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A Minha Sanzala: Janeiro 2018
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de janeiro de 2018

sem estória para contar

Não conheço uma estória de amor com final feliz. É verdade o que digo. Se é amor não tem fim. Simplesmente assim. Também é verdade que cada pessoa tem uma estória e todas as estórias não acabam no fim porque lhes fica a memória, o registo ou simplesmente a saudade. E há aquelas estórias que estão sempre a começar num volta grande. 
Um dia tirei esta foto imaginando eu que era um casal de caracois que brincava em subir ao muro. Não tive a paciência de ver como a estória terminava pelo que deixei a minha imaginação navegar num encontro mais acima, num romance de encantar. Fora a subida dão íngreme nos seus 90 graus, que cansados não tiveram tempo de trocar palavras. Se abraçaram numa troca de olhares e com os olhos se amaram porque as forças ficaram na escalada. Não era o local ideal nem as mais formosas criaturas. Mas foi a estória que eu vi na minha imaginação por falta de tempo para ter paciência e ver a estória verdadeira que podia ser um romance ou uma tragédia. Se calhar não houve estória para contar.





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18 de janeiro de 2018

Volto já





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17 de janeiro de 2018

e assim vai sendo

As nuvens no céu parecem revoluções e convulsões. O meu corpo treme parece gelo que me chega aos ossos, electrificando até na alma. Os pensamentos seguem rumo a lado nenhum num bem longe donde estou. Tento dizer-me adeus sem olhar para qualquer atrás num modo de seguir em frente sem ter passado. Mas continuo a dizer bom dia com abraço bem sentido num misto de mimo e carinho. Afinal de contas a gente continua amarrado às lembranças, às coisas boas que restam de nós e 

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16 de janeiro de 2018

um dia

Ai, mãezinha que este tempo leva a vontade para os lados cinzentos do horizonte.

Sentado no lancil do passeio da estrada que vai na praia onde costumo meditar no zulmarinho, me pergunto porque deixo partir o dia que foi ontem. Ontem perguntei porque deixei o tempo levar o ante-ontem e por aí fora. É que ainda por cima eu olho para trás e não o vejo. É injusto deixar os dias passar. Eu lhes seguro com todas as forças e com toda a força tento não abrir mão deles. Acho perdi o rumo dos meus dias. Não vejo os que passaram. Mas não vejo também o vazio deles.
Querem ver que os meus dias são os de futuro apenas. O lancil do passeio não me ajuda. Vou-me sentar junto a uma porta e deixa-la entreaberta não vá um dia passado querer ser futuro também.
Afinal de contas vou ver o zulmarinho e deixar esta estrada. Não vá um dia ser o último.


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a ir

Nem uma estrela no céu. Silêncio defunto. Cor negra da noite sem lua. Perdido no caminho da imaginação, me apetece gritar acordando o mundo adormecido. Me apetece que estejas ao meu lado a ver o sol que há de nascer, a cidade que irá acordar. Mas tu estás escondida no teu lugar secreto para onde foges quando o mundo se torna barulhento e a guerra substitui a paz, e ao certo não me escutarias.
Vou pedir companhia para ir ao cinema, comer um quarto de pizza e esperar que o sol volte a brilhar, nem que seja nas Maurícias.


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14 de janeiro de 2018

ser mar

Era noite cerrada, daqueles noites que para ver a gente cerra os olhos e mesmo assim não vê mais que um pouco à frente do nariz. O vento soprava forte. Gélido que nem sorvete de água na geleira. Fui sentir o mar. Fui ver o mar. O marulhar era sereno e o azul devia ser negro porque ele estava da cor do não se ver nada também.
Sentei-me numa pedra a saborear aquele momento, a ouvir o marulhar, sem intenção de tirar com ele a conversa e o saber de outros dias. Não dava para saber se eu estava assim perto dele para lhe segredar os meus medos e as minhas esperanças. Juro que me apetecia tocar no mar e senti-lo ali onde não o via porém ouvia.
É, este mar tem a faculdade de me ter fácil, de me levar a olhá-lo mesmo quando a escuridão me impede e o esforço do tempo é enorme.
Esse mar tem a capacidade de me fazer ser poesia, prosa ou filosofia, ser grito ou silêncio, ser sussurro, carícia ou arranhão. Esse mar me faz ser sol, chuva ou nevoeiro. Mesmo quando eu quero fugir ele faz-me ser como ele: mar.

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11 de janeiro de 2018

Fui na praia das Conchas

Hoje olhei e vi a praia das conchas. Em 2007 eu revi a praia das conchas. Hoje por acaso me lembrei da praia das conchas e como eu lhe conheci. Tinha 10 anos, 12 no máximo. Rui Miranda me disse vamos na praia das conchas. Minha mãe, com senhor Leovegildo Miranda claro que tinha de deixar ir. Eu ia de Jeep Willys. Acho a minha alma saiu do corpo, deu a volta à terra e voltou no meu corpo. Eu que mais não conhecia que a cidade propriamente dita, aquela que ia do bairro da facada à torre do tombo, do mar ao quartel da tropa, fazendo cantos no cemitério e no estádio do Benfica, na fabrica de tampinhas por cima do porto e na escola Industrial. Eu ia na praia das Conchas. Fervi. Borbulhei de entusiasmo. Quando cheguei lá não tina praia, Tinha conchas e muitas rochas e o mar parecia estava zangado com o mundo. Foi maravilhoso ver o porto do Saco de cima. Foi terrível ver o mar selvagem. Foi magnifico ter a minha piscina refrescada por salpicos das ferozes ondas.
Hoje digo senti sandes mista quando fui a primeira vez na praia das Conchas.


