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A Minha Sanzala: 2017
recomeça o futuro sem esquecer o passado

19 de setembro de 2017

outono geográfico

Na aula de geografia me tinham dito ainda era Verão. Outono é daqui a uma semana, mais coisa menos coisa. Mas nem já o tempo segue o tempo de escola.
Vais ver é porque estamos subjugados ao saco de plástico, ao dinheiro de plástico e à beleza de plástico implantada nas partes eróticas do corpo.
Acho vou segurar a respiração e cometer um suicídio ecológico, livrar-me de mim, triturador da humanidade serena e calma, organismo oco servido enlatado, embrulhado em conservantes e temperados com corantes de lugares exóticos como laboratórios.
è outono e eu estou melancólico e assim ficarei até que as folhas das árvores caiam e sejam substituídas por plásticos, que a conta chegue ao zero e seja substituídas por moedas e os implantes se esvaziem em reais desperdícios de gente humana


Sanzalando

18 de setembro de 2017

as minhas metades

Me deixo embalar na brisa outunal que teima em soprar. Visto um casaco de malha. Mais como um aconchego do que propriamente por frio. Parece-me que metade de mim grita e outra metade se mantém em silêncio. Este outono, como todos os outros outonos, me deixam melancólico. Mais ou menos como se metade de mim partisse com as aves e a outra metade ficasse com o meu passado.
Me deixo embalar neste sol de fingir, nem aquece nem arrefece, e fico com metade de mim a julgar que sou o que penso e a outra metade a dizer que sou o que pareço.
Me canso neste tempo de melancolia pensando que metade de mim é um abrigo e a outra metade é um deserto.
Mas a brisa me trás de volta num arrepio que me despenteia porque metade de mim é amor e a outra metade também deve ser.

Sanzalando

16 de setembro de 2017

assassinando saudades

O sol de verão já não era o quente sol de dias atrás. A areia da praia onde o zulmarinho termina já não tinha o brilho de semanas atrás. O zulmarinho continuava nuns tons verdes como era todo o tempo passado até nos dias de hoje, e se prolongava para lá da linha recta que é curva, começando na miragem duma praia cheia de gente e toldo azul. Hoje devia ter acordado cor de cacimbo lá no seu início, enquanto aqui no seu fim acordou desbrilhado de reflexos frouxos. 
Mas tu caminhas ao meu lado, sorriso largo por vezes matreiro que não da para adivinhar o que esconde. Só dá mesmo vontade de te fazer feliz para manter esse sorriso enigmático à minha vista.
Não sopra brisa transformada em vento nem me despenteia suavamente o cabelo ralado pelo tempo. O marulhar é suave como suave deve estar lá no vazio inicio dele.
Gargalhaste porque te lembraste de qualquer coisa. 
Já sei, te lembraste de Bauleth, do Rui Monteiro da Costa, do Matela, do Travassos ou do Leopoldo, os guardas redes que te lembras dos jogos da bola do velho campo junto da estação dos comboios. 
Não, não pode ser porque nesse tempo não eras nascida e não nasceste lá, onde o zulmarinho começa e me trás estes segredos.
Já sei, te lembraste da minha saudade de me levar aos lugares comuns onde um dia eu esfolei joelhos, parti a cabeça ou perdi o coração.


ps: me esqueci de meter o Bitacaia ali no meio. Logo ele parecia era de plástico

Sanzalando

12 de setembro de 2017

adeus Zé David

E hoje perdi um amigo. Daquelas perdas que a gente não pensa possa acontecer. Não espera que a vida faça essas surpresas.
Zé David, me fizeste rir tantas vezes quando me apetecia chorar, me deste força quando a fraqueza tomava o meu corpo e minha mente de assalto. Hoje me ligaram e disseram que havias partido. Assim de surpresa. Vendo bem, contigo nada era surpresa. Viva a vida, Zé David, é só o que te posso dizer neste momento de vazio.

Sanzalando

8 de setembro de 2017

meditação

Sento-me na beira da estrada e me deixo embrulhar em pensamentos. Vou meditando, trocando ideias por sonhos e vice versa, perdido por vezes e achado outras tantas. Me deixo ir de pensamento em pensamento como se viajasse dentro de mim, da minha estória, do meu passado real e imaginário, do meu futuro como se fosse presente. Vagueio-me vagabundando ao calhas. Tudo porque pensei que tinha chegado o tempo de pensar no meu bem, no meu bem estar, no meu estar presente de ser eu próprio, de dar primazia a mim mesmo. Presentear-me com a minha presença.
Faço uma escala entre sonhos, desejos, vidas, passados, presentes, quereres. Tento escalar. Prego a prego desorganizo-me. Ordem alfabética, não me satisfaz. Importância, não consigo dar mais e menos. 
Sorri. Para mim, entenda-se.
Não posso esquecer-me de me dar atenção, às vezes. Eu tenho de viver para mim também. Sem falsa modéstia. 
Se eu não for autor da minha felicidade, quem irá ser?


Sanzalando

5 de setembro de 2017

Re-introdução ao deus-dará

Carregando os sonhos que sempre sonhei, recordando os que vivamente vivi, suavizando os amargos sonhos que sofri, me deixo levar neste caminho que uns pensam é uma passagem, outros uma constante e outros uma mera ilusão óptica. Eu, não preocupado com definições, cá vou indo por ela, a vida, sorrindo, chorando, gargalhando ou simplesmente tentando ser feliz, sempre.
Cá vou correndo por tanto que há por trás dum te quero ou te gosto, cá sigo eu atrás dos meus sonhos, umas vezes com a positividade dum não, outras nem sei porque corro. Cá vou eu esquecendo os meus medos, agarrado aos sonhos, de modo que não me enfraqueça num qualquer desvario temporal, num qualquer tropeção de confiança ou numa armadilha imperceptível


Sanzalando

30 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão - último

Faz sol e sopra brisa. Não é mais aquele sol brilhante de cegar os olhos nem aquela brisa de sabor a mar. É mesmo assim só um adeus de sol e um frio feito aragem.
Olho na janela, vejo o céu limpo e espero amanhã o sol volte a ter brilho. 
Chega a noite. A brisa virou vento gelado. Olho na janela e conto meia dúzia de estrelas e me pergo na divagação de dizer que gosto da noite. Pelo silêncio dela. Pelo descanso que ela me trás, mesmo que amanhã não brilho o sol como brilhou no resto do mês.


Sanzalando

23 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 25

Sopra brisa, está aquela névoa sobre o mar. É verão de Agosto para desgosto de quem não gosta de verão. Eu prefiro o verão em Dezembro. Mas não escolhi. Mas isso é outra água, outra corrente, outra forma de estar e ser. 
Aproveito o calor para me afogar em pensamentos e perguntas. Pensamentos de pensar alto ou de imaginar calado. Pensamentos de agonia ou de corrector de erros cometidos ou a acometer. Perguntas cuja a resposta não imagino ou perguntas a partir de respostas já dadas.
Enfim. É verão e eu sorrio de alegria ou de desespero. Depende da hora e do lugar.


Sanzalando

21 de agosto de 2017

divagamente fotografo








Sanzalando

14 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 24

Faz sol e não sopra vento. Tem dias de verão são assim, que até dá ideia de não é verão. Tirava toda a gente da rua, tirava toda a pressa da gente que andava na rua, tirava a rua a toda a gente que anda depressa na rua sem pressa de chegar a lugar nenhum e mesmo assim era dia de verão. Mas é um verão diferente. Roubaram o mês de Agosto. De 31 de Julho passamos para o 1 de Setembro. Ninguém nota a falta do 15 de Agosto. Ninguém repara nos fins de semana ausentes do mês de Agosto. Não se notou a ausencia duma lua cheia e já ninguém se lembra da bola de berlim não comida numa areia de praia vazia.
Mas quem se esqueceu de pôr o mês de Agosto no calendário?
Acho mesmo é delírio de verão


Sanzalando

11 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 23

Aproveito que o vento se esqueceu do que é soprar e vou limpando poeiras do coração, da mente, da imaginação e da realidade ela mesma. Vagabundo-me pelo areal, danço ao som do marulhar como se numa festa estivesse. Divirto-me ao sabor salgado da maresia e sigo em frente numa semi-lua desta baía que segura o zulmarinho deste lado de cá. Sem poeiras o coração bate certo, cadenciado ao ritmo do teu olhar. Sem areias a mente flui de ideia em ideia ao encontro do teu desejo. Sem cotons a imaginação se amplia numa capacidade de dizer não ou na capacidade de mudar de ideias.
Aproveito o dia de verão sem vento e não vejo a vida passar: vivo-a.

Sanzalando

8 de agosto de 2017

divagações de um dia de verão 22

Faz sol. Faz calor. Curiosamente continua sem ventar. Mas de certo é ainda verão.

Perdi qualidades. Perdi faculdades. Melhor, não encontrei facilidades.
Não, não é aqui neste cantinho da falésia onde me sento e medito, onde acordado vivo sonhos de encantar, onde navego por mares ainda não domados. Aqui estou bem. Sereno. Feliz, mesmo de verdade.
Nos outros lados onde por vezes tenho de passar a minha nau. Por cantos onde tenho de deixar o meu pobre corpo repousar. Aí não tem sido fácil. Existe pressa. Existe pressão. Existe má criação. Exigência sem condição. Porque é verão e o verão acaba-se e antes que aconteça o seu fim há que não perder tempo em tempos que nos outros tempos não temos.
Bebe-se, não vá a bebida acabar como acaba o verão.
Esforça-se o corpo não vá este não aguentar o verão.
Mas o pior, é quando eu tento arranjar um lugar para comer e o verão levou todos os lugares para valas comuns de gente apressada que conversa teclando e olha nos olhos da câmara que os olhos da frente estão mais que vistos.
É verão e eu ando por aqui, às vezes escondido na minha falésia a olhar o zulmarinho de ontem com olhos de amanhã.

