim.
É que tu habitas no meu peito, na minha linha de pensamento e no meu jeito de ser

Sanzalando

13 de dezembro de 2016

nos dias assim que os tem

Tem dias que tenho de me limpar a toalha molhada, tem dias que a dor é tão forte que não dá nem para esquecer, tem dias que o sol brilha parece é sombra constante. Tem dias assim e tem outros que não. 
Vai-se fazer mais o quê nos dias? Viver. Simples. Esquecer a cabeça, apagar o pensamento, cantar alegria e esperar que o dia passe. O corpo seca, a dor se atenua até ao desaparecimento total e o sol brilha mesmo que seja meia noite.


Sanzalando

7 de dezembro de 2016

delírio sem febre

Faz tempo de fazer impressão é chuva não tarda. Recatado num canto da praia, protegido da nortada e da carga de água parece não tarda e dos fantasamas das tardes outonais, deliro pensamentos que se auto-anotam numa folha de papel parece é pardo. Afinal de contas este tempo me ensinou a não perder nenhuma esperança, assim como a não confiar muito nelas também. Postas as coisas neste ponto, interrogo-me o que faço aqui? 
- Protejo-me da nortada que essa é certa sopra do lado norte, talvez chova, ou não, mas pelo sim e por acaso me recolho. Quanto aos pensamentos eu os deixo ao acaso, se escrevam ou não que isso é com eles. Pensei-os, gastei-os. Quanto aos fantasmas, não vou responder senão perante um.


Sanzalando

6 de dezembro de 2016

recital

Girando ao ritmo da lua, navego por sonhos e miragens, caminho por carreiros em sucessivas viagens de imaginação e alegria. De memória em memória reflicto que não posso não me lembrar do que nunca esqueci, que não posso deixar de ver as imagens que guardei, que não posso calar os silêncios que soletrei em mantras de fé.
Maré cheia, maré vazia, sigo caminhos vagarosos saboreando memórias com o cuidado de não as ir perdendo para não deixar de ser quem é sem me aperceber do que já fui.
Afinal de contas é caminhando que eu recito o que sinto e muito.

Sanzalando

3 de dezembro de 2016

Percorri o mundo

Percorri o mundo numa viagem imaginária. Longa foi a viagem, tão longa foi a minha imaginação. 
Nesta viagem levei comigo uma pequena garrafa de água, não fosse eu ter de atravessar algum deserto. Disse bom dia, boa tarde e boa noite, educadamente, em todas as línguas que sabia. 
É tão bom ter memória e nela ter gravado tantas imagens que fui recordando nesta viagem. Na garrafa não faltou água e eu não atravessei nenhum deserto.
É tão bom morrer de amor numa viagem imaginária à volta do mundo.

Sanzalando

30 de novembro de 2016

o tempo que temos

Sentado a olhar o mar. Um café quente para aquecer um corpo frio. Um olhar distante para ver mais longe. Um sorriso na cara para gargalhar a alma. Eis-me vendo o outono daqui num verão de lá.
A espuma branca se espraia no areal como manta cobrindo a areia fria dum cacimbo que não sei onde nasceu.
Gaivotas voam paradas no contra corrente de vento, adivinhando uma tempestade que não sei foi prevista ou por mim só inventada para colorir o meu pensamento.
O zulmarinho parece um pasto azul de carneirinhos brancos. 
Eu continuo sentado porque o vento invade-me na preguça de caminhar. Vagueio de pensamento em pensamento não vá o tempo esgotar de tão mau que está.

Sanzalando

29 de novembro de 2016

falando coisas sérias para variar

Interrupção. Paragem. Preguiça. Ocupado muito. Vendas. Recolha de informação. Preguiça. Paragem. Trabalho. Tanta justificação a dar para o silêncio que por vezes cai neste catinho onde a nostalgia não é tristeza, onde a saudade não é mal estar, onde a lágrima não é choro e onde os silêncios das palavras escritas traduzem o marulhar dum mar que inventei.
Continuo a ver o voo suave das borboletas, o ondular das flores nos jardins dum outono pesado, o brilho do sol fraco que caminha para inverno. Mas às vezes o trabalho, a preguiça sobressaiem â desvontade de saborear o salgado perfume do zulmarinho da minha imaginação.
Morreu Fidel. Viva Fidel.
Angola está um caos. Viva Angola do presente que caminha para o futuro, tal e qual é, sem mexer em nada que amanhã vai crescer e ficar irreconhecível aos olhos de hoje como o é aos olhos de ontem e muito mais aos de ante-ontem,
Caiu um avião. Quem manda os homens inventarem coisas que voam e podem cair. Destino, Azar, palavras em silêncio para sentir.
Sorrindo vejo que o dia nasceu lindo.

Sanzalando

23 de novembro de 2016

silêncios e momentos

Eu sou feito de silêncios a que junto momentos e chamo vida. As minhas palavras são pensadas, no silêncio de quem tem muito para dizer, nos momentos que servem para viver. Silêncios e momentos, nenhum é por acaso, nada é por acaso. Os silêncios e os momentos, a gosto ou a contra gosto, perfeitos ou imperfeitos, seguem o seu rumo, seguem a minha vida, felizmente.


Sanzalando

21 de novembro de 2016

parou de chover

Parou de chover. A areia da praia está húmida, brilhante, cola.se aos pés como nunca. Caminho com esforço tentando calar esta minha vontade enorme de caminhar mesmo que seja para lado nenhum. O tempo não pára de avancar. Aumenta a vontade de o parar. Caminho meditando calado ou soletrando versos soltos que me vêm ao acaso à memória. É preciso ter uma grande memória para ter memória. Passos curtos na areia, pensamentos divagantes na cabeça e no coração a tranquilidade de ter feito o que sempre quis.
Parou de chover e eu não paro de caminhar mesmo que seja a quilómetros do meu pensamento, do meu querer e do meu estar.
Parou de chover, as minhas pernas não param e o meus ouvidos ouvem o silêncio do mar por trás do marulhar.

Sanzalando

19 de novembro de 2016

caminhar

Olha para mim a olhar o mar. Lá longe tem a linha recta que é curva. Me aproximo dele e ela se afasta. Por mais passos que dê ela está à mesma distância de mim. Não desito. Continuo a caminhar. Parece utopia mas é assim a realidade, é um não parar, é um não desistir.

Sanzalando

17 de novembro de 2016

0006

Como posso esculpir um sorriso sem ter que usar um martelo ou outra violência? JCCarranca reflectindo sentado na calçada


Sanzalando

15 de novembro de 2016

olho o mar

Olho o mar e vejo-o calmo. Se estivesse na minha terra eu diria que estava a ver o ondular do deserto. Mas aqui ele é azul e lá é amarelo. Ambos de perder de vista, mas agora ambos calmos e eu dou comigo a pensar que sou brigão, exageradamente rufia, por vezes bruto e outras tantas vezes exagerado.
Olho o mar e dou comigo a pensar que preciso de um porto de abrigo, um ombro solidário, uma carícia que afague as minhas debilidades, que alise as minhas irregularidades mentais e me segure do medo.
Olho o mar e dou comigo a navegar nas areias sem fim, a correr em vão em busca dum prémio que não existe.
Olho o mar e vale a pena meditar sobre os meus pés calejados, sobre as vidas vividas e os abraços dados. 



Sanzalando

14 de novembro de 2016

0005

Com as nossas escolhas definimos quem somos. JCCarranca reflectindo sobre a lua cheia

Sanzalando

13 de novembro de 2016

na areia da praia

Sentado na areia da praia me deixo a meditar que não importa o quanto é difícil, o quanto me atrapalho, o quanto eu me escondo da luz brilhante do sol, das quantas vezes que preciso recomeçar; apenasmente por combinei comigo em nunca desistir de mim.
Sentado na areia da praia medito nos anjos que não têm asas, mas têm a capacidade de me fazer sorrir, dos que me fazem ver, mesmo quando teimo em fechar os olhos, dos que acariciam sem terem que usar as mãos, basta usarem o olhar.
Sentado na areia da praia sorri quando encontrei o fim de uma qualquer estória: a tua chegada


Sanzalando

12 de novembro de 2016

0004

Eu tenho medo das pessoas que me fazem feliz. São as únicas que me podem fazer infeliz. JCCarranca reflectindo sob o quarto crescente

Sanzalando

11 de novembro de 2016

deixo passar a vida

Me apetece deixar a vida passar na sua vagarozidade de quando a gente não tem tempo nem para coçar quanto mais para pensar. Mas mesmo assim lhe deixo passar sabendo que não existe vida para lá do amor. Pode não ser físico, metafísico ou carnal (vegetariano também sente amor). Mas deixo passar porque vivo sabendo que o que falta vai ser saboreado, degustado, doce ou salgado, mas será a minha vida com qualquer tipo de letra, grande ou pequena.
E deixo passar a vida porque amo, sóbrio, de manhã à tarde e à noite, às vezes também na madrugada da insónia. Amo à chuva, com neve ou calor tropical. Amo nos dias fáceis e nos difíceis também.
Assim sendo porque não havia de deixar passar a vida?
Deixo passar a vida porque não sou dos que se pensam livres e estão presos nas prisões da emoção, da crítica, do medo e da observação social inatacável.


Sanzalando

9 de novembro de 2016

0003

Só a morte faz estagnar, por isso me mudo de vez enquando. JCCarranca reflectindo enquanto ascende o candeeiro


Sanzalando

8 de novembro de 2016

palavras autobiográficas

Despreguei-me do chão e dancei. Montei um sorriso e sorri. Fiz canções que cantei, musicais que inventei e outras cenas que me diverti.
Quem sou eu?
Quantas perguntas que não busquei respostas. Pensamentos vagos apenas.
Afinal de contas eu não sou mais que os filmes que vi, os livros que li, as estórias que inventei, sabendo que estas começam sempre por serem uma simples imagem vista por mim.
Todos, mas todos mesmo sem excepção, têm uma ou outra estória que não pode ser contada em voz alta, sem que a voz não se perca ou quebre. 
Eu danço. Eu sorrio. Eu canto. Mas tento sempre ser eu, vivalma de mim, sabendo que a tristeza a ninguém pertence. 


Sanzalando

7 de novembro de 2016

0002

Não espero uma convulsão para saber o que é certo ou errado. JCCarranca reflectindo sob o chuveiro

Sanzalando

5 de novembro de 2016

0001

Noite cerrada ao fim de tarde. Desconsigo habituar-me a estas mudanças de hora. JCCarranca reflectindo enquanto sobe a escada do sotão


Sanzalando

2 de novembro de 2016

Agradeço-te Cristina


Quantas vezes eu terei pensado que era uma tragédia ser eu?

Quantas vezes pensei porquê eu?
Eu... ser colectivo (porque individual não sobreviveria), sou um felizardo que às vezes tem dúvidas, que às vezes se engana, que às vezes erra crassamente mas que sabe sentir-se feliz, que sabe sorrir e sabe agradecer mesmo quando lhe faltam as palavras e os sentimentos os mostra na face, no olhar e no sorriso assim sem jeito.
Eu... ser colectivo (porque sem saudade não tinha memória), mesmo que às vezes a saudade não tenha pernas para acompanhar a recordação vaga, sei que fizeste mais do que eu merecia. Obrigado



Sanzalando

1 de novembro de 2016

Eu agradeço sem vocabulário suficiente

Queridos amigos, agora que as pernas deixaram de tremer, que os braços já me obedecem e o cérebro já reiniciou a sua função, embora ainda um bocado nas nuvens ou nos anéis de Saturno, depois de 4 dias, a contar do meu aniversário, a 28, e termina num agora lento e paulatino tempo de mensagens a frases soltas, venho agradecer num sincero agradecimento os que perderam tempo a felicitarem-me. Por vocês e com vocês o meu dia foi especial, alegre e de várias formas aqueceu o meu coração e reforçou o meu sorriso. Quem tem amigos como vocês tem de certeza alegria, amor e conforto.
De coração: obrigado.

No dia 29, num dia carregado de emoção, não tenho vocabulário, nem em número nem em qualidade que permitam fazer justiça ao meu agradecimento e na dúvida ao merecimento meu. Foi uma homenagem de valor inestimável que dezenas de pessoas fizeram ao arrumador de palavras e estórias soltas e vadias, que simplesmente anda por aqui a aprender a escrever. Com todo o carinho e de coração, e pelo resto da minha vida agradecerei. Refiro aqui apenas o nome das Dras. Isilda e Ana Fazenda, ao José Rebelo, Fernando Pereira (Karipande), Clube União Portimonense, esquecendo de mencionar todos os que fizeram daquelas salas um lugar minúsculo.

Neste período não posso esquecer de agradecer ao meu editor Nuno Campos Inácio, ao Clube União Portimonense no seu todo e no particular, à Ana Cristina Inácio, São Correia, Ângela e Xana e aquelas mãos anónimas que deram vida e fizeram desta festa uma flor bela e perfumada no jardim da minha vida.

No dia 30, à família Vidigal e Miguel, nas pessoas do Sr. Emílio, D. Graça, D. Vitorina, Pedro e Matheus; à família Frota nas pessoas do Walter e Cláudio, aos Carranca Marques, na pessoa da minha irmã Isabel, seu marido Fernando, filhos Rodrigo e Diogo e as namoradas destes dois, ao Casas Novas e sua esposa Victória, ao meu colega e amigo Alvarito Pacheco, ao Júnior e Ricardo Carranca, Sara Feliciano e Mariana, lhes dizer obrigado não é suficiente para agradecer o momento criado, lhes estendo as minhas mãos para o que precisarem.

Difícil mesmo vai ser transmitir, com palavras simples que sei, à Cristina Vidigal, não só o que por ela sinto, em amor e carinho, a presença nos meus pensamentos, por todos os momentos criados, por instantes atrás de instantes, conseguindo fazer HISTÓRIA, encenado um conto de fadas que vivi por dentro.
Agradeço tudo o que fizeste por mim, por me ouvires e aconselhares, por me surpreenderes e ensinar a existir.

A cronologia aqui posta é mesmo só para me orientar num futuro, pois tudo foi um conjunto de felicidade.


Sanzalando

27 de outubro de 2016

Feliz amanhã

Mar revolto em dia tropical, húmido e quente, nem brisa nem sol. Abafado. Olho o zulmarinho como se fosse a primeira vez., nunca o olharei como se fosse a última.
Medito. Se calhar canto um mantra no silêncio da minha alma. Relembro Fernando Pessoa que disse que quem não vê bem uma palavra não pode ver bem a alma, e eu vejo as palavras que navegam no mar da minha alma.
Deixo-me embalar e vou recordando cara a cara as caras que olhei pela vida fora.
Deixo cair uma lágrima de vez em quando, por saudade e não por tristeza. Nome e cara se ligam no meu pensar saltitante enquanto vejo o mar revolto em dia tropical. O meu sorriso transparece revelando uma alegria, um rosto, um momento.
Canto um mantra porque não quero ter a capacidade de julgar, quero apenas recordar o ontem para viver o hoje, feliz amanhã

Sanzalando

26 de outubro de 2016

zulmarinho

Me sento num aqui a olhar o zulmarinho. Como é bom ver que o mundo está lá. Como é bom saber que tem gente para lá da linha recta que é curva que me olha com olhos de saber o que ando a fazer. Como é bom saber que a brisa me trás os perfumes da memória, as lembranças alegres de mundos que vivi.
Me sento por aqui a olhar o zulmarinho e a imaginar que tem gente que pensa que a vida vai mudar depois de qualquer coisa, que está sentado à espera e esquece que a felicidade, a alegria e o bem estar não mora nem no passado nem no futuro mas no agora mesmo.
Me sento aqui a meditar e a imaginar que a vida é uma passagem e que eu tenho de a viver agora porque não estou aqui a não ser de passagem.

Sanzalando

25 de outubro de 2016

sortudo

Me olho só de cima do meu metro e oitenta e vejo que afinal de contas sou um sortudo. Mais coisa menos coisa. Não sou de encontrar o amor da vida em cada minuto que passa, não sou capaz de rir mesmo da desgraça, minha ou alheia, não choro por ter graça. Mas sou um sortudo que imagina que gosta de sombra em dia de sol e que cuida das árvores para a ter. Sou um sortudo porque olho para cada lado e encontro um ombro amigo onde me encostar se precisar.
Sim, eu sou um sortudo porque tenho a quem agradecer.