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10 de janeiro de 2018

louco?

Tremendo de frio, porque mal vestido para o tempo que faz, vejo o zulmarinho a tons de cinzento, encrespado que até parece se arrepia. Me deixo levar por pensamentos, vagabundar dos caminhos imaginários, ideias soltas em campos sem barreiras. Dou comigo a admirar quem mantém o riso fácil e a inocência de criança neste mundo de maldade. Se existisse alma a alma deles estaria perfumada e era de cores garridas. O sorriso transparece felicidade e alegria. Contagiantes, perceba-se. Benditos sejam que guardam a criança que existe em cada um de nós e a mantêm viva. 
Afinal de contas, dou comigo a pensar, vale a pena ser feliz, cantar liberdade, simplicidade e de braços abertos agarrar a vida que há.
Precisamos crescer, o tempo é real, mas não temos que perder a nossas a essência juvenil. Brinco. Sorrio. Tenho a certeza que o meu lado infantil me ajudará a ser um adulto melhor.
Tremo de frio e não bastante, caiu uma carga de água que me molhou até aos ossos e ainda sorrio como louco me poderão chamar.


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6 de janeiro de 2018

melancolia de inverno

Sei que estás a mergulhar no zulmarinho pareces és sereia. No tempo distante da minha memória também me vejo a dar mergulhos carregados de estilo. É verdade que o meu maior estilo era mesmo o estatelado em forma de chapão. Mas eu era vivo e ria, eu me deixava levar no entusiasmo da paixão, no dar o meu tudo mesmo que sem resultados práticos. 
Vivia a vida. 
Assim que nem agora, mas resguardado do frio que no presente não é memória, é real. Os mergulhos já foram, agora são entradas suaves e o estilo é mesmo o de cota. Lentamente deixando o zulmarinho me embrulhar com a salgada suavidade dos dias calmos.
Tu mergulhas no zulmarinho. Eu me deleito na memória. Tu dás braçadas até na jangada, eu me levito nas estórias que penso vivi.
Hoje está frio para caraças e eu, à volta da fogueira que agora chamo de lareira, busco a vida na memória, saboreando brisas e ventos leste de outras épocas.



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4 de janeiro de 2018

filosofando ao fim da tarde

Sopra vento forte. O meu cabelo perdeu o feitio. Rebelou-se num despentear que parece querer me arrancar a cabeça do corpo. Eu sorrio olhando o mar que violentamente se espraia num marulhar de tempestade. Continuo sorrindo e o meu corpo oscila nas rajadas do vento. Imperturbável. Super herói me sinto.
Afinal de contas eu venho ao zulmarinho me abastecer de energia, pensar em como agir dentro da vida num batalhar inevitável de viver. 
A vida passada está vivida, definida na minha mente na forma como eu a percebi. Não há como esquecer ou mudá-la, modificá-la, moldá-la. Porem posso lê-la de maneira que me dê mais jeito, de modo que a embeleze à minha maneira simples de ser. 
A parte da realidade do hoje é inevitavelmente inerente ao fracasso de qualquer passo anterior associado aos pontos fortes. De modo simples: sou o somatório do meu passado com o presente. E o presente vivo-o.
É. Hoje me apeteceu vagabundear pelo pensamento, tropeçando em filosofia, meditação ou simplesmente na minha maneira simples de viver. Hoje, vagabundo-me em palavras com o propósito de me sentir vivo, de corpo e alma, sorrindo.


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2 de janeiro de 2018

vocação de 2018

Gosto de escrever.
 - Então porque não aprendes? pensou alguém que distraidamente passou os olhos por mim aqui.

Eu tento. Gosto e faço-o. Umas vezes bem, avaliação minha, outras nem por isso, mantém-se a minha avaliação. Mas gosto e faço-o. Mil leitores nem um milésimo disso, tirando eu, é claro. Importante. Também nem por isso. Há quem possa gostar e não o diga e há quem diga coisas por simpatia. Há e são números. De números não sei nada.
Difícil é encontrar a minha vocação, para além da profissional, claro. Sou bom em tanta coisa e tão mau em muito mais que é difícil até tentar.
E o que é que eu faço bem? hum.... danço?! não, de todo, dançarino não vai ser.
E o que eu gosto mesmo de fazer? claro está que é escrever
E como é que eu vou criar um valor acrescentado a isso?
Respondendo a estas três perguntas, com honestidade, eu vou escolher a minha vocação dos tempos livres.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007