Aqui estou eu caminhando palavras e imagens de sonhos quando vejo que o sol está a pintar-me sombras como se eu fosse uma tela em branco.
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…
Eu vim da terra dos traídos
Vim dum monte de sonhos destroçados
Vim de cidades em ruinas
Dum bando de famintos revoltados.
Amei os pobres, as crianças, as mães amarguradas.
Fui choro, fui pranto de muitos lares,
Fui o roçar de facas, de chibatadas.
Entrei nos templos, p'ra achar pureza,
Desci às ruas, p'ra conhecer tristeza.
Fui bandeira branca, desfraldada,
Fui lágrima de noiva abandonada.
Fui grito de dor, brado de morte,
Fui brinquedo morrendo com um menino.
Fui solidão e fui miséria
Fui flor de sangue derramado.
Eu vim da terra dos traídos...
Da terra sem lares, ou maternas mãos...
Sem portos, sem ruas, sem amores,
Sem Credos, sem Deus, sem alvoradas...
Vim dum bando de crianças inocentes
Qu´esperavam com fé p´la madrugada,
Que não conheciam ódios raciais
E tinham direito à sua sobrevivência.
Eu sou a que está convosco, incompreendidos,
Que não querem curvar-se ao cativeiro,
Que querem ser livres, encontrarem-se,
E acreditam que num futuro aurifulgente,
Num mundo sem ódios, nem concessões,
Tudo será melhor, será diferente.
Vera Lucia
Sanzalando
24 de agosto de 2008
(02) Texto Pedido - ORIGENS
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:12 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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23 de agosto de 2008
Hoje é sábado
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 6:31 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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22 de agosto de 2008
certezas
Quando te apetecer rir, chorar, falar ou ouvir, tu sabes que eu estarei aqui, por ti. São as tuas certezas.
Me sento na areia e de olhos postos na linha recta que é curva eu vou virando as páginas tantas, vivendo as mesmas linhas e sabendo que tu, minha alma gémea, és a minha verdade, de certeza absoluta. O resto, o resto é mesmo o tempo de intervalo que mediam as certezas.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 11:32 da manhã 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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21 de agosto de 2008
Distraído
Não! Se enganam, estou só é mesmo distraído.
Distraído da vida que levo, dos caminhos que calcorreio, das florestas que não vejo, dos mares que não provo. Distraído porque deixei passar uns anos sem que eu tivesse dado por eles. Distraído porque pensei que tinha perdido alguma coisa. Não. Só algumas coisas se adiantaram de mim.
Olha, aqui vou eu olhando o zulmarinho e caminhando sobre palavras, distraidamente.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 4:45 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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20 de agosto de 2008
Distracção
Caminho enquanto o tempo decorre na sua lentidão de certeza feita.
Caminho debruçado sobre mim, perfume de maresia que me entra como se existisse uma janela aberta.
Caminho na distracção da esperança.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:05 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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19 de agosto de 2008
Delirando
Vou buscar o zulmarinho.
Estou cansado de guardar as palavras que me grita o coração. Eu sei que ao calar-me tenho a liberdade de as mudar quando me apetecer, de chorá-las, gritá-las no meu silêncio de raiva. Mas ao calar-me os meus espaços errantes se acabam.
Eu quero a liberdade de poder ouvir as tuas palavras, dizer-te as minhas, ouvir o cair da noite ou o romper da aurora. Eu quero a liberdade de poder ocultar-me.
Vou buscar o zulmarinho e lhe ouvir as mucandas, ouvir as canções das kiandas. Vou-lhes buscar ainda.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 2:25 da tarde 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
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18 de agosto de 2008
pintura-me
Me deixo embalar e, de pensamento em pensamento, concluo que a minha vida é uma pintura onde se notam as pinceladas que põem a nu a minha estória e os meus amores.
Olho com olhos de ver esse quadro e vejo que há espaços escondidos em mim que nem eu nos meus sonhos sonharia ter, estórias de rua sombreada num arco-íris de essências e desejos.
Reolho e observo traços hesitantes entrecortados por certezas como se fossem palavras ditas na afirmação.
O zulmarinho me embriagou mais uma vez.
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 9:08 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
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17 de agosto de 2008
(01) Texto Pedido - NOSTALGIA
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…
Escondida na minha choupana, nos caminhos que serpenteiam na verdura da minha montanha/paraiso, onde a saudação dos pássaros me anunciava a hora de começar o dia...
