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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

12 de outubro de 2017

divaguei no Outono

Me deixo embalar na música do outono. Troco pensamentos e sonhos por palavras simples. Não
complico a minha maneira de estar. Não triplico a minha dispersão no estar. Estou, de alma e coração onde quer que esteja. Simples e racional como as ondas do meu mar que um dia chamei de zulmarinho, com quem um dia fiz votos de ligação eterna e que um dia me deixou estar ligado como um cordão umbilical à terra da minha devoção. Ninguém me conhece para além da capa que me superficializa. Ninguém sabe os meus medos, segredos e outras ninharias perdidas em noites de insónia. Não, não deixo desfazer o meu mundo por outros mundos, por outras vidas ou por outros caminhos. Sou quem sou na razão de tudo o que já vivi e somei. O zulmarinho me liga, me limpa os olhos, a alma e o coração.
Tudo me liga ao simples como se o céu da boca fosse o céu de lá de cima e a planta dos pés a minha flor predilecta. 
Me deixei embalar no sol de Outono e soltei palavras ao vento que não sopra.


Sanzalando

11 de outubro de 2017

relembrando o mapa da cidade

Bem me quer ou mal me quer é verdade que a simetria da minha cidade me afeta. Esquadria quase perfeita que se perde na parte nova para lá do deserto dento onde as vivendas com desenho complexo se vão multiplicando devagar. Gente nova se distancia do centro idoso da cidade. Não sei é de propósito ou não. A meu ver é ideia que não é boa. Avenida do Bonfim, é paralela à Rua dos Pescadores que é paralela à das Hortas que por sua vez é paralela à da Fabrica e as transversais são perpendiculares a estas e paralelas entre sim. Simples que nem desenho geométrico ensinado pelo Professor Ezequiel e antes me ensinara o Professor Amaral e a Professora Estrela.
Assim desorganizada a cidade parece outras cidades de curvas longas que nem rectas encaracoladas sobre si.
Como é que eu vou dizer a um carcamano onde fica o sitio qualquer se não tiver a esquadria na cabeça?
Fico na cidade mais velha, mesmo na Rua dos Pescadores, assim quem vai saber onde eu moro?
Na torre do Tombo? No Bairro da Facada? No Forte de Santa Rita? No Bairro do Mucaba? Mesmo na minha rua, aquela que eu chamei de minha na posse plena do meu centro universal.


Sanzalando

10 de outubro de 2017

outonal pormenor

Está quente. Não chove nem cacimba. O sol não é o sol brilhante de verão. Mas é apenas um pormenor brilhante. É Outono, dizem os almanaques. É Outono diz o corpo e a mente. Mas aqui onde o zulmarinho termina está quente, como quente imagino deve estar lá onde ele começa. Um pouco menos, se calhar. Pormenor outro. 
Nas estórias de amor ou é Verão ou Primavera. Raramente Outono e ainda mais raro inverno. Porém, quem se apaixona por flores, no Outono das quatro estações, vai amar os troncos despidos? As flores de estufa? Ou o todo sonhando com a Primavera e o Verão que um dia voltará a chegar? Outro pormenor.
No outono não há aquelas conversas de rua até às tantas da madrugada. A lareira se acenderá, os corpos aquecidos se perdem em serões de silêncio olhando a caixa mágica que entretém na semi-escuridão. As conversas não são fluídas e as palavras parece se guardam para outras alturas. Um ligeiro pormenor silencioso.
É outono, mesmo que por aqui esteja quente que nem Verão. Um outonal pormenor.



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4 de outubro de 2017

quente outono da minha estória

Nem parece saímos do Verão. Tem dias que nem em Verão era assim. Dou comigo a navegar por palavras, sonhos, ideias ou pensamentos. Vagabundo-me lentamente para não sai da mornice e entrar no ferver ansioso. Vou só por ali, por aí ou por aqui. Despolidamente saltitando sem rumo aparente.
Afinal de contas existe uma ligação no que me parece e no que é o eu verdadeiro. Falo de mim, é claro. Conto a minha estória. Sempre. Todas as vezes que falo de mim, que penso de mim, que vagabundeio-me por aqui, ali ou aí. Afinal de contas, repetido, é essa estória que me converte no que sou. 
Com este calor de outono concluo que me construo a partir da minha própria estória


