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A Minha Sanzala: Junho 2016
recomeça o futuro sem esquecer o passado

26 de junho de 2016

palavras

Tem dias que perguntas porque não gasto as poucas palavras que sei. 
Nem eu sei. 
Desimaginei? Preguicei? Fériei?
A verdade é que nem eu sei. 
Desabituei? Gastei? Desajeitei?
Não sei. Acontece. Ela não me dita as palavras que os meus dedos escrevem. Apenasmente isto.
Faço planos. imagino virgulas e parágrafos e depois nem de metade me lembro. Dá preguiça mental repensar, viver a guerra pessoal sobre a teoria das palavras e depois detesto dizer que cheguei ao fim e no fim nada disse. 
E assim vou continuando a acumular palavras para mais tarde usar.


Sanzalando

17 de junho de 2016

na praia de adulto

Olha para mim de cabelos ao vento a passear na praia. Não é a praia da minha imaginação, é mesmo a praia da minha fase adulta, da fase em que já não incomodo ninguém com os jogos de bola à beira amar, jogar ao aro afastando meio mundo e acertando no outro meio, de dar os mergulhos empranchados e molhar as meninas que se arrepiam com a água ainda não quente do verão. É mesmo da praia onde me sento ao teu lado a ver o mar espraiar-se na areia com a sua espuma branca como a lava dum mini vulcão da minha imaginação, onde calcorreio passos lentos numa conversa a dois sobre tudo e sobre tanta coisa que ainda podemos fazer.
Olha só para mim na praia mostrando amor em cada vírgula da nossa conversa, mostrando carícias em cada intervalo de silêncio.
Olha só para mim na praia rabiscando memórias para mais tarde recordar.


Sanzalando

14 de junho de 2016

Vou, fui ou irei

Vou só por aí num mundo assim que gira num sem rumo e dou comigo a dizer que a felicidade é meio caminho para ela própria. Com lágrimas eu escrevi poemas lindos de amor e dor, rimas superiores de tristeza e pobreza, mas na verdade construí a minha vida com sorrisos e gargalhadas.
Eu fui por aí, caminhos escondidos de medos, fechando portas e janelas, escondendo-me da sabedoria, da luz e do conhecimento, quando reparei que construí a minha felicidade na transparência e na clareza.
Eu irei por aí, percorrendo oceanos, desertos e florestas, seguirei o meu rumo porque ele se constrói em cada passo que vou dar.
Eu vou mesmo por onde me der já que a vida é demasiado curta para me esconder dela

Sanzalando

11 de junho de 2016

mundos

Seguindo trilhos imaginários, dou comigo a pensar que se vivemos neste mundo, como pode meio mundo ver o mundo diferente? Será que eu pertenço ao mundo correcto? Será que o outro é errado? Afinal de contas eu já falei para paredes, já dancei sem música, já cantei sem letra, já calei palavras, já me escondi de mim vezes sem conta e posso eu achar o mundo certo?
Eu devo estar no mundo errado que vejo. 

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9 de junho de 2016

olha para mim

Olha só para mim a ver o mar. Olha só para mim a ver o mundo com serena sinceridade. Olha para mim a ter um momento difícil.
Onde é que vai a sinceridade. Começa mesmo onde? Ah! começa dentro. Antes de poder olhar o mar eu me olhei, na minha alma, numa viagem dentro de mim.
Olha para mim a ver o mar, sinceramente é belo este mar que existe dentro de mim.


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8 de junho de 2016

Nostalgia feliz

Trocando por miúdos, tenho uma preguiça maior que o Everest.

Por mais mais miúdos ainda, eu por tudo e por nada seria capaz de escalar o Everest, percorrer o deserto a correr em dia de sol, nadar oceano dentro até chegar a outro ou sair saltando à corda feito criança de calções vestido.
Era no tempo em que eu sofria de nostalgia.
Não esta nostalgia, este sentimento nobre que me leva a ser feliz pelo tempo que eu recordo que vivi. Nostalgia mais não é que a capacidade de ser feliz olhando atrás, sem rancores e sem medos, sem tristezas nem lágrimas, mas contabilizando de futuro.
Na outra nostalgia, em que eu desesperadamente infeliz, recortada e cicatrizada de sofrimento a memória debitava lágrimas não abrindo mão da minha incapacidade de ser feliz.
Mas felizmente nunca escalei o Everest, nunca atravessei a correr o deserto nem nadei sem parar.
Apenas tenho uma preguiça tão grande que nem me apetece procurar num dicionário palavras para descrever esta nostalgia de estar feliz.


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1 de junho de 2016

Criança

Me acordei assim de um sono que foi mesmo de dormir profundamente e ouvi no rádio que era dia da criança. 
Foi aí que me lembrei de ser outra vez criança e de ver a D. Fernanda Corado, a D. Madalena, D. Maria e sua filha D. Idalina, a D. Lúcia Fonseca, a D. Lucília Rocha a se cruzarem na minha rua que embora fosse a subir dava para jogar à bola. Metade era a subir e a outra metade era a descer mas quem ia importar mais com isso? Era a Rua dos Pescadores e era assim num dá para mudar. Além do dono da bola e eu éramos aí uns mais de sete a jogar, que não vou-lhes nomear porque pode faltar alguém e não me apetece levar porrada porque não lhe pus a jogar. 
O muro do quintalão era protecção porque não tinha vidros para partir. 
Era no tempo de ser criança. Mas afinal não era dia de lembrar ser criança. Era dia da Criança, que para mim é todos os dias não fosse eu sempre a criança do meu passado. É que é mais ou menos a mesma coisa de que quando a gente é criança e não o quer ser porque quer ser adulto. É como a música que a gente não gosta, mas lhe ouve tantas vezes que quando a gente acorda ela está lá na cabeça a cantar.


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WebJCP | Abril 2007