Sanzalando

7 de agosto de 2017

divagações dum dia de verão 21

Faz sol e o vento não acordou. Quase ia pensar não era verão, mas com este calor é mesmo mais o quê? Vou aproveitar não necessito estar escondido da garroa para dizer coisas que às vezes falo com o silêncio, que deixo transparecer com o olhar ou simplesmente com o mau feitio. Horas e momentos, disposições.
Na verdade eu tenho de aprender a deixar-me ir, deixar sair o passado e estar no presente que amanhã logo se vê. 
Mergulho no mar, me ligo através do zulmarinho às minhas raízes mas, com um sorriso tenho de olhar em frente e esperar que amanhã não esteja assim pregado à História.
Não sopra vento mas ainda é verão.
Não me escondo. Admiro o ondular verdemarinho do zulmarinho de hoje. O coração bate, umas vezes acelerado outras cadenciado numa morna apaixonante.
Não há sempre vento no verão



Sanzalando

3 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 20

Sopra vento. É verão, claro. O pó, a areia fina da praia, as sobrinhas, as toalhas e os sorrisos voam ao longo do areal. Eu vagueio pensamentos tentando contrariar a velocidade do vento, porque neste momento eu queria sorrir ao teu olhar num abraço bem apertado. Ouvir-te respirar abafaria este silvar, este despentear-me de ideias e estas ondas salpicadas dum borrifador natural.
Sopra vento. Claro que é verão. Não acredito em almas gémeas, mas o verão é sempre gémeo de outro verão. Faz vento e as pessoas correm porque o verão acaba. Se ele não acabasse não havia necessidade de correr, de fazer coisas que o resto do ano nem nos lembramos, de exigir rapidez mesmo até ao conta gotas. O verão acaba, mas não sei nunca quando o vento termina.


Sanzalando

1 de agosto de 2017

Um episódio mais do Estórias Soltas e Palavras Vadias

Com pelo menos um erro apresento-vos aqui a lista dos presentes na Feira do Livro de Portimão. Na verdade já estou tão habituado a que o meu nome mude de quando em vez que já nem ligo. Desta vez calhou no João que passou para José. Um nome próprio da família dos Jotas pelo que não é de importância vital.
Dia 16 de Agosto, às 21:30 horas lá estarei margem direita do Rio Arade, numa noite que vai estar quente, bordeada por uma brisa que soprará do sueste, perfumada pela maresia da preia-mar.



Sanzalando

Divagações dum dia de verão 19

Bate lentamente o mar nas pedras. Nem chega a marulhar. É noite. Vejo o brilhar da luar se estender no zulmarinho como que se embalando para uma noite de calmaria. Os carneirinhos de mar faz tempo adormeceram. O mar parece chão, óleo ou simples passadeira a convidar-me a entrar nele desfilando par sul.
Hoje vejo-o e não me apetece mover montanhas. Fico na minha transparência fixamente a olhar para o momento que a qualquer instante vai virar passado. As montanhas têm de se mover a dois que caminham para o mesmo lado enquanto o passado está cheio de recordações e para o futuro eu inventarei esperanças. 
Hoje não me sinto a montanha russa que galga pensamentos nem se afunda em frustrações ou se emociona em verticalidades.
Hoje o mar está calmo e eu não sou mais a confusão de uma noite de verão


Sanzalando

28 de julho de 2017

Divagações dum dia de verão 18

Acho o vento foi para outras paragens, deixando os corpos musculados e os bem torneados vagabundarem pela areia das mil cores do zulmarinho que mansamente também se espraia por aqui em marés de verbo encher ou vazar. Eu, sento-me aqui abrigado na sombra de memórias, idealizando mantras e replicando meditações, como que a querer viver cada segundo como se fosse hora, na forma de ter mais tempo para sorrir feliz em cada tempo de verão.
O corpo queimado, do sol e do tempo vivido, bronzeado de passado, esperança de futuro e a viver o presente com intensidade de uma qualquer manhã de verão, me deixo enredar em filmes que nunca filmei, livros que não escrevi mas em vida que fui vivendo.
O marulhar me embala ritmado. A maresia me perfuma. Na cara um sorriso. É verão do meu contentamento porque em cada abraço eu sinto que gosto deste mundo


Sanzalando

26 de julho de 2017

Divagações dum dia de verão 17

Sopra vento do norte. Eu quase diria era Agosto em Julho. Quase, porque não me lembro esses pormenores para fazer afirmações assertivas dessas. É verão, está vento chato e isso chateia-me.
Assim sendo, recolho-me num canto, olha a linha recta que é curva deste zulmarinho de espanto e medito. Ou simplesmente vagabundo pensamentos como que a encher pneus.
Levanto-me e quase regresso a casa. Para onde vou? Tenho tanto para fazer. Fazer mesmo o quê? Ficar longe dos meus pensamentos, por exemplo. Deixo-me ser infantil por pedaços de tempo. Quando eu crescer logo terei tempo para deixar de ser assim. 
Acho eu, porque é verão e está vento como em Agosto do lado de cá, cacimbo do lado de lá.
No verão não consigo imaginar o silêncio, nunca me tornei silêncio nem mesmo quando vivo o passado da memória.
Há o silvo do vento, há o barulhos dos que têm pressa para lado nenhum, há os que reclamam que sim ou não. Há o calor de verão que anima.


Sanzalando

24 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 16

Havias de ver as nuvens a desaparecer quando falo de ti ao mar.
Sabes, verão, quando entro no zulmarinho e sinto que fico um bocado mais perto do lado de lá, até me brilham os olhos. E se ela olha para mim, ao mesmo tempo, acho ela consegue ver o que eu estou a pensar. Ela e o o lado de lá são os pensamentos mais lindos que eu consigo ter. Transparentizo-me na alma e coração. Os olhos reflectem-me a alma.
Sopra uma brisa devagarinho. Mais carícia que brisa e se ouço alguém dizer que esta vida está difícil é que eu penso que ela, a vida, está farta de nós. De nos aturar nas fazes menos claras.


Sanzalando

22 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 15

Como é sábado é madrugada para levantar. Não levantou-se o vento, levanto-me eu atraído pela selva de luz do sol. Sinto-me bem. Com olhos de ver vejo o que posso á minha volta. O zulmarinho ali está, sereno, sem ar de cordeiro nem de fera. Ele mesmo estendendo-se até à linha recta que é curva e que me separa o que vejo do que sinto. Troco palavras simples por grãos de areia. Brinco na areia. Podia dançar. Conversar e dançar na areia dum dia de verão. As garotas estão divinais nos seus biquinis de cores garridas. Os rapazes jogam à bola. Hoje todos se levantaram de madrugada, antes do vento.
Eu hoje imaginava estar aqui sozinho a ver o zulmarinho e sonhar sonhos de vida e dou comigo a divertir-me à grande com toda esta alegria de cores e brilhos numa madrugada de sábado em que nos levantámos antes do vento.
Hoje é verão dum beco à procura de saída.


Sanzalando

17 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 14

O vento foi de férias para outras paragens que nem me interessa saber quais, porque na verdade tudo melhora quando parece que não damos importância, quando não somos nada mas temos todos os sonhos do mundo.
Hoje serei chef, de estrela mexilhão ou Michelin que não me interessa desde que eu seja o que neste momento me apetece ser. Vou fazer um prato grumet, estilo francês, decoração latina e sabores franceses. Apetitoso?
Pouco me importa desde que eu goste do que esteja a fazer.
O Óleo queimou? Parvo ajudante de mim me saí. Um Chef não deixa queimar o óleo. É científico.
É verão e me apetece fazer o que gosto.
Mas hoje andam por aqui a reclamar, é tempo, é dor é parvo. É verão e vou fazer mais o quê?


Sanzalando

14 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 13

Afinal de contas o que é que é o verão? Aqui no Algarve? Faz Sol e faz Vento? 
Bem vistas as coisas aqui é assim um beira do fim do mundo. Um quase lá que não existe excepto naqueles meses. Um lugar onde não vive ninguém. Um lugar onde é uma chatice o tanto ano que existe que não naqueles meses.
Sem ser naqueles meses não há carros. Qualquer lugar está ali, inerte, isolado, solitário qual deserto. Sem ser naqueles meses as pessoas são pagas, mal, para aguentar o lugar até chegar àqueles meses, sorriem porque têm tempo até ao tempo daqueles meses, as pessoas se juntam à beira do rio, nas esplanadas vazias, nas esquinas desertas a conversar sobre tudo e sobre quase nada porque têm tempo até chegar àqueles meses.
Sem ser naqueles meses as tantas praias estão limpas, vazias e o olhar se deixa navegar por silêncios marulhados em perfumes de maresia, o ar respira-se sem o perfume de gasolina, o coração bate lentamente e os sorrisos se estampam nas caras enquanto as gaivotas não têm dificuldade em escolher um lugar para se espraiarem no areal.
Depois chegam aqueles meses... e CV conversa com JCC numa noite escaldante dum subúrbio esquecido por aqueles que descem à descoberta como os antigos navegadores para espalhar a palavra confusão nas mentes dos dementes que aquentam os outros meses.

Sanzalando

12 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 12

Quem foi que apagou o sol hoje? Faxavor devolver. Tem gente que tirou férias para torrar feito pão em torradeira e já não basta o vento ainda lhe escondem o brilho?
Na verdade com tanto vento acho não sobrou palavras para usar. Acho a praia desariou, varrida constantemente por essa força aborrecida.
Mas quem é que foi que inventou o vento?
Afinal de contas eu gosto é de verão, sol a sério, mar quente e muitas ideias na cabeça a fervilhar..



Sanzalando

11 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 11

Sol tórrido queimando-me as ideias e aquecendo os pensamentos. Vento forte varrendo as palavras que parecem saem silenciosas da minha boca. É assim que vai o verão, fazendo-nos sem força, anémica vontade de fazer o que quer que seja, desentender o que sou ou que queria ser. Abrigado do tórrido sol e escondido do forte vento, escolhendo as minhas fases, numa forma indelicada de ligar ao sentimento raiva que vai nascendo com o despentear dos poucos cabelos que resistem. Guardando as coisas dentro de mim, o medo de encontrar um domador para os meus temores, conteúdos para preencher o vazio, imagino que o meu passado não é a memória do que vivi mas sim as recordações que fui montando ao longo do passado numa constante mudança presente. 
O sol tórrido e o vento forte conquistam espaço e eu desato a gritar que é tempo de arrumar o caos e sonhar claro para lá do zulmarinho

Sanzalando

5 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 10

Sol timidamente estendido sob a areia da minha praia. Vento forte arrastando grãos de areia em direcção ao meu corpo, tal como agulhas disparadas duma qualquer arma. Abrigo-me, encolho-me num canto recatado, protegido por uma pedra de séculos de memória. Eu quase sem nenhuma, quase sem passado e do presente resta um medo de passar a entender e deixar de sentir. O zulmarinho ondula num marulhar de ira, quem sabe de protesto.
É verão numa tarde de vento quente.