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1 de outubro de 2017

doce outono

Sopra fresco. Um pouco mais do que eu desejava. Os teus braços se entrelaçam e se encaixam docemente no meu corpo. Nossos corpos nus ocupam o mesmo lugar. A fragrância que paira no ar é doce amor. A luz que ilumina a escura noite nublada é o nosso luminoso amor. 
Esta terra fria, mais do que eu desejava, é o lugar que eu queria habitar porque nela está a tua alma, o teu corpo, o teu perfume, a tua tranquilidade.
Como é doce o outono


Sanzalando

27 de setembro de 2017

sorrindo outono

Sorrindo, tornando o outono romântico, quem sabe alegre e bonito e não aquele em que na fria noite, metade da cama está vazia e só restam memórias das tantas conversas havidas entre ambos. Não aquele em que o peito doi, os olhos nada olham e a alma clama por uma carícia.
Não! É mesmo aquele outono em que a amor é fazer parte um do outro, não por obrigação, mas por ele mesmo. Por Amor. Aquele em que o outro corpo é seu, o seu porto seguro, aquele que passa para o seu rosto a felicidade, apenas num clique de olhar, de tocar de sentir.
Olha, o mar continua azulinho que nem o zulmarinho de verão, mesmo que sirva apenas para olhar. A luz do pôr do sol continua divinalmente da cor do fogo.
Eu sei que as flores se foram ou se vão. Eu sei que o ar deixa de estar de feição. Eu sei que a melancolia invade todos os poros. Porém, mantenho-me sorridente porque espero que cada dia continue a passar, como ele mesmo, mesmo que tenha de pôr uma pergola que antes eu chamava de toldo.

Sanzalando

26 de setembro de 2017

outono positivo

Tantas vezes dou comigo a tropeçar em palavras, como se só eu as entendesse. Outras vezes, não sei se muitas ou nem tanto, pouco importa a quantidade, tenho medo que alguém veja as minhas palavras, como se elas fossem o meu rosto e se esquecem que por detrás existem raízes, sentimentos sedimentados em tempos longos. 
Às vezes, 10 pessoas me dizem bom dia e eu retribuo sem dar importância ou me lembrar mais tarde. Mas há uma que passa por mim e diz algo desagradável. A força desta negatividade persegue-me porque parece é grande, enorme. Mas felizmente eu vou buscar aqueles 10 bons dias, simpáticos, simples e sem importância, e neutralizo aquela força negativa.
Outras vezes, porque é outono, penso que estou como as folhas das árvores, em queda, porém, revivo cada momento como se não houvesse outro e sorridente vou vendo um paralelo, ou abrindo desdobráveis e recupero o folego dos meus tempos de criança sonhadora.


Sanzalando

24 de setembro de 2017

Fotografando Domingo de Outono

Porque nem sempre apetece deixar palavras por aí, nem navegar por sonhos ou estórias soltas. Às vezes apetece só andar por aí num aqui.


































Sanzalando

22 de setembro de 2017

eis-me chegado ao outono deste ano

Ao longo dos tempos, tempos longos, fui aprendendo algumas coisas. O outono não me assusta, a idade não me surpreende, a tristeza não me afoga e a vida vou vivendo-a com um sorriso nos lábios. Outra das coisas que aprendi é que a felicidade não tem nenhuma relação com os que as pessoas possam aprovar ou não. Importa mesmo é ser feliz, com o sol brilhante ou com céu cinzento.
Esfolei joelhos nos carros de rolamentos, em patins de rua e nas bicicletas sem travações e outras distracções. Chorei amores e desamores em vazios tempos de solidão. Cantei canções que inventei em momentos de paixão. Sorri e gargalhei nas mais diversas ocasiões. Em todas aprendi 




