Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

23 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 25

Sopra brisa, está aquela névoa sobre o mar. É verão de Agosto para desgosto de quem não gosta de verão. Eu prefiro o verão em Dezembro. Mas não escolhi. Mas isso é outra água, outra corrente, outra forma de estar e ser. 
Aproveito o calor para me afogar em pensamentos e perguntas. Pensamentos de pensar alto ou de imaginar calado. Pensamentos de agonia ou de corrector de erros cometidos ou a acometer. Perguntas cuja a resposta não imagino ou perguntas a partir de respostas já dadas.
Enfim. É verão e eu sorrio de alegria ou de desespero. Depende da hora e do lugar.


Sanzalando

21 de agosto de 2017

divagamente fotografo








Sanzalando

14 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 24

Faz sol e não sopra vento. Tem dias de verão são assim, que até dá ideia de não é verão. Tirava toda a gente da rua, tirava toda a pressa da gente que andava na rua, tirava a rua a toda a gente que anda depressa na rua sem pressa de chegar a lugar nenhum e mesmo assim era dia de verão. Mas é um verão diferente. Roubaram o mês de Agosto. De 31 de Julho passamos para o 1 de Setembro. Ninguém nota a falta do 15 de Agosto. Ninguém repara nos fins de semana ausentes do mês de Agosto. Não se notou a ausencia duma lua cheia e já ninguém se lembra da bola de berlim não comida numa areia de praia vazia.
Mas quem se esqueceu de pôr o mês de Agosto no calendário?
Acho mesmo é delírio de verão


Sanzalando

11 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 23

Aproveito que o vento se esqueceu do que é soprar e vou limpando poeiras do coração, da mente, da imaginação e da realidade ela mesma. Vagabundo-me pelo areal, danço ao som do marulhar como se numa festa estivesse. Divirto-me ao sabor salgado da maresia e sigo em frente numa semi-lua desta baía que segura o zulmarinho deste lado de cá. Sem poeiras o coração bate certo, cadenciado ao ritmo do teu olhar. Sem areias a mente flui de ideia em ideia ao encontro do teu desejo. Sem cotons a imaginação se amplia numa capacidade de dizer não ou na capacidade de mudar de ideias.
Aproveito o dia de verão sem vento e não vejo a vida passar: vivo-a.

Sanzalando

8 de agosto de 2017

divagações de um dia de verão 22

Faz sol. Faz calor. Curiosamente continua sem ventar. Mas de certo é ainda verão.

Perdi qualidades. Perdi faculdades. Melhor, não encontrei facilidades.
Não, não é aqui neste cantinho da falésia onde me sento e medito, onde acordado vivo sonhos de encantar, onde navego por mares ainda não domados. Aqui estou bem. Sereno. Feliz, mesmo de verdade.
Nos outros lados onde por vezes tenho de passar a minha nau. Por cantos onde tenho de deixar o meu pobre corpo repousar. Aí não tem sido fácil. Existe pressa. Existe pressão. Existe má criação. Exigência sem condição. Porque é verão e o verão acaba-se e antes que aconteça o seu fim há que não perder tempo em tempos que nos outros tempos não temos.
Bebe-se, não vá a bebida acabar como acaba o verão.
Esforça-se o corpo não vá este não aguentar o verão.
Mas o pior, é quando eu tento arranjar um lugar para comer e o verão levou todos os lugares para valas comuns de gente apressada que conversa teclando e olha nos olhos da câmara que os olhos da frente estão mais que vistos.
É verão e eu ando por aqui, às vezes escondido na minha falésia a olhar o zulmarinho de ontem com olhos de amanhã.

Sanzalando

7 de agosto de 2017

divagações dum dia de verão 21

Faz sol e o vento não acordou. Quase ia pensar não era verão, mas com este calor é mesmo mais o quê? Vou aproveitar não necessito estar escondido da garroa para dizer coisas que às vezes falo com o silêncio, que deixo transparecer com o olhar ou simplesmente com o mau feitio. Horas e momentos, disposições.
Na verdade eu tenho de aprender a deixar-me ir, deixar sair o passado e estar no presente que amanhã logo se vê. 
Mergulho no mar, me ligo através do zulmarinho às minhas raízes mas, com um sorriso tenho de olhar em frente e esperar que amanhã não esteja assim pregado à História.
Não sopra vento mas ainda é verão.
Não me escondo. Admiro o ondular verdemarinho do zulmarinho de hoje. O coração bate, umas vezes acelerado outras cadenciado numa morna apaixonante.
Não há sempre vento no verão



Sanzalando

3 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 20

Sopra vento. É verão, claro. O pó, a areia fina da praia, as sobrinhas, as toalhas e os sorrisos voam ao longo do areal. Eu vagueio pensamentos tentando contrariar a velocidade do vento, porque neste momento eu queria sorrir ao teu olhar num abraço bem apertado. Ouvir-te respirar abafaria este silvar, este despentear-me de ideias e estas ondas salpicadas dum borrifador natural.
Sopra vento. Claro que é verão. Não acredito em almas gémeas, mas o verão é sempre gémeo de outro verão. Faz vento e as pessoas correm porque o verão acaba. Se ele não acabasse não havia necessidade de correr, de fazer coisas que o resto do ano nem nos lembramos, de exigir rapidez mesmo até ao conta gotas. O verão acaba, mas não sei nunca quando o vento termina.


Sanzalando

1 de agosto de 2017

Um episódio mais do Estórias Soltas e Palavras Vadias

Com pelo menos um erro apresento-vos aqui a lista dos presentes na Feira do Livro de Portimão. Na verdade já estou tão habituado a que o meu nome mude de quando em vez que já nem ligo. Desta vez calhou no João que passou para José. Um nome próprio da família dos Jotas pelo que não é de importância vital.
Dia 16 de Agosto, às 21:30 horas lá estarei margem direita do Rio Arade, numa noite que vai estar quente, bordeada por uma brisa que soprará do sueste, perfumada pela maresia da preia-mar.



Sanzalando

Divagações dum dia de verão 19

Bate lentamente o mar nas pedras. Nem chega a marulhar. É noite. Vejo o brilhar da luar se estender no zulmarinho como que se embalando para uma noite de calmaria. Os carneirinhos de mar faz tempo adormeceram. O mar parece chão, óleo ou simples passadeira a convidar-me a entrar nele desfilando par sul.
Hoje vejo-o e não me apetece mover montanhas. Fico na minha transparência fixamente a olhar para o momento que a qualquer instante vai virar passado. As montanhas têm de se mover a dois que caminham para o mesmo lado enquanto o passado está cheio de recordações e para o futuro eu inventarei esperanças. 
Hoje não me sinto a montanha russa que galga pensamentos nem se afunda em frustrações ou se emociona em verticalidades.
Hoje o mar está calmo e eu não sou mais a confusão de uma noite de verão


Sanzalando

28 de julho de 2017

Divagações dum dia de verão 18

Acho o vento foi para outras paragens, deixando os corpos musculados e os bem torneados vagabundarem pela areia das mil cores do zulmarinho que mansamente também se espraia por aqui em marés de verbo encher ou vazar. Eu, sento-me aqui abrigado na sombra de memórias, idealizando mantras e replicando meditações, como que a querer viver cada segundo como se fosse hora, na forma de ter mais tempo para sorrir feliz em cada tempo de verão.
O corpo queimado, do sol e do tempo vivido, bronzeado de passado, esperança de futuro e a viver o presente com intensidade de uma qualquer manhã de verão, me deixo enredar em filmes que nunca filmei, livros que não escrevi mas em vida que fui vivendo.
O marulhar me embala ritmado. A maresia me perfuma. Na cara um sorriso. É verão do meu contentamento porque em cada abraço eu sinto que gosto deste mundo