Sanzalando

3 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 09

Hoje não há brisa. O tórrido sol queima a areia da praia que nem dá para a pisar a caminho do meu canto ounde gosto de me sentar a ouvir o marulhar das águas empurradas pelo sueste. Saltito como lagarto em deserto usando memórias de passado. Assobio para abafar os ais e uis que grito em forma de pensamento. Chego ao meu miradouro. Desperto a minha atenção para além dos horizontes visuais. Sussurro mantras como que a chamar memórias que possam estar escondidas nas camadas da vida vivida. Assopro poeiras, limpo velhas teias de aranha que mais não são que bichos imaginados em tempestuosos passados. Assim já limpo, já recomposto no presente, projecto os pensamentos e me dou comigo a fazer-me perguntas cujas resposta vou dando cândida e vagarosamente.
Um dia de verão, calor tórrido e memórias refrescadas. Mergulho o corpo na água gelada. Purifico-me em sorrisos, brilho dos olhos de criança que continuo a ser.
No céu há estrelas velhas e novas que logo à noite brilharão a minha escuridão


Sanzalando

1 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 08

É verão. faz vento. Está quente, agradavel mas despenteavel. Sento-me aqui a ver o mar que hoje resolveu estar parece é lago. Nem o marulhar me chega aos ouvidos. Neste momento só me apetecia olhar nos olhos e sentir a respiração de quem me abraça com o coração. O desejo aumenta só de pensar nisto. Mas não me apareces no horizonte do meu olhar e nem se eu ultrapassasse a visão da linha recta que é curva eu te veria. Tu estás no meu pensamento e eu nem sei se consigo abrir os olhos porque tenho medo que fujas por eles. 
Faz vento. Está quente. Está mar chãi sem marulhar mas existe um sabor a maresia no ar. És o meu ar.


Sanzalando

29 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 07

Sopra vento como em todos os verões. Não o tenho de memória mas na minha estória só é verão se houver vento. Pelo menos de algum tempo até agora. O que dá para eu me sentar num recanto duma qualquer falésia e adormecer pensamentos e viver sonhos. Ou até por-me a viajar por lugares que eu nem sabia existiam e onde sei nunca irei, porém, ao sabor do vento deixo a imaginação voar por aí.
Sabes, ao longo da vida me afastei de pessoas que eu pensava iam ser ligações para sempre e me aproximei de pessoas que eu nem sabia existiam. É assim como o vento. Inconstante vertente da existência.
Olho o zulmarinho e azulo a minha vida, reflexos de tonalidades múltiplas. É verão e faz vento. Como sempre.


Sanzalando

27 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 06

Tórrido sol que ventos trás. Olha ai, ó sol, me apetece dizer-te não. Com técnica, é claro. Na minha estória, qualquer das minhas personagens devia saber dizer não, porque eu, no todo, só tenho um dia por dia e não posso gastar energia assim soprando ao contrário para não despentear as minhas ideias ou pedalar até nas descidas. As minhas personagens são escassas para gastar assim. 
Vê lá sol, se deixas esse vento que trás areia até parece acupunctura me perfurar as belas pernas que o tempo cansou.
Considera este não um ponto positivo. Tu és sol e és a fonte da vida, alegras a minha vida com o brilho do teu calor, assim eu quero andar numa de lá para cá junto à maresia, mudando de cor, saboreando o teu reflexo no zulmarinho.
Com este vento eu não consigo.

Sanzalando

26 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 05

Faz um calor tórrido. Acho mesmo um milionário dos sules comprou o tempo e lhe o tropicalizou. Se não foi assim, então eu não percebo nada disto de meteorologia. Mas se esqueceram da porta aberta e o vento que devia ser brisa quase me arranca os cabelos pela raiz.
Com este tórrido calor sinto vontade de chorar, primeiro para aliviar o coração e depois para me fazer mais leve para as roupas do verão.
Com este tórrido calos, arrefecido por este vento forte, vai criar novas dores, novas memórias para ficarem na memória duma recordação que o tempo passou.
Cabeça quente e dorida dos cabelos arrancados deste verão eu garanto que o amor é uma questão de possibilidades e nunca de garantias garantidas num contrato de longo prazo.
Assim foi mais um diálogo entre mim e a outra personagem da minha friccionada estória verdadeira de verão

Sanzalando

23 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 04

Tórrido sol que me obriga a fechar os olhos quando eu queria ver tudo o que me rodeia.
Como é estranho ser personagem na minha estória. E efémero como todas as personagens duma qualquer estória.
É estranho saber de mim, dos meus problemas e frustrações assim como se fosse outro e me ouvisse de outro. As coisas que o sol me faz.
O zulmarinho continua nas suas tonalidades de turquesa ao escuro até um quase verde, quente, frio e caldoso, agitado, calmo ou calema de remoinhos traiçoeiros, conta-me a minhas alegrias, frustrações, enjoos e surpresas. Uma maneira de me ver através da minha personagem nesta minha estória de vida.
Nem o tórrido sol fez apagar as promessas que fiz, nem apagar as palavras que escrevi ou calar as que disse nesta personagem de verão. Afinal de contas, menos vestido, esta minha personagem continua muito parecida comigo, pelo menos nas estórias que me conta.


Sanzalando

21 de junho de 2017

67 - Estórias no sofá - se é, amizade não acaba

Assim cantava Chico Buarque: amou daquela vez como se fosse a última; e ele, Antonino, menino nascido e criado em família boa da cidade alta, tudo fazia como se fosse a última coisa a fazer na vida. Vivia-a como se ela, a vida, acabasse naquele instante. Ele parecia sabia. Ele amava com tal força parecia morava dentro do amor, ele próprio, que tanto dizia que quando o amor acabava ele ficava um sem abrigo.
Era este Antonino que eu conheci ainda andava de calções mas não magoava os joelhos porque ele não tinha tempo para brincar. Ele estava sempre tão ocupado que não tinha tempo para ver que as cores do céu são muitas, depende do minuto e do olhar. Do azul escuro, ao claro e ao amarelo alaranjado é um instante que se perde. Ele não podia nem perder esse segundo de admiração. Estrela cadente ele sabia que existia. Mas sei nunca viu nenhuma. Me contou uma vez na hora do lanche. Na verdade, vendo de agora, deixado passar esse tempo, uma vida, eu acho que Antonino estava imune à beleza da vida. Ele era o melhor. Menos no jeito de estar na rua, menos no jeito de vestir o uniforme de pessoa que vagabunda as ruas da cidade à procura de não fazer nada de jeito.
Ele era poesia, geografia e história. Matemática e desenho era assim um quase nada fracote, mas disfarçava com o vocabulário de quem ia fazer discurso de polimento. Ele sabia museus e outras enciclopédias. Não sabia bares nem outros lugares.
Um dia mudou. Cresceu na altura e na largura. Trabalhava parecia não tinha fim o dia. Amava poderosamente. O tempo de estar, simplesmente estar, desapareceu e no meu olhar nunca mais o vi. Fui ouvindo falar estórias de quem não sabe onde acaba a ficção e continua a realidade. Engenheiro, doutor, não sei. Milionário me disseram e a vida foi correndo nos seus altos e baixos. Houve flores que murcharam e outras floriram, houve invernos e verões e os frios tropicais nunca congelaram estórias que fui ouvindo. Umas sabia podiam ser verdadeiras, outras nunca na vida. 
Antonino aparecia nas revistas de negócios, umas vezes inchado porém sempre bem bronzeado e acompanhado. Nunca soube o caminho mas o ia abrindo. Lia eu, ouvia e imaginava outro tanto.
Um dia, perdi o rumo. Eu herói de tantas guerras na vida me esqueci. Desliguei o passado como se ele fosse de outro. Eu só tinha o meu presente presentemente. Dia após dia segui a minha sombra. 
Uma esquina, um dobrar de esquina, lento como o calor que me toldava os movimentos, dou de caras com Antonino. Magro e pálido. Reconheceu-me de imediato enquanto tive que fazer um esforço enorme a tentar pôr aquela cara num qualquer lugar da minha vida, até que consegui pela voz e gestos. Tremia. Falava muito mas pouco percebi o que me dizia. Comia uma parte das palavras e nas outras um silêncio no olhar. Eu gosto de silêncio mas os silêncios que lhe saiam da boca me incomodavam. Tanto que ele falou que eu apenas  resumi no sempre há uma escolha excepto se escolhermos a errada. Demos um abraço como se o tempo não nos tivesse passado. Amigo, disse-me, roubaram-me a capacidade de ser feliz e eu gastei o tempo a correr para lado nenhum. Ouvi perfeitamente, refeito da surpresa.
Mergulhei em oceanos profundos, nadei mais do que as minhas capacidades permitiam. Vivi como se cada dia fosse o último. Hoje tenho tempo, menos para morrer como eu desejo.
Olhei-o, perplexo, não quis saber da sua estória, não tentei perceber os seus caminhos e lhe disse para me acompanhar num passeio de passo lento. Silenciados, lado a lado, fomos andando.
Foi aí que ele me disse naquela voz de ainda criança que eu me lembrava: tudo na vida acaba, menos a amizade.





Sanzalando

19 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 03

Sendo eu outra personagem de mim, aquela que vagabunda pela torreira do sol, redesenha contornos corporais escondidos em minis peças de roupa, deambulando beira-mar acima e a baixo como se a praia deste zulmarinho fosse um picadeiro de modelos, gostaria de, neste momento, olhar-te nos olhos, sentir-te respirar e dar-te um abraço como nunca ninguém te abraçou e sentir-me acompanhado e menos sozinho de mim.
Na verdade, aquecido pelo sol, quanto mais penso mais aumento o meu desejo de ser eu e não esta personagem da minha estória, vazia, sabor a mar e soprada de brisa na tez morena da minha alma.
Me sento a ver o zulmarinho e tento arrefecer a vontade de nadar mar abaixo, em direcção a qualquer sul que fique para lá da linha recta que é curva.


Sanzalando

18 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 02

Sobe a temperatura do zulmarinho. Quase dava para nadar em descida até ao ouro lado dele, surfando de onda em onda, numa imagem de desenhos animados.
Sobe a temperatura e eu deixei uma outra personagem de mim tomar conta dos meus sonhos, marcar o meu horário e viver livre no exercício de liberdade. Afinal de conta eu gosto da luz do seu olhar. Aprecio o sorriso do seu sorriso, o ar de bem disposto e gargalhada fácil. Eu gosto do seu ser livre e embora a temperatura suba o zulmarinho levar-me-á a ser eu na forma que for.
Emprestei um beijo em troca dum olhar. É assim o meu verão.


Sanzalando

17 de junho de 2017

divagações dum dia de verão 01

Sobe a temperatura. Nem o zulmarinho me arrefece o corpo que arde. É assim um arder de saudade incandescente, um queimar fluorescente, uma borboleta esvoaçando na minha cabeça numa catadupa de ideias ferventes. 
O zulmarinho marulha numa perfumada maresia enquanto eu me desculpo de ser como sou e não outra personagem da minha estória, enquanto eu me desconto nos desgostos que causei nas frustrações de antanho.
Sobe a temperatura e eu desenterro-me de emoções, sonhos e do melhor que há de mim em mim. Tento ficar sem nada para mim. Sonhos e sentimentos. Dou-os enquanto o calor me ferve o corpo que o zulmarinho ma arrefecerá.
Um dia eu vou conseguir tirar a armadura de mim e vou ser esse assim, a outra personagem de mim, mergulhado no zulmarinho purificando-me em banho-maria.

Sanzalando

14 de junho de 2017

fantasma transparente

Bate o sol nos olhos e eles se fecham como que a me defender. Eu, ser invisível, porque não me vejo, torno-me num ser pensante, num fantasma real de mim. 
Franzida a testa pelo esforço de suportar os raios que tentam passar por através das pálpebras, sou um fantasma que parece está a pensar. 
É verdade. 
Eu, fantasma de mim, ao sol me deixo levar sonolentamente como se boiasse num rio de águas calmas, testa franzida, olhos fechados e sol a entrar no corpo como se eu fosse uma transparecia.


Sanzalando

12 de junho de 2017

adeus, primavera

Oi. Olá. Até à próxima. 
Fim da Primavera anunciada. As lembranças que te tenho são dum vento a cair no calor, um silvo como se uma gargalhada na minha cara fosse, uns dias que não me deste a chance de sair de casa porque chovias. Mas também a tonificação do verde árvore a crescer nos campos, os suestes no zulmarinho a me borrifar de quente. 
Sinto muito estar a jogar no chão o pano da tua despedida. Eu sei que parece eu não tenho jeito nem faz efeito assim te escrever na despedida. Mas eu quero que fique escrito na história a tua passagem por mim. Estás acaba. Eu não desisto mas tu te finas. Ciclicamente. Sãos os ossos do teu ofício.
Para o próximo ano a gente se vê. Tá?

Sanzalando

7 de junho de 2017

o tempo que passa

Sentei-me a respirar a maresia., a ouvir o marulhar e a ver a linha recta que é curva. Sentei-me por aqui a ver o para lá de mim. 
Como o tempo voa. 
Passaram-se outonos, invernos e verões e estamos num final de primavera que me leva o cabelo num vento de fim de tarde como se fossem folhas a cair num outono. Quantos frutos já deram as árvores? Quantas árvores entretanto já caíram? Quanta sombra já deram? 
As árvores sentem?
Eu aqui sentado sinto. Por mim e por elas, o tempo que passa.
  

Sanzalando

3 de junho de 2017

engolido na onda

Olho o zulmarinho. Hoje acordou parece revoltado. Lhe pergunto em silêncio que é que aconteceu e ele me responde assim num desmanchar de onda parece me quer engolir. Medei-me todo. É fiquei mesmo com medo de ser engolido por ele e ele se indispor depois comigo. Eu que ganho a vida a cuidar de vida de repente tremeliquei-me. Eu que tenho de ter a capacidade de me inovar, superar e se calhar ultrapassar para que alguém continue com a capacidade de pensar e fundamentalmente de sentir, tremeliquei-me com a onda que parecia me queria levar dentro do zulmarinho e sei lá me fazer o quê. 
Olhei para a imagem de Einstein e me lembrei da sua fórmula, em que E é igual a mc ao quadrado e do que ele dizia sobre o fazer as coisas sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes. Sempre olhei o zulmarinho e agora ele me faz esta coisa horrível de me engolir sem mastigar e se calhar a seguir me deitava cá para fora inanimado. Tolice minha que já lhe devia conhecer e nestes dias não me devia nem aproximar. Só mesmo lhe pensar.
É, esse zulmarinho me faz chegar lá na minha placenta sem pontos de vazio no meio. Lhe gosto e gostarei mesmo que o medo esteja na minha alma.



Sanzalando

31 de maio de 2017

dia de irmãos, me disseram


Olho no tempo e faz tempo que o tempo passa. Umas vezes parece é devagar outras vezes ele corre que nem lebre. Acho mesmo ele às vezes voa.
Hoje ele parou. Um bocado que foi pouco. Senti e procurei o tempo parado nele mesmo. E o tempo tem anjos que não têm asas, tem abraços que nos fazem ter tempo para com o tempo voar. Para lugar seguro. Para os abraços de irmãos.




Sanzalando

30 de maio de 2017

e caiu da cadeira

Ela falou e dizia coisas bonitas que lhe estava a deixar embevecido. Irmã e cunhado ali na plateia que nem cinema ouviam. Ela já lhe brilhavam os olhos. Falta mais uma ou duas palavras e as lágrimas lhe escorrem na face. E as pessoas ouviam num silêncio de muita atenção. Embevecido ele olhava para lá de muito longe assim num se esconder que não estou nem a ouvir. A irmã e o cunhado iam se enchendo de orgulho. 
Truz pumba e mais ruído que nem tremor de terra.
Foi o cunhado que, com o peso da emoção, fez a cadeira de plástico tipo esplanada duma calçada, se esparramar no silêncio que se fez.
A irmã limpou os olhos e riu que parecia não ia parar mais. Ela, a oradora, depois de ser certificar que não havia danos materiais para além dos orgulhos combalidos dum espalhanço auditor comovido, continuou as suas falas e, ele o ouvinte especial, desceu à terra e tudo continuou alegremente com é que é.


Sanzalando

24 de maio de 2017

Eu sou eu que nem eu mesmo

Alô. Aqui estou eu novamente a conversar comigo mesmo. Olhei para trás, assim num modo de olhar pela vida vivida, escrita, sonhada ou simplesmente calada que passei ao longo dos tempos. Sei que parece não é saudável olhar assim para trás e ter medo de dar nostalgia ou saudade, tristeza ou depressão. Sei que não é de mim que eu gosto de ver. Mas tem dias que apetece e a gente deve fazer isso que nos apetece. Sei que andei a fazer mudanças radicais, principalmente nos radicais livres e nos outros quaisquer também. Fiquei a saber que consegui encontrar-me. Afinal de contas eu consegui continuar a ser eu. 
Pode ser que eu esteja a ver mal e que esteja a olhar para alguém parecido comigo. Assim tão parecido acho impossível. Olhei mesmo foi para mim. Não me importo de me ter enganado. Acontece ou pode acontecer. Imagina que já não olhava para mim faz assim muito tempo e me tinha esquecido que era assim que nem sou. Podia olhar e me enganar. Voz parecida? Igual direi. Olhar alegre? Que nem o meu, digo.
Já sei. Não tenho piada. Eu disse que era para ter?.
Tudo normal. Eu sou eu que nem eu mesmo.
Sou tão parecido comigo. Acho preciso de auto ajuda de mim mesmo.


Sanzalando

19 de maio de 2017

Palavras e Estórias


Nem melhor nem pior. Especial. Assim me sinto na véspera de apresentar o livro que me fizeram. Reapresentar. Momento único que vivi há 6 meses. Amanhã vai ser diferente. Nem melhor nem pior. Diferente. Mas não sou escritor. Sou pessoa comum que se sente especial hoje. Os meus olhos captaram momentos como se uma máquina fotográfica fossem. O tempo desfocou rostos, porém avivou contornos e uma simples rua duma cidade quadrangular poderá ter virado cenário especial dum enredo. Alterados ângulos, encomendadas frases ouvidas num qualquer lugar, palavras simples de simple gente, desejos, cores e amores, caligrafia corrigida num qualquer computador, transpostas numa resma de papel imaginário, com vibração da emoção, com lágrima de sentir, com saudade de amanhã, com quilómetros de distância, com abraços e desembaraços, coligiste um livro ao que te digo obrigado.


Sanzalando

17 de maio de 2017

calmo mar

Olha só as ondas como se desmoronam ritmadas na areia. Ouve esse marulhar. Sente este perfume de maresia. 
Essa calma que esta linha recta que é curva, que se vê lá ao longe neste zulmarinho, nos transmite faz com que me esqueça das rasteiras, me tranquilize a consciência e me solidifique os sentimentos. Faz com que eu seja mais eu em cada momento.
Consegues ver o sorriso desenhado na minha cara? É de tranquilidade feliz.


Sanzalando

15 de maio de 2017

com um tempo assim

Nem sol, nem vento, nem chuva, nem nada. Tempo assim de estar sentado a ver o nada. É assim um dia que nem o hoje de agora. É assim num olhar e ver-me, na praia, no cinema ou em casa. Até parece eu virei caçador de mim. Emesmei-me é o que eu penso com este tempo.
Com este tempo assim eu achei-me era saudade. Saudade de não saber quem eu sou. 
É, um tempo assim de fantasmas e duendes, de bruxas e bruxedos. De interessante nada de novo.
Com o tempo assim eu me motivo a meditar um silêncios imperfeitos, em aceitação do eu desajustado de mim e em palavras de conveniência

Sanzalando

10 de maio de 2017

Palavras em livro

Ao longo da vida tenho amealhado palavras. Umas melhores que outras, umas mais bem conseguidas que outras. A finalidade tem sido sempre a mesma: satisfazer-me, mesmo que eu não me releia, mesmo que eu não consiga ser portador da mensagem, mesmo que o ritmo da minha cabeça seja diferente do ritmo dos significados, verbos e adjectivos.
Ao longo da vida juntei palavras. Muitas. Com lágrimas, gargalhadas, com direcção ou à toa. Apenas palavras, poéticas, filosóficas ou doidamente legíveis por interpretações irreais. 
Às vezes são palavras escritas em falas dialogantes de solilóquios absurdos, outras vezes nada comparáveis a nada. As minhas palavras, sei, são verdadeiras mesmo que sejam verdades que ainda não aconteceram, ainda que não correspondam ao tempo presente ou passado imemorável.
Nas minhas palavras o dia seguinte chega sempre depois duma noite, pouco importa a fase da lua, reflectem dias menos bons para que os dias bons sejam reluzentes.
As minhas palavras podem parecer saudade, tristeza, nostalgia, porque, um dia, de mim só vai restar a saudade.
Assim, por caprichos da natureza, por amor e surpresa, alguém, que muito me gosta e eu gosto muito, um dia resolveu meter mãos à obra e nasceu Estórias Soltas e Palavras Vadias, comemorando o aniversário deste aprendiz de palavras. Nesse dia houve festa num dos clubes mais antigos da cidade Portimão. Gente, muita gente amiga. Uma solidariedade de todo inesperada.
Agora chegou a vez de alargar horizontes e ir até Lisboa. Braço dado com a minha amiga Ana Quelhas, que arregaçou as mangas e escreveu para memória futura O Fato Que Nunca Vestimos, aí vamos nós passar um fim de tarde na Casa de Angola em Lisboa e um jantarzinho à maneira para aqueles que nos quiserem acompanhar.

