10 de maio de 2007
9 de maio de 2007
Divagando
Olho-te e recordo-me onde nasci, sabendo que cresceste ao mesmo ritmo que eu, que te foste formando com as minhas formas, que o teu coração é o meu.
Não tenho prémios, muito menos obras feitas, mas tenho o teu sorriso, a tua maneira simples de me dizer as coisas, os recados que me trazem as ondas, a brisa e a maresia.
Não tenho lugar para cair, mas tenho o teu regaço onde me aconchego nas recordações, onde me guardo nas palavras e silêncios.
Tenho milhões de sonhos para cumprir e espero ter tempo para cumprir pelo menos um, aquele que tu sabes tão bem quanto que nem eu qual eu falo nestas palavras que te digo.
Eu sei que mandei parar o meu tempo até que o tempo comece a recontar, por isso estou sem tempo definido e determinado. É só mesmo uma questão de tempo.
Tenho-te como a sombra predilecta intrincada na minha rede de corpo e alma.
Tenho-te, por isso tenho milhões de sorrisos que me fazem falta quando não lhes vejo.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 6:19 da tarde 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
8 de maio de 2007
As palavras
Eu sei que há várias classes de palavras. Umas são as que subentendem ideias, as soltas, as que são anotações do momento, as palavras efémeras, as ininteligíveis, as labirínticas onde me escondo de te reencontrar, as que ficam subentendidas, as que deixam tudo em aberto e as que se fecham em cadeados, as encandeadas de luminosidade e graça. Depois há as palavras que são ditas em todos os lugares, que se dizem com certo ar de ritual, as palavras finais ditas com devoção, as que são ditas num contra-relógio com medo de perder o tempo, as que se dizem em forma de leitura.
Eu falo-te todas estas palavras numa salada de ideias, numa verdade que mesmo que não tenha sido verdadeira não o deixa de ser.
Eu te falo com a ideia de não ser unidereccional mas sim plurisignificativo porque te faço seguir um caminho em que te reconheces nas passagens e nos postais falados.
Falo-te porque me ouves aquilo que te apetece ouvir, para além do marulhar do zulmarinho. que te sossega a alma.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 7:31 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
7 de maio de 2007
Uma corrida desnecessária
Olá. Desculpa a minha respiração ofegante.
Estás aqui faz muito tempo?
O quê? Sempre estiveste atrás de mim, me acompanhaste na corrida?
Sabes, hoje não caminhei, corri. Andei por este final de zulmarinho numa velocidade com medo de perder uma oportunidade, com medo de não ver o futuro a chegar. Não te falei porque estava concentrado na corrida, na velocidade. Sei que os meus pés não alcançavam a mente, de tanto ela correr. Acho mesmo que dei de caras com um ataque cardíaco, mas lhe fugi a tempo.
Não te podia falar, também não sabia que estavas atrás de mim.
Estou desculpado?
Afinal de contas eu corria mesmo porquê? Seja lá o que for, não merece a minha morte.
Senta aqui e me deixa respirar até retomar um fôlego para te poder falar as coisas que me apetecer falar mesmo que às vezes te pareça um labirinto de letras.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 7:10 da tarde 4 comentários Hiperligações para esta mensagem
Panico do último minuto
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 5:02 da tarde 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
6 de maio de 2007
Porque hoje é domingo
Ler, sempre com o sentido do prazer, é um caminho para a sabedoria plena (eu, num dia sem imaginação)
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 11:56 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
5 de maio de 2007
Tentarei sonhar como criança, sempre
Se paro para lubrificar a goela com uma birra estupidamente gelada e loira tu fazes o mesmo nos teus tons de cinzento.
Regresso à minha realidade e sinto-me um duende de um qualquer conto de fadas.
Como eu gostava de voar ao dobro da velocidade da luz e, sem que notasses, abandonava-te ali na areia estendida e ia atrás do sol ver o coração da minha existência, bem para lá da linha recta.
Já te estou a ver com olhar desconfiada: sou sombra de um lunático - percebo-te na forma como te deitas sobre a areia, onduladamente preguiçosa. Respondo-te num silêncio ensurdecedor que não o sou - gosto de ter a capacidade de sonhar como criança carregada de inocência e infantilidades, de largar-me para agarrar o que quero tanto, que está ali à mão de quem semeia, ao mesmo tempo longe de quem lhe quer colher apenas o saboroso perfume de terra molhada.
Anda, vamos caminhar os nossos passos e beber os sonhos que nos trazem as ondas do zulmarinho, viver os nossos sonhos de amanhã já hoje.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 4:40 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
4 de maio de 2007
Eu também sonho com palavras
Mas sabes, eu te falo assim porque quero ser como tu, personalizar-me de ti. Ser gente sem sombra. Uma sombra não pode ter sombra e tu estás a querer fazer-me a tua sombra. Mas tu, queiras ou não, és a minha sombra e terás que me aturar, seguir os meus caminhos, por mais labirínticos que sejam.
Mas hoje, antes de vir caminhar neste final de zulmarinho, refastelado numa preguiça, adormecido numa paz, vi-te ao meu lado, adormecida, com uma mantinha te cobrindo parte do corpo, notava-se ali e além umas gotas de suor, do meu suor, uma ou outra marca das minhas carícias. Estavas tranquila e em nada fazia transparecer o teu fogo, a tua agitação, a tua vontade de seguir rumos separados dos meus. Apeteceu-me voltar a acariciar-te e não o fiz para não te incomodar, não te despertar. Estavas ali adormecida após uma trovoada de paixão. Um raio de sol, tímido, te iluminava a parte desnudada do teu corpo. Frágil. Tu, a quase razão da minha loucura, estavas desprotegida nessa fragilidade e eu te sorria de felicidade
Com o olhar contornei o teu corpo. Olhava-te suavemente para não te acordar com a intensidade com que te queria. Queria dizer-te que te amo mas temi que a minha voz te acordasse. Foi aí que acordei. Passei água pela cara e vim passear-te nesta areia de mil cores e ver-te, sombra do meu pensamento
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 5:28 da tarde 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
3 de maio de 2007
Importante é
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 3:06 da tarde 6 comentários Hiperligações para esta mensagem
2 de maio de 2007
Se eu tivesse um nogado
Olha, te digo mais, se tivesse um nogado me sentava aqui na areia das mil cores e me punha a olhar para o azul do zulmarinho e ficava a ver os nadas que povoam a minha carola.
Eu sei que tu me farias companhia na mesma.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 6:12 da tarde 7 comentários Hiperligações para esta mensagem
1 de maio de 2007
Caminho sobre palavras
Lhe olho e os meus olhos enxergam a realidade e descubro que as montanhas de sal se desfazem com o vento ou com a água. Convenço-me que as palavras são como setas que uma vez disparadas não voltam ao ponto de partida. Lhe sinto nas suas lágrimas salpicadas e empurradas pela brisa que a luz me atormenta e que os risos estejam abafados.
Caminhamos no teu passo que a passagem se vai encurtando e chego quando chegar ao destino não predestinado Somente caminho no teu caminho para que tu possas ouvir as minhas palavras, os meus silêncios, os meus gritos, o meu choro, minhas gargalhadas. Tu és a razão de eu estar onde estou, mesmo que eu queira estar onde estou a pensar em estar onde não estou
Caminho deixando pegadas na areia fofa desta praia, final de zulmarinho que começa para lá da linha recta que é curva.
Caminho nas palavras porque nada é certo na certeza de ter sempre razão.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 3:51 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem









