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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

11 de junho de 2007

Nostalgia para a noite e para o dia


10 de junho de 2007

sobrevivência

Te abro também uma birra loira estupidamente gelada ou ficas aí estendida no chão a me ver olear a garganta?
Bebo, caminho e falo. Falo-te no ritmo desse espraiar do final do zulmarinho. Sem cadência.
Acho mesmo ando à procura da causa da minha existência. Depois de ter calcorreado palavras e frases, intervalado nos silêncios calados de brilhar nos olhos, acho tropecei com ela. Acho mesmo a causa é a esperança e eu tinha esperança de lhe encontrar, assim mais cedo do que tarde.
Tu sabes, porque eu sei tu sabes tudo, que toda a consideração abstracta dos problemas não serve para consolo nem para afogar tristezas. A gente sobrevive mesmo porque tem esperança. Felizmente a gente não é só feito de feitio desesperado, de lágrima e morte. A gente tem esperança e se a tem vai fazer mais como então?
Vai vivê-la, pois então. Há que ser feliz num mundo desesperançado. Aí mesmo nesse ponto sem vírgula, é que está o centro da questão. Se é ponto e tem centro então é mesmo circunferência e se é assim redondinha então tem 360º. Tal e qual que nem a esperança. Às vezes vai, mas depois ela volta sempre. Pode ter eclipse, mas depois tem luz outra vez.
Me acompanhas neste pensamento profundo que nem as profundezas desse zulmarinho que é fronteira mas também é ponte de união?
Vamos lá olear a goela com mais uma outra, para que as palavras saíam assim que nem balas de metralhadora que tu agarras num ouvir ininterrupto.
Deixa só te dizer mais uma coisa e depois paramos para olhar a linha recta que é curva. Com tanto amor que eu sinto por ela que quase ia-lhe jurar amar para a eternidade, não fosse a eternidade assim coisa pequena.

Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia


9 de junho de 2007

Minha Luz da noite

Olá, sombra! Como tas tu, coração externo do meu corpo?
Vamos no nosso passo de passeio calcorrear esta areia de mil cores que aprisona o zulmarinho duma maneira que ele quase nem mexe aqui no final dele?
No caminho eu te falo que faz dias, assim uns quantos que nem sei se tenho dedos para te dizer quantos, que tenho caminhado assim quase sem ti, debaixo da luz da lua, em que lha vejo assim espelhada no chão de mar que ele se torna enquanto dorme, e os meus olhos se escapam, faz conta têm vontade própria, à procura, nesse milhar de estrelas que fica, assim num pisca pisca lhe adornando como missanga brilhante, duma luz assim especial que eu não sei se se foi embora, se teve algum acidente ou se simplesmente se esqueceu de mim. À noite, no silêncio da profundidade dos meus sonhos eu lhe via a me observar e lhe ouvia murmurar palavras de calor e de ânimo, lhe sentia fazer-me carícias no corpo e na alma.
Lhe venho procurar aqui na noite de lua cheia e afinal eu não lhe encontro. Será mesmo, sombra, que lhe perdi?
Eu sei, e se te compreendo bem tu também sabes, que ela vai voltar e ser igual a que nem antes, a minha luz da noite.



Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia


8 de junho de 2007

Delírios sob nuvens

Vamos aproveitar o tempo e desenferrujar as gambias neste areal de mil cores. Ouvir o marulhar como se fosse música, sentir a maresia como se fosse perfume. Se te falar é porque te falo, se te fizer silêncio é porque estou a escutar as mukandas que me chegam desde lá do início deste zulmarinho que os serve de pano de fundo nesta fotografia do realmente.
Pois é, de tanto ela me negar eu confundo o nome dela com silêncio e a minha voz soa assim que nem eco quando lhe pronuncio o nome. De tanto ela me negar me parece um reflexo sem contornos, uma inconstante sombra mais ténue do que tu. De tanto ela me negar, as suas formas estão repletas de neblina e se me confunde com o cacimbo. De tanto ela me negar parece ela só habita nos meus sonhos e delírios.
Me parece sempre noite mesmo que eu esteja de dia, me pareço um nada feito coincidência de um sítio que se transforma apenas num ponto.
De tanto ela me negar deixei de existir e passei a ser apenas uma ideia, um novelo de pontos de encontro, um erro de paralaxe.
De tanto ela me negar eu virei chuva, vento e neblina.
De tanto ela me negar eu até me esqueço de mim.
Parece mesmo eu estou a dizer-te um poema que mais não é que uma prosa que sai de dentro sem filtros nem barreiras.
E tu pacientemente me acompanhas nestes delírios.

Sanzalando

Porque hoje ainda não é sábado!