Sanzalando

24 de outubro de 2016

regressado

Eu fui viajar. Desloquei-me uns tantos fusos para leste. Vi prédios que nunca imaginaria ver. Vi jardins onde não pensava poder haver. Eu cruzei-me com gente rica, falei com gente pobre. Eu vi um mundo muito diferente daquele que estava habituado a ver. Não, não fui à praia nem fiquei de papo para o ar a respirar destresssante. Eu fui aprender. Eu fui ver com olhos de ver coisas. Eu fui sentir. Eu perdi-me de amor por aqueles recantos.
Mas surpreendente foi o recado em sms para ver o facebook. Não pode ser!!!! 
Surpresa.
O que faço agora? Espero e de preferencia sentado a olhar para as mil e seiscentas fotos que cliquei no lado leste para onde eu fui aprender que o mundo não termina ali onde os meus olhos conseguem ver.
Parabéns a Arthenis que tão bem, como é seu hábito, me alinhavou ums posts por aqui.

Sanzalando

22 de outubro de 2016

praguejando




"Raispartófunje que se queimou e agarrou!!!!" Arthemis praguejando enquanto controla o jet lag e arruma as jet leggings na gaveta das meias.


Sanzalando

21 de outubro de 2016

faço mais como?



"Mermão, faço mais como para por as sanzala nas ordem?" Arthemis reflectindo enquanto usa os rolos no cabelo preparando a mise para receber o escritor.

Sanzalando

19 de outubro de 2016

SANZALA EM FESTA - preparativos






"Quem escreve livros assim não é analfabeto!!!!" Arthemis reflectindo enquanto varre para debaixo do tapete.


Sanzalando

18 de outubro de 2016

Sanzala em festa


A Sanzala está em festa, imaginem porquê... Arthemis reflectindo enquanto arruma a sanzala para receber escritor de Estórias Soltas| Palavras Vadias.



 Sanzalando

Destino & Time - Salvador Dali, Walt Disney and Pink Floyd

Sanzalando

17 de outubro de 2016

linea 110

Sanzalando

16 de outubro de 2016

Domingo

Sanzalando

15 de outubro de 2016

VENDEDOR DE FUMAÇA

Sanzalando

14 de outubro de 2016

FÁBULA DA CORRUPÇÃO

Sanzalando

13 de outubro de 2016

AMAR É DEIXAR LIVRE

Sanzalando

12 de outubro de 2016

A LUA

Sanzalando

9 de outubro de 2016

Tamara short film

Sanzalando

7 de outubro de 2016

caminho à sombra

Hoje me apetece seguir pela sombra porque o sol de outono ainda é forte por aqui..
Hoje o caminho é pela sombra. São tantas as vezes que eu tento dar luz a caminhos sombrios que hoje, porque é de tarde, me apetece caminhar na sombra. Eu sei que podia partir, sei que podia simplesmente ficar, porém, caminho, umas vezes sonhando com o deserto outras mar e outras floresta. Caminho, mas nem sempre o mais fácil é fugir da dor, da saudade ou da alegria. Caminho pela paz de espírito, pelo silêncio de mim e alegria do outros. Meu pai me dizia que os caminhos são desconhecidos até os percorrermos. É o que eu faço. Caminho por caminhos que levam por aí. O caminho não me importa.




Sanzalando

6 de outubro de 2016

olhar

Não foi um abraço nem um beijo. Foi mesmo e só o teu olhar. Não foi o eu fechar os olhos e sonhar, foi mesmo  a carícia do teu olhar. Foi mais ou menos assim num parar do tempo e só existíssemos nós os dois.
É mais como olhar-te e ver que os teus olhos continuam a dialogar comigo. O teu olhar sorri-me. 
Os teus olhos fazem-me não ter medo porque sei que o teu olhar levam os meus e não é em vão



Sanzalando

5 de outubro de 2016

sorriso

Felizmente o meu sorriso tem o teu a acompanhar. Um sorriso vadio tem valor mas um acompanhado nem te conto. Um sorriso pode abraçar alguém sem que alguém sinta o toque do corpo e braços. Uma pessoa é feliz quando o corpo sorri.
Com e sem palavras sorrio mesmo que às vezes o meu sorriso transporte alguma tristeza. É mais fácil carregar esse peso com um sorriso. 
Dá-me um sorriso. Obrigado!



Sanzalando

4 de outubro de 2016

reflexão

Olhando para mim e verifico que tento mudar por dentro para que o fora seja um reflexo. Eu tento que o que me vêem seja o reflexo de mim, fotografia simétrica da minha intimidade, sorriso estampado na alma, pureza clara de pensamento positivo. Enfim, que o meu silêncio exterior não seja sinal da minha inexistência ou alheamento, que a minha procura de correspondência seja sinal de complementaridade.
Afinal de contas trata-se apenas de uma simples conta de aritmética: quantos sonhos já me tirou a vida ou quanta vida já fora tirada pelos sonhos. Nem quero saber, pois tento viver a vida com os meus sonhos, com a riqueza de pensar e sonhar a vida tal qual ela me faça feliz.
Eu sou apenas o reflexo do meu ser.


Sanzalando

2 de outubro de 2016

Capuchinho Vermelho

Estando eu a ler a estória do Capuchinho Vermelho dou comigo a pensar que o Lobo Mau é sempre o mau da estória. Se a estória fosse contada pelo Lobo será que era assim na mesma? Caramba. Já não consigo responder às minhas perguntas.
Afinal de conta eu sou um amante de silêncios, de palavras caladas e sorrisos sinceros e não carrego ódios, aquela coisa que faz a boca ser mais rápida que o pensamento.
Vou continuar a ler a estória do Capuchinho Vermelho contada por ela mesmo e esperar que haja o contraditório.

Sanzalando

30 de setembro de 2016

palavras de vocação


Me sento à beira mar, ouço a música do mar e adentrando-me em mim, com voz de silêncio procuro um caminho a seguir. 
Olhando as plantas, lembrando-me da clorofila imagino-me pelo caminho da agricultura e florestas, por laboratórios de bicos de buzen e pipetas, conta gotas e outros tubinhos e decido-me que por aí não vou.
Imagino-me a contar números, somar e subtraí-los, multiplicar e ainda encontrar uma raiz quadrada, um que seja primo e digo-me que matemática não vai ser o meu lugar.
Olhei para um texto de Satre, não a Náusea, mas um outro com apontamentos de Simone de Beauvoir, em que me diz que o opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos, para dizer-me que pela retórica política não me apanham.
Então vou contar vísceras, descrevê-las e situá-las, saber que vinte e cinco por centro dos nossos ossos estão nos pés, e pensarei num futuro, que em Medicina não vou ver-me.
Enfim, sentado à beira mar procurei uma quantas mais profissões e decidi que ainda era cedo para decidir.
O tempo passou. Matemáticamente certo. Biológicamente polido e médicamente irrepreensível.
Vesti-me com os raios de sol que ainda teimam em sorrir-me e esperei sentado uma decisão superior. 
À beira mar encontrei uma estrada de alegria e a vida seguiu Biológica, Matemática e Medicamente assistida, sabendo que o medo matou muitas vocações.


Sanzalando

29 de setembro de 2016

amor sem palavras

Se tudo fosse fácil todos o teríamos. O Amor não é fácil, a dor não é fácil, as palavras não são fáceis e as lágrimas custam tanto.
Falemos de Amor. O Amor de verdade, o que tem de tudo mas não é fácil. É maduro, sereno, não é um sobe e desce que provoca vómitos, uma ondulação de sentimentos, uma conturbação de comportamentos, uma perseguição de pensamentos. O Amor de verdade é uma chegada, um dia e noite constante, é um carinho, é uma devoção, um sentimento realizado ou a caminho da sua realização.
O Amor de verdade é vocação. Lindo e porém não fugaz como um pôr-de-sol de meia estação.
O Amor de verdade não tem palavras. Sente-se.

Sanzalando

28 de setembro de 2016

silêncio em palavras

Sabe-me a silêncio. Não ao que dói, não ao que ensurdece, não ao que provoca lágrimas. Portanto não ao teu silêncio. Mas ao silêncio da alma, ao silêncio da meditação, ao do conhecimento. Ao meu silêncio provocado e caladamente sentido, ao que encontro na paz de mim. Às vezes é preciso estar calado para proteger o tesouro, cofre aberto não é seguro. Sabe-me bem este silêncio mesmo que às vezes me pareça que ele fala muito comigo. 
Às vezes faço tanto barulho que não consigo ouvir o meu silêncio. Hoje ouço-o bem e bem me sabe.



