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A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

31 de agosto de 2008

Futebol levado ao extremo


FOOT 2008 (REMI GAILLARD)
Enviado por nqtv



Sanzalando

30 de agosto de 2008

39 - Estórias no Sofá - te sonhei

Mais uma vez vou-te caminhar as palavras que sonhei. Num vou nem me importar de saber alguém vai ouvir os meus passos ou ainda ouvir os meus segredos de secreto amor público. Me apetece te contar que hoje eu sonhei e não faço ideia quando é que tinha sido mesmo a última outra vez que isso aconteceu.
Mas eu te conto nos pormenores mais pormenorizados para tu sentires o que eu mesmo senti. Sonho não é sair do chão e ir em lugar distante porque isso é mesmo o avião. Este sonho mesmo é de estar a dormir e ver um filme que dizem é a preto e branco mas eu desconsigo lembrar esse pormenor. Esse filme é como que nem passado num lugar que eu desