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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

18 de abril de 2018

meditação primaveril

Hoje o vento não acordou e o meu cabelo penteado nem sai do seu estar alinhado. O zulmarinho parece é chão que apetece pisar até lá longe onde nem a vista alcança. Eu aqui medito, sentado, costas direitas e respirando um certo sabor a sal. Até parece que a Primavera acabou por chegar com saudade tropical. Não, não me vou analisar nem desmascarar o meu ponto mais frágil. Cimento-me nas marcas que a vida me deixou e grito as minhas exigências como se fossem fatias de fuba seca, gomos de laranja descascada a dedo ou metade da banana partida à mão. Medito envolvido nos meus modos na perfeição quase perfeita de amor feito.
Medito saboreando a Primavera quando lá, o Bero corre para o mar, feroz, derrubando obstáculos como se fossem frágeis ideias.


Sanzalando

15 de abril de 2018

até parecer primavera

Olha só o sol a se espreitar de trás das nuvens a quer espiolhar o que estou a fazer. Tá aqui me está a dizer que por detrás das nuvens não existe mundos nem estrelas. Olha que até parece é timidez. Vergonha é não brilhar com a alegria primaveril que devia ser nesta hora do ano.
Vou fazer mais o quê com este tempo?
Gastar palavras? Degustar ideias escritas? Baralhar cartas de amor?
Acho mesmo vou apenasmente fechar os olhos e pensar o sol brilha que até parece Primavera e as sombras  nublosas são música de embalar.

Sanzalando

13 de abril de 2018

Beijo

Um beijo, uma carícia, uma ternura. Um brilho de sol a reflectir no vidro duma janela como a ver por onde ando. É já andei por tanto lado que não sei se me perdi ou ainda sigo o caminho que me foi desenhado nas estrelas. Soprador de brisas e vertedouro de birras, cruzamento de palavras e trocador de abraços, recordador de sonhos acordado. Qual o meu caminho? Um beijo e terei a resposta.

11 de abril de 2018

gostar de tanto gostar,

Sol de Primavera parece perdeu o brilho. Deixou a luz se abafar na neblina, perdeu calor através da humidade e de vez em quando cai água parece dilúvio. Desabituei-me das manhãs de cacimbo, dos três dias de chuva, dos ventos de areia e do sol quente nos intervalos. E é assim que eu fico embirrento, implico, dou recado no olhar e viro costas à vontade de ficar calado, grito chega ou me afasto do respirar alheio. É assim na imaginação de quem está sentado a ver as palavras saírem com vida própria e vontade alheia. Na realidade eu brinco, riu-me, dou saltos e piruetas à espera que termine o dia cansativo e eu me deite no teu colo com vontade de sonhar.
Vou fazer mais o quê com o meu passado, presente e futuro? Me atiro de cabeça ao gostar de tanto gostar.


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7 de abril de 2018

eu sou-me único

Sabendo que ninguém é tão importante quanto pensa ou se imagina, me deixo levar, pelo vento primaveril que sopra em fim de tarde, como se fosse uma folha de papel escrita num para eu mesmo me ler e me recordar. A importância é relativa como relativo é o tempo que eu penso nisso. Mas eu sou especial. Nem que seja apenasmente para mim. Eu sei que já o fui para a minha mãe. Todas as mães têm essa coisa de adorar os filhos. Que podemos nós filhos fazer? Ser amados. Regressemos à simplicidade do começo. Às vezes sou importante porque sorri para alguém, amigo, conhecido ou apenas cruzamento de olhar. Naquele momento fui único porque único foi o momento.
Afinal de contas eu apenas faço com que a minha vida seja um pouco mais brilhante, porque é a única que tenho agora, assim à mão de semear e que posso viver.


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6 de abril de 2018

meditativo delírio

Sentado na esplanada, absorvendo os raios de sol que fracamente ultrapassam as nuvens altas neste dia de primavera, embalado na melodia arritmada do marulhar, medito sobre mim, delito flagrante dos meus egocentricos pensamentos. Um dia enamorei-me e por ser como sou me gostaste da mesma forma. Ainda hoje me emociono quando seguras a minha mão, ansiosamente espero a tua chegada, sorrio ao teu sorriso, arrepio-me no teu abraço, tal como no primeiro que me deste.
Primavera que vem buscar-me em forma de desejo ardente faz como que  não haja um ponto final a este meditativo delírio


