24 de abril de 2019

chuva de primavera

Deixei o meu corpo molhar-se nessa chuva que teima em cair nos intervalos de sol. Instável primavera que não brilha aos meus olhos como dia de claridade máxima.
Nesta molha que me diverte, dou comigo a pensar que quem vive em luta constante consigo mesmo parece que vai dentro de carro desgovernado na descida íngreme da vida, com pensamentos aos milhões sobrepondo-se à força física de fazer nada. Ué, esforço físico não decomplica o mental, a ansiedade bate no sino, toca o alarme, primeiro intermitente e depois continuamente que até parece que os vizinhos do lado lhe olham com espanto e não lhe vêem. O coração acelera, as mãos transpiram e o relógio da vida parece que adiantou. Ansiedade instalada.
Respiro fundo e no meio da molha olho-me a ver se me seco. Olhar não seca mas me diverte. Continuo a meditar e vejo que nessa luta constante com o próprio verifico que o próprio é maior que os seus pensamentos, as suas partes e apartes. Governado o carro, governa a vida, o corpo e a alma.
E eu me molho nesta chuva de primavera


Sanzalando

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