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A Minha Sanzala: 66 - Estórias no sofá -amor, o que fazes
recomeça o futuro sem esquecer o passado

27 de fevereiro de 2017

66 - Estórias no sofá -amor, o que fazes

Depois de passar a fronteira, após percorrer duas horas num labirinto de fitas para mostrar Passaporte a um simpático inglês que lhe olhou de cima a baixo e disse:
- Next!
Tedy e sua apaixonada estavam finalmente em Londres para passar um romântico fim de semana. Modernamente chamaram um uber para os levar ao hotel marcado por internet e cuja fotografia era com assinatura. Aventura iniciada. O Uber condutor não conseguia tirar da máquina o ticket de saída do parque de estacionamento. 'Hummmm, não gosto disto' ouvi eu os seus pensamentos. Tá a começar mal. Ainda por cima está a cair chuva miudinha, como só aqui sabe chover assim. Tedy olha para todos os lados. 'Será isto mau prenuncio?' perguntou-lhe ele mesmo que eu ouvi.
'Amor, quero desde antemão te pedir desculpa. Não fiz nada mas sei que vou fazer. Para ti eu faço sempre qualquer coisa e não vale a pena perguntar nada.' Eu juro que ouvi este pensamento. Bons pensamentos de Tedy para começar uma viagem alucinante de fim de semana em Londres. Mas depois lá apareceu ajuda no parque para tirar o ticket de saída. Lá foram ambos directos aos subúrbios de Londres passar um fim de semana.
'Menos mal, Hotel novinho', segredou-se em pensamento.
A chuva caía miúda como sempre em Londres. É como o amor: insistente. Tedy estava em Londres, apaixonado mas não demente. Pessoa fácil mas sabendo ser chato quando lhe era de interesse.
- Estamos em Londres. Feliz amor meu? - perguntou ele tremulamente como que a fazer conversa.
- Muito coração. Tiveste uma ideia genial. Amanhã bem cedinho vamos ao piccadilly circus ver aqueles anuncios luminosos, as montras das lojas, sentar na fonte e quem sabe cruzar com um famoso, fazer selfies...
- Já escolheste mais sítios, amor do meu coração? disse ele convicto que era agora que ia tomar a rédea da jornada.
- Depois seguimos para a abadia de Westminster e depois...
- Como é que é? Não vamos comer nem beber nada? Não vamos ver o jogo do Chelsea, que tu gostas tanto de ver comigo? - irritadamente perguntou ele
- Vamos ao Big Ben. Sentamos numa esplanada a olhar o Tamisa e bebemos uma cerveja. continuou ela a falar como que ignorando o som que havia saído da boca dele.
Tomaram um duche rápido e saíram para jantar qualquer coisa ali por perto do hotel que tinha assinatura mas não tinha restaurante. O duche foi de facto rápido. O tempo dela pôr a maquilhagem nos trinques não conta para o cronómetro do duche. Ele caminhava dum lado para outro e vice-versa pelo que ele me contou que eu lá já não ouvi nem vi nada.
- Deslumbrante! disse ele num assim sem querer dizer em voz alta o que via.
- Obrigado, coração.
Saíram do Hotel tal e qual um casal de namorados. Vamos para ali, ou por ali ou... dizia cada um à vez. Ninguém queria tomar uma decisão. Este é muçulmano. Este é indiano. Este... pela bandeira é italiano.
- Não há o raio dum restaurante inglês por aqui? perguntou ele em voz alta para ninguém lhe prestar atenção nenhuma.
- Coração, estamos aqui livres, sem ligações ao que quer que seja. Destressa, amor.
Ele recompôs-se, não deixando transparecer fraqueza. Queria guardar as melhores lembranças deste fim de semana em Londres.
- Mas amanhã vamos ver o Chelsea. afirmou como se continuasse a falar para ninguém.
- Sabes amor, quero que me vejas como a única pessoa capaz de te fazer sorrir, mesmo sem motivo; a que estará ao teu lado mesmo quando não me apetecer; a que tu te lembrarás sempre antes de adormeceres. Sim amor. Eu comprei-te os bilhetes para o jogo quando me disseste que vínhamos a Londres.
'Ups' ouvi de imaginação ele dizer.
De mão dada entraram num pub e beberam uma artesanal como se fosse o primeiro encontro marcado entre ambos.
Para aí na 3ª, não sei se alguém se lembra ao certo, esquecido que estava o jantar ele lhe disse
- Sabes, amor, faltam poucas horas para o dia mais importante da tua vida. O dia seguinte. Sabes, amor, vamos aproveitar o hoje, amarmo-nos hoje, cantarmos o hoje para que amanhã possamos dizer que hoje fomos felizes e não nos arrependemos.
Abraçadinhos voltaram ao Hotel com assinatura trocando olhares enquanto em simultaneo trocavam também o passo.

Sanzalando

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