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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

27 de abril de 2017

tatuagens que não minhas

Olha só como até o céu chora. Aqui num canto abrigado desse mar que me alimenta o espírito me deixo levar pelo tempo meteorológico enquanto gasto o tempo de vida.

Quem disse era sol? Quem disse saudade é primavera e esperança? Pôpilas... assim até apetece não acordar.
Mas por agora aproveito este lusco fusco de dia sem sol para ler palavras escritas e livros ainda não lidos. Sentir sentidos não pensados por mim, viver vidas que não as minhas, fantasias que não as minhas. Aproveito para ver as tatuagens de almas que não as minhas.

Sanzalando

25 de abril de 2017

Faz sol, porém não por aqui

Faz sol, porém não por aqui.
Ali ou acolá faz sol. Não sou egoísta por isso pouco me importa onde ele está. Esteja e seja muito feliz. Na verdade eu não desisto. Eu sei que parece que vou dar a lado nenhum, mas por acaso, por difícil que possa parecer, eu vou acabar por encontrar o meu norte que pode ser a sul ou outro cardeal qualquer. Eu não perdi a capacidade de sonhar e isso me faz lá chegar, ao ponto de imaginação, ao lugar do repouso da alma, ao renovar do sorriso, aos braços que me abraçam. Eu sei que valho mais e por isso vale a pena continuar a tentar. Não desisto, não paro e não me fecho. Nem que eu seja a minha própria criação, nem que eu atinja o climax desimportante.
Faz sol, porém não por aqui.
Trago um cravo na lapela, uma bandeira na mão, na voz um grito de liberdade e no coração um desejo de esperança.
Trago orgulho no passado, esperança no presente e a certeza dum futuro de memórias.
Mesmo sem sol por aqui eu brindo ao sol que brilha num lugar qualquer

Sanzalando

23 de abril de 2017

Primaverou novamente

Primaverou novamente. Desventou-se e até deu para sorrir ao sol na areia de muitas cores. O marulhar me dava ritmo de pensar coisas de boa vida e afins, recortes de infância e adolescência, ruas de outrora com gentes de agora. Saltei de pensamento em pensamento como se tivesse uma borboleta dentro de mim. O carburador funcionava parecia um relógio de corda antiga. Não se ouvia o bater das válvulas. Electricamente eu pensava e sorria, ao mesmo tempo. Fabuloso.
Sim, eu sei. As minhas palavras não são poesia, são palavras soltas que rimam com alegria, com esperança, nostalgia e sonhos de criança. São as minhas palavras porque são escritas por mim.
Não ouço o batuque do coração, vivo-o, tão alegre quanto possa.

Sanzalando

21 de abril de 2017

do que não gosto e gosto

Não gosto de vazio, de gente sem sorrisos, de pessoas carregadas de nada. Não gosto de frio, de falsos juízos, do silêncio de gente calada. 
Afinal de contas de que gosto eu?
Eu gosto dos significados das palavras, do dom da palavra e do que ela sabe.
Eu gosto dum beijo, mais ainda se não é dado em segredo.
Eu gosto da minha estória, da minha maneira desajeitada de ser, do meu formato desformatado.
Eu gosto de ti.
Gosto dos meus amigos. Gosto de quem que me olha passado 20 anos e me chama pelo nome como se tivesse sido ontem o último aperto de mão dado, gosto de um abraço.
Gosto de ter vivido o que já vivi, de ter sonhado o que sonhei e de ter desejado o que consegui.
Afinal de contas também não gosto do vento que não me deixa ver direito o céu.


Sanzalando

15 de abril de 2017

FOI ASSIM QUE TUDO ACONTECEU

Sanzalando

14 de abril de 2017

distribuir sorrisos

Vou andar por aí a distribuir sorrisos como quem quer ver um mundo diferente. O zulmarinho riscado, ondulado, espraiando-se na areia com preguiça monótona e ritmada; o céu zulceleste com riscos e tufos brancos como um desenho abstrato; e eu a olhar para tudo e sorrir.
Não tenho essa na bagagem de que diversão é abafada pela saudade e não cabem no mesmo porão. A gente se diverte mesmo quando sente saudade. Pode não ser igual. Mas a gente sorri com o mesmo sorriso de quem anda de mão dada mesmo que haja espaço a separar ambas mãos. 
Vou andar por aí a distribuir sorrisos mesmo com o peito cheio de saudade.


