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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

21 de fevereiro de 2018

eu, zulmarinho e o sol

Olha só o mar a brilhar nesse reflexos de zulmarinho. Ainda me vou dizer que não tem arquitecto atrás desse desenho natural... Me vê a levitar de fora de mim a me olhar com ar de espanto para o espanto da minha cara. 
Afinal de contas eu sou mesmo assim, um ser que procura um lugar para cair, mas não agora, é claro, com capacidade de sonhar de olhos bem abertos, com sentir de sentidos apurados e que se alimenta de esperança mesmo que saiba que não é um ser de dar certo sempre, que é alguém que se alimenta de amores quase perfeitos e de palavras que nunca ousou dizer na forma de escrita.
Olha só o mar como brilha de zulmarinho carregado como se fosse um carreiro a me dizer que o lugar do sul é ali ao virar do horizonte.
Afinal de contas eu sou um ser que criei na minha cabeça, de ilusões e contradições, de construções e destruições que gosta de ser feliz todos os dias.


Sanzalando

20 de fevereiro de 2018

eu, sol de inverno

Levito na sombra da falésia neste dia de sol de inverno. Se me chamassem de cebola eu ia rir. Camisa, camiseta e camisola e ainda assim eu vou tremer não me conheço eu. Mas o sol me chamou e eu vim ver o zulmarinho baloiçar nos meus pés. É um assim de todos os dias, um não desistir de mim, de ser e não esquecer, de confundir verdades com permanecias vitais de todos os apesares, de todas as formas de ser valente. É assim uma forma de ser feliz na dança das ilusões. Os teus olhos até que brilham e os meus também. Os teus lábios me sorriem, e os meus também. Tens esperança e eu também.
E lá em baixo o zulmarinho continua a marulhar o perfume de maresia neste sol de inverno.


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15 de fevereiro de 2018

eu, chocolate

É vento norte que sopra. Faz frio que chega ao osso e até ele fica arrepiadinho. Mas mesmo assim me deito na areia das mil cores a ver o zulmarinho se espreguiçar na areia e me embalo no marulhar como que a meditar sobre sim ou não.
Na minha cabeça às vezes eu sou como chocolate. Às vezes me apetece, outras não. Às vezes me derreto, outras não. Às vezes sou doce, outras não. Mas uma coisa é certa, me vejo sempre igual na essência, sentado na rua, atirado para o fundo dum sofá, estendido na areia da praia ou mesmo de fato e gravata.
Me apareço do nada nos meus pensamentos ou raramente saio dele. Em qualquer canto sou feliz enquanto eu sou eu, mesmo que às vezes seja como chocolate.
Faz frio, faz sol e eu vejo o mar. Sou feliz mesmo que não me apeteça gargalhar ao deus dará.

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12 de fevereiro de 2018

frio, medito

Medito sobre palavras embrulhado em frio. Canto em silêncio a estória da minha vida. Pelo menos a que eu imagino que vivi.
O frio aperta e o vento sopra como a que lhe afiar de modo que entra nos buracos da lã e chega até nos ossos. Tempo frio em tempo de meditar.
Deixo pensamento sobre pensamento como se fosse um castelo de pedra que estou a construir. Se chorei? Uê, não tem conta as vezes. Se ri? hum, não sei se não foi mais que as outras. O mundo caiu nas minhas costas? tse, não sei como aguentei.
Não tem frio que me aqueça nem arrefeça o estado de alma. Rotina é tortura e por isso medito para ser diferente. Não tem dor maior que a minha vontade.


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10 de fevereiro de 2018

não me tirem o sonho

Que o desejo de sonhar não se me acabe nem se perca na cortina do nevoeiro. Podem-me acabar as palavras, a gramática ou as frases faladas ao ritmo da infância mas não me tirem a capacidade de sonhar. 
Tem dias que os dias são os mais felizes da minha vida assim na forma de demonstrar que existo no máximo de mim, na forma de ser amor para mim ou para outros.
Um sorriso, um olhar ou um simples acenar pode ser a força desse amor, pode ser a locomotiva dum sonho que me leva ao caminho longo da fantasia.
Não me tirem a capacidade de sonhar mesmo quando estou acordado protestando com o frio do vento norte que me arrasta da linha que me cruza o olhar.


Sanzalando

7 de fevereiro de 2018

imagem de frio feito

Sopra vento, acho eu é de norte. Pouco me importa de onde ele sopra se é frio que eu sinto. Escondo-me a um canto como que a abrigar-me sei lá bem eu de quê, e deixo o que resta do pensamento vagabundear-se por aí.
Ouço o marulhar. Sinto o perfume da maresia. Sinto o sabor a sal no ar.
À cabeça chega-me imagem de outras eras, outras alturas onde imperava o preto e branco ou o colorido garrido da minha inocência. Ela, a imagem, tinha um olhar forte, intimidador, enquanto eu sorria mesmo assim. A sua cara era fria, carrancuda e inexpressiva. A sua inteligência não transparecia na face e se tinha talentos não sei. Mas a imagem não me saia da cabeça. Não socializava comigo. Estava ali a perturbar o meu momento como se fosse eu a criar a sua imagem imortalmente para mim.
Continuei a sorrir. Abanei a cabeça como que a querer liberta-me, a querer livra-me da criação mental. Me encantei com a falta de sorriso, com o intimidador olhar penetrante e inexpressivo. 
Ela era de outro mundo ou eu estava só a caminhar para o gelado mundo dos vivos daqui.


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6 de fevereiro de 2018

o tempo sem tempo

Tremo de frio. Só de pensar nele eu tremo. É o tempo dele, dizem-me em tom de conforto que eu não me conformo. Faz frio, um frio que além de se sentir vê-se. Estranhamente acho que tremo mais de o ver que de o sentir.
Ai tivesse tempo para eu estar numa esquina a ver o trânsito que passa, as pessoas que correm, muitas para lado nenhum. Ai tivesse tempo de correr na praia, salpicar areia e pular de alegria sem tremer de frio.
Ai frio que me gelas os pensamentos e me congelas o sorriso.


Sanzalando

2 de fevereiro de 2018

distraídamente


Me deixo embalar nas ondas do mar como se estivesse deitado numa cama de rede num tarde tropical. Outras vezes estou tão ocupado a salvar o mundo que me esqueço de salvar a mim mesmo. Tem vezes que que parece que me encontro e dou comigo afastado para um esconderijo de mim. 
Afinal de contas as boas intenções não podemos oferecer em embrulhos bonitos de presente. Temos que ser mesmo nós a lhes levar. 
É sina, destino ou fado.


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31 de janeiro de 2018

sem estória para contar

Não conheço uma estória de amor com final feliz. É verdade o que digo. Se é amor não tem fim. Simplesmente assim. Também é verdade que cada pessoa tem uma estória e todas as estórias não acabam no fim porque lhes fica a memória, o registo ou simplesmente a saudade. E há aquelas estórias que estão sempre a começar num volta grande. 
Um dia tirei esta foto imaginando eu que era um casal de caracois que brincava em subir ao muro. Não tive a paciência de ver como a estória terminava pelo que deixei a minha imaginação navegar num encontro mais acima, num romance de encantar. Fora a subida dão íngreme nos seus 90 graus, que cansados não tiveram tempo de trocar palavras. Se abraçaram numa troca de olhares e com os olhos se amaram porque as forças ficaram na escalada. Não era o local ideal nem as mais formosas criaturas. Mas foi a estória que eu vi na minha imaginação por falta de tempo para ter paciência e ver a estória verdadeira que podia ser um romance ou uma tragédia. Se calhar não houve estória para contar.





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18 de janeiro de 2018

Volto já





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17 de janeiro de 2018

e assim vai sendo

As nuvens no céu parecem revoluções e convulsões. O meu corpo treme parece gelo que me chega aos ossos, electrificando até na alma. Os pensamentos seguem rumo a lado nenhum num bem longe donde estou. Tento dizer-me adeus sem olhar para qualquer atrás num modo de seguir em frente sem ter passado. Mas continuo a dizer bom dia com abraço bem sentido num misto de mimo e carinho. Afinal de contas a gente continua amarrado às lembranças, às coisas boas que restam de nós e 

Sanzalando

16 de janeiro de 2018

um dia

Ai, mãezinha que este tempo leva a vontade para os lados cinzentos do horizonte.