Sanzalando

26 de julho de 2017

Divagações dum dia de verão 17

Sopra vento do norte. Eu quase diria era Agosto em Julho. Quase, porque não me lembro esses pormenores para fazer afirmações assertivas dessas. É verão, está vento chato e isso chateia-me.
Assim sendo, recolho-me num canto, olha a linha recta que é curva deste zulmarinho de espanto e medito. Ou simplesmente vagabundo pensamentos como que a encher pneus.
Levanto-me e quase regresso a casa. Para onde vou? Tenho tanto para fazer. Fazer mesmo o quê? Ficar longe dos meus pensamentos, por exemplo. Deixo-me ser infantil por pedaços de tempo. Quando eu crescer logo terei tempo para deixar de ser assim. 
Acho eu, porque é verão e está vento como em Agosto do lado de cá, cacimbo do lado de lá.
No verão não consigo imaginar o silêncio, nunca me tornei silêncio nem mesmo quando vivo o passado da memória.
Há o silvo do vento, há o barulhos dos que têm pressa para lado nenhum, há os que reclamam que sim ou não. Há o calor de verão que anima.


Sanzalando

24 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 16

Havias de ver as nuvens a desaparecer quando falo de ti ao mar.
Sabes, verão, quando entro no zulmarinho e sinto que fico um bocado mais perto do lado de lá, até me brilham os olhos. E se ela olha para mim, ao mesmo tempo, acho ela consegue ver o que eu estou a pensar. Ela e o o lado de lá são os pensamentos mais lindos que eu consigo ter. Transparentizo-me na alma e coração. Os olhos reflectem-me a alma.
Sopra uma brisa devagarinho. Mais carícia que brisa e se ouço alguém dizer que esta vida está difícil é que eu penso que ela, a vida, está farta de nós. De nos aturar nas fazes menos claras.


Sanzalando

22 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 15

Como é sábado é madrugada para levantar. Não levantou-se o vento, levanto-me eu atraído pela selva de luz do sol. Sinto-me bem. Com olhos de ver vejo o que posso á minha volta. O zulmarinho ali está, sereno, sem ar de cordeiro nem de fera. Ele mesmo estendendo-se até à linha recta que é curva e que me separa o que vejo do que sinto. Troco palavras simples por grãos de areia. Brinco na areia. Podia dançar. Conversar e dançar na areia dum dia de verão. As garotas estão divinais nos seus biquinis de cores garridas. Os rapazes jogam à bola. Hoje todos se levantaram de madrugada, antes do vento.
Eu hoje imaginava estar aqui sozinho a ver o zulmarinho e sonhar sonhos de vida e dou comigo a divertir-me à grande com toda esta alegria de cores e brilhos numa madrugada de sábado em que nos levantámos antes do vento.
Hoje é verão dum beco à procura de saída.


Sanzalando

17 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 14

O vento foi de férias para outras paragens que nem me interessa saber quais, porque na verdade tudo melhora quando parece que não damos importância, quando não somos nada mas temos todos os sonhos do mundo.
Hoje serei chef, de estrela mexilhão ou Michelin que não me interessa desde que eu seja o que neste momento me apetece ser. Vou fazer um prato grumet, estilo francês, decoração latina e sabores franceses. Apetitoso?
Pouco me importa desde que eu goste do que esteja a fazer.
O Óleo queimou? Parvo ajudante de mim me saí. Um Chef não deixa queimar o óleo. É científico.
É verão e me apetece fazer o que gosto.
Mas hoje andam por aqui a reclamar, é tempo, é dor é parvo. É verão e vou fazer mais o quê?


Sanzalando

14 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 13

Afinal de contas o que é que é o verão? Aqui no Algarve? Faz Sol e faz Vento? 
Bem vistas as coisas aqui é assim um beira do fim do mundo. Um quase lá que não existe excepto naqueles meses. Um lugar onde não vive ninguém. Um lugar onde é uma chatice o tanto ano que existe que não naqueles meses.
Sem ser naqueles meses não há carros. Qualquer lugar está ali, inerte, isolado, solitário qual deserto. Sem ser naqueles meses as pessoas são pagas, mal, para aguentar o lugar até chegar àqueles meses, sorriem porque têm tempo até ao tempo daqueles meses, as pessoas se juntam à beira do rio, nas esplanadas vazias, nas esquinas desertas a conversar sobre tudo e sobre quase nada porque têm tempo até chegar àqueles meses.
Sem ser naqueles meses as tantas praias estão limpas, vazias e o olhar se deixa navegar por silêncios marulhados em perfumes de maresia, o ar respira-se sem o perfume de gasolina, o coração bate lentamente e os sorrisos se estampam nas caras enquanto as gaivotas não têm dificuldade em escolher um lugar para se espraiarem no areal.
Depois chegam aqueles meses... e CV conversa com JCC numa noite escaldante dum subúrbio esquecido por aqueles que descem à descoberta como os antigos navegadores para espalhar a palavra confusão nas mentes dos dementes que aquentam os outros meses.