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4 de abril de 2018

Na cidade parece foi ontem

Faz conta, mermão, que esta mesa deste café é um café da tua e minha juventude ao mesmo tempo que é uma fogueira e que a gente está à volta dela a trocar palavras. 
Imagina que esse mar que está aqui é onde tudo começa e onde tudo termina. Imagina que muita essa água são as lágrimas choradas às escondidas nos dissabores de amores de juventude. 
Olha que esses cabelos em desalinho, agora brancos e estilo anos 70, são a gente como a gente era. Esses corpos magros, as barrigas ainda não ganhas e o pneus ganhos com o tempo ainda não eram nem amostra. Vamos sentar em roda e beber umas e outras e falar dos ontens que aconteceram e para termos ideias para amanhãs, recordarmos e sabermos que vivemos, que percorrermos os lugares de ontem e chegamos ao amanhã. Mermão, hoje te recebi uma foto desses tempos, uma foto que tocou fundo no coração. Tinha o zulmarinho, tinha Fané, tinha o biquini azul, tinha, tinha tinha, tantos tinhas que acho até tinha perfume da cidade. Tinha a côr no preto e branco, salpicados por muitos brancos devido ao tempo, espaço entre dois momentos. Deu um toque no coração, uma gota de zulmarinho percorrendo a cara, uma emoção. Mermão, como tu dizes que hojesou eu que pago as loiras, já não bebo mais. Mas só hoje porque as outras serão pagas pela MAGIA da nossa exitência, pela capacidade dos nossos sonhos, pela amizade que nos liga. Te lembra, mermão, que aqui sentados em roda, bebendo umas e outras, não interessa de que é que se vão lembrar de nós, mas sim quem vai se lembrar de nós e o que vamos nós nos lembrar


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3 de abril de 2018

por mares acima

No vai e vem do mar dou comigo a navegar por pensamentos e sonhos como desde criança. Será ainda sou criança que espera as flores da primavera?
Não sou de prometer felicidades e alegrias constantes, apenas um estar perto em todos os momentos, independentemente eles sejam o que forem. Sou mais do tipo me encontro em todo o lado, na alegria e na tristeza, na esquina ou na esplanada, no momento que é preciso. Sou mesmo tipo Primavera é quando a gente sorri.
Por isso sorrio para os pensamentos e esqueço os pesadelos e outros passamentos. Só não quero mesmo é navegar sozinho por essa vida fora. Navego ao sabor das ondas desse mar que me liga e me redescobre em cada onda.

Sanzalando

1 de abril de 2018

Páscoa

A pascoa para uns é a ressurreição de  Cristo, para outros touradas, largadas e outras marradas, para outros grandes almoçaradas e outros a oportunidade de comer chocolate em forma de ovo oferecido por um coelho. Para mim é um pretexto de dizer olá aos amigos e sentir no zulmarinho as noticias do meu sul.

26 de março de 2018

por primaveras fora

Brilhou o sol e o vento, por vezes de rajada e outras de carícia, mostra-me a Primavera. O marulhar embala-me o corpo em emoções e a mente em divagações. Tenho corpo, tenho mente e tenho respeito, já fui utópico mas não deixei de acreditar em sonhos. Vivo e quase morto me senti, levantei-me e caminhei em frente agarrado ao sorriso que não abandonei, transporto a esperança de amanhã me reinventar se for preciso e se me perder logo me encontrarei.
Na verdade, seja Primavera ou outra estação qualquer, não me dou por parcelas, nem estou quase a me entregar. Tudo ou nada. Sou terno mesmo sabendo que nunca serei eterno. Vivo mesmo sabendo que um dia não. Amo mesmo sabendo que tem dias pode doer.
Brilha o sol com vento a rajar e o zulmarinho por ali está a me testar.


Sanzalando

23 de março de 2018

Chove, que pena

Aqui me deixo embeber em sol, saborear maresia e caminhar ao som do marulhar calmo e sereno da Primavera.
É de bom tom questionar-me, sobre tudo e sobre nada. Não por demência mas talvez por paciência, pergunto até ao limite do conhecimento. Sei. Não sou fácil porem na Primavera facilito-me, e respondo-me às incríveis dúvidas do dia a dia. É chato ser assim? nem por isso. Mudava-me. Não quero saber de notícias ruins. Sou positivo. Não quero saber se chove. Faz-me sol.
Eu nasci com o sonho de ser livre e sou-o mesmo que o medo interfira. 
Pena mesmo é que chove.


Sanzalando

22 de março de 2018

Primavera

E num repente começaram a nascer flores, transparecer sorrisos nas caras outrora taciturnas e o sol brilhou. É, chegou a primavera com hora marcada e tempo mudado. Até parece que nasceram constelações de olhares felizes. 
Os casacos e gabardines foram guardadas. As indisposições esquecidas. Abriu o tempo num tempo de brilho solarengo. 
Afinal, também as estações do ano são curtas para a gente ficar a sofrer um constante inverno. Ciclicamente o sol brilha e brilham os olhos  de quem olha. Nascem flores de alegres cores onde outrora havia lama castanha e feia.
Só foi a Primavera que chegou.

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19 de março de 2018

Num dia do pai

Eu sou pai que também é filho. Mas por coisas do destino não sei se alguma vez tive oportunidade ou saber para lhe dizer lhe gosto ao ouvido, assim como tantas outras coisas que eu queria lhe dizer e que acho não lhe disse uma única vez. Eu sei, meu pai, que sempre tiveste esperanças, novinhas em folha, que eu não ia desistir de ser quem sou, que eu jamais ia esquecer as verdades e confundir-me em mentiras, que eu iria congelar-me em ideias preconcebidas ou enlamear-me em mentiras. Eu sei, meu pai, que tu sempre soubeste que um dia eu usaria as palavras  (que quase não tiveste tempo para me ensinar e que porém me passaste nos genes)para descrever a vontade enorme de ser feliz, as coisas boas que dão certo e os sonhos de alegria feitos.
Eu que sou pai e também filho não abro a mão de ser feliz mesmo que para isso eu tenha que ser descrente absoluto que sem esperança não há vento que empurre uma vela nem gente que invente a melancolia só pelo prazer de ser um apagado evento.


