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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

10 de maio de 2007

As faces da liberdade


9 de maio de 2007

Divagando

Vou caminhando com um passo atrás do outro sabendo que o depois é a seguir ao agora e que antes era o antes. Tu me segues porque, não só és a minha sombra, como és sedenta de me ouvir falar e é por ti que eu caminho. Olho-te quando me acompanhas nestes passos ou quando parado fico em contemplação do zulmarinho, ouvindo as kiandas que me segredam os seus segredos desde lá do início dele e que me chegam aqui na forma de ondas.
Olho-te e recordo-me onde nasci, sabendo que cresceste ao mesmo ritmo que eu, que te foste formando com as minhas formas, que o teu coração é o meu.
Não tenho prémios, muito menos obras feitas, mas tenho o teu sorriso, a tua maneira simples de me dizer as coisas, os recados que me trazem as ondas, a brisa e a maresia.
Não tenho lugar para cair, mas tenho o teu regaço onde me aconchego nas recordações, onde me guardo nas palavras e silêncios.
Tenho milhões de sonhos para cumprir e espero ter tempo para cumprir pelo menos um, aquele que tu sabes tão bem quanto que nem eu qual eu falo nestas palavras que te digo.
Eu sei que mandei parar o meu tempo até que o tempo comece a recontar, por isso estou sem tempo definido e determinado. É só mesmo uma questão de tempo.
Tenho-te como a sombra predilecta intrincada na minha rede de corpo e alma.
Tenho-te, por isso tenho milhões de sorrisos que me fazem falta quando não lhes vejo.


Sanzalando

As faces da liberdade


8 de maio de 2007

As palavras

Caminho à tua frente e te falo. Sigo a caminhada que um dia me vai lá levar. Demore o tempo que demorar, eu caminharei para lá chegar. Cedo ou tarde o meu destino é chegar, e enquanto não chego falo-te as minhas palavras, as minhas frases.

Eu sei que há várias classes de palavras. Umas são as que subentendem ideias, as soltas, as que são anotações do momento, as palavras efémeras, as ininteligíveis, as labirínticas onde me escondo de te reencontrar, as que ficam subentendidas, as que deixam tudo em aberto e as que se fecham em cadeados, as encandeadas de luminosidade e graça. Depois há as palavras que são ditas em todos os lugares, que se dizem com certo ar de ritual, as palavras finais ditas com devoção, as que são ditas num contra-relógio com medo de perder o tempo, as que se dizem em forma de leitura.

Eu falo-te todas estas palavras numa salada de ideias, numa verdade que mesmo que não tenha sido verdadeira não o deixa de ser.

Eu te falo com a ideia de não ser unidereccional mas sim plurisignificativo porque te faço seguir um caminho em que te reconheces nas passagens e nos postais falados.

Falo-te porque me ouves aquilo que te apetece ouvir, para além do marulhar do zulmarinho. que te sossega a alma.

Sanzalando

As faces da liberdade


7 de maio de 2007

Uma corrida desnecessária

Olá. Desculpa a minha respiração ofegante.

Estás aqui faz muito tempo?

O quê? Sempre estiveste atrás de mim, me acompanhaste na corrida?

Sabes, hoje não caminhei, corri. Andei por este final de zulmarinho numa velocidade com medo de perder uma oportunidade, com medo de não ver o futuro a chegar. Não te falei porque estava concentrado na corrida, na velocidade. Sei que os meus pés não alcançavam a mente, de tanto ela correr. Acho mesmo que dei de caras com um ataque cardíaco, mas lhe fugi a tempo.

Não te podia falar, também não sabia que estavas atrás de mim.

Estou desculpado?

Afinal de contas eu corria mesmo porquê? Seja lá o que for, não merece a minha morte.

Senta aqui e me deixa respirar até retomar um fôlego para te poder falar as coisas que me apetecer falar mesmo que às vezes te pareça um labirinto de letras.



