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A Minha Sanzala: Maio 2016
recomeça o futuro sem esquecer o passado

24 de maio de 2016

circulo viciado

Aqui vou eu caminhado por silêncios, maresias, silvados ventosos, a magicar que se por acaso algum dia me perder, que o seja contigo.
Não sei ver as estrelas, não sei pegar no sestante e nem sei se sei marcar caminhos com pedrinhas para poder facilmente regressar.
Não faço ideia se sei esconder uma dor de cabeça, uma dor de estômago ou um nervoso miudinho caso me perca sem ser por ti.
Não faço ideia o número de musicas que ouvi e me levaram para ti mesmo quando estavas ainda e apenas no meu imaginário.
Não faço ideia porquê, mas noto que o dia está terminado. Amanhã a gente se abraça outra vez e recomeça tudo como se fosse a primeira vez, sem nos perdermos em medos de silêncio, de perfume a mar ou empurrados pelo vento


Sanzalando

21 de maio de 2016

Não digo, faço

Perdi palavras porque não as guardei em lugar seguro. Atirei-as para um canto sem saber no quando as iria precisar. Hoje era um dia desses. 
Preciso de palavras para dizer que o amor não é nenhum abismo onde a gente se atira e depois deseja que o fim não chegue, onde a gente se emaranha e depois não quer se soltar, onde a gente quer ficar porque não tem motivos para partir, onde a gente se queima mas não quer largar. E não encontro as palavras próprias para dizer estas coisa linda que é o amor.
Perdidas as palavras sobram as acções.
Assim sendo em vez de dizer isto tudo eu vou é fazer.


Sanzalando

19 de maio de 2016

é assim

Sabes que tem dias eu olho-te devagar para te ver mais.
É assim, eu me sinto mais seguro no abraço do teu olhar, na esteira do teu sorriso na amarra do teu olhar.
É assim, corro todos os riscos, afogo os meus medos, arrisco-me para te fazer feliz sendo.
É assim, sou um mal humorado que sorri num vagabundear de palavras com o jeito meio torto de parecer direito


Sanzalando

17 de maio de 2016

na forma

Olha-me só a caminhar por ai, dispersando sorrisos, olás e outras formas de ser simpático não forçado. 
Na verdade faço-o pensando em ti, numa forma não passível de evitar. Meus pensamentos são teus, todo teus, assim como os meus olhos estão virados para ti.
O meu coração é teu, a minha vida é tua.
Mas tudo é infinitamente meu.
Eu diria que não tenho boas estórias. Amores desgraçados dão-as bem.
Olha, vou distribuir sorrisos, olás e outras iguarias de forma na ser feliz.


Sanzalando

12 de maio de 2016

recordações

Olha só eu sentado na esplanada parece é verão todos os dias dum ano. Mas me esqueci que quando a gente cresce não pode ser mais assim. Se acabou a inocência, se apagou o brilho inocente dos olhos, se modifica o riso permanente da cara. E as cicatrizes que vão aparecendo quer no coração quer na alma? E a gente cresce e descobre que não é mais aquele menino traquina que dava cabelos brancos na mãe. E a Oásis ou o Avenida não têm mais a mesma esplanada. A Flórida não é mais a selecta casa de bolos do lado de lá da Chela. A gente descobre que os sustos acontecem e podem fazer confusão nas tolas desprevenidas e apunhalar os ouvidos com gritos estridentes que fazem acelerar os corações. 
Olha só eu sentado na esplanada parece sou homenzinho de calções e sandálias de pneu, a beber o meu café e comer o meu pastel de nata. 
Olha só para mim e dá cá o que é meu. As recordações!


Sanzalando

7 de maio de 2016

palavras que não quero

Seguro as palavras ao ritmo da chuva que cai. Eu não quero que elas se afoguem. Eu não quero que andem à deriva.
Seguro as palavras em silêncio enquanto agarro uma lágrima com medo que outras saiam a seguir.
Seguro-me às palavras que não disse porque não quero parecer um desistente que não desiste.
Assim, pela minha janela, em silêncio, vou olhando-te com ternura tentado que as palavras não gastem o tempo.
Ao ritmo da chuva, que cai veloz porém miúda, agarrado às palavras, vou-te dizendo em surdina que te gosto, com medo de acordar o tempo.

Sanzalando

6 de maio de 2016

Vamos segurar o mundo

Pediste palavras. Uma centena disse eu, ou pouco menos. Nada mais deixaste perguntar e eu não insisti. Vou tentar cumprir. 
Posso usar, melhor, tentar usar as palavras para segurar o mundo. Também o meu, que às vezes parece rodar ao contrário. Teste. Por à prova, dizes-me tu. Hesito. Quem não o faz?
Sabes que às vezes não entendo os objectivos do mundo e de quem o arquitecta. Faço um esforço. Procuro palavras simples, regras de pontuação e por vezes saem pesadelos, quando eu precisava dormir descansado.
Posso usar as palavras para tentar endireitar o teu mundo. Mas quem passaria no teste. Eu ou tu? Dilema!
Quero segurar o mundo, com palavras mas fundamentalmente com muito amor. Vamos?!
Depois das tempestades de inverno as rosas voltam a florir. Anda!


Sanzalando

3 de maio de 2016

Para chegar aqui

Para chegar aqui não caminhei em linha recta. 
Tantas curvas dei, tantas vezes parei para descansar, umas quantas pensei em desistir, porem, circularmente ou mais a direito, aqui cheguei.
Soletrei palavras doces, gaguejei impropérios, mas aqui cheguei.
Pisquei olhos, mantive-os abertos e outras cerrei-os como se me escondesse do mundo. Mas cheguei aqui.
Pedi-te a mão e suavemente me seguraste. Deste-me o ombro e a caricia que necessitava. Cheguei aqui.
Tantas voltas depois, num caminho de rectidão, sem atropelos nem saltos, eis-me aqui.
Sorriste-me. Estamos aqui.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007