Sanzalando

12 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 12

Quem foi que apagou o sol hoje? Faxavor devolver. Tem gente que tirou férias para torrar feito pão em torradeira e já não basta o vento ainda lhe escondem o brilho?
Na verdade com tanto vento acho não sobrou palavras para usar. Acho a praia desariou, varrida constantemente por essa força aborrecida.
Mas quem é que foi que inventou o vento?
Afinal de contas eu gosto é de verão, sol a sério, mar quente e muitas ideias na cabeça a fervilhar..



Sanzalando

11 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 11

Sol tórrido queimando-me as ideias e aquecendo os pensamentos. Vento forte varrendo as palavras que parecem saem silenciosas da minha boca. É assim que vai o verão, fazendo-nos sem força, anémica vontade de fazer o que quer que seja, desentender o que sou ou que queria ser. Abrigado do tórrido sol e escondido do forte vento, escolhendo as minhas fases, numa forma indelicada de ligar ao sentimento raiva que vai nascendo com o despentear dos poucos cabelos que resistem. Guardando as coisas dentro de mim, o medo de encontrar um domador para os meus temores, conteúdos para preencher o vazio, imagino que o meu passado não é a memória do que vivi mas sim as recordações que fui montando ao longo do passado numa constante mudança presente. 
O sol tórrido e o vento forte conquistam espaço e eu desato a gritar que é tempo de arrumar o caos e sonhar claro para lá do zulmarinho

Sanzalando

5 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 10

Sol timidamente estendido sob a areia da minha praia. Vento forte arrastando grãos de areia em direcção ao meu corpo, tal como agulhas disparadas duma qualquer arma. Abrigo-me, encolho-me num canto recatado, protegido por uma pedra de séculos de memória. Eu quase sem nenhuma, quase sem passado e do presente resta um medo de passar a entender e deixar de sentir. O zulmarinho ondula num marulhar de ira, quem sabe de protesto.
É verão numa tarde de vento quente.


Sanzalando

3 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 09

Hoje não há brisa. O tórrido sol queima a areia da praia que nem dá para a pisar a caminho do meu canto ounde gosto de me sentar a ouvir o marulhar das águas empurradas pelo sueste. Saltito como lagarto em deserto usando memórias de passado. Assobio para abafar os ais e uis que grito em forma de pensamento. Chego ao meu miradouro. Desperto a minha atenção para além dos horizontes visuais. Sussurro mantras como que a chamar memórias que possam estar escondidas nas camadas da vida vivida. Assopro poeiras, limpo velhas teias de aranha que mais não são que bichos imaginados em tempestuosos passados. Assim já limpo, já recomposto no presente, projecto os pensamentos e me dou comigo a fazer-me perguntas cujas resposta vou dando cândida e vagarosamente.
Um dia de verão, calor tórrido e memórias refrescadas. Mergulho o corpo na água gelada. Purifico-me em sorrisos, brilho dos olhos de criança que continuo a ser.
No céu há estrelas velhas e novas que logo à noite brilharão a minha escuridão


Sanzalando

1 de julho de 2017

divagações dum dia de verão 08

É verão. faz vento. Está quente, agradavel mas despenteavel. Sento-me aqui a ver o mar que hoje resolveu estar parece é lago. Nem o marulhar me chega aos ouvidos. Neste momento só me apetecia olhar nos olhos e sentir a respiração de quem me abraça com o coração. O desejo aumenta só de pensar nisto. Mas não me apareces no horizonte do meu olhar e nem se eu ultrapassasse a visão da linha recta que é curva eu te veria. Tu estás no meu pensamento e eu nem sei se consigo abrir os olhos porque tenho medo que fujas por eles. 
Faz vento. Está quente. Está mar chãi sem marulhar mas existe um sabor a maresia no ar. És o meu ar.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007