19 de setembro de 2019

memória de sentir

Olha só para mim a ver o verão a acabar. Me sento no chão desta falésia e me perco na distância e ver para além dos meus olhos.
Eu quero ver com os sentidos todos. Eu quero sentir o perfume da maresia, quero saborear o salgado, quero ouvir o marulhar.
Eu quero estar no meu lugar mesmo que os meus olhos não consigam ver, mesmo que as minhas mãos não consigam sentir. Eu quero estar com as palavras no meu lugar desta falésia com os olhos para lá do que conseguem ver.
As minhas palavras não conseguem dizer-me o perfume que deveria vir desde o outro lado.
O meu olfacto estagnou na memória. As minhas mãos se paralisam numa velha recordação de adolescente.
Eu só queria sentir a minha essência e dizer que embora esteja a acabar o verão eu ainda não acabei de ser o que estou sendo.


Sanzalando

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