Sentado no lancil do passeio da estrada que vai na praia onde costumo meditar no zulmarinho, me pergunto porque deixo partir o dia que foi ontem. Ontem perguntei porque deixei o tempo levar o ante-ontem e por aí fora. É que ainda por cima eu olho para trás e não o vejo. É injusto deixar os dias passar. Eu lhes seguro com todas as forças e com toda a força tento não abrir mão deles. Acho perdi o rumo dos meus dias. Não vejo os que passaram. Mas não vejo também o vazio deles.
Querem ver que os meus dias são os de futuro apenas. O lancil do passeio não me ajuda. Vou-me sentar junto a uma porta e deixa-la entreaberta não vá um dia passado querer ser futuro também.
Afinal de contas vou ver o zulmarinho e deixar esta estrada. Não vá um dia ser o último.


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a ir

Nem uma estrela no céu. Silêncio defunto. Cor negra da noite sem lua. Perdido no caminho da imaginação, me apetece gritar acordando o mundo adormecido. Me apetece que estejas ao meu lado a ver o sol que há de nascer, a cidade que irá acordar. Mas tu estás escondida no teu lugar secreto para onde foges quando o mundo se torna barulhento e a guerra substitui a paz, e ao certo não me escutarias.
Vou pedir companhia para ir ao cinema, comer um quarto de pizza e esperar que o sol volte a brilhar, nem que seja nas Maurícias.


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14 de janeiro de 2018

ser mar

Era noite cerrada, daqueles noites que para ver a gente cerra os olhos e mesmo assim não vê mais que um pouco à frente do nariz. O vento soprava forte. Gélido que nem sorvete de água na geleira. Fui sentir o mar. Fui ver o mar. O marulhar era sereno e o azul devia ser negro porque ele estava da cor do não se ver nada também.
Sentei-me numa pedra a saborear aquele momento, a ouvir o marulhar, sem intenção de tirar com ele a conversa e o saber de outros dias. Não dava para saber se eu estava assim perto dele para lhe segredar os meus medos e as minhas esperanças. Juro que me apetecia tocar no mar e senti-lo ali onde não o via porém ouvia.
É, este mar tem a faculdade de me ter fácil, de me levar a olhá-lo mesmo quando a escuridão me impede e o esforço do tempo é enorme.
Esse mar tem a capacidade de me fazer ser poesia, prosa ou filosofia, ser grito ou silêncio, ser sussurro, carícia ou arranhão. Esse mar me faz ser sol, chuva ou nevoeiro. Mesmo quando eu quero fugir ele faz-me ser como ele: mar.

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11 de janeiro de 2018

Fui na praia das Conchas

Hoje olhei e vi a praia das conchas. Em 2007 eu revi a praia das conchas. Hoje por acaso me lembrei da praia das conchas e como eu lhe conheci. Tinha 10 anos, 12 no máximo. Rui Miranda me disse vamos na praia das conchas. Minha mãe, com senhor Leovegildo Miranda claro que tinha de deixar ir. Eu ia de Jeep Willys. Acho a minha alma saiu do corpo, deu a volta à terra e voltou no meu corpo. Eu que mais não conhecia que a cidade propriamente dita, aquela que ia do bairro da facada à torre do tombo, do mar ao quartel da tropa, fazendo cantos no cemitério e no estádio do Benfica, na fabrica de tampinhas por cima do porto e na escola Industrial. Eu ia na praia das Conchas. Fervi. Borbulhei de entusiasmo. Quando cheguei lá não tina praia, Tinha conchas e muitas rochas e o mar parecia estava zangado com o mundo. Foi maravilhoso ver o porto do Saco de cima. Foi terrível ver o mar selvagem. Foi magnifico ter a minha piscina refrescada por salpicos das ferozes ondas.
Hoje digo senti sandes mista quando fui a primeira vez na praia das Conchas.


Sanzalando

10 de janeiro de 2018

louco?

Tremendo de frio, porque mal vestido para o tempo que faz, vejo o zulmarinho a tons de cinzento, encrespado que até parece se arrepia. Me deixo levar por pensamentos, vagabundar dos caminhos imaginários, ideias soltas em campos sem barreiras. Dou comigo a admirar quem mantém o riso fácil e a inocência de criança neste mundo de maldade. Se existisse alma a alma deles estaria perfumada e era de cores garridas. O sorriso transparece felicidade e alegria. Contagiantes, perceba-se. Benditos sejam que guardam a criança que existe em cada um de nós e a mantêm viva. 
Afinal de contas, dou comigo a pensar, vale a pena ser feliz, cantar liberdade, simplicidade e de braços abertos agarrar a vida que há.
Precisamos crescer, o tempo é real, mas não temos que perder a nossas a essência juvenil. Brinco. Sorrio. Tenho a certeza que o meu lado infantil me ajudará a ser um adulto melhor.
Tremo de frio e não bastante, caiu uma carga de água que me molhou até aos ossos e ainda sorrio como louco me poderão chamar.


Sanzalando

6 de janeiro de 2018

melancolia de inverno

Sei que estás a mergulhar no zulmarinho pareces és sereia. No tempo distante da minha memória também me vejo a dar mergulhos carregados de estilo. É verdade que o meu maior estilo era mesmo o estatelado em forma de chapão. Mas eu era vivo e ria, eu me deixava levar no entusiasmo da paixão, no dar o meu tudo mesmo que sem resultados práticos. 
Vivia a vida. 
Assim que nem agora, mas resguardado do frio que no presente não é memória, é real. Os mergulhos já foram, agora são entradas suaves e o estilo é mesmo o de cota. Lentamente deixando o zulmarinho me embrulhar com a salgada suavidade dos dias calmos.
Tu mergulhas no zulmarinho. Eu me deleito na memória. Tu dás braçadas até na jangada, eu me levito nas estórias que penso vivi.
Hoje está frio para caraças e eu, à volta da fogueira que agora chamo de lareira, busco a vida na memória, saboreando brisas e ventos leste de outras épocas.



Sanzalando

4 de janeiro de 2018

filosofando ao fim da tarde

Sopra vento forte. O meu cabelo perdeu o feitio. Rebelou-se num despentear que parece querer me arrancar a cabeça do corpo. Eu sorrio olhando o mar que violentamente se espraia num marulhar de tempestade. Continuo sorrindo e o meu corpo oscila nas rajadas do vento. Imperturbável. Super herói me sinto.
Afinal de contas eu venho ao zulmarinho me abastecer de energia, pensar em como agir dentro da vida num batalhar inevitável de viver. 
A vida passada está vivida, definida na minha mente na forma como eu a percebi. Não há como esquecer ou mudá-la, modificá-la, moldá-la. Porem posso lê-la de maneira que me dê mais jeito, de modo que a embeleze à minha maneira simples de ser. 
A parte da realidade do hoje é inevitavelmente inerente ao fracasso de qualquer passo anterior associado aos pontos fortes. De modo simples: sou o somatório do meu passado com o presente. E o presente vivo-o.
É. Hoje me apeteceu vagabundear pelo pensamento, tropeçando em filosofia, meditação ou simplesmente na minha maneira simples de viver. Hoje, vagabundo-me em palavras com o propósito de me sentir vivo, de corpo e alma, sorrindo.


Sanzalando

2 de janeiro de 2018

vocação de 2018

Gosto de escrever.
 - Então porque não aprendes? pensou alguém que distraidamente passou os olhos por mim aqui.

Eu tento. Gosto e faço-o. Umas vezes bem, avaliação minha, outras nem por isso, mantém-se a minha avaliação. Mas gosto e faço-o. Mil leitores nem um milésimo disso, tirando eu, é claro. Importante. Também nem por isso. Há quem possa gostar e não o diga e há quem diga coisas por simpatia. Há e são números. De números não sei nada.
Difícil é encontrar a minha vocação, para além da profissional, claro. Sou bom em tanta coisa e tão mau em muito mais que é difícil até tentar.
E o que é que eu faço bem? hum.... danço?! não, de todo, dançarino não vai ser.
E o que eu gosto mesmo de fazer? claro está que é escrever
E como é que eu vou criar um valor acrescentado a isso?
Respondendo a estas três perguntas, com honestidade, eu vou escolher a minha vocação dos tempos livres.

Sanzalando

29 de dezembro de 2017

era. é. será

Me sento sob chuva a olhar o mar. Zulmarinho parece é sossego de não querer nem mexer-se. Me penso em voz alta: como foi o ano?
Quê?! Vou fazer balanço? Despensa disso. Foi. Passado. Era. Não se faz balanço que enjoa e o mar hoje não balança nem marulha. É sossego só dele mesmo.
Passado é alicerce do futuro e ponto final. Não faço parágrafo porque tenho o presente para viver. Hoje acordei assim: presentemente.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007