Sanzalando

16 de março de 2018

vivo hoje porque amanhã posso não ter tempo

Hoje o tempo parece virou sandes. Faz sol e depois chove e volta ao mesmo e eu estou que nem abre e fecha guarda-chuva. Olha a vida era assim? Abre fecha e fecha e abre. Bolas a gente cansava. Mas não é e ainda bem que a rotina é excepção e eu cá vivo hoje porque amanhã posso não ter tempo. 
Vejo o zulmarinho marinhando pela falésia a me gritar com perdigotos de espuma e eu respiro o sabor de maresia com um sorriso que acho lhe irrita ainda mais. Ah, pois é, ele devia estar a pensar que eu era pessoa de lhe dizer adeus e ficar aqui a lhe olhar medroso. Não, lhe olho nas ondas, lhe respeito, mas não tenho medo; tenho mesmo é muita consideração e estima.
E daqui deste meu estar vou vagabundando pensamentos, ideias, memórias e sonhos e construindo o meu mundo de hoje que tem alguns traços de passado e esboços de futuro. Mas o hoje está presente, vivente e profundamente absorvente. 
Hoje o tempo viro sandes e eu vivamente vivo-o.


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14 de março de 2018

Arthemis faz anos.

Arthemis faz anos. Se eu soubesse fazer desenhos fazia aqui um de passado com cores de hoje; desenhava memórias com gosto de presente, coloria com sorrisos aqui e ali salpicos de mimos e quem sabe não conseguia desenhar a lapis de cor a palavra AMIZADE


Arthémis faz anos

13 de março de 2018

Chove não tropicalmente

Chove meia dúzia de dias e eu já digo que chove sempre. Me imagino atolado na lama, fazendo esforço enorme para caminhar, perdida a capacidade de sorrir, esquecida a capacidade de inventar, disparatando os meus segredos sem nexo e calma perdida. Chove há meia dúzia de dias e parece-me uma eternidade. Caminho encolhido, cara fechada sem saber onde pôr o pé num caminhar indeciso. Chove não tropicalmente. Apagaram-se as sombras e expressões da minha cara. Fizesse sol... eu reaprendia rápido, inventava palavras, buscava forças e encontrava os pedaços de mim que havia dispersado por aí.
Chove frio e venta forte. Sinto tremores de lama, moldes de barro me mumificam. 
Bem vistas as coisas ainda sou capaz de sorrir porque não chove frio dentro de mim.


Sanzalando

10 de março de 2018

Eu por aqui à vela

Me deixo levar pelo vento. Faz tempo não me sentia assim como que a levitar levado de rajada em rajada. Se tivesse de calções, noutro ponto geográfico mais a sul e, se eu soubesse escrever, diria qie estava a fazer acumpuntura com os grãos de areia fo deserto. Mas como estou aqui mais a norte, eu levito em meditação de pensamento em pensamento, de recordação em recordação, de memória em memória, como se fosse a mimha primeira vez. Sou feliz assim, mesmo que o vento me arraste pelos cabelos, mesmo que a chuva me encolha a área de acção, mesmo que a força já nao seja a mesma e mesmo que o sonho tenha perdido um pouco da cor.
Me deixo levar pelo vento.

9 de março de 2018

destino

Chove que nem céu desaba sob a terra. Venta quem nem sopro varrendo as folhas caídas. E eu que queria ver a lua.
Assim, medito no marulhar perfumado de maresia e me pergunto se existe destino. Acho que sim mesmo que me acreditar nele. Há pessoas destinadas a conhecer-me, há lugares destinados a ver-me, há vidas destinadas a viver-me. 
Pelo menos há a palavra destino e essa sussurro ao teu ouvido assim tenha oportunidade e o vento mar não me roube o zulmarinho que hoje é mais branco porque assim está destinado



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6 de março de 2018

vento desnorteado

O vento sopra em rajadas, arritmadas e desnorteadas. Às vezes parece é do norte, outras sueste e outras tantas só sei que sopra que quase me arranca os frágeis cabelos que tenho. Esta coisa de inverno não foi feita a pensar em mim. Até o zulmarinho tem mais branco espuma que azul mar e acontece-me o que eu tinha medo um dia acontecer-me. Acontece eu parar. Parar de admirar, de deixar o meu coração falar mais que a razão ou bater mais forte que até parece vai parar. Acontece que tudo parece abalar as minhas estruturas, definhar de estatura, arredondar a formosura. 
O vento sopra como que me avisar qual o caminho do tempo e o uivar do vento mostra-me o tempo que tenho e aquele que eu deixo escorrer por entre os dedos que não têm mais a firmeza de antes.


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4 de março de 2018

Lição de vida

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WebJCP | Abril 2007