Sanzalando

27 de setembro de 2016

auto-biografado em meia dúzia de palavras

Trazia o peito carregado de febre. Os pulmões arfavam num sufoco de que jamais seriam suficientes para durarem uma vida, pensava eu. Tudo parecia não ia dar certo e tudo se modificava a cada olhar vazio. A certeza viscosa da dúvida impedia-me de raciocinar. Um prenuncio de sorte, de fé e quem sabe de esperança precisava que chovessem em mim. A metódica certeza duma dúvida continuada na monotonia do quotidiano preenchia-me o vazio da alma. E eu arfava numa falta de ar mental. Imaginei-me como um desenho desenhado numa qualquer escola primária. Desproporcionando. Sentia-me prisioneiro da ignorância com os olhos perdidos na distância. Se eu tivesse à mão de semear um conjunto de palavras eu diria que Grande Falta de Vontade. Mas estava assim, de olhos verdes, porque não amadurecidos, e pupilas contraídas porque todo eu era contracção, inerte como um dia parado, um relógio avariado, um pedaço de vidro abandonado, uma chama apagada dum fogo inexistente. Eu era a ausência de mim.
Depois, num cair de surpresa, num sorriso escondido num copo vazio de vinho tinto, numa dia que era noite dentro, a invisibilidade foi-se desfazendo, as palavras imodificáveis se foram construindo como se um palácio fossem, fui-me encadernado em ideias certas, em memórias recentes, vocações escondidas em medos antigos e o gosto violento se foi diluindo, a ausência tornou-se paradoxal, o corpo moldado num esculpir de ideias certas, a vontade fixada em ferro forjado, a dor descontrolada se sumindo em argolas de fumo e eu fui reaparecendo por entre sorrisos, dialéticas virtudes dum ser superior que se foi reconstruindo, vocação desimportante se erguendo qual mar manso dum poço de virtudes.
Eis-me auto-biografado em meia dúzia de palavras, saltado grades, muros e dunas entrando no zulmarinho da minha existência terrena, a real.


Sanzalando

26 de setembro de 2016

aparando a relva

Já tentei escrever com os pontos e virgulas nos seus sítios. Não gostei. Eu não sou de ponto final e parágrafo.Eu é mais reticências e reticente. Eu é mais de compreensão lenta e apreensão rápida. Já tentei rabiscar ruas, rotundas e becos sem saída. Deu sentido proibido.
Afinal de contas a minha sinalética é mesmo a de trânsito que isto da gramática tem coisas do arco e da velha. 
Se existisse gramática entre a sístole e a diástole eu estaria em assistolia. 
Sendo assim vou ali pastar as cabrinhas que a relva precisa ser aparada


Sanzalando

25 de setembro de 2016

um dia

Peguei num livro, aproveitei o sol, embalado numa brisa me sentei. Olhava as letras, lia as nuvens no céu e decorava as ondas. 
Sentado no silêncio do mundo, letra a letra fui lendo qie outros escreviam. Um dia eu vou ser capaz de ler sem parar, sem ter de olhar para onde estou e sem ter de soletrar a minha existência.
Um dia, vou ter vocação. Hoje fico-me a ler o livro, o mar e o céu.

Sanzalando

20 de setembro de 2016

reinício

Nem tudo na vida é claro. Nem nos livros. Nem nas simples palavras.

Pouco a pouco fui-me definindo. Não uso palavras imprenunciáveis, apenas frases imperfeitas de ideias feitas.
Vou tentar aprender

Sanzalando

16 de setembro de 2016

vagabundando palavras - parte final

Agarro nos meus pensamentos e lhes ordeno silêncio. Não o silêncio barulhento duma arrufo, mas o silêncio meditativo dum momento a sós comigo. 
Quero fazer das minhas palavras um argumento dos sentimentos experimentados ao longo da vida. Calmos e serenos, não sarrabulhados e assíncronos da minha realidade. 
Quero palavras que mostrem que a solidão quando existe é uma opção, um afecto e não uma comichão de sentimentos vazios.
Com as minhas mãos transpiradas seguro os meus pensamentos, alinho-os numa carreirinho e seguro-os com amor de quem os viveu.
Hora de terminar um vagabundear de palavras e reiniciar um presente novo de palavras com e sem rima.

Sanzalando

14 de setembro de 2016

constatação

Advirto que estar longe de ti me dá saudades. As palavras que utilizo, simples e inequívocas, mostram que apesar de vagabundo, me sinto seguro do que significam, solto de liberdade, leve de pureza e certo de certeza.
Se tiver que chorar choro, gargalhar gargalho, abraçar abraço. Sou um vagabundo de palavras que vive livre nas palavras que usa, nos gestos que faz.
Não me escondo por trás de segundos sentidos, de palavras ocas ou de gestos sem sentido.
Constato que é tão bom não estar longe de ti.


Sanzalando

12 de setembro de 2016

Foi um é giro

Eu sei que preciso de tempo. Sei que precisas de espaço.
Deste-me um relógio, devolvi-te um quadrado de mim.
Ruborizei com o embaraço de não te ter dado o meu jardim porque a flor mais bonita dele eras tu.
Foi então que desisti e tu de mim desististe. Insistimos porque ambos valíamos o esforço.
Deste-me espaço e devolvi-te tempo e no final acabámos juntinhos feitos um.
Tropeçámos ideias, descalçamos factos e desatamos nós da vida.
Foi um é giro. Apenasmente isso.


Sanzalando

7 de setembro de 2016

não vou procurar palavras

Hoje não me apetece procurar palavras.

Acho vou recitar um mantra enquanto dou passos atrás de passos em direcção a lado nenhum. Acho vou procurar pensamentos noutros ventos, noutras águas que ainda não passaram sobre a minha ponte, noutros lugares vazios de mim.
Acho vou admirar o sol poente num silêncio meditativo, contar com quantas cores de fogo se descreve esse momento e com quantos minutos se escreve anoiteceu.
Hoje não vou procurar palavras de mãos dadas, vírgulas e exclamações. Hoje vou só ficar no meu canto passeando ventos e pastando memórias.

Sanzalando

6 de setembro de 2016

Zulmarinho perfume

Faz conta eu uso perfume. Antes de eu chegar já tu sabes eu estou a caminho. Eu uso zulmarinho de perfume. Tu sabes eu estou a chegar de cabelo curto, barba feita, sorriso nos lábios. 
É, o mundo não acabou e por isso eu sorrio. 
Pensei ligar-te a dizer que ia chegar tarde.
O perfume de mar me denunciou. Eu estava perdido sem ti.
Demos um beijo e de mãos dadas fomos dar um mergulho no mar.
O mar lava tudo, incluindo a alma e as saudades de outro mar e outras marés que estão para lá da linha recta que é curva e lhe chamam de horizonte.

Sanzalando

30 de agosto de 2016

sem constrangimentos

Tropeço numa montanha de palavras que estão presas na minha memória, assim num novelo de teia de aranha misturado com pó, que tentam resistir à saída. 
Já sei é preguiça misturada com astenia e quem sabe alguma tristeza.
Estas palavras são de sonhos sonhados, desejos desejados e saudades sentidas. Mas a realidade que é mais real que a minha memória, faz com que elas se prendam num alheado de formas conturbadas que obstruem as possíveis saídas duma falta de tempo não medida.
Na verdade nem eu consigo ver os caminhos tortos que elas, as palavras, tomam quando saídas ao acaso duma realidade ficcionada.
Não vou julgar a minha estória, não vou pesar os meus sonhos, não vou quantificar os meus desejos nem vou abafar a minha tristeza, só porque as palavras teimam em não sair da memória e se deixam emaranhar nas teias de aranha, na amálgama de pó que as cimenta num quadriculado assimetrico de significados.
Tropeço numa montanha da palavras que te digo nos nossos silêncios, nas trocas de sorrisos marotos e na virtualidade da vida real.
Te gosto e essa palavra simples sai sem constrangimentos.


Sanzalando

6 de agosto de 2016

deliberadamente

Deliberadamente lento, caminho por atalhos da memória porque hoje resolvi rasgar alguns caminhos que me levaram ao rancor e aos silêncios da compaixão. Eu não sou assim e nunca mais o serei, deliberadamente decidido.
A brisa que sopra não me arrefece o incendiário pensamento que teima arder nos minutos livres que aflitivamente procuro ter para mim e me atrapalho em rasteiras linguísticas.
Faz calor de meio dia e eu pareço um desastre, queria estar a teu lado a sorrir e afinal estou por aqui a transpirar calores antigos, num fim de tarde calmo e sereno
Deliberadamente lento, acho me confundi nos caminhos das palavras que escolhi para me plagiar e decido ir a banhos numa peregrinação por lugares comuns


Sanzalando

3 de agosto de 2016

Me olha e confirma

Olha só para mim a caminhar num passo lento enquanto vejo o mar se ondular com carneirinhos lá longe. 
Vês o meu olhar preocupado? Desconsegues de todo. 
Eu estou só mesmo a olhar para o longe num voo planado de imaginação e despreocupação. O tempo é demasiado bom para o gastar não gostando. Gosto de o gastar com bom gosto nem que seja só mesmo a olhar e a cantar um mantra como que a me distrair.
Olha só para mim a não me olhar para o desgaste de cansar a pensar no mal que os outros possam pensar.
Me olha nos olhos e diz se não vês esse azul mar a me encher a alma de alegria e bem estar. Me olha nos olhos e me diz outra vez: vamos mergulhar que te faz bem!
Me olha nos olhos e me diz se não vez que eu não desisto mas insisto. Ser feliz tem destas coisas.