Sanzalando

7 de maio de 2017

African Canvas

https://www.facebook.com/ArtCraftArchitecture/videos/1358889557510530/?pnref=story


Sanzalando

6 de maio de 2017

Poesia em noite de primavera

Hoje me apetece ser poeta. Caneta de aparo, tinta permanente. Sebenta vermelha. Olhos de paixão. A paixão é boa para se escrever. É boa para se ser poeta. Hoje me apetece ser poeta.

Não me ensinaram a  apaixonar,
nem me disseram que é bom ter paz,
só me dizem para amor dar
com toda a energia que for capaz.

Querem-me porto seguro,
seja a bóia de salvação,
que dê amor puro
mesmo que seja de perdição.

Não me deram chave de porta,
não me tiraram os medos,
nem fantasmas de gente morta
das memórias dos meus segredos.

Não me acenderam a luz,
não me deram um quarto claro,
ensinaram-me o sinal da cruz
não fosse eu ser um ser raro.

Não me ensinaram nada
do tanto que aprendi,
de livros, quase nada,
de música, apenas a que ouvi.

Ai os meus livros arrumados,
tantos de auto-estima
por ali deixados
à espera duma rima.

Sem bem saber fui chegando,
me salvando de armadilhas,
umas vezes tropeçando
entre metros, polegadas ou milhas.

E lá me fiz poeta,
dos versos ditos
com a rima certa
e ideias aos gritos.

Acordei. Me apeteceu rasgar a folha que estava escrita com tinta permanente e assim mantive a permanência do que escrevi


Sanzalando

5 de maio de 2017

futuro presentemente

Olhei o mar. Uma vez. Duas vezes. Olhos de ver e não com olhos de querer ver o que se imagina ser o alvo da visão. O mar lá estava, batido pela brisa sueste, quente e despenteante deste cabelo fino e grisalho, já sem a força e segurança doutros tempos.
Lá estava o mar a dizer-me que o futuro que me estava reservado não era este. A minha imagem não era esta, a minha maneira de ser e estar deveriam ter dado uma cambalhota algures numa qualquer porta da vida passada, quando entrei na fase de ser gente. Esta realidade actual só podia ser um sonho que eu estava a sonhar no futuro que me estava reservado. Não é ruim, pesadelo nem conto de fadas. Mas daqui a pouco eu vou acordar, na minha velha cama de solteiro numa casa distante deste mar, olhar o velho gira-discos que já faz tempo deixou de o ser para ser mera ornamentação, ouvir Maria Bethania ou Chico Buarque num rádio a valvulas e ainda não transistorizado, e dizer que o meu futuro vai começar.
Olhei novamente o mar. Olhos de ver ao perto e testa franzida de ver ao longe.
Se isto não é sonho, eu também não vou pedir para mudar tudo o que fiz, não vou pedir para esquecer tudo o que já vivi. Seguro esta realidade sonhada e sigo a vida feliz esperando chegar ao futuro desenhado.


Sanzalando

2 de maio de 2017

hoje foi primavera

Hoje o sol me sorriu, me acariciou a cara e me devolveu um brilhozinho aos olhos. Hoje foi primavera que me deixou tocar com a ponta dos pés no azul do mar, esse zulmarinho que me carrega a imaginação, me transporta para lá da minha presença, que me transborda a ausência com a saudade de ser feliz.
Soubesse eu antes o que sei hoje e teria ouvido o meu próprio conselho, ter-te-ia conhecido antes e seria sempre primavera, mesmo quando o frio gelasse a alma, mesmo que o pensamento sofresse de esquecimento, mesmo que a ira substituísse a esperança e a saudade de ser triste substituísse a de ser feliz.
Hoje foi primavera outra vez.


Sanzalando

30 de abril de 2017

green

Sanzalando

29 de abril de 2017

nasceu nostalgia

Olha só como está azul esse mar num vai e vem para areia. O sol se escondeu faz dias mas esse mar continua azul que nem o zulmarinho dos lados sules do mundo. Ondula sem ser calema e o marulhar parece é calma que transpira.
Isso me faz ver que há pessoas que entram e saem da vida que nem as ondas desse mar se espraiam na areia. Assim como aquela música que parece nunca mais existiu. 
Mas mesmo assim o sol nasce, nem que seja no oficialmente, todos os dias e a lua nos seus quartos ou nova ou cheia lá continua todas as noites. 
Queres ver nasceu nostalgia num dia cinza.


Sanzalando

28 de abril de 2017

tempo

Chove. Não chove. 
Raio de tempo que faz tempo sem ter tempo para usar o tempo conforme me apetece.
Imagina querer sair de casa, correr ao sol até um lugar qualquer, controlar o impulso de ir ver o mar, sentar numa qualquer escada e olhar. Somente olhar. Consciência vazia e riso fácil. Assim só de olhar


Sanzalando

27 de abril de 2017

tatuagens que não minhas

Olha só como até o céu chora. Aqui num canto abrigado desse mar que me alimenta o espírito me deixo levar pelo tempo meteorológico enquanto gasto o tempo de vida.

Quem disse era sol? Quem disse saudade é primavera e esperança? Pôpilas... assim até apetece não acordar.
Mas por agora aproveito este lusco fusco de dia sem sol para ler palavras escritas e livros ainda não lidos. Sentir sentidos não pensados por mim, viver vidas que não as minhas, fantasias que não as minhas. Aproveito para ver as tatuagens de almas que não as minhas.

Sanzalando

25 de abril de 2017

Faz sol, porém não por aqui

Faz sol, porém não por aqui.
Ali ou acolá faz sol. Não sou egoísta por isso pouco me importa onde ele está. Esteja e seja muito feliz. Na verdade eu não desisto. Eu sei que parece que vou dar a lado nenhum, mas por acaso, por difícil que possa parecer, eu vou acabar por encontrar o meu norte que pode ser a sul ou outro cardeal qualquer. Eu não perdi a capacidade de sonhar e isso me faz lá chegar, ao ponto de imaginação, ao lugar do repouso da alma, ao renovar do sorriso, aos braços que me abraçam. Eu sei que valho mais e por isso vale a pena continuar a tentar. Não desisto, não paro e não me fecho. Nem que eu seja a minha própria criação, nem que eu atinja o climax desimportante.
Faz sol, porém não por aqui.
Trago um cravo na lapela, uma bandeira na mão, na voz um grito de liberdade e no coração um desejo de esperança.
Trago orgulho no passado, esperança no presente e a certeza dum futuro de memórias.
Mesmo sem sol por aqui eu brindo ao sol que brilha num lugar qualquer

Sanzalando

23 de abril de 2017

Primaverou novamente

Primaverou novamente. Desventou-se e até deu para sorrir ao sol na areia de muitas cores. O marulhar me dava ritmo de pensar coisas de boa vida e afins, recortes de infância e adolescência, ruas de outrora com gentes de agora. Saltei de pensamento em pensamento como se tivesse uma borboleta dentro de mim. O carburador funcionava parecia um relógio de corda antiga. Não se ouvia o bater das válvulas. Electricamente eu pensava e sorria, ao mesmo tempo. Fabuloso.
Sim, eu sei. As minhas palavras não são poesia, são palavras soltas que rimam com alegria, com esperança, nostalgia e sonhos de criança. São as minhas palavras porque são escritas por mim.
Não ouço o batuque do coração, vivo-o, tão alegre quanto possa.

Sanzalando

21 de abril de 2017

do que não gosto e gosto

Não gosto de vazio, de gente sem sorrisos, de pessoas carregadas de nada. Não gosto de frio, de falsos juízos, do silêncio de gente calada. 
Afinal de contas de que gosto eu?
Eu gosto dos significados das palavras, do dom da palavra e do que ela sabe.
Eu gosto dum beijo, mais ainda se não é dado em segredo.
Eu gosto da minha estória, da minha maneira desajeitada de ser, do meu formato desformatado.
Eu gosto de ti.
Gosto dos meus amigos. Gosto de quem que me olha passado 20 anos e me chama pelo nome como se tivesse sido ontem o último aperto de mão dado, gosto de um abraço.
Gosto de ter vivido o que já vivi, de ter sonhado o que sonhei e de ter desejado o que consegui.
Afinal de contas também não gosto do vento que não me deixa ver direito o céu.


Sanzalando

15 de abril de 2017

FOI ASSIM QUE TUDO ACONTECEU

Sanzalando

14 de abril de 2017

distribuir sorrisos

Vou andar por aí a distribuir sorrisos como quem quer ver um mundo diferente. O zulmarinho riscado, ondulado, espraiando-se na areia com preguiça monótona e ritmada; o céu zulceleste com riscos e tufos brancos como um desenho abstrato; e eu a olhar para tudo e sorrir.
Não tenho essa na bagagem de que diversão é abafada pela saudade e não cabem no mesmo porão. A gente se diverte mesmo quando sente saudade. Pode não ser igual. Mas a gente sorri com o mesmo sorriso de quem anda de mão dada mesmo que haja espaço a separar ambas mãos. 
Vou andar por aí a distribuir sorrisos mesmo com o peito cheio de saudade.


Sanzalando

11 de abril de 2017

rumo à proa do meu sul

Tantos anos a falar de zulmarinho. Tantos dias a deixar os meus olhos olharem para lá da linha recta que é curva, tantas calmas agarrei nas calemas da vida ao molhar os pés na água fria deste mar que nos une.
Agora, por imposição gostosa, tenho carta para andar nele a todo o vapor, porque à vela não me vou acreditar porque o vento me despenteia e apaga o lume dela.
Agora com ajuda dum tal de Mercator, compasso, régua e esquadro, somas, subtracções e outras desorientações eu sei que vou seguro dum ponto A a um ponto B até chegar ao meu ponto placenta.
Agora o zulmarinho pode ter ondas vagas ou ocupadas, com colete e jangadas, remos e croque, vertedouro, lais de guia ou voltas de fiel, eu vou poder seguir em frente, rumo à proa do meu sul.
Mas esta carta escrita, assinada e datada, só foi conseguida com muita ajuda de colegas que se tornaram amigos, de família que foi claque, de ajudas em todos os lugares onde eu podia fazer falta.
Tantos anos a sentir o zulmarinho dentro de mim e agora estou encartado para sobre ele reviver glórias e sonhos sonhados nas revistas e filmes de criança até ao presente.


Sanzalando

6 de abril de 2017

rascunho de mim

E se eu fizesse um rascunho de mim? Dava para ter vida? Assim programadinho, certo e direitinho.?Com o meu jeito para desenho de certeza que a vida tinha muito rasurado, auto-estradas de grafite, vincos perceptíveis na eternidade, marés vivas em mar chão feito num óleo. O melhor mesmo é por a marcha a ré, fazer o desconto do desvio e inclinar-me para a declinação, traçar a rota e ver a derrota numa carta dos serviços sem cadastro.
Mas assim num improviso tem-me sabido bem, com humor mal humorado, com erros e acertos, sorrisos sem fim e lágrimas choradas às escondidas ou às claras. 
Vá lá. Se por acaso alguém encontrar o meu esboço por aí, faça o favor de devolver porque é falso de todo. Eu estou a ver o zulmarinho num segundo de sossego.


Sanzalando

1 de abril de 2017

Ponto final. Acabou

Ponto final. Acabou. Eu vou resistir. Eu vou superar. Não vou pensar mais nisso. Desqueço-me desde já. Não vou chorar nem gritar para aliviar a mágoa que isso possa ter-me causado. Vou seguir o meu caminho, mesmo já tendo dado tudo o que eu tinha para dar, guardando o que tenho para dar ainda. Nem sempre é, ou foi, como se espera, como se deseja. Eu fui o máximo? Fiz por isso. Mas acabou? Pois então, Tempo imaculado da nossa união, com altos e baixos, com alentos e desalentos, com carícias e gritos, gargalhadas e lágrimas. Acabou. Não vou nem chorar calado, nem bater as asas de raiva como bateria um beija-flôr quando se aproxima da sua flor. Me machuquei? Houve dias que sim. Mas acabou e é hora de continuar.
Acabaram-se 20 anos em Portimão, comecemos o 21.
É verdade. 1 de Abril de 1996 foi o dia oficial da minha chegada a Portimão.


Sanzalando

31 de março de 2017

sabe o sabor de ser gente


Olho assim e deixo o meu peito soltar palavras como se uma rio estivesse a nascer. Tento travá-las, por vergonha, receio ou dúvida. Três incógnitas que me poderão levar à loucura. Mas as palavras saem como se tivessem vida própria, descobrem-me, desnudam-me, vestem-me tentando sarar qualquer ferida que tenta abrir-se em mim.
Olho assim e restauro-me todos os momentos. Desde o nascimento até agora. Mesmo os tempos que não o sendo eu tentava ser maduro, mesmo que não me apetecesse eu tentava elogiar, mesmo do tempo em que eu tinha que segurar o ímpeto de me atirar aos braços de alguém. 
Olho assim e me sabe o sabor de ser gente.

Sanzalando


27 de março de 2017

milibares e assim

E o sol timidamente tenta romper através das nuvens. Como é que ele assim vai conseguir chegar ao verão? Já não tem sol como que era quando eu era puto e andava de calções a gastar os joelhos nas corridas de patins. Esse sol me levava na praia e fazia com que eu não saia de lá. 
Pronto, já sei. Sou assim um modo de sem graça, fácil de irritar e que ainda sonha com o coração. Eu não mereço um dia de sol na primavera. Manhã verão e à tarde inverno. Nem isso, digo eu.
E a brisa que vira vento assim que nem dá troco ao meu lamento?
Primavera de frio, obrigado ao dono do tempo que não deve ter tempo para dar tempo a tempo. Vai ver ele entrou em baixa pressão, num anticiclone que virou-lhe a cabeça e ele pensa é alta pressão. Milibares de razões tenho para estar assim.

Sanzalando

24 de março de 2017

medito porque ganho

Sopra vento que já foi brisa na manhãzinha cedo. Acho este vento vem de leste. Ou será este. Não sei, eu a olhar para o zulmarinho ele sopra da esquerda e ponto final que eu ainda sei qual é a minha mão mais cega.
O cabelo faz tempo se despenteou, porém já não cai nos olhos nem me chateia porque escasseia. Eu olho o zulmarinho que em cada onda levanta é spray que até apetece fotografar porque é bonito. 
Eu medito. Mas porém não me deito. Medito em que tudo o que vai pode até voltar, ou não. Mas não é igual. Não volta igual ao que foi. Chateia perder tempo assim? Não. Ganho na verdade. Não me surpreende que o vento mude, que a vida volte nas voltas que dá, nos sorrisos que não recebi, nos olhos agradecidos que não senti. Ganho sabedoria.
O zulmarinho tem destas coisas, não me perde tempo do tempo que lhe dou porque ele sabe que eu falo não o que ele quer ouvir mas sim o que me apetece lhe dizer

Sanzalando

21 de março de 2017

Olho-me à primavera

Olho-me aos pulinhos na areia das muitas cores, desenhando sombras, construindo castelos de sonhos e divertindo-me apenasmente porque é primavera.
Olho-me em corpo traquina duma idade sem número, dizendo que o amor deve ser vivido em loucura porque o calmo e sereno é aborrecido, que a alegria deve ser servida a cada minuto que vem abafando a triste mente que me mente.
Olho-me no dentro de mim e tranquilo observo o mundo que me rodeia e digo em voz alta que se não abrir o meu coração não vão ser os outros a abri-lo. 
Olho-me e vejo que a verdade não é esquecida porém pode e deve ser divertida.
Olho-me à primavera



Sanzalando

19 de março de 2017

Dia do Pai

Sanzalando

18 de março de 2017

o teu abraço

Caiu o sol ao fim da tarde, anoitecendo suave e quentemente. Eu dei passos largos pela imaginação como se passeasse numa qualquer avenida tropical, chinelos e calções, chapéu de palha e sorriso na cara.
Dei comigo a dizer-me que o que não largo tenho de carregar, o que carrego pesa e o que me pesa lixa-me. Ora, assim vestido, assim alegre, fui largando consciências, umas mais pesadas que outras e olhando-me no reflexo das montras fui vendo a imagem do ser livre que me fui tornando. Foi aí que dei comigo a dizer-me que precisava do teu abraço


Sanzalando

14 de março de 2017

Arthemis faz anos



Podia começar assim um textinho de vai ali que já volto. Mas sem Arthemis este blog já tinha ido nas calemas do tempo faz tempo. Sem ela não tinha arte de letra maiúscula, cinema de C grande, amizade de A enorme.
A Arthemis faz anos. Não estou aqui a agradecer nem começar um agradecimento, mas fico feliz por lhe dizer obrigado, só assim.





Sanzalando

12 de março de 2017

Março mar e sol

Faz conta hoje não passaram 45 anos, mais vírgula, reticências ou simples esquecimento. São só horas de eu ir na praia das miragens ver as vermelhas chicoronhas entrar no mar de pica-pica como se fosse ele se acabar a seguir. Faz horas que Artur Alexandre Alves está lá de molho. Ele diz que se atrasou porque a mulola estava cheia depois de vila Arriaga, senão há mais horas ele estava a tirar o pó da Chela naquela água que é o início do zulmarinho. Eu só me sento a ver esfregar areia nas coxas onde pica-pica se enrolou. Pode ser eu alegre a alma se o guarda-sol azul chegar atracado num sorriso de simpatia e não trazer a reboque o ar de quem fiz algo errado ontem. É Março aqui e lá


Sanzalando

10 de março de 2017

sorrir na praia

Como é bonito olhar o sol e lhe ver o brilho dum sorriso ao dia.
É tão bom caminhar pelo seu calor e ser apanhado nos seus raios que não há raio que me parta se não sorrir. E assim vou caminhando ao longo da minha praia sabendo que cruzei com pessoas com quem foi muito difícil me relacionar, olhar ou apenas cumprimentar. Mas também essas pessoas me foram importantes, mais não seja porque me mostraram como eu não gostaria de ser.
Como é bom sorrir na praia, debaixo do sol de primavera.


Sanzalando

8 de março de 2017

e se fez sol

E de repente fez-se sol quente, brilhante e carregado de vida. O chilrear começou. Para mim é o dia natural da primavera emborra carregando febre de gripe, tosse de falta de ar por encharcamento viral, quase perdendo os pulmões em cada ataque. Mas com a minha loucura sã vou esquecer isso tudo, vou descansar xingando-me de preguiça, segurando a pulso uma vontade de trepar pelo ego até insuflar um outro ataque.
Não vou deixar a febre me vergar, me desculpar ou me zangar.
Hoje meu dia natural de primavera vou dizer poesia no olhar.


Sanzalando

3 de março de 2017

hoje chove e vejo melhor

Hoje me deu para olhar como era há 4 anos atrás e ver como é que sou hoje, muitos dias e livros depois.
O dia acordou de chuva. Cinzento assim como eu nem gosto de pensar ser. Olhei o zulmarinho e lá estava ele cinzento violento. É inverno, eu sei. Não gosto. Também sei. Como não consigo rir em dias assim fico sério só porque sim. 
Mas olhando para 4 anos de diferença deu para ver que a vida é rara e mágica, insaciável porém perfeita e simples, justa cruzada com injustiça, complexa, sem trancas porém fechada sobre o que ele foi.
AH. Mudei de óculos, vejo melhor e se calhar é por isso que chove lá fora, no zulmarinho.


Sanzalando

2 de março de 2017

Picasso

Sanzalando

1 de março de 2017

Março, mar e festas

Sigo praia fora como quem vê o zulmarinho num perder sem fim à vista. Vagabundo-me por pegadas desfeitas, outras bem feitas e outras por fazer. Minha cabeça percorre o areal a tantos de não sei quê à hora. Certo ou errado. A dúvida multiplica-se numa divisão de interrogações e dou comigo a salpicar água salgada como no filme e tudo o vento levou, sem dançar, só mesmo chapinhar o pé todo inteiro nas ondas que me ultrapassam o tornozelo. É Março, dia de feira e destas, dia de mar. Mais não quero saber.
Sigo praia fora como quem gosta de rosas e tem de levar os seus espinhos porque fazem corpo com elas.
Sigo feliz na dúvida de saber quem serei e se um fim só existe dentro de nós. Fui e vivi o que faz parte da minha História. Bonita, aliás.


