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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

21 de junho de 2018

Verão que chegou

Olha só o verão daqui que chega hoje. Ele chegou, com hora marcada e sem pompa ou circunstância, com ar de quem vem para cumprir calendário e não para competir com outros verões. Ele é assim, cada ano é ele e ponto final. Não tem estória de que antes era, que será no futuro, que foi, noutro canto do redondo mundo. É ele, o verão. Este verão.


Sanzalando

18 de junho de 2018

E fez anos hoje

16 de junho de 2018

Zulmarinho em fim de primavera

Um dia, já esqueci do tempo que lhe passou por cima, vim parar num lugar que além da divisão dos dias e meses tinha também as estações, que não são como as dos comboios nem as dos radios. Cacimbo e calor tinham ficado no outro lugar. Neste lugar tem três meses de frio de gelar até no osso. Três de tempo é mistura a dar assim para aquecer, tirado o vento, a chuva e o granizo. Três de calor que até parece o suor vai desaguar num rio próximo. E tem outros três que alem das folhas caírem das árvores, tem frio, tem vento, tem chuva e tem desvontades de fazer nada. Nessa da primavera, que foi a segunda que falei, porque aqui comecei pela primeira quando cheguei, este ano foi diferente. Sem tirar nem pôr foi igual na primeira. Até ontem, porque ontem vi o zulmarinho da mesma cor que lá no principio dele. Mas não tem pica-pica porque esse não ia sobreviver no gelado mar em que ele se transformou. Hoje nem dedão lhe dei a tocar, ouvi coros a fazer breeee de frio. Amanhã vai ser outro dia e lhe desconheço a cor, o brilho ou a temperatura.

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14 de junho de 2018

As coisas que importam

Há coisas que importam e coisas desimportantes. Às vezes depende da hora o que importa. Ou desimporta. Mas dentro da porta, do pensamento, da ideia, do querer, o que importa é mesmo que a gente só controla a gente própria. Os outros, importantes ou desimportantes, a gente não controla, por isso importa que a gente saiba o que é mesmo importante e consiga seleccionar. Depende da hora porque a desoras nada importa sem importância por ai além.

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11 de junho de 2018

tem dias nestes dias

Tem dias nestes dias que o frio toma conta de mim e só me consigo lembrar quando o teu olhar me aquecia. No cine-esplanada, lado a lado sem mãos cruzadas e se trocávamos o olhar era num repente que nem o mais atento dos mirones ousava ver. Tem dias nestes dias que o teu fogo chegava até mim só de estar a teu lado, aquecendo-me até na alma e brilhando-me o triste olhar com que me sentia ter nascido.
Tem dias nestes dias que eu sinto a falta do teu ralhar educativo que me fazia esquecer a minha vontade e relembrava-me as noites de deserto onde em silêncio fizemos trocas de amor eterno, que infelizmente durou pouco.
Tem dias nestes dias em que me lembro das estórias que nos contamos, dos futuros que sonhamos e de termos compartilhados presentes que nos pareciam constantes.
Tem dias nestes dias que sonho com os momentos mágicos e as surpresas das doce viagens que nunca fizemos para além da nossa imaginação.
Tem dias nestes dias que eu lembro o dia que continuaste a viagem e não me levaste nos teus braços, seguindo o teu caminho que sempre foi paralelamente paralelo ao que eu tomei e que hoje não sei onde as linhas concorrentes podem ser coincidentes nesta geometria da vida.

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9 de junho de 2018

sol fugido

Olha só o sol a querer abrir no céu. Faz conta ele descacimbou da cabeça e acordou a dizer que é hoje ele vai despreguiçar e aparecer todos os dias. Eu acho que o o sol tem bom coração e ele não ia só fingir que aparece só porque sim. O sol não é de ferro, que nem eu. O sol brilha, mais que eu. O sol não tem obrigações, que nem eu. 
Mas, ó sol, vá lá. Tudo tem limites e o teu acho acabou. Aparece só que nem uns meses.

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6 de junho de 2018

Quem sou eu?

Quem sou eu? Um amigo. Um ser comprometido com a realidade. Um ser, filho ou pai do zulmarinho, nascido para os lados de lá, vivendo nos lados de cá, pouco importado com a geografia, mais focalizado no estar e no ser. Adorador do sol quente, das cores garridas e da gargalhada verdadeira. Detestador da fatalidade, da grosseria e do abuso. Amante da amizade, fraternidade e da igualdade, sendo que esta pode ser desigual sem perder a igualdade. Fervorosamente contra o despotismo, racismo e qualquer discussão em que a base seja a paixão e não o conhecimento. Desporto, religião e amor/ódio estão neste patamar. Não discuto. Converso. 
Olhando para todas as minhas palavras já ditas, vagabundando pelos meus escritos, soltos, dispersos, prosaicamente sem versos, vejo-me com respostas que, partindo do coração chegam ao cérebro carregadas de razão.
Quem sou eu? 
Divagando numa primavera que não chegou e quase acabou, sou um procurador, um buscador de lugar comum para estar, preferencialmente sorrindo, amando e gostando simplesmente. Tentei ser contador de estórias e a estória era eu. Tentei vender ideias mas sem ideia do que fazia. Procuro um lugar de vagabundo mental, que pode ser uma escadaria onde olhe para lá da linha recta que é curva, pode ser um vão de escada que em vão me receba, pode ser um passeio que não me leve a lugar nenhum. Sou simplesmente eu que procuro encontrar uma luz que me faça ver o túnel.


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5 de junho de 2018

silencioso tempo que passa em melodias de infancia

Tem horas que é impossível esconder o meu próprio silêncio, suplantado pelo ruído interior de mim.

Se existo na minha miscelânea de  vivências, de sobressaltos e sossegos, de medos e glórias é porque consigo sobressair-me da minha ausência, sobrar-me de receios e plantar-me de certezas tomando como certo que a minha vida depende de mim para ser usufruída.
Tenho a certeza que as palavras soletradas num qualquer papel têm o barulho do meu coração num bate bate que parece é pingo de relógio de areia, silencioso tempo que passa na forma de ser um coração apaixonado.
Tem horas que o canto dos pássaros embalado no barulho do vento nas folhas das árvores nos fazem ouvir melodias de infância.
Silêncios e sons num tripé de sentimento podem ser angústia ou ansiedade, porém são, ao certo sinais de vida, mesmo no final da primavera.

Sanzalando

30 de maio de 2018

zulmarinho e eu

Não me canso de ver o zulmarinho, esse mar que me liga até no outro lado de mim. Esse mar de correntes, de ventos e calmarias, de ondas e tempestades, que vai até dentro de mim. O zulmarinho não separa, une. Liga-me à minha origem, ao meu ponto de partida que mesmo que o pintem de outras muitas cores continuará a ser o meu ponto inicial. O zulmarinho, por vezes rebelde, outras sensato e outras que quase nem existe, é a união de mim com o eu que me fui fazendo ao longo dos tempos.
Não me canso do zulmarinho como não me canso de mim, mesmo que pense que quando escrevo bonito é porque alguma coisa vai mal, mesmo que as palavras escritas saibam a oralidade, mesmo que a memória me conte estórias que reais foram inventadas. Esse zulmarinho é parte de mim e o será para sempre mesmo que o silêncio ocupe o espaço do marulhar, mesmo que o brisa sopre vento ou a maresia tenha um cheiro fétido.


Sanzalando

24 de maio de 2018

janela de tempo

Olhei na janela e vi o tempo. Havia uma janela de tempo para não fazer nada e eu aproveitei. Enquanto nada fazia o meu pensamento me deixou e foi vagabundar por aí, mesmo à toa, como se fosse barco na deriva. Dessegurei de todo. Fui só a lhe ver como se lhe olhasse de longe. Ele me viu criança a brincar com crianças, a sofrer brincadeiras que hoje eram crimes, a fazer corridas que hoje são perigosas, sobre patins e sem capacetes, cotoveleiras ou raio que fosse. Ele seguiu a adolescência, os cigarros fumados à escondida e depois descaradamente abusando a liberdade da vadiagem. Ele cresceu em grandeza mas percorreu caminhos de subtileza. Eu deixei o pensamento solto na janela livre do tempo e me perdi num sono solto de janela escancarada.