Sanzalando

27 de julho de 2016

Carlos Santana, eu e a pirataria

Servindo sorrisos caminho ao longo da praia ao som do Samba Pá ti do Carlos Santana. Os peixes saíram da água e fizeram público... As algas fizeram de peruca dos antigos cabeludos agora carecas gastos pelos ventos do tempo.
Eu sirvo sorrisos fossem eles bolas de Berlim borrifado de areia e imagino a guitarra chorando arrepios em delírios de solo dum virtuoso cujo reumático não chegou ao cérebro nem aos dedos ágeisdum concerto ao vivo que ouvi em directo por interposto telemóvel.
Irresistível e feliz. Adorei-me.


Sanzalando

24 de julho de 2016

É, deve ser, do sol

Neste momento de sol tórrido e calor que me faz suar as estopinhas só de respirar, dou comigo a fabricar pensamentos.
Em tempos idos, noutros quarteirões, noutros diálogos, alguém me disse que para esquecer algo de muito importante eu teria de o transformar em livro. Assim foi nascendo cada frase, cada parágrafo e muitos textos, se assim me permitirem ter a liberdade de os chamar. Mas mesmo assim não me livrei do que gostei, do que gosto e do sempre gostarei. Mesmo que eu escreva livros eu jamais esquecerei seja o que for.
Terrível época a minha em que ainda há vagas no inferno e uma preguiça enorme para defender as palavras que vou gastando com gosto. Umas vezes aparentemente tristes, outros antes pelo contrário, porem caminham, as palavras, para dentro de mim de forma a saírem textos que falo em voz calada para folhas brancas.
É, deve ser, do sol


Sanzalando

22 de julho de 2016

que sou e que fui no serei

Me olho no espelho e vejo que eu não sou mais que metade de recordações e outra metade de futuro e incertezas.
Leio nos livros que 70 % de mim é água. Nos 30 que sobram eu só 15% é que sei o que sou?
Os carros de rolamentos, as zangas da D. Maria, os comboios de brincar do Sr. Reis, pai do Beto Reis, as hortas do carriço, as caçadas do Tó Curibeca, as corridas de patins, a saída da missa, a discoteca, a Oásis, o Avenida, o Hotel Turismo, os cinemas, as matinés. Tantas coisas só para 15 %? 
Não, acho me vou desidratar para caber mais de mim neste aqui.
Não, acho melhor ficar assim e desidratar as memórias menos boas. Esvaziar de mim a memória do braço partido do Rui Miranda, o acidente na estrada do Lubango depois de uns disparates, as lâmpadas partidas a tiro de chumbo, as lágrimas da minha mãe, os chumbos no liceu, as respostas não conseguidas e com isso arranjar mais espaço para o hoje em dia de cada dia sorrindo.


Sanzalando

21 de julho de 2016

promessas

Olhá lá que me esqueci de soletrar palavras num divertimento que me entretém.

Acho eu, num tempo qualquer, eu me prometi sorrir sempre. Eu me prometi também nunca me arrepender de coisa alguma. Se não foi antes que o fiz, lhe faço agora com retrospectiva idade de criança.
Afinal me descomprometo dessa promessa.
Tantas vezes me arrependi de ter chorado, de ter esquecido de dar aquele abraço, de não ter devolvido aquele sorriso, ter interpretado mal umas palavras que pensei ter ouvido e de tantas outras coisas que nem com cábula me ia fazer lembrar tudo.
Prometo só que vou tentar ainda ser melhor, que não vou esquecer de sorrir, que as lágrimas serão de alegria muitas vezes e que tudo vai ser por mim verdade, nas promessas.
Afinal de contas amar é bonito, feio mesmo é não ligar.


Sanzalando

12 de julho de 2016

me olha e sorri

Me olha nos olhos e me sorri.

Sabes, basta ver o teu sorriso que já não é necessário haver estrelas no céu ou o sol sempre a brilhar.
É verdade que as estrelas e o sol me fazem sentir vivo. Esse teu sorriso faz, para além disso, sentir-me feliz.
Pode parecer estranho eu não falar nada, eu não me empolgar com nada, ficar assim apenasmente sorrindo, sorriso de orelha a orelha para ti, mas na verdade, eu gosto de parecer estranho e olhar para ti.
Ouves o mar? Sentes o sol? Sou eu num assim a modos que sorrindo.


Sanzalando

2 de julho de 2016

Saudade é uma opção

Eu gosto de matar saudades porém detesto quando são estas que me querem matar.

Corro quilómetros, invento caminhos, consigo voar, para acabar com uma saudade. Mas não gosto de estar parado a senti-la.
Afinal de conta que é que é saudade?
- Tudo o que a gente queria ter feito e fez, tudo o que a gente gostou e gosta, tudo o percorreu e ainda percorre.
Afinal porquê tanta saudade?
Saudade é uma opção. Eu opto por sentir do que gosto!


Sanzalando

26 de junho de 2016

palavras

Tem dias que perguntas porque não gasto as poucas palavras que sei. 
Nem eu sei. 
Desimaginei? Preguicei? Fériei?
A verdade é que nem eu sei. 
Desabituei? Gastei? Desajeitei?
Não sei. Acontece. Ela não me dita as palavras que os meus dedos escrevem. Apenasmente isto.
Faço planos. imagino virgulas e parágrafos e depois nem de metade me lembro. Dá preguiça mental repensar, viver a guerra pessoal sobre a teoria das palavras e depois detesto dizer que cheguei ao fim e no fim nada disse. 
E assim vou continuando a acumular palavras para mais tarde usar.


Sanzalando

17 de junho de 2016

na praia de adulto

Olha para mim de cabelos ao vento a passear na praia. Não é a praia da minha imaginação, é mesmo a praia da minha fase adulta, da fase em que já não incomodo ninguém com os jogos de bola à beira amar, jogar ao aro afastando meio mundo e acertando no outro meio, de dar os mergulhos empranchados e molhar as meninas que se arrepiam com a água ainda não quente do verão. É mesmo da praia onde me sento ao teu lado a ver o mar espraiar-se na areia com a sua espuma branca como a lava dum mini vulcão da minha imaginação, onde calcorreio passos lentos numa conversa a dois sobre tudo e sobre tanta coisa que ainda podemos fazer.
Olha só para mim na praia mostrando amor em cada vírgula da nossa conversa, mostrando carícias em cada intervalo de silêncio.
Olha só para mim na praia rabiscando memórias para mais tarde recordar.


Sanzalando

14 de junho de 2016

Vou, fui ou irei

Vou só por aí num mundo assim que gira num sem rumo e dou comigo a dizer que a felicidade é meio caminho para ela própria. Com lágrimas eu escrevi poemas lindos de amor e dor, rimas superiores de tristeza e pobreza, mas na verdade construí a minha vida com sorrisos e gargalhadas.
Eu fui por aí, caminhos escondidos de medos, fechando portas e janelas, escondendo-me da sabedoria, da luz e do conhecimento, quando reparei que construí a minha felicidade na transparência e na clareza.
Eu irei por aí, percorrendo oceanos, desertos e florestas, seguirei o meu rumo porque ele se constrói em cada passo que vou dar.
Eu vou mesmo por onde me der já que a vida é demasiado curta para me esconder dela

Sanzalando

11 de junho de 2016

mundos

Seguindo trilhos imaginários, dou comigo a pensar que se vivemos neste mundo, como pode meio mundo ver o mundo diferente? Será que eu pertenço ao mundo correcto? Será que o outro é errado? Afinal de contas eu já falei para paredes, já dancei sem música, já cantei sem letra, já calei palavras, já me escondi de mim vezes sem conta e posso eu achar o mundo certo?
Eu devo estar no mundo errado que vejo. 