Sanzalando

27 de fevereiro de 2017

66 - Estórias no sofá -amor, o que fazes

Depois de passar a fronteira, após percorrer duas horas num labirinto de fitas para mostrar Passaporte a um simpático inglês que lhe olhou de cima a baixo e disse:
- Next!
Tedy e sua apaixonada estavam finalmente em Londres para passar um romântico fim de semana. Modernamente chamaram um uber para os levar ao hotel marcado por internet e cuja fotografia era com assinatura. Aventura iniciada. O Uber condutor não conseguia tirar da máquina o ticket de saída do parque de estacionamento. 'Hummmm, não gosto disto' ouvi eu os seus pensamentos. Tá a começar mal. Ainda por cima está a cair chuva miudinha, como só aqui sabe chover assim. Tedy olha para todos os lados. 'Será isto mau prenuncio?' perguntou-lhe ele mesmo que eu ouvi.
'Amor, quero desde antemão te pedir desculpa. Não fiz nada mas sei que vou fazer. Para ti eu faço sempre qualquer coisa e não vale a pena perguntar nada.' Eu juro que ouvi este pensamento. Bons pensamentos de Tedy para começar uma viagem alucinante de fim de semana em Londres. Mas depois lá apareceu ajuda no parque para tirar o ticket de saída. Lá foram ambos directos aos subúrbios de Londres passar um fim de semana.
'Menos mal, Hotel novinho', segredou-se em pensamento.
A chuva caía miúda como sempre em Londres. É como o amor: insistente. Tedy estava em Londres, apaixonado mas não demente. Pessoa fácil mas sabendo ser chato quando lhe era de interesse.
- Estamos em Londres. Feliz amor meu? - perguntou ele tremulamente como que a fazer conversa.
- Muito coração. Tiveste uma ideia genial. Amanhã bem cedinho vamos ao piccadilly circus ver aqueles anuncios luminosos, as montras das lojas, sentar na fonte e quem sabe cruzar com um famoso, fazer selfies...
- Já escolheste mais sítios, amor do meu coração? disse ele convicto que era agora que ia tomar a rédea da jornada.
- Depois seguimos para a abadia de Westminster e depois...
- Como é que é? Não vamos comer nem beber nada? Não vamos ver o jogo do Chelsea, que tu gostas tanto de ver comigo? - irritadamente perguntou ele
- Vamos ao Big Ben. Sentamos numa esplanada a olhar o Tamisa e bebemos uma cerveja. continuou ela a falar como que ignorando o som que havia saído da boca dele.
Tomaram um duche rápido e saíram para jantar qualquer coisa ali por perto do hotel que tinha assinatura mas não tinha restaurante. O duche foi de facto rápido. O tempo dela pôr a maquilhagem nos trinques não conta para o cronómetro do duche. Ele caminhava dum lado para outro e vice-versa pelo que ele me contou que eu lá já não ouvi nem vi nada.
- Deslumbrante! disse ele num assim sem querer dizer em voz alta o que via.
- Obrigado, coração.
Saíram do Hotel tal e qual um casal de namorados. Vamos para ali, ou por ali ou... dizia cada um à vez. Ninguém queria tomar uma decisão. Este é muçulmano. Este é indiano. Este... pela bandeira é italiano.
- Não há o raio dum restaurante inglês por aqui? perguntou ele em voz alta para ninguém lhe prestar atenção nenhuma.
- Coração, estamos aqui livres, sem ligações ao que quer que seja. Destressa, amor.
Ele recompôs-se, não deixando transparecer fraqueza. Queria guardar as melhores lembranças deste fim de semana em Londres.
- Mas amanhã vamos ver o Chelsea. afirmou como se continuasse a falar para ninguém.
- Sabes amor, quero que me vejas como a única pessoa capaz de te fazer sorrir, mesmo sem motivo; a que estará ao teu lado mesmo quando não me apetecer; a que tu te lembrarás sempre antes de adormeceres. Sim amor. Eu comprei-te os bilhetes para o jogo quando me disseste que vínhamos a Londres.
'Ups' ouvi de imaginação ele dizer.
De mão dada entraram num pub e beberam uma artesanal como se fosse o primeiro encontro marcado entre ambos.
Para aí na 3ª, não sei se alguém se lembra ao certo, esquecido que estava o jantar ele lhe disse
- Sabes, amor, faltam poucas horas para o dia mais importante da tua vida. O dia seguinte. Sabes, amor, vamos aproveitar o hoje, amarmo-nos hoje, cantarmos o hoje para que amanhã possamos dizer que hoje fomos felizes e não nos arrependemos.
Abraçadinhos voltaram ao Hotel com assinatura trocando olhares enquanto em simultaneo trocavam também o passo.

Sanzalando

20 de fevereiro de 2017

vejo e revejo

Me sento na areia da praia e revejo as minhas amizades, belamente coloridas em contraste com tantos sorrisos a preto e branco com que me cruzo nos por aí da vida. Me vejo assim a soprar vento feito brisa, alisando as irregularidades da praia como um brilho de esperança e revejo rostos feitos furacão num passeio imaginária,ente tortuoso.
Me sento por aí na praia e traço a minha rota, sigo um alimento, traço um azimute, desconto os nortes verdadeiro e magnético e revejo que tem gente que é sempre inverno tempestuoso mesmo na calmaria dum luar de verão.



Sanzalando

18 de fevereiro de 2017

Medo, timidez e arrogância.

Sanzalando

15 de fevereiro de 2017

65 - Estórias no Sofá - O avião do amor

Lhe disseram assim num anuncio de televisão que ia haver o dia dos namorados. Ele pensou mesmo como fazer para surpresa da sua amada. Quem ama surpreende, pensa ele todos os dias. Nesse dia especial tinha de ser como o nome indica, um dia especial. Vai fazer mais como? Ela tem tudo. Flores murcham, só se fossem de plástico e isso não é natural nem fica bonito oferecer baclite. 
'Já sei', disse ele para si mesmo. 
Foi na internet. Quer dizer, ligou o tablet que ele é gajo moderno. Procurou uma viagem que coubesse no bolso dele. Isto é, que não estragasse o resto do mês nas contas para pagar. Olha aqui. Viagem a Londres a preço de ir à barra. Leu e releu até ter a certeza que nas linhas mal lidas não ia estar uma armadilha que lhe ia estragar não só o resto do mês como o resto do ano. Preencheu todos os campos até conseguir comprar os dois bilhetes e pagar sem erros ou enganos, nas datas que dava jeito.
Marcou hotel num subúrbio para ficar mais em conta. Tudo na internet. Londres é grande e subúrbios tem muitos pelo que comboio para norte, sul, leste ou oeste tanto faz. Este tem fotografia e é bonito. Fica já este. Sai mais caro o hotel que a viagem toda. 
'Mas se já marquei o avião... tem de ser. É dia dos Namorados...' disse isto soletrando como se fosse difícil decidir.
O sol até brilha nos intervalos da chuva. Lá vai o casalinho numa viagem de sonho a preços económicos. Maneira de dizer para justificação pessoal.
Entram no avião depois de passar por tantos corredores que parece é um labirinto de fitas, de descalçar os sapatos, de ser apalpado com delicadeza, de mostrar bilhetes e cartões, chaves e desodorizantes, lacas e creme da barba. Avião cheio. Ele pensa que ainda tem gente que vai ter que ir em pé que nem em autocarro da Carris.
O sr. Comadante fala em inglês uma coisa que nem ele entendeu porque o som era baixo ou as outras pessoas falavam muito que nem lhe deixaram ouvir. Irrequietou-se. Avião é assunto sério. Não é autocarro ou comboio carregado de gente ao abuso.
O avião faz marcha ré. Ao mesmo tempo tem hospedeiro que fala em português correcto e claro.
- Srs passageiros, o Comadante Lewis deseja a todos uma boa viagem. A Viagem até Londres vai demorar 2 horas 27 minustos e 04 segundos, podendo atrasar uns três segundos. Não se pode fumar  dentro do avião nesta viagem. Quem o quiser fazer tem que ir lá para fora e acertamos com a IATA que nesta viagem não íamos abrir a porta para ninguém...
Disse mais umas coisas por causa da segurança e se calou. O avião parou, acelerou muito começou a andar e assim num momento parece tiraram o chão debaixo e começou a voar. Ele só olhava na janela. Que lhe visse ia pensar que ele ia com medo. Mas era só curiosidade. Ele ia a fazer contas assim na velocidade que podiam ir. Mas aqui não tem marcos para fazer contas de cabeça e este avião não tem ecrã para mostrar o mapa.
Lá continuou ele a sua viagem rumo a Londres.
- Srs passageiros, peço um pouco de atenção porque neste voo têm à vossa disposição um serviço de vendas que para além da isenção de taxas também dá desconto nos cartões Continente e Pingo Doce. Podem comprar desde pioneses até carros de luxo a entregar ao domicilio.
Claro que foi gargalhada geral.
'Então não servem nada a bordo?' perguntou ele em voz baixinha à sua apaixonada. 'Ouve lá, ao preço que compraste o bilhete querias o quê?' resmungou ela assim como que acordada dum susto. 'Vou pedir uma cerveja', balbuciou ele assim num temor. 'Pede sim, coração'. Respondeu ela já acordada e docemente.
'Faxavor!!!?
- Sim senhor pasageiro? Que vai comprar, um carro ou uma casa? Um relógio ou um chupa chupa? era o mesmo comissário que havia feito os anuncios anteriores. Só podia.
'Quero uma cerveja?'
- Com certeza. Bem gelada, calculo?
Timidamente respondeu que sim, não fosse sair ali uma piada sem resposta.
- Aqui a tem. Os tremoços o meu colega que ficou de trazer não veio hoje trabalhar.
Gargalhou timida e envergonhadamente. Nunca havia viajado num avião feito machibombo com serviço de bordo assim.
Após o avião aterrar e ainda rolava pelo aeroposto parecia cem kilometros mais, lá foi o Comissário falando:
- Senhores passageiros, aqui o tempo está ruim, chove e faz frio. Não se esqueçam que têm de falar inglês que aqui ninguém entende outra língua e se por acaso não souberem falar não soletrem em português, calem-se apenas.
E foi assim que começou a aventura de Tedy num fim de semana a Londres



Sanzalando

14 de fevereiro de 2017

De Arthemis, com amor

Sanzalando

este mar não é o meu

Estou sentado na praia. O mar agitado faz barulho quando se atira com força nas pedras. Nem parece é a minha praia. A minha é mais assim um deslizar de água parece é carícia, um beijo de ternura. Este mar tem parece é raiva que tudo quer levar na maré. Este mar de hoje não parece um mar prudente, não parece uma aventura planeada, não parece quer chegar ao amanhã.
Eu estou sentado na praia de mão dada, trago merenda na mochila, trocos para um copo ao fim de tarde e tantas palavras doces para dizer.
Mas este mar hoje está com pressa, tal é o modo como se atira.