Sanzalando

21 de maio de 2018

e vamos fazer mais o quê

Granizou ontem? E depois vamos fazer mais quê? Rir! Te dói o corpo duma caminhada não preparada? Vamos fazer mais o quê? Rir!
Sabes, conversando eu comigo mesmo que assim não me aborreço e nem aborreço ninguém, existe tempo para a gente rir. Melhor, existe tempo para tudo. Até para conhecer, gostar, ser gostado, dar, receber, tentar, conseguir, ser feliz e sempre para rir. Saltar à corda faz bem. Saltar a corda às vezes também. Rir faz sempre bem. E vamos fazer mais o quê?



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18 de maio de 2018

foi sem querer

Tem o sem querer a maior importância na vida do que a imaginei. Desculpe, foi sem querer.

Magoou? Foi sem querer. Errou, não foi por querer, foi mesmo sem querer. O sem querer está em todo o lugar mesmo no cemitério. Tantos morreram sem querer. 
Desculpem lá. Isto está escrito e foi sem querer.

Sanzalando

14 de maio de 2018

Eu não sou a minha ansiedade

Me olho no espelho de água, deste zulmarinho que hoje virou mansinho parece é lago, tremo de emoção de ver os meus olhos com olhar tranquilo transparentizando pensamentos que não me atormentam nem me naufragiam em ansiedades. Acho o pulso deve estar calmo, sem turbilhões nem vontades de fazerem saltar células nos poros desentupidos pelo calor primaveril.
Me olho sem medo de afastar os meus olhos, sem vontade de atirar palavras ao deus dará, respeitando silêncios profundos que mais não dizem que sentimentos intensos, sem me importar de controlar o ar que respiro numa cadência longe da ansiedade. Sereno, longe de todas as mentais confusões, ponto final de tormentas, desnovelados sentimentos criados em emaranhados sonhos por realizar, consigo pôr-me no pedestal da capacidade de ser feliz, enterrando medos, subterrando criações fantasmagóricos trazidas de anos de crescimento medrosos.
Não preciso ser forte para resistir porque eu não sou a minha ansiedade, eu protejo-me na inteligência da viver todos os momentos com vontade.



Sanzalando

12 de maio de 2018

meditação de Primavera profunda e real

Faz sol e faz vento. Afinal de contas dizem-me que aqui na Europa é mesmo assim. O ano tem estações e nalgumas é mesmo assim, bem definidas. Eu digo por experiência própria que tem dias de 4 estações, quando não tem de mais aimda e não estava a pensar nas estações de serviço que a gente usa em caso de necessidade.
Aproveitando este dia de verdadeira Primavera, bem definida nos compêndios escolares do antigamente sul, estendido na areia junto ao zulmarinho, protegido dos ventos nortes e outros que nem sei de onde sopram mas sinto que sopram velozmente sobre mim, vou-me divagando vagarosamente sobre ideias e conceitos, sobre memórias e imaginações, sobre vivências e suas incongruências.
Uma coisa aprendi ao longo do tempo, que é não ter medo da vida nem de vivê-la. Se tem as 4 estações e mais algumas indefinidas quer dizer que tem tempestades e tem dias de sol, tem noites escuras e noites de luar, tem caminhos que sobem e descem e que levam a algum lugar mesmo que o lugar seja comum. Imagina só eu atleta sempre no pódio ia pensar que ganhar era fácil e ia esquecer as horas de treino, de esforço que ninguém vê, das dores que mais ninguém sente. Não tinha piada não libertar as minhas lágrimas assim como um dia ou outro de chuva. O capim até cresce bem verde depois.
Na vida vi que quando estou fraco tenho tendência de usar a força, que de certeza vai faltar pela fraqueza em que me encontro, e, quando me sinto forte tenho capacidade de pensar e usar a inteligência. Assim, somando o insomável dou que preferi sempre ser forte, mesmo que os ventos cruzados me tendam a rebaixar para a insignificância da fraqueza. Sou um sonhador de ideias que luto por ser assim.