7 de junho de 2007

Nostalgia para a noite e para o dia


6 de junho de 2007

Filosofia de vida

Sento-me aqui enquanto na posição fetal te deitas na areia de mil cores sem deixar uma única marca. És a leveza instantânea do ser sombra. Te deitas e escutas as minhas palavras como se elas fossem totalmente tuas. Bebes-me as palavras, porque depois de eu as dizer olho em redor e não as vejo.
Hoje te falo de mim, do eu mesmo que existe aqui dentro e que se transparentiza nestes dia´logos contigo como se fosso ema frágil folha de vidro voando através da brisa marítima que me despenteia os ralos cabelos que ainda teimam crescer na cor natural deles, porque os outros de tão claros nem se dá por eles.
Na verdade , e como tu sabes porque eu ao longo destas nossas conversas já te devo ter dito e se não te lembras é porque já esqueceste nessa oca cabeça de vento, uma pessoa não chega a ser ela mesmo se não se esquecer de si e não se entregar ao amor. Independentemente de que amor a gente queira mesmo é pensar. Para quem não tenha encontrado um rumo, usando sextante, traçando no mapa da vida a rota, de esquadro e transferidor que nada transfere, segundo as estrelas, os satélites e o impulso, todo o seu passado se converte assim numa carga, o presente num problema e o futuro não passa de uma ameaça.
A felicidade não está no final do caminho, mas está só depois da acção realizada com sentido, quer a gente tenha necessidade ou não. Ela mesmo não está no fazer o que se quer mas sim no querer com que se faz. Num esquece nunca que eu sou filho do meu passado e penso ser pai do meu futuro.
Ouve bem o que eu te digo, porque não sei se algum dia te vou repetir as palavras que te digo.
Desde que tu tenhas um desejo de viver és capaz de aguentar qualquer coisa, porque a vida tem mais sentido quanto mais difícil ela é. A vida fácil é difícil.
Portanto, e assim numa forma de resumo, eu te digo, olhando o zulmarinho e saboreando o perfume da maresia, que sem sentido a existência não se vive plena e a vida não é sã.

Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia


5 de junho de 2007

Angústias

Vamos caminhar nos nossos passos seguros de equilíbrio instável. Eu falo e tu ouves, ou finges que ouves. Tanto faz, porque o que eu gosto mesmo é de falar.
Às vezes parece estar contaminado com a ideia do ser e perco um pouco a noção da realidade, de não crer na real existência.
Sabes, tenho que acreditar que quando fecho os olhos o mundo não desaparece. Ele continua ali, à minha volta na sua fervura lenta até à evaporação total.
Te parece estranho o que eu te falo logo hoje? Hoje porque é agora, logo é agora, tudo é hoje, intemporal tempo marcado no calendário da vida.
Fecha os olhos, finge que os tens. O mundo parece desapareceu e se agora os abrires lá está tudo na mesma como te rodeava nuns instantes atrás.
O mundo não desaparece quando fecho os olhos. Mas é pena, te digo eu. Não é porque eu queria que alguma coisa desapareça, mas sim para que enquanto eu estiver de olhos fechados não perca um instante deste mundo.
Mas a realidade é aquilo que os teus olhos vêem, que o teu corpo sente?
Tenho medo que a realidade que eu sinto não seja a real forma de existência.
Me entendes?
Pelo teu silêncio parece que sim. Ou não?
Olha, eu tenho medo que na realidade nada seja real e eu ande a perder tempo com angustias inexistênciais.
Mas a verdade é que a angustia está aqui, rodeando-me, embrulhando as minhas palavras que te dirijo, como se fosse uma prenda qualquer.
Olha, o melhor mesmo é embrulhar-me de angustia e não pensar em nada, seguir o caminho como uma marioneta, procurar-te num outro lugar, onde possa descansar à tua sombra.
Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia


4 de junho de 2007

Outros dias são não


Anda, vamos dar um passo, depois outro e por aí fora.

Não vens?


Quê?! Não me ouves?


Pois é, hoje estou afónico de ideias. Tem dias que é assim. Te quero falar e as palavras não saiem do tinteiro da cabeça que não pára.


Deixa lá, outros dias haverá, outras palavras vão sair, outras frases doutras fases vão pintar-te o ouvido de cores berrantes. Outras ideias vão nascer para eu te contar nesta voz que não é a de hoje.





Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia

3 de junho de 2007

um vitral no zulmarinho


Te senta aqui a meu lado e descansa os pés, repousa a cabeça na areia de mil cores e vamos viajar na magia dos sonhos sonhados com a imaginação e o querer.
Olha só o final do zulmarinho até parece um vidro azul de tão quieto que está. Vais ver está só a reflectir na vida dele.
Se eu tivesse aqui umas tintas, dessas que dizem ser tinta de água, eu lhe pintava uma paisagem e lhe ia chamar de vitral. Depois, quando ele ia acordar, assim mais ondulado, o vitral se mexia e parecia aqueles brinquedos de ver numa posição uma coisa e noutra outra coisa.
Estás a ouvir o que eu te estou a dizer ou estás a pensar que te estás nas tintas para o que eu te digo?
Como tu sabes, às vezes a vida te indica um caminho, que não é propriamente aquele que tu queres seguir, mas tens que lhe agarrar, mesmo que seja só por necessidade. Se já tentaste aquele que tu caminho que tu pensas é o teu e por razões que a razão desconsegue explicar não deu certo, então entras na realidade, baixas a cabeça e segues por essa necessidade. De cabeça baixa e braços caídos segues o caminho e logo alguém te diz que não te preocupes porque há de chegar o dia que vais pelo caminho escolhido. Olha-lhes nos olhos e pensas nesse consolo tonto, sabendo que a realidade é mesmo assim.
A tua cabeça baixa não quer dizer que desististe, pode dizer mesmo que o peso do que pensas te verga mas não quebra.
Os teus olhos deixam cair uma ou outra lágrima, a tua boca solta um raro lamento. A tua cabeça fervilha de ideias que começar de novo.
Olhas para trás e te perguntas quantas vezes podes começar de novo, e não consegues achar a resposta.
Segues o caminho com cabeça baixa e braços caídos, mas não te roubaram a capacidade de sonhar, a força de lutar pela escolha do caminho. A estrutura mental não desabou, só tens mesmo é que lhe mudar de roupa e começar de novo. Sei que jamais serás a formiga a caminhar no carreiro, como uma ovelha por esse caminho. É, lá dentro está a força da razão de ser.Já viste como o vitral mudou de forma assim num repente que até parece mais bonito nas formas do início do zulmarinho.


Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia

2 de junho de 2007

Acordo, sonho e vivo

Vamos caminhando em passo imperfeito. Segues-me, sigo-te, tudo depende do sol.
Uma coisa é certa, falo-te mesmo que seja no meu silêncio e por mais que eu grite as minhas palavras caiem num manto branco de espuma feito pelo zulmarinho que se estende na praia como que a me querer agarrar, como a morte me agarrará um dia na sua forma metafórica de palavras minúsculas.
Afinal de contas quantos versos calei na minha garganta porque ela não estava oleada ou porque eles eram assim mais do que vulgares lugares comuns? Quantos palavras calei porque eram armas de arremesso que eu estava a tentar atirar?
Não estou preocupado com poesias nem com o lugar de viver a morte. Me preocupa mesmo é o lugar de viver a vida, de sorrir o sorriso.
Não me encontro perdido na estória, em grandes praças e avenidas, em substantivos e adjectivos, em verbos desconstruidos.
Me encontro mesmo aqui ao teu lado na ânsia de te dizer as coisas que me vão assim perdidamente na alma, desse grande labirinto de vida que não é das nuvens.
Aqui, deliciado a ouvir o marulhar, embalo-me nas palavras do coração, as coisas impossíveis de descrever, os versos por declamar. Imagens.
Afinal de contas eu acordo para viver, vivo para sonhar e depois volto a acordar.

Sanzalando

Nostalgia para a noite e para o dia


1 de junho de 2007

me lembrei é dia de ser criança outra vez


Hoje caminhamos num passo que nem sei como nos movemos. Lentamente, para não deslocar o vento que não sopra, não vai ele acordar e dar umas de rajada que nem joeira ia ficar quieta lá no céu rodopiando seu rabo colorido feito de papel celofane.
Ai uê! me fui recordar dos caniços cortados em quatro para ficar assim que metade de meia cana, cola branca se havia ou então cola de farinha, papel colorido de muitas cores, barbante de sapateiro e uma alegria enorme de construir a joeira que outros lhe chamavam de papagaio de papel que eu nunca soube porque já que joeira não fala, por isso não pode ser mesmo papagaio. Se joeira falasse ia só dizer palavrões, que nos tinha ouvido quando as coisas ficavam mal feitas da primeira vez e tinha de ser reconstruído. Nessa altura mesmo, ainda não tinham inventado essa coisa de manual de instruções para as coisas feitas em casa de ver outros fazer. Acho mesmo ainda não tinham inventado a física e o aerodinâmico. Havia mesmo era só vontade e entusiasmo no coração.
Vais ver me lembrei porque é dia de ser criança outra vez.
Já sei, a memória é assim como que selecciona aquilo que a gente quer recordar, o que convém e nunca faz comentários, não protesta nem reclama com o entender porque sabe que às vezes o entender só trás confusão a mais nela. Eu e a minha memória nos entendemos. Às vezes ela me faz traição, outras vezes sou eu que lhe corto a raiz, assim ficamos quites.
Minha memória é assim como que nem os meus olhos. Estes só observam mesmo o que acreditam ser a realidade e não me deixam ver o que eles vêem.
É assim como que o meu corpo, feito de cartolina que fica mole em dia de humidade, que rasga se eu tento mexer os braços e as pernas de encontro às inconsequências da vida.
Agora já entendes porque caminhamos nesta velocidade de palavra a palavra?
Vá lá, faz mais um esforço e me ouve enquanto eu tiver forças e vontade para te falar. Afinal de contas, mesmo a gente estar assim separados mas ligados não deixas de ser parte de mim e vice versa também.
Cada vez acredito mais que o meu sangue, e o teu que não tens também, é água desse zulmarinho que começa lá e acaba aqui. As minhas veias são assim como estradas que ele usa para se entranhar aqui na terra e se aprofundar como se fossem as suas raízes.
Meus dedos são assim como que abanam esse zulmarinho e lhe fazem ondas.
Hoje te falei assim porque me lembrei que hoje é dia de ser criança outra vez.

Sanzalando

Porque hoje ainda não é sábado!


WebJCP | Abril 2007