Sanzalando

9 de junho de 2016

olha para mim

Olha só para mim a ver o mar. Olha só para mim a ver o mundo com serena sinceridade. Olha para mim a ter um momento difícil.
Onde é que vai a sinceridade. Começa mesmo onde? Ah! começa dentro. Antes de poder olhar o mar eu me olhei, na minha alma, numa viagem dentro de mim.
Olha para mim a ver o mar, sinceramente é belo este mar que existe dentro de mim.


Sanzalando

8 de junho de 2016

Nostalgia feliz

Trocando por miúdos, tenho uma preguiça maior que o Everest.

Por mais mais miúdos ainda, eu por tudo e por nada seria capaz de escalar o Everest, percorrer o deserto a correr em dia de sol, nadar oceano dentro até chegar a outro ou sair saltando à corda feito criança de calções vestido.
Era no tempo em que eu sofria de nostalgia.
Não esta nostalgia, este sentimento nobre que me leva a ser feliz pelo tempo que eu recordo que vivi. Nostalgia mais não é que a capacidade de ser feliz olhando atrás, sem rancores e sem medos, sem tristezas nem lágrimas, mas contabilizando de futuro.
Na outra nostalgia, em que eu desesperadamente infeliz, recortada e cicatrizada de sofrimento a memória debitava lágrimas não abrindo mão da minha incapacidade de ser feliz.
Mas felizmente nunca escalei o Everest, nunca atravessei a correr o deserto nem nadei sem parar.
Apenas tenho uma preguiça tão grande que nem me apetece procurar num dicionário palavras para descrever esta nostalgia de estar feliz.


Sanzalando

1 de junho de 2016

Criança

Me acordei assim de um sono que foi mesmo de dormir profundamente e ouvi no rádio que era dia da criança. 
Foi aí que me lembrei de ser outra vez criança e de ver a D. Fernanda Corado, a D. Madalena, D. Maria e sua filha D. Idalina, a D. Lúcia Fonseca, a D. Lucília Rocha a se cruzarem na minha rua que embora fosse a subir dava para jogar à bola. Metade era a subir e a outra metade era a descer mas quem ia importar mais com isso? Era a Rua dos Pescadores e era assim num dá para mudar. Além do dono da bola e eu éramos aí uns mais de sete a jogar, que não vou-lhes nomear porque pode faltar alguém e não me apetece levar porrada porque não lhe pus a jogar. 
O muro do quintalão era protecção porque não tinha vidros para partir. 
Era no tempo de ser criança. Mas afinal não era dia de lembrar ser criança. Era dia da Criança, que para mim é todos os dias não fosse eu sempre a criança do meu passado. É que é mais ou menos a mesma coisa de que quando a gente é criança e não o quer ser porque quer ser adulto. É como a música que a gente não gosta, mas lhe ouve tantas vezes que quando a gente acorda ela está lá na cabeça a cantar.


Sanzalando

Sanzalacine

Sanzalando

24 de maio de 2016

circulo viciado

Aqui vou eu caminhado por silêncios, maresias, silvados ventosos, a magicar que se por acaso algum dia me perder, que o seja contigo.
Não sei ver as estrelas, não sei pegar no sestante e nem sei se sei marcar caminhos com pedrinhas para poder facilmente regressar.
Não faço ideia se sei esconder uma dor de cabeça, uma dor de estômago ou um nervoso miudinho caso me perca sem ser por ti.
Não faço ideia o número de musicas que ouvi e me levaram para ti mesmo quando estavas ainda e apenas no meu imaginário.
Não faço ideia porquê, mas noto que o dia está terminado. Amanhã a gente se abraça outra vez e recomeça tudo como se fosse a primeira vez, sem nos perdermos em medos de silêncio, de perfume a mar ou empurrados pelo vento


Sanzalando

21 de maio de 2016

Não digo, faço

Perdi palavras porque não as guardei em lugar seguro. Atirei-as para um canto sem saber no quando as iria precisar. Hoje era um dia desses. 
Preciso de palavras para dizer que o amor não é nenhum abismo onde a gente se atira e depois deseja que o fim não chegue, onde a gente se emaranha e depois não quer se soltar, onde a gente quer ficar porque não tem motivos para partir, onde a gente se queima mas não quer largar. E não encontro as palavras próprias para dizer estas coisa linda que é o amor.
Perdidas as palavras sobram as acções.
Assim sendo em vez de dizer isto tudo eu vou é fazer.


Sanzalando

19 de maio de 2016

é assim

Sabes que tem dias eu olho-te devagar para te ver mais.
É assim, eu me sinto mais seguro no abraço do teu olhar, na esteira do teu sorriso na amarra do teu olhar.
É assim, corro todos os riscos, afogo os meus medos, arrisco-me para te fazer feliz sendo.
É assim, sou um mal humorado que sorri num vagabundear de palavras com o jeito meio torto de parecer direito


Sanzalando

17 de maio de 2016

na forma

Olha-me só a caminhar por ai, dispersando sorrisos, olás e outras formas de ser simpático não forçado. 
Na verdade faço-o pensando em ti, numa forma não passível de evitar. Meus pensamentos são teus, todo teus, assim como os meus olhos estão virados para ti.
O meu coração é teu, a minha vida é tua.
Mas tudo é infinitamente meu.
Eu diria que não tenho boas estórias. Amores desgraçados dão-as bem.
Olha, vou distribuir sorrisos, olás e outras iguarias de forma na ser feliz.


Sanzalando

12 de maio de 2016

recordações

Olha só eu sentado na esplanada parece é verão todos os dias dum ano. Mas me esqueci que quando a gente cresce não pode ser mais assim. Se acabou a inocência, se apagou o brilho inocente dos olhos, se modifica o riso permanente da cara. E as cicatrizes que vão aparecendo quer no coração quer na alma? E a gente cresce e descobre que não é mais aquele menino traquina que dava cabelos brancos na mãe. E a Oásis ou o Avenida não têm mais a mesma esplanada. A Flórida não é mais a selecta casa de bolos do lado de lá da Chela. A gente descobre que os sustos acontecem e podem fazer confusão nas tolas desprevenidas e apunhalar os ouvidos com gritos estridentes que fazem acelerar os corações. 
Olha só eu sentado na esplanada parece sou homenzinho de calções e sandálias de pneu, a beber o meu café e comer o meu pastel de nata. 
Olha só para mim e dá cá o que é meu. As recordações!


Sanzalando

7 de maio de 2016

palavras que não quero

Seguro as palavras ao ritmo da chuva que cai. Eu não quero que elas se afoguem. Eu não quero que andem à deriva.
Seguro as palavras em silêncio enquanto agarro uma lágrima com medo que outras saiam a seguir.
Seguro-me às palavras que não disse porque não quero parecer um desistente que não desiste.
Assim, pela minha janela, em silêncio, vou olhando-te com ternura tentado que as palavras não gastem o tempo.
Ao ritmo da chuva, que cai veloz porém miúda, agarrado às palavras, vou-te dizendo em surdina que te gosto, com medo de acordar o tempo.

Sanzalando

6 de maio de 2016

Vamos segurar o mundo

Pediste palavras. Uma centena disse eu, ou pouco menos. Nada mais deixaste perguntar e eu não insisti. Vou tentar cumprir. 
Posso usar, melhor, tentar usar as palavras para segurar o mundo. Também o meu, que às vezes parece rodar ao contrário. Teste. Por à prova, dizes-me tu. Hesito. Quem não o faz?
Sabes que às vezes não entendo os objectivos do mundo e de quem o arquitecta. Faço um esforço. Procuro palavras simples, regras de pontuação e por vezes saem pesadelos, quando eu precisava dormir descansado.
Posso usar as palavras para tentar endireitar o teu mundo. Mas quem passaria no teste. Eu ou tu? Dilema!
Quero segurar o mundo, com palavras mas fundamentalmente com muito amor. Vamos?!
Depois das tempestades de inverno as rosas voltam a florir. Anda!


Sanzalando

3 de maio de 2016

Para chegar aqui

Para chegar aqui não caminhei em linha recta. 
Tantas curvas dei, tantas vezes parei para descansar, umas quantas pensei em desistir, porem, circularmente ou mais a direito, aqui cheguei.
Soletrei palavras doces, gaguejei impropérios, mas aqui cheguei.
Pisquei olhos, mantive-os abertos e outras cerrei-os como se me escondesse do mundo. Mas cheguei aqui.
Pedi-te a mão e suavemente me seguraste. Deste-me o ombro e a caricia que necessitava. Cheguei aqui.
Tantas voltas depois, num caminho de rectidão, sem atropelos nem saltos, eis-me aqui.
Sorriste-me. Estamos aqui.