Perdida na tranquilidade da natureza, onde o tocar do tambor consolava pelo excesso de paz, nesse sorridente, belo e doce vale, entre os companheiros meigos e mudos da minha silenciosa solidão: o meu cão e as minhas filhas miudas.
A realidade do quotidiano (a minha realidade) não conhecia nada, além do bom senso que me era legado por esse Deus, que eu alcançava, interpretando-o como fogo, chuva, trovão, ou mesmo sol, mas com o Qual eu vivia em harmonia.
Fosse esta uma interpretação bárbara, era esse o meu Credo, era essa a minha vida.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:07 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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16 de agosto de 2008
retorno
Mas agora, assim num instante para desentrançar a língua, resolvi falar-me numa mistura de ideias e provérbios, porque me lembrei que o pior cego é mesmo só aquele que não quer ver, assim como a pior ausência é aquele que falta e a pior vitória é a alheia, pelo que o pior morto é aquele que não quer ressuscitar.
Misturadas as coisas, frases feitas na imperfeição da voz rouca, vou dar um passeio pelas ideias que me atormentam os sonhos.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 5:06 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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13 de agosto de 2008
eternamente
Caminho cansado com o saber que amanhã voltarei como que avivado num fogo de paixão que me nasce no interior e percorre todas as minhas entranhas.
Aqui estou caminhando com a mesma vontade de saciar um amor eterno.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:46 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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12 de agosto de 2008
mente-me
Diz-me só quem te tem amado que nem eu? Anda, mente-me!
Diz-me quem te fez feliz tal como eu te fiz, sem trocas?
Diz-me quem te tem dado o prazer de sentir viva como nunca?
Diz-me quem me mostrou o inferno e te deu o céu?
Diz-me quem te tocou numa carícia de alma?
Anda, mente-me por favor!
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:21 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
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11 de agosto de 2008
sorrio
Aqui vou caminhando de sorriso em sorriso, palavra em palavra ou de silêncio em silêncio. Hoje mesmo vou assim como que vestido de riso, maquilhado de desejo e penteado de ilusões. É, transpiro energia, cantarolo canções que invento.
Olha, afinal mesmo hoje só sorrio para ti.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 2:02 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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10 de agosto de 2008
hora da sesta
È nesta hora que surgem novas palavras em outras tantas vozes dentro da gente, umas carregadas de cor outras assim num tom de cinzento parvo, em que se ouvem ecos de silêncio agonizante misturados com surdos gemidos, ecos do subconsciente.
É nesta hora que a cabeça entra de fantasia noutras épocas em pensamentos delirantes de outras liberdades.
Me estendo na areia como que pintado de palavras poéticas de delírios, de ideias naufragas de inspiração e se me afasta a audácia e entro no pântano da obnubilação.
É só porque é a hora da sesta e depois no despertar serei invadido de insustentável imaginação para rescrever os poemas mortos que nunca tiveram vida.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 3:13 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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9 de agosto de 2008
docemente
O zulmarinho hoje cheira a mar. Me disseram que tinha que ver com correntes, ventos e luas. Acho só me enganaram, mas eu fingi de acreditar porque às vezes a gente tem mesmo de fazer isso para não vão de pensar a gente tem manias.
Com esse cheiro que me entra no nariz eu lhe caminho paralelo no transporte dum sorriso que até parece eu estou é feliz.
Neste despreocupar eu tropeço numa frase que não sei eu li ou inventei agora de ter ouvido uma kianda que dizem que há mas que nunca ninguém também lhe viu.
De todos os estados de alma o amor é o que mais desdenha a razão e faz cometer loucuras.
De pensar nisto logo eu tropecei na ideia de que quem feio ama bonito lhe parece e que o amor é como uma gota de mel que serve só mesmo adoçar a vida.
Hum! Acho o sol bateu mais forte na cabeça hoje por isso mesmo é melhor eu beber umas quantas birras loiras e hidratar até ter ideias assim menos docementes.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:03 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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8 de agosto de 2008
gordamente
Assim, secamentente quando me olham depois de faz tempo que não me vêem. Quase de certeza eles pensam que eu não sei e por isso me estão só a dizer para eu ficar a saber.
De verdade mesmo é que quando eu tou no olhar no eu que está no outro lado do espelho eu não vejo só os 20 kilos a mais que ali estão mas tou no ver de outras coisas que eu sei estão lá e os outros que nem estão a olhar de ver. Ah pois é, que está ali muito mais para ver.