Sanzalando

Panico do último minuto


Sanzalando

As faces da liberdade


6 de maio de 2007

Porque hoje é domingo

Ler, sempre com o sentido do prazer, é um caminho para a sabedoria plena (eu, num dia sem imaginação)

Sanzalando

As faces da liberdade


5 de maio de 2007

Tentarei sonhar como criança, sempre

Como sempre caminhámos juntos, vamos juntos continuar a caminhar neste final de zulmarinho. Sentir a maresia e despentearmo-nos com a brisa. Eu falo e tu caladamente me ouves. Falo-te as palavras que te quero dizer. Com sentido consentido no meu pensamento. Às vezes, vencido pelo sono, embobino-me em recordações, em imagens passadas vividas no futuro. Por vezes me aparecem imagens desconhecidas em lugares desconhecidos. Olho-te e tu fazes a tua cara de espanto, espantada com o meu espanto. Entro-me na razão e busco uma lógica explicação e tento explicar-te por olhares. Descompreendes-me ou mostras uma compreensão irracional. Foges do meu corpo estendendo-te sobre a areia das mil cores. Longa, mostrando-me o final da tarde com um sol timidamente a se deitar para lá da linha recta que é curva.
Se paro para lubrificar a goela com uma birra estupidamente gelada e loira tu fazes o mesmo nos teus tons de cinzento.
Regresso à minha realidade e sinto-me um duende de um qualquer conto de fadas.
Como eu gostava de voar ao dobro da velocidade da luz e, sem que notasses, abandonava-te ali na areia estendida e ia atrás do sol ver o coração da minha existência, bem para lá da linha recta.
Já te estou a ver com olhar desconfiada: sou sombra de um lunático - percebo-te na forma como te deitas sobre a areia, onduladamente preguiçosa. Respondo-te num silêncio ensurdecedor que não o sou - gosto de ter a capacidade de sonhar como criança carregada de inocência e infantilidades, de largar-me para agarrar o que quero tanto, que está ali à mão de quem semeia, ao mesmo tempo longe de quem lhe quer colher apenas o saboroso perfume de terra molhada.
Anda, vamos caminhar os nossos passos e beber os sonhos que nos trazem as ondas do zulmarinho, viver os nossos sonhos de amanhã já hoje.

Sanzalando

As faces da liberdade


4 de maio de 2007

Eu também sonho com palavras

Vamos caminhar pelo caminho mais curto das palavras que ainda te quero dizer. Eu sei que me ouves, mesmo que às vezes me pareças distante, me olhes de lado, me respondas com ar altivo e olhar distante. Tu tas aí que eu sei, porque te sinto. Às vezes longe, outras vezes quase dentro de mim. Fazes parte de mim mesmo que às vezes te apeteça negar, mesmo que às vezes queiras mostrar que eu não existo, que sou um átomo da tua imaginação. Tu, sombra, queres às vezes ser a parte mais importante de mim, remetendo-me para um lugar secundário. Desconsegues ter essa personalidade altiva, subjugar-me ao teu querer. Segues-me e continuarás a seguir-me até ao toque dos finados.
Mas sabes, eu te falo assim porque quero ser como tu, personalizar-me de ti. Ser gente sem sombra. Uma sombra não pode ter sombra e tu estás a querer fazer-me a tua sombra. Mas tu, queiras ou não, és a minha sombra e terás que me aturar, seguir os meus caminhos, por mais labirínticos que sejam.
Mas hoje, antes de vir caminhar neste final de zulmarinho, refastelado numa preguiça, adormecido numa paz, vi-te ao meu lado, adormecida, com uma mantinha te cobrindo parte do corpo, notava-se ali e além umas gotas de suor, do meu suor, uma ou outra marca das minhas carícias. Estavas tranquila e em nada fazia transparecer o teu fogo, a tua agitação, a tua vontade de seguir rumos separados dos meus. Apeteceu-me voltar a acariciar-te e não o fiz para não te incomodar, não te despertar. Estavas ali adormecida após uma trovoada de paixão. Um raio de sol, tímido, te iluminava a parte desnudada do teu corpo. Frágil. Tu, a quase razão da minha loucura, estavas desprotegida nessa fragilidade e eu te sorria de felicidade
Com o olhar contornei o teu corpo. Olhava-te suavemente para não te acordar com a intensidade com que te queria. Queria dizer-te que te amo mas temi que a minha voz te acordasse. Foi aí que acordei. Passei água pela cara e vim passear-te nesta areia de mil cores e ver-te, sombra do meu pensamento