Sanzalando

10 de maio de 2018

1 minuto ou quê

Rebolo na areia como que a me esconder de medos e ansiedades. Aproveito o sol que brilha e o vento que sopra para dar um minuto a mim. Descanso pensamentos como se rebolar fosse uma centrifugação moral. Aparo ideias como se a areia fosse uma lixa me limpando de arestas.
Páro, me sento e olho para o zulmarinho. Descansado. Sacudo-me como se o afastar areia do meu corpo fosse um banho de pureza, afastando-me dos medos e ansiedades em cada grão de areia que me deixa. E tudo foi um minuto que me dei.

8 de maio de 2018

para lá de mim

Aproveito o sol de quem vai chover porém não. Arco-íris não vejo, nuvens muitas salpicadas de abertas para meu contentamento.
A brisa que sopra é a inversa à velocidade que me desloco. O meu raro cabelo não se mexe. Os mosquitos parecem zonzos porém mantêm a mira certeira em mim.
Caminho por aí, a bombordo tenho o zulmarinho e a estibordo a saudade. Olho para a linha recta que é curva, a que me separa do lado de lá da minha imaginação, e me deixo levar por imagens que já não sei se são reias ou só fruto de um filme que inventei na tela da minha memória. Acelero o passo para dizer que o meu coração bate à velocidade com que caminho e não por emoção.
Sombra e sol, nesta maresia que me leva para lá de mim.



Sanzalando

5 de maio de 2018

No zulmarinho deitado

Brilhou o sol me desfiando a entrar no zulmarinho e caminhar destino ao sul. Me travei nos intentos e me sentei na areia das mil cores a ver os pensamentos passarem com se estivessem a passar modelos. Vagabundei a ideia, insultei-me de pecados verbais. Deixei-me ficar sentado, transpirei de raiva contida, comi moamba picante, quitetas acabadas de abrir e a barriga continuava vazia. Era so tudo pensamento, nao tinha hidratos nem substancia.
Acordei e parecia croquete de areia.

3 de maio de 2018

ao deus dará

Hoje o sol brilha envergonhado. Assim, agarro no meu corpo e vou por aí ao deus dará, à sombra ou ao sol, diferença quase não há. Vou ver o mar. Vou ver as areias dunais. Vou por aí que aqui não me apetece ficar. Este aqui é vago. Cómodo e seguro, calmo e sereno. Mas para que quero isto se amanhã não sei se o sol nascerá? Por isso vou por aí. Um dia vá para lá. Não é hoje. Feliz ou infelizmente, incerteza própria da dúvida constante. Mas hoje não fico aqui porque o sol, embora envergonhado, brilha. 
Se eu pudesse suspender o pensamento, assim fazer uma pausa, paragem, eu ia para um lugar do lado do poente, mais perto de ver o sul, sem barreiras, sem muros, sem entraves de qualquer especie. Ia por ir, como hoje vou, ao deus dará.

Sanzalando

1 de maio de 2018

Retrato primaveril

Não me levem a mal, comigo é tudo meio sem querer, meio sem jeito e meio feito. Não tenho a intenção de estar distante, nem presente, nem conscientemente  neutro. Quando me apercebo já estou longe, há muito tempo sem saber quem sou, para onde vou e muito menos o que faço aqui no meio das letras primaveris. Sou assim desde criança e aprimorei-me com a idade. Chinelos e balalaica, joelhos esfolados e eis-me feliz ao sol.

29 de abril de 2018

prima bera

É Primavera de nuvens baixas e aguas mil não fosse Abril. O tempo não tem pressa de me mostrar as estrelas à noite num jardim, de me deixar ver as flores que plantei para ti brilharem à luz do sol no dia a dia de cada um. É na Primavera que arranjo coragem para as coisas simples da vida, para aprimorar o sorriso e aprender estórias novas para contar noutras estações. Assim vou fazer mais como? Vou-lhe chmar apenas de prima bera.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007