Durante este tempo de reaprender a viver eu aprendi a filtrar a opinião e me esqueci mesmo como é que eu era antes.
Imagino num imaginar de faz de conta que a muitos causa impressão me olhar e ver gente e não aquele caniço atlético filtro de cigarro.
Mas afinal de contas os kilos anulam os meus pensares, a minha actitude ou a minha essência? Só porque estou mais gordo significa que perdi o meu lugar no salão de baile?
Ninguém pergunta se custou muito, como é que foi. É mesmo logo um assim: Estás gordo!
Só por causa disso vou aproveitar o calor e fazer as minhas caminhadas, ver o zulmarinho e cantar-lhe no meu silêncio as canções de amor que um dia eu lhe vou poder dizer assim num ao pé da orelha.
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 7:42 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
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7 de agosto de 2008
exitações
Mas a verdade mesmo é que o café sem ser contigo não sabe ao mesmo e ponto final.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:02 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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5 de agosto de 2008
devia
Sanzalando
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4 de agosto de 2008
Assim por assim
Aqui vou eu neste mole caminhar, sentindo-me como uma personagem duma estória que não me apetecia ler, ou por medo, ou por vergonha, ou por outra razão qualquer que nem me apetece perder tempo a procurar.Me assusto com os pensamentos e as suas consequências, me assusto com os equívocos e as suas desgraças.
Sinto-me mal na pele desta personagem, preferia ser bruxo, espantalho, estátua.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:05 da tarde 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
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2 de agosto de 2008
caminha comigo
Caminha comigo mesmo que nos entendamos através do silêncio ou mesmo que nos doam todos os músculos de tantas palavras proferidas, porque é preferível termos uma dor de tanto procurarmos, do que termos paz por nos termos renunciado à busca.
Caminha só mesmo a meu lado e me acompanha nesta procura de um sorriso, duma alegria, dum momento de felicidade.
Olhando para todas as minhas palavras, paradas no tempo passado, eu penso que fui mudando ao longo dos tempos. Encontro palavras cinzentas condizentes com o cabelo, encontro palavras soletradas parecidas com as rugas, vejo palavras desfocadas idênticas às névoas vistas das cataratas.
Caminha comigo que faz tempo que perdi o meu ar selvagem e não te deixo parecer mal.
Caminha comigo porque eu não quero estar só.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:57 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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1 de agosto de 2008
estória antiga que me lembrei de contar hoje
- Que me trouxeste?
-Nada. Me respondeste invariavelmente porque sabias que eu ia te revistar todos os bolsos e ia, invariavelmente, encontrar um caramelo, um rebuçado ou uma chuinga num dos teus bolsos. Sempre num bolso diferente para dificultar a minha paciência.
De imediato te retribuía com um beijo. Era o preço que eu tinha que te pagar por esta carícia.
Me lembro que todas as noites desse tempo de criança, me acompanhavas ao quarto e antes de te recolheres ao teu, conferias a minha posição e me aconchegavas a roupa de cama.
Me lembro que isso durou uns poucos anos. Hoje, ao recordar tudo isso sinto o desejo que tudo voltasse numa repetição moderna, actualizada e de preferência com muitos capítulos. Foram muitos insuficientes esses poucos anos.
Hoje, caminhando ao longo do zulmarinho, eu grizalhado, me custa saber que não estás aqui, que não me vais fazer as cócegas que adoravas fazer quando me apanhavas distraído num olhar para um futuro indefinido através da janela da velha marquise, não me vais perguntar se fiz os trabalhos da escola, não me vais fazer as perguntas de História.
Um dia assim, que já nem me lembro que tempo fazia, deixei de ver-te. Assim o mais do mesmo que já tinha acontecido com o meu pai estava a acontecer-me com o avô. Me lembro de ver a avó chorar. Não sei se mais alguém chorava lágrimas que se vissem, mas tenho a certeza que muitas lágrimas caladas ganharam liberdade. A mim me disseram só que tu tinhas partido e agora eras mais uma estrela do céu. Eu, nessa noite, escolhi a estrela que eras tu. Já te mudei de posição no céu algumas vezes, mas ainda lá estás para eu te olhar e te falar as nossas coisas.
Um dia, alguém me vai ter de explicar porque é que as pessoas boas partem assim num definitivamente sem um dizer de até já. E será bom que tenham uma explicação muito boa que me convença.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:27 da tarde 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
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