Sanzalando

As faces da liberdade


3 de maio de 2007

Importante é

Caminho. Hoje não reparo se me segues, hoje não sei se me ouves. Mas mesmo assim eu falo-te, nas palavras simples que conheço as coisas que me passam pela cabeça, que a coisa mais importante da vida não é o que tens, nem o que fazes, mas sim o que és na realidade, na tua realidade. Se és positiva, alegre, simpática, optimista, cordial e amável, isso não depende do que tenhas nem do que fazes, depende apenas do que és. Assim enriqueço-me de vida, assim me apetece dizer-te as palavras que te digo. Assim simplifico-me de vida, fugindo das tendências naturais dos seres complexos de viver no limiar do compromisso e enredos que não melhoram em nada a qualidade de vida. Simplifico-me vivendo a vida com as coisas realmente importantes. Falar-te é importante. Ver o zulmarinho e navegar nas suas ondas de magia é importante. Caminhar na areia de mi cores e ver o tropicalismo do lado de lá da linha recta que é curva, é importante.


Sanzalando

As faces da liberdade


2 de maio de 2007

Se eu tivesse um nogado

Vamos só andando por aí. Divagando palavras, vagabundeando ideias, calcorreando súbitos silêncios. Eu sei que tenho montanhas de coisas para dizer, cumprimentar amigos, agradecer elogios, responder aqui e ali, mas de facto apetece-me só calcorrear os caminhos da fala. Me ganhou o tempo à vontade. Apetece-me perder tempo, descansar porque a minha mente não dá para mais. Já vais pensar que a ansiedade ganhou-me o corpo, me tornou seu inimigo e conquistou minha mente como seu castelo. Mas te enganaste do todo num completo. Não é a ansiedade nem o cansaço que me fazem querer perder tempo. Atentando contra mim, hoje me apetece mesmo não olhar para trás, não ver as palavras que disse, os silêncios mortos caídos pelos caminhos já percorridos.
Olha, te digo mais, se tivesse um nogado me sentava aqui na areia das mil cores e me punha a olhar para o azul do zulmarinho e ficava a ver os nadas que povoam a minha carola.
Eu sei que tu me farias companhia na mesma.

Sanzalando

As faces da liberdade


1 de maio de 2007

Caminho sobre palavras

Vamos caminhando nos nossos passos compassados, sincronia da palavra e ouvidos, interrompidos aqui e ali pelo marulhar mais forte de uma onda se atirando num suicídio contra a areia de mil cores. O zulmarinho nos serve de pano de fundo, fonte de inspiração, elo de ligação, corrente de afastamento, aconchego de mimos.
Lhe olho e os meus olhos enxergam a realidade e descubro que as montanhas de sal se desfazem com o vento ou com a água. Convenço-me que as palavras são como setas que uma vez disparadas não voltam ao ponto de partida. Lhe sinto nas suas lágrimas salpicadas e empurradas pela brisa que a luz me atormenta e que os risos estejam abafados.
Caminhamos no teu passo que a passagem se vai encurtando e chego quando chegar ao destino não predestinado Somente caminho no teu caminho para que tu possas ouvir as minhas palavras, os meus silêncios, os meus gritos, o meu choro, minhas gargalhadas. Tu és a razão de eu estar onde estou, mesmo que eu queira estar onde estou a pensar em estar onde não estou
Caminho deixando pegadas na areia fofa desta praia, final de zulmarinho que começa para lá da linha recta que é curva.
Caminho nas palavras porque nada é certo na certeza de ter sempre razão.

Sanzalando

As faces da liberdade



WebJCP | Abril 2007