Sanzalando

27 de abril de 2016

Afinal de contas para que quero eu as palavras?

Rabisco com letra ilegivel umas quantas palavras. Olho-as, uma, duas, três, mais de não sei quantas vezes. As palavras não são minhas. Tenho eu direito de usá-las, abusadamente algumas vezes? Não me detenho a ter resposta. Soletro. Vejo mar. Vejo terra. Vejo céu. Cheiro maresia. Sinto brisa. Sabe-me a sal. Fico por aqui a olhá-las. Soletradamente a vê-las. As palavras não são minhas, mas uso-as como se fossem. Peço desculpa ao dono das palavras. Mas quero usá-las para proveito próprio. Soletradamente ou de ilegivelmente parece gaguejo. As palavras que não usar não se vão gastar? Afinal de contas para que quero eu as palavras? Se elas fossem estrelas... eu faria desenhos a que chamaria constelações. Se elas fossem corpos, eu desenhava o teu assim num traço suave de quem rabisca uma folha de papel para ganhar tempo. Mas elas são palavras assim que eu decorei vá-se lá saber porquê.


Sanzalando

20 de abril de 2016

Imaginando-me

E há quem se esmoreça e faleça após uma queda. Há quem renasça. Afinal de contas o que mais é a escuridão senão o lado negativo da ausência de luz. Frases simples. Conceitos complexos. Aqui e ali vou meditando numa levitação de palavras que me levam a porto seguro. Aqui e por um qualquer ali vou-me perdendo em labirintos de coisas por fazer, caminhos por percorer, abraços por dar e palavras esquecidas em silêncios envergonhados. 
Aqui e ali vou imaginando-me.


Sanzalando

19 de abril de 2016

Soletradamente

As palavras se soletram num silvo de brisa que sopra desde o outro lado do mar. Ouço-as em silêncio enquanto vejo o crescer das árvores.

Sanzalando

14 de abril de 2016

a vida por acaso

Aproveito a brisa que sopra e me desloco tal qual barco à vela. Afinal de contas o que mais é a vida que o aproveitamento destes momentos de descontracção? O resto é complicação, momentos que temos que passar, e pouco mais. Bem vistas as coisas a vida mais não é que falta de por acaso. Nada é por acaso. Assim, devemos fazer a vida de somatório de momentos. Destes, o de descontracção é a escolha.
A vida é perfeita, naquilo que tem que ser, por acaso.

Sanzalando

12 de abril de 2016

Perco as minhas palavras num beijo

Perco as minhas palavras numa distracção de outros afazeres. Quem me dera ser assim, carregado de palavras que não fogem de mim, que neurónios não as absorvam como se esponja fossem, vapores de água duma febre que não tenho, discurso calado por preguiça de mexer a boca, máscara de metáforas que se colam no céu da boca e dão nó na garganta. Tivesse eu estas todas palavras e não estaria agora aqui nu de silÊncio.
Perco as minhas palavras noutros caminhos ou caminhadas que me fazem sorrir, outros campos outros lugares que apenas num gesto me aconchego. 
Perco as minhas palavras num beijo


Sanzalando

9 de abril de 2016

autoretrato perdoativo

Num andar por aqui e por ali sinto que tem gente que me vai perdendo, que me deixa ir no esquecimento do tempo e aí eu começo a ver que a importância que eu pensava tinha ela não era mais que uma ilusão.
Num andar por aqui e por aí, perdido em palavras e muito trabalho sinto que tem gente que vou perdendo, que me esqueço de dizer nem que seja um alô como estás, que não lhes mostro o meu sorriso porque me perdi em pensamentos interiores, e aí eu começo a ver que a importância que eu pensava tinha lhe estou a apagar suavemente.
Num andar por aí ou por aqui me vou entregando a coisas novas e parece o tempo é curto e até os inimigos parece começam a gostar da gente que a gente até que sente necessidade de arranjar outros para estimular .
Num parece que faz muito tempo deixei de ter aquela voz doce de quem fala na rádio, aquele sorriso encantador e quem sabe o brilho nos olhos de quem chora calado.
Num andar por aí, mundos percorridos nos sonhos duma qualquer geografia, me deixo levar como a criança que nunca deixei de ser.



Sanzalando

8 de abril de 2016

Música e Kandinsky

Aqui neste vídeo, fica evidente a importância do exercício da tolerância, cotidianamente!

Publicado por Pazes em Domingo, 3 de Abril de 2016
Sanzalando

6 de abril de 2016

acho eu, sei lá

Sigo lentamente pela longa praia como que a não querer acordar. Os nossos passos na areia são facilmente abafados pelo marulhar. Acho enlouquecia se não conseguisse ouvir esse mar a se estender na longa praia da minha imaginação. Acho enlouquecia se eu achasse que caminhava nela sem te ter ao meu lado, pelo menos no pensamento. Acho enlouquecia se a areia passasse a ser silenciosa debaixo dos meus pés.
Acho enlouqueci por não saber as palavras para fotografar este meu abraço no teu sorriso. Acho existem horas que o aperto do coração me enlouquece se eu não souber ver-te para além das linhas do céu azul.
Acho eu, que perdi alguma coisa através desse vento que teima em despentear-me os pensamentos.
Sigo lentamente pela praia como quem não quer acordar. Sei lá para onde vou neste passo lento de cada palavra simples.
Acho eu, sei lá!


Sanzalando

5 de abril de 2016

Tolerância

Aqui neste vídeo, fica evidente a importância do exercício da tolerância, cotidianamente!

Publicado por Pazes em Domingo, 3 de Abril de 2016
Sanzalando

3 de abril de 2016

eu não gosto e pouco mais

Eu não gosto de picos, salpicos e outras coisas mais. Eu não gosto de problemas cardíacos, hepáticos e outras coisas mais. Eu não gosto da saudade e nem da vaidade. Eu não gosto de pensar pequeno e às vezes esqueço-me de pequenas coisas. A mania de pensar grande é que posso perder a oportunidade de ver as pequenas coisas, algumas maravilhosas. Afinal de contas eu não perdi o dom de sentir, de gostar, de apreciar e de escolher.
Eu não gosto e por eu não gostar não quer dizer que não existam. Mas, por favor, deixem-me ser livre de não gostar do que não gosto, de sentir o que sinto e de apreciar o que aprecio.

Sanzalando

22 de março de 2016

palavras em segredo

Descruzo palavras no vaguer de ideias com vontade de gritar aos quatros cantos deste redondo mundo  o que tenho de saudades tuas. Por vezes tenho medo de ser mal interpretado, encarado como fraco, vazio como ser único ou apenasmente um simplório com vontade de gritar.
Mas as palavras me fintam e o som rouco levado pelo vento destas praias desertas se perde em longos silêncios. Calado falo melhor com os olhos, aqueles olhos que tu olhas e vês que te sorriem, que te brilham e que te afagam num doce olhar.
E as palavras, num vocabulário minimalista, te segredam o quanto tenho saudades tuas mesmo quando acabo de te beijar.

Sanzalando

17 de março de 2016

Dei comigo

Dei comigo a caminhar ao deus dará num qualquer lado de cá. Ouvia o marulhar e me perguntava se tu eras capaz de ali na praia te deitares comigo e esquecer o mundo? 
E enquanto a gente conversava, dizia piadas sem rir, enchia o diálogo de lugares comuns, deixava escapar um segredo ou outro, dava as mãos e sussurrava um amor eterno?
E enquanto se falava de amor sentiamos o mundo girar sabendo que ninguém é de ferro e a ferrugem pode atacar?
E enquanto tudo isso o tempo se gastava sem risos de plásticos nem palavras de mentira.
Dei comigo a caminhar num por aí, ao deus dará.

Sanzalando

10 de março de 2016

Digo eu

Sigo no carreiro das palavras, silêncio dos pensamentos, ouvindo o mar como música de fundo. Não é o meu mar mas é a maresia deste mar que me liga ao mar de lá. É o silÊncio que me leva aos sons de lá. É a palavra que lá que me dá a força de cá.
Cruzo-me com alguém que me diz:
- Você faz-me pensar...
Sorri, como sempre sorrio quando as palavras não saem, brilhei os olhos como que espantado.
Desentendi.
- Escreve cada coisa...
Mais surpresa para os meus ombros.
Carrego palavras que digo a ti pelos cantos dum livro de poesia. Silêncios respiratórios que me fazem, como direi, pausas pensativas.
É verdade. A felicidade não se compra. Vive-se! Digo eu.