Sanzalando

11 de abril de 2017

rumo à proa do meu sul

Tantos anos a falar de zulmarinho. Tantos dias a deixar os meus olhos olharem para lá da linha recta que é curva, tantas calmas agarrei nas calemas da vida ao molhar os pés na água fria deste mar que nos une.
Agora, por imposição gostosa, tenho carta para andar nele a todo o vapor, porque à vela não me vou acreditar porque o vento me despenteia e apaga o lume dela.
Agora com ajuda dum tal de Mercator, compasso, régua e esquadro, somas, subtracções e outras desorientações eu sei que vou seguro dum ponto A a um ponto B até chegar ao meu ponto placenta.
Agora o zulmarinho pode ter ondas vagas ou ocupadas, com colete e jangadas, remos e croque, vertedouro, lais de guia ou voltas de fiel, eu vou poder seguir em frente, rumo à proa do meu sul.
Mas esta carta escrita, assinada e datada, só foi conseguida com muita ajuda de colegas que se tornaram amigos, de família que foi claque, de ajudas em todos os lugares onde eu podia fazer falta.
Tantos anos a sentir o zulmarinho dentro de mim e agora estou encartado para sobre ele reviver glórias e sonhos sonhados nas revistas e filmes de criança até ao presente.


Sanzalando

6 de abril de 2017

rascunho de mim

E se eu fizesse um rascunho de mim? Dava para ter vida? Assim programadinho, certo e direitinho.?Com o meu jeito para desenho de certeza que a vida tinha muito rasurado, auto-estradas de grafite, vincos perceptíveis na eternidade, marés vivas em mar chão feito num óleo. O melhor mesmo é por a marcha a ré, fazer o desconto do desvio e inclinar-me para a declinação, traçar a rota e ver a derrota numa carta dos serviços sem cadastro.
Mas assim num improviso tem-me sabido bem, com humor mal humorado, com erros e acertos, sorrisos sem fim e lágrimas choradas às escondidas ou às claras. 
Vá lá. Se por acaso alguém encontrar o meu esboço por aí, faça o favor de devolver porque é falso de todo. Eu estou a ver o zulmarinho num segundo de sossego.


Sanzalando

1 de abril de 2017

Ponto final. Acabou

Ponto final. Acabou. Eu vou resistir. Eu vou superar. Não vou pensar mais nisso. Desqueço-me desde já. Não vou chorar nem gritar para aliviar a mágoa que isso possa ter-me causado. Vou seguir o meu caminho, mesmo já tendo dado tudo o que eu tinha para dar, guardando o que tenho para dar ainda. Nem sempre é, ou foi, como se espera, como se deseja. Eu fui o máximo? Fiz por isso. Mas acabou? Pois então, Tempo imaculado da nossa união, com altos e baixos, com alentos e desalentos, com carícias e gritos, gargalhadas e lágrimas. Acabou. Não vou nem chorar calado, nem bater as asas de raiva como bateria um beija-flôr quando se aproxima da sua flor. Me machuquei? Houve dias que sim. Mas acabou e é hora de continuar.
Acabaram-se 20 anos em Portimão, comecemos o 21.
É verdade. 1 de Abril de 1996 foi o dia oficial da minha chegada a Portimão.


Sanzalando

31 de março de 2017

sabe o sabor de ser gente


Olho assim e deixo o meu peito soltar palavras como se uma rio estivesse a nascer. Tento travá-las, por vergonha, receio ou dúvida. Três incógnitas que me poderão levar à loucura. Mas as palavras saem como se tivessem vida própria, descobrem-me, desnudam-me, vestem-me tentando sarar qualquer ferida que tenta abrir-se em mim.
Olho assim e restauro-me todos os momentos. Desde o nascimento até agora. Mesmo os tempos que não o sendo eu tentava ser maduro, mesmo que não me apetecesse eu tentava elogiar, mesmo do tempo em que eu tinha que segurar o ímpeto de me atirar aos braços de alguém. 
Olho assim e me sabe o sabor de ser gente.

Sanzalando


27 de março de 2017

milibares e assim

E o sol timidamente tenta romper através das nuvens. Como é que ele assim vai conseguir chegar ao verão? Já não tem sol como que era quando eu era puto e andava de calções a gastar os joelhos nas corridas de patins. Esse sol me levava na praia e fazia com que eu não saia de lá. 
Pronto, já sei. Sou assim um modo de sem graça, fácil de irritar e que ainda sonha com o coração. Eu não mereço um dia de sol na primavera. Manhã verão e à tarde inverno. Nem isso, digo eu.
E a brisa que vira vento assim que nem dá troco ao meu lamento?
Primavera de frio, obrigado ao dono do tempo que não deve ter tempo para dar tempo a tempo. Vai ver ele entrou em baixa pressão, num anticiclone que virou-lhe a cabeça e ele pensa é alta pressão. Milibares de razões tenho para estar assim.