Sanzalando

13 de fevereiro de 2017

dormi na praia

Me sentei na praia. Me embalei no marulhar. Me diverti a ver os longínquos barcos pescando lá quase onde se vira para o outro lado do mundo visual daqui. Hoje brilha a lua e prateia o zulmarinho. E no entanto ainda me falta brilho para poder ver o teu olhar, sentir o teu respirar e quem sabe um abraço apertado de carinho.
Sentado na praia, embalado no marulhar deixei-me dormir e nem uma onde de calema era capaz de me acordar.Senti salpicos de mar, senti frio da noite de inverno empurrada pela brisa marítima e foi então que me consegui lembrar do sabor dos teus beijos, da suavidade do teu cabelo e do perfume da tua pele. 


Sanzalando

11 de fevereiro de 2017

Trovoada por aqui

Troveja que até parece o Arquitecto resolveu bombardear os mortais daqui. Não posso me sentar junto ao zulmarinho e deixar a minha cabeça vagabundear por planícies calmas do pensamento, surfar nas ondas das turbulências dos meu preconceitos, desatar nós dos meus problemas.
Troveja e eu tenho medo de perder uma tonelada de luz que me esmague ou cegue, de forme firme ou irónica, me enfraqueça na letargia dum cinzento baço deprimente.
Troveja e eu não posso brincar na areia do zulmarinho as minhas imaginárias memórias de infância.




Sanzalando

9 de fevereiro de 2017

é inverno, sei lá

Sentei na rocha e deixei o meu corpo fugir-me para uma éter qualquer. Parece adormeci sem perder a consciência do lugar e do ser. Me perguntei se era problema ter dúvidas e me respondi sem pensar que errado era não me perguntar.
Tudo foi assim num clic, porção de tempo não mensurável.
As ondas do mar iam e vinham, salpicando-me ali e aqui e eu nada. Nem respirar parecia que estava.
Meditei, digo eu. Pois o meu pensamento andou assim sem rumo. Contemplava a lua que ainda não tinha aparecido, contava as estrelas qua ainda não tinha escurecido, esquecia o início do pensamento. Acho deixei-me a vagabundear em pensamentos melancólicos, lavando-me a alma num banho de felicidade.
É inverno.


Sanzalando

8 de fevereiro de 2017

porque os há

Tem dias sem vento e outros que corro atrás dele. Tem dias que o dia é cinzento e tem outros ele é colorido. Tem dias que posso pensar que só as pessoas lives são educadas e tenho outros que penso que só as educadas são livres. Tem dias que não vejo nem ouço e outros há que consigo isso e até sentir.
Afinal de contas os problemas não são meus. São dos dias porque o há.


Sanzalando

7 de fevereiro de 2017

A primeira entrevista

Revisão da apresentação do Livro Estórias Soltas e Palavras Vadias



Sanzalando

3 de fevereiro de 2017

SINFONIA

Sanzalando

2 de fevereiro de 2017

Mar

Ouço o mar na minha imaginação. Vejo o mar no meu pensamento. Vivo o mar sem tempo de lhe olhar.
Fico horas a olhar livros e palavras em livrinhos. Leio e releio. Sublinho e guardo. Mas não consigo desligar-me do mar. 
Sento na secretária. É noite de frio e chuva. Leio o mar como se fosse a minha sina. Ouço o mar como se o tivesse gravado na minha memória volátil porem eterna.
Olho o mar e os meus olhos falam mais que a minha boca ou escrita.
Sinto o mar.


Sanzalando

31 de janeiro de 2017

sem sol

Vou vagabundeando sem nexo, lógica ou ideia alguma. Não medito. Vagabundo-me por inteiro. Se o sol hoje não deu ar da sua graça porque raio de graça havia eu de me dar. Não me interessa se passeio-me física ou metafóricamente. Vagabundo-me por caminhos desenhados por palavras. Antagónico sol que me deprimes. Por minha mera sorte em vez de chorar gargalho-me com satisfação, prazer de olhos brilhantes. Porque vivo.
Sem nexo vagabundo-me de olhos fechados para te sentir mesmo quando não estás a meu lado. Sorrio para esquecer que o sol hoje não deu graça.



Sanzalando

28 de janeiro de 2017

Sem gravidade

Sanzalando

24 de janeiro de 2017

educar o pensamento

Deambulo o corpo pela areia tentando acompanhar uma linha de pensamento desde o seu início, pelo menos até um intervalo. Desconsigo de todo. Salta-me deste para aquele pensamento num tempo que nem dá tempo de reagir. Caminho lento para contrabalançar a rapidez dele.
- Chorei? Sim, mas é claro. Sofri? Como não?! É verdade, houve dias que eu pensei que o mundo ia acabar e que faltou pouco para eu ver a noite virar um dia contínuo, sem ritmo e sem melodia, sem poesia e sem brilho. Houve dias que senti a voz estremecer e não era de paixão, era mesmo a loucura ali à porta.
Mas que raio de pensamento é este que este caminhar me está a trazer? 
Mudo o passo. Vou ao ritmo duma salsa que trauteio mentalmente. Nenhum sofrimento foi maior que a minha vontade de mudar e, zás.
- Olha como o mar é azul. É o zulmarinho a me festejar. Olha como é lindo este caminhar sobre as ondas até à linha recta que é curva e um dia me vai levar até ao outro lado deste mar.
Sorri.
Tenho que educar este pensamento e mantê-lo assim.


Sanzalando

23 de janeiro de 2017

livre pensar

Deixo o meu corpo  fixo num canto da praia, abrigado do inverso sol que arrefece a alma, enquanto o meu pensamento vagabundear num interminável novelo de ideias, sonhos e simples pensamentos. Faço sempre a conta que é a última vez. Porque um dia vai ser e eu não quero ser apanhado desprevenido e com a certeza que ninguém passa na minha vida assim só porque sim, aconteceu. Eu sei que há coisas e pessoas incomparáveis. Tudo o é. O Presente e pronto.
Sim, neste corpo, aqui num canto, fiz a morada de sentimentos que o pensamento lhes vive


Sanzalando

20 de janeiro de 2017

faz conta

Faz conta eu me meti dentro do frio e deixei-me gelar, deixando ficar o corpo rígido em pensamentos voláteis por uma eternidade sem fim à vista, assim num modo de estar acordado sonhando coisas de antes, de agora e de amanhã.
Faz conta eu era a eternidade sorrindo, corpo gelado porém cabeça livre de ver tão longe como longa é a imaginação.
Faz de conta eu era mar de ondas interligadas noutros mares, sonhos sonhados noutros lugares, vidas vividas noutros ares, abraços abraçados noutros amores, sorrisos sorrindo flores.
Faz conta eu sou sempre eu.


Sanzalando

18 de janeiro de 2017

reflectindo

Sentado na rocha da praia, adormecido pelo marulhar das pequenas ondas deste inverso de sol, dou comigo a viver as minhas vidas. Eu sou pedaços de quem me abrigou na vida, na amizade e mesmo na ignorância, no bater de pé. Eu sou pedaços que as pessoas que cruzaram os meus caminhos deixaram ficar . Eu pensava que era pedaços de quase fim, porém sinto que sou a parte luminosa dum farol, o sorriso restante duma gargalhada, o brilho intenso dum olhar, a sabedoria estagnada de cada amanhecer que vivi.
Sentado na rocha da praia me sinto navegar nos sonhos, desejos e esperanças. 


Sanzalando

16 de janeiro de 2017

Os gatos da sanzala

https://www.facebook.com/konstantin.panteleevic/videos/1155040384616106/?pnref=story
 Sanzalando

13 de janeiro de 2017

Está sol de inverno

Está sol de inverno. Abrigo-me da humidade caminhando antes do fim da tarde. Tropeço em pequenos torrões de areia molhada revolta por alguém na brincadeira. Vou distraído, pensando na vida, passada e futura que a presente está aqui, na minha forma de viver o hoje.
Tem vezes que desgosto da dificuldade de falar coisas simples como eu gosto de ti. Mas a vida nem sempre corre a direito e se assim fosse era monótono e se calhar levava à desistência. Às vezes há que inventar olhares, acreditares ou apenas mudar de ares. 
Tem vezes que se mediarmos cérebro e coração e confessar as palavras caladas tudo fica tão claro como esta tarde de sol em dia de inverno.


Sanzalando

11 de janeiro de 2017

morri, mas não

Deixo-me seguir frio fora como rio gelado segue seu caminho. Soletro mantras, recito poemas decorados na escola de tempos que já lá vão, medito sobre mim e sobe nada que sobretudo levo vestido.
Recordo passagens que decorei em sebentas de capa vermelha, em folhas avulsas e em resmas de pixeis. Morri de amores, morri de saudades, morri de vaidades e quem sabe ciúmes. Mas aqui continuo eu a vagabundear-me por palavras e silêncios, a tempo inteiro ou destempo, vivo e sorrindo em cada olhar trocado na cumplicidade de amores imperfeitos que tentamos aperfeiçoar em cada gesto simples de vida.


Sanzalando

10 de janeiro de 2017

Insónia, sonho e silêncio

Faz frio. Figura de estilo: frio de rachar. Eu tremo. Não sei se é apenas do frio se também com o virus que se alojou em mim e não me quer largar. Mas tremo. Já sei que daqui a pouco vão-me doer músculos que nem sei que os tinha.
Mas mesmo assim aproveito o tempo para meditar. Está sol, dia claro, vejo melhor os horizontes da minha memória.
Há um monte de coisas em mim que não sei se algum dia eu vou-me conseguir explicar. Se falar da insónia, misturado com os meus sonhos e amalgama de silêncios vai dar assim numa mistura de egoísmo, com forretice e medo do mundo. 
Explico-me, se conseguir. 
Tenho insónia porque não quero deixar de pensar em mim, logo sou-me egoísta.
Sobre os meus sonhos não falo para não os gastar e não os perder de vista ou da mão.
Através do silêncio tento dizer ao mundo que está errado porque violento mesmo na palavra dos santos sábios.
Faz frio e eu medito tremendo.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007