Sanzalando

3 de março de 2016

silêncio personificado

Eramos dois ou três a passear na areia das muitas cores, ouvindo o mar e deixando o pensamento pairar por sobre a maresia que nos chegava ao nariz.
Mais não eramos naquele extenso areal a saborear o silêncio de palavras. Dava para ver que até o pensamento das duas ou três pessoas estava em silêncio.
Um risco no céu azul denunciava a passagem dalgumas outras pessoas sobre nós lá nos dez mil metros de altura, pelo que cá em baixo era o silêncio deles também.
Éramos o silêncio personificado a ouvir o mar.


Sanzalando

1 de março de 2016

procuro palavras

Tento procurar nas palavras aquilo que sou. Momentos há que me sinto tão ruim que até parece sou brilhantemente maravilhoso, momentos tenho de loucura que não me lembro da lucidez da filosofia, momento vivos tenho que me acho cedo de mais para ser velho e sábio tarde de mais.
Procuro nas palavras o mistério de não me conhecer nem ter coragem de me ler.
Procuro nas palavras a alegria de não morrer de tristeza.
Procuro os parágrafos escondidos que não consegui escrever por medo ou vergonha.
Procuro-me nas palavras que te escrevo onde me sinto maravilhosamente feliz por estar vivo a procurá-las

Sanzalando

26 de fevereiro de 2016

tanta palavra

Nesta troca de palavras entre o mim e o eu muitas coisas vão acontecendo. O relógio da vida não pára, o noite e dia segue sem lamentos ou choradeiras, a lua mantém as suas fases e se apresenta com cada face no seu quarto. As palavras são ditas ou caladas, gritadas, sentidas ou atiradas. São silêncios interrompidos num diálogo sem estória, com muita ou pouca importância. São palavras que podem ser aprendizagens, muros, barreiras ou suportes.
As palavras são letras seguidas com sentido.
Tantas palavras eu tenho plantado no meu jardim interior. 
Tantas palavras eu tenho soletrado no teu nosso ouvido.
Tantas palavras me fazem ser conhecido pelos silêncios.
Tantas palavras para dizer que te gosto.


Sanzalando

24 de fevereiro de 2016

são tuas as minhas palavras

Vou por um aí degustando palavras como quem saboreia o vento num dia de calor. Com elas percorro desertos, desenho silêncios e rabisco coisas de pensar. Vou por ai pregando, com elas, aos quatros cantos dum quadrado as sabedorias que acumulei, as crenças que acreditei e as fés que tive. 
Soubesse eu mais palavras das que já gastei, em pilha de folhas que rasurei com um lápis mal afiado, e hoje eu era um palavreado de estilo e não um estilo sem palavras.
Vou por aí, ao teu lado a lado nenhum, com a minhas palavras que me dizes serem ditas por ti, braço dado, cantando e sorrindo, as palavras que soletrei para uma sebenta de capa vermelha que um dia te darei.
Sorriste. Sorri. Afinal de contas as minhas palavras são tuas, sempre!

Sanzalando

14 de fevereiro de 2016

Amigos e Palavras

Há palavras que partem ao vento num ar que se lhes deu. Há palavras que ficam como se de cimento fossem. Há palavras sem significado e há outras que nem precisam ser ditas para significarem tudo. Eu sei que todas são palavras que não são caladas. Algumas são apensas pensadas e nestas estão muitas que arrependidamente sentem-se culpadas de silêncio.
O que me deu para gostar de palavras. Talvez mesmo só porque gosto de as dizer. Gosto de ti. Me respondes Muito. Diálogo perfeito num dia de imperfeições.
Amigos e palavras.
Amor de palavras sérias.
Palavras hoje.


Sanzalando

12 de fevereiro de 2016

palavras minhas, não

Faz conta esqueci tinha um blog onde costumava gostar de escrever palavras. Onde um dia eu me dissera que ia aprender a escrever para contar estórias dum antigamente assim presente com futuro. Onde eu me escorregava de pantanas sem corar com vergonha de babosear nexos feitos de nada. Onde eu construia os meus castelos, voava de nuvem em nuvem ou me debruçava sobre coisa alguma. Tás a ver um sítio assim onde eu me escondia às claras? Pois faz de conta me esqueci que tinha e me baldei às tuas escritas mentais ou telepáticas. Aos solilóquios e outros colóquios. 
Um sítio onde o passado não doía, o presente não assustava e onde o futuro não metia medo. Era um cantinho de mim que ali inventei num tal de ano 2003, ali ao virar da esquina ou qualquer coisa de semelhante.
Mas na verdade não esqueci. Não tenho arquivo nem sei tantas coisas para diariamente ali me espelhar transparentizado ao mundo que não sabe eu existo. Faz-me bem às vezes não me apetecer dizer palavras escritas e apenasmente falá-las.
As que te digo ao ouvido são nossas, as que aqui transcrevo numa poema prosado são tuas e as outras são de quem as apanhar.
As palavras minhas não são.


Sanzalando

26 de janeiro de 2016

amor coragem

Caminhei em fila no sub continente indiano. Ruas poeirentas capazes de fazerem chorar olhos protegidos e secar gargantas aguadas.
Mas pouco me fez parar na caminhada. Uma ou outra cólica, que me lembre. Uma ou outra dor muscular, de não estar fisicamente bem preparado para tal caminhada. De resto era a sede de ver mais e sentir mais ainda.
Mas deu para ver que o amor é forte. Amor que vem da alma mostra sempre coragem. A coragem nunca vem depois. Ou está ou não está. É como o amor. Amor coragem.
Aqui, neste lugar, onde Krishna vinha pastorear as suas sagradas vacas que nome tinham e a ele respondiam, senti esse amor.
Aqui me senti a tua alma, o teu sorriso e quem sabe a tua alegria de ser alegre.
Na minha verdade aqui soube que a minha capacidade de pensar distorce o pensamento para o lado que me dá mais jeito ou me é mais favorável, assim como sentir-se paixão é estar num labirinto que não sabe onde vamos sair.
Aqui, ao teu lado sorri como fazia tanto tempo não sabia como é que era. Aqui, junto ao lago que deu de beber e talvez se tenha banhado o menino Krishna, eu te dei a mão e seguimos rumo ao futuro. Aqui deixou de me tormentar a mente e me sorriu a alma.


Sanzalando

22 de janeiro de 2016

O primeiro encontro de Riley

Sanzalando

21 de janeiro de 2016

obrigado ao ser

Quando eu era pequeno bastava estar sol lá fora e tudo se resolvia. Com a idade as coisas passaram a ser diferentes. Não imagino se foi o pensamento que se complicou ou se foi o mundo só por ele que se tornou mais num complicómetro. Às vezes até o respirar parece uma complicação. Olhar, somente olhar é difícil. Sorrir? Tem vezes parece custa um peso do tamanho do sol.
Mas juntos fomos lá. Horas e horas de avião. Sobrevoamos meio mundo, exagerando um bocado porque o exagero sempre faz parte de quem conta alguma coisa. Vimos coisas. Vivemos coisas. Sentimos coisas. Tudo foi bonito. Vimos sorrisos onde menos esperávamos. Sentimos agradecimento onde nem imaginámos. Sentimos gente que com coisas simples são felizes.
Assim me lembrei que basta tu segurares a minha mão e eu sinto-me seguro. E foi assim que eu senti que os meus olhos também sabiam sorrir, quando vi os teus sorrirem-me. Foi assim que eu descobri que esta vida já tinha tanta frustração que não valia a pena eu procurar novas. Foi assim que descobrimos que podemos estar loucos, mas somos felizes.
Eu sei que procurei muito, mas quem o faz sempre o encontra. Obrigado a tu, por tudo e por nada também, que tem um coração feliz dentro de ti.

«Também chamada de mehendi, a henna é um arbusto que só nasce em regiões quentes e suas folhas, depois de secas e trituradas, servem como base da pasta que se usa para as tatuagens temporárias. 
- Por ser refrescante, a henna também é usada na Índia para aliviar o calor intenso. Basta mergulhar os pés e as maõs numa emulsão feita da planta. 
- Na Índia, a henna também é usada por homens e mulheres para tingir os cabelos. Já no Egito, a planta era usada no processo de mumificação. 
- Considerada auspiciosa, a tatuagem mais apreciada é formada por desenhos que fecham as mãos como luvas e os pés como meias rendadas

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007