Sanzalando

19 de setembro de 2017

outono geográfico

Na aula de geografia me tinham dito ainda era Verão. Outono é daqui a uma semana, mais coisa menos coisa. Mas nem já o tempo segue o tempo de escola.
Vais ver é porque estamos subjugados ao saco de plástico, ao dinheiro de plástico e à beleza de plástico implantada nas partes eróticas do corpo.
Acho vou segurar a respiração e cometer um suicídio ecológico, livrar-me de mim, triturador da humanidade serena e calma, organismo oco servido enlatado, embrulhado em conservantes e temperados com corantes de lugares exóticos como laboratórios.
è outono e eu estou melancólico e assim ficarei até que as folhas das árvores caiam e sejam substituídas por plásticos, que a conta chegue ao zero e seja substituídas por moedas e os implantes se esvaziem em reais desperdícios de gente humana


Sanzalando

18 de setembro de 2017

as minhas metades

Me deixo embalar na brisa outunal que teima em soprar. Visto um casaco de malha. Mais como um aconchego do que propriamente por frio. Parece-me que metade de mim grita e outra metade se mantém em silêncio. Este outono, como todos os outros outonos, me deixam melancólico. Mais ou menos como se metade de mim partisse com as aves e a outra metade ficasse com o meu passado.
Me deixo embalar neste sol de fingir, nem aquece nem arrefece, e fico com metade de mim a julgar que sou o que penso e a outra metade a dizer que sou o que pareço.
Me canso neste tempo de melancolia pensando que metade de mim é um abrigo e a outra metade é um deserto.
Mas a brisa me trás de volta num arrepio que me despenteia porque metade de mim é amor e a outra metade também deve ser.

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16 de setembro de 2017

assassinando saudades

O sol de verão já não era o quente sol de dias atrás. A areia da praia onde o zulmarinho termina já não tinha o brilho de semanas atrás. O zulmarinho continuava nuns tons verdes como era todo o tempo passado até nos dias de hoje, e se prolongava para lá da linha recta que é curva, começando na miragem duma praia cheia de gente e toldo azul. Hoje devia ter acordado cor de cacimbo lá no seu início, enquanto aqui no seu fim acordou desbrilhado de reflexos frouxos. 
Mas tu caminhas ao meu lado, sorriso largo por vezes matreiro que não da para adivinhar o que esconde. Só dá mesmo vontade de te fazer feliz para manter esse sorriso enigmático à minha vista.
Não sopra brisa transformada em vento nem me despenteia suavamente o cabelo ralado pelo tempo. O marulhar é suave como suave deve estar lá no vazio inicio dele.
Gargalhaste porque te lembraste de qualquer coisa. 
Já sei, te lembraste de Bauleth, do Rui Monteiro da Costa, do Matela, do Travassos ou do Leopoldo, os guardas redes que te lembras dos jogos da bola do velho campo junto da estação dos comboios. 
Não, não pode ser porque nesse tempo não eras nascida e não nasceste lá, onde o zulmarinho começa e me trás estes segredos.
Já sei, te lembraste da minha saudade de me levar aos lugares comuns onde um dia eu esfolei joelhos, parti a cabeça ou perdi o coração.


ps: me esqueci de meter o Bitacaia ali no meio. Logo ele parecia era de plástico

Sanzalando

12 de setembro de 2017

adeus Zé David

E hoje perdi um amigo. Daquelas perdas que a gente não pensa possa acontecer. Não espera que a vida faça essas surpresas.
Zé David, me fizeste rir tantas vezes quando me apetecia chorar, me deste força quando a fraqueza tomava o meu corpo e minha mente de assalto. Hoje me ligaram e disseram que havias partido. Assim de surpresa. Vendo bem, contigo nada era surpresa. Viva a vida, Zé David, é só o que te posso dizer neste momento de vazio.

Sanzalando

8 de setembro de 2017

meditação

Sento-me na beira da estrada e me deixo embrulhar em pensamentos. Vou meditando, trocando ideias por sonhos e vice versa, perdido por vezes e achado outras tantas. Me deixo ir de pensamento em pensamento como se viajasse dentro de mim, da minha estória, do meu passado real e imaginário, do meu futuro como se fosse presente. Vagueio-me vagabundando ao calhas. Tudo porque pensei que tinha chegado o tempo de pensar no meu bem, no meu bem estar, no meu estar presente de ser eu próprio, de dar primazia a mim mesmo. Presentear-me com a minha presença.
Faço uma escala entre sonhos, desejos, vidas, passados, presentes, quereres. Tento escalar. Prego a prego desorganizo-me. Ordem alfabética, não me satisfaz. Importância, não consigo dar mais e menos. 
Sorri. Para mim, entenda-se.
Não posso esquecer-me de me dar atenção, às vezes. Eu tenho de viver para mim também. Sem falsa modéstia. 
Se eu não for autor da minha felicidade, quem irá ser?


Sanzalando

5 de setembro de 2017

Re-introdução ao deus-dará

Carregando os sonhos que sempre sonhei, recordando os que vivamente vivi, suavizando os amargos sonhos que sofri, me deixo levar neste caminho que uns pensam é uma passagem, outros uma constante e outros uma mera ilusão óptica. Eu, não preocupado com definições, cá vou indo por ela, a vida, sorrindo, chorando, gargalhando ou simplesmente tentando ser feliz, sempre.
Cá vou correndo por tanto que há por trás dum te quero ou te gosto, cá sigo eu atrás dos meus sonhos, umas vezes com a positividade dum não, outras nem sei porque corro. Cá vou eu esquecendo os meus medos, agarrado aos sonhos, de modo que não me enfraqueça num qualquer desvario temporal, num qualquer tropeção de confiança ou numa armadilha imperceptível


Sanzalando

30 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão - último

Faz sol e sopra brisa. Não é mais aquele sol brilhante de cegar os olhos nem aquela brisa de sabor a mar. É mesmo assim só um adeus de sol e um frio feito aragem.
Olho na janela, vejo o céu limpo e espero amanhã o sol volte a ter brilho. 
Chega a noite. A brisa virou vento gelado. Olho na janela e conto meia dúzia de estrelas e me pergo na divagação de dizer que gosto da noite. Pelo silêncio dela. Pelo descanso que ela me trás, mesmo que amanhã não brilho o sol como brilhou no resto do mês.


Sanzalando

23 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 25

Sopra brisa, está aquela névoa sobre o mar. É verão de Agosto para desgosto de quem não gosta de verão. Eu prefiro o verão em Dezembro. Mas não escolhi. Mas isso é outra água, outra corrente, outra forma de estar e ser. 
Aproveito o calor para me afogar em pensamentos e perguntas. Pensamentos de pensar alto ou de imaginar calado. Pensamentos de agonia ou de corrector de erros cometidos ou a acometer. Perguntas cuja a resposta não imagino ou perguntas a partir de respostas já dadas.
Enfim. É verão e eu sorrio de alegria ou de desespero. Depende da hora e do lugar.


Sanzalando

21 de agosto de 2017

divagamente fotografo








Sanzalando

14 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 24

Faz sol e não sopra vento. Tem dias de verão são assim, que até dá ideia de não é verão. Tirava toda a gente da rua, tirava toda a pressa da gente que andava na rua, tirava a rua a toda a gente que anda depressa na rua sem pressa de chegar a lugar nenhum e mesmo assim era dia de verão. Mas é um verão diferente. Roubaram o mês de Agosto. De 31 de Julho passamos para o 1 de Setembro. Ninguém nota a falta do 15 de Agosto. Ninguém repara nos fins de semana ausentes do mês de Agosto. Não se notou a ausencia duma lua cheia e já ninguém se lembra da bola de berlim não comida numa areia de praia vazia.
Mas quem se esqueceu de pôr o mês de Agosto no calendário?
Acho mesmo é delírio de verão


Sanzalando

11 de agosto de 2017

Divagações dum dia de verão 23

Aproveito que o vento se esqueceu do que é soprar e vou limpando poeiras do coração, da mente, da imaginação e da realidade ela mesma. Vagabundo-me pelo areal, danço ao som do marulhar como se numa festa estivesse. Divirto-me ao sabor salgado da maresia e sigo em frente numa semi-lua desta baía que segura o zulmarinho deste lado de cá. Sem poeiras o coração bate certo, cadenciado ao ritmo do teu olhar. Sem areias a mente flui de ideia em ideia ao encontro do teu desejo. Sem cotons a imaginação se amplia numa capacidade de dizer não ou na capacidade de mudar de ideias.
Aproveito o dia de verão sem vento e não vejo a vida passar: vivo-a.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007