Sanzalando

24 de março de 2017

medito porque ganho

Sopra vento que já foi brisa na manhãzinha cedo. Acho este vento vem de leste. Ou será este. Não sei, eu a olhar para o zulmarinho ele sopra da esquerda e ponto final que eu ainda sei qual é a minha mão mais cega.
O cabelo faz tempo se despenteou, porém já não cai nos olhos nem me chateia porque escasseia. Eu olho o zulmarinho que em cada onda levanta é spray que até apetece fotografar porque é bonito. 
Eu medito. Mas porém não me deito. Medito em que tudo o que vai pode até voltar, ou não. Mas não é igual. Não volta igual ao que foi. Chateia perder tempo assim? Não. Ganho na verdade. Não me surpreende que o vento mude, que a vida volte nas voltas que dá, nos sorrisos que não recebi, nos olhos agradecidos que não senti. Ganho sabedoria.
O zulmarinho tem destas coisas, não me perde tempo do tempo que lhe dou porque ele sabe que eu falo não o que ele quer ouvir mas sim o que me apetece lhe dizer

Sanzalando

21 de março de 2017

Olho-me à primavera

Olho-me aos pulinhos na areia das muitas cores, desenhando sombras, construindo castelos de sonhos e divertindo-me apenasmente porque é primavera.
Olho-me em corpo traquina duma idade sem número, dizendo que o amor deve ser vivido em loucura porque o calmo e sereno é aborrecido, que a alegria deve ser servida a cada minuto que vem abafando a triste mente que me mente.
Olho-me no dentro de mim e tranquilo observo o mundo que me rodeia e digo em voz alta que se não abrir o meu coração não vão ser os outros a abri-lo. 
Olho-me e vejo que a verdade não é esquecida porém pode e deve ser divertida.
Olho-me à primavera



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19 de março de 2017

Dia do Pai

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18 de março de 2017

o teu abraço

Caiu o sol ao fim da tarde, anoitecendo suave e quentemente. Eu dei passos largos pela imaginação como se passeasse numa qualquer avenida tropical, chinelos e calções, chapéu de palha e sorriso na cara.
Dei comigo a dizer-me que o que não largo tenho de carregar, o que carrego pesa e o que me pesa lixa-me. Ora, assim vestido, assim alegre, fui largando consciências, umas mais pesadas que outras e olhando-me no reflexo das montras fui vendo a imagem do ser livre que me fui tornando. Foi aí que dei comigo a dizer-me que precisava do teu abraço


Sanzalando

14 de março de 2017

Arthemis faz anos



Podia começar assim um textinho de vai ali que já volto. Mas sem Arthemis este blog já tinha ido nas calemas do tempo faz tempo. Sem ela não tinha arte de letra maiúscula, cinema de C grande, amizade de A enorme.
A Arthemis faz anos. Não estou aqui a agradecer nem começar um agradecimento, mas fico feliz por lhe dizer obrigado, só assim.





Sanzalando

12 de março de 2017

Março mar e sol

Faz conta hoje não passaram 45 anos, mais vírgula, reticências ou simples esquecimento. São só horas de eu ir na praia das miragens ver as vermelhas chicoronhas entrar no mar de pica-pica como se fosse ele se acabar a seguir. Faz horas que Artur Alexandre Alves está lá de molho. Ele diz que se atrasou porque a mulola estava cheia depois de vila Arriaga, senão há mais horas ele estava a tirar o pó da Chela naquela água que é o início do zulmarinho. Eu só me sento a ver esfregar areia nas coxas onde pica-pica se enrolou. Pode ser eu alegre a alma se o guarda-sol azul chegar atracado num sorriso de simpatia e não trazer a reboque o ar de quem fiz algo errado ontem. É Março aqui e lá


Sanzalando

10 de março de 2017

sorrir na praia

Como é bonito olhar o sol e lhe ver o brilho dum sorriso ao dia.
É tão bom caminhar pelo seu calor e ser apanhado nos seus raios que não há raio que me parta se não sorrir. E assim vou caminhando ao longo da minha praia sabendo que cruzei com pessoas com quem foi muito difícil me relacionar, olhar ou apenas cumprimentar. Mas também essas pessoas me foram importantes, mais não seja porque me mostraram como eu não gostaria de ser.
Como é bom sorrir na praia, debaixo do sol de primavera.


Sanzalando

8 de março de 2017

e se fez sol

E de repente fez-se sol quente, brilhante e carregado de vida. O chilrear começou. Para mim é o dia natural da primavera emborra carregando febre de gripe, tosse de falta de ar por encharcamento viral, quase perdendo os pulmões em cada ataque. Mas com a minha loucura sã vou esquecer isso tudo, vou descansar xingando-me de preguiça, segurando a pulso uma vontade de trepar pelo ego até insuflar um outro ataque.
Não vou deixar a febre me vergar, me desculpar ou me zangar.
Hoje meu dia natural de primavera vou dizer poesia no olhar.


Sanzalando

3 de março de 2017

hoje chove e vejo melhor

Hoje me deu para olhar como era há 4 anos atrás e ver como é que sou hoje, muitos dias e livros depois.
O dia acordou de chuva. Cinzento assim como eu nem gosto de pensar ser. Olhei o zulmarinho e lá estava ele cinzento violento. É inverno, eu sei. Não gosto. Também sei. Como não consigo rir em dias assim fico sério só porque sim. 
Mas olhando para 4 anos de diferença deu para ver que a vida é rara e mágica, insaciável porém perfeita e simples, justa cruzada com injustiça, complexa, sem trancas porém fechada sobre o que ele foi.
AH. Mudei de óculos, vejo melhor e se calhar é por isso que chove lá fora, no zulmarinho.


Sanzalando


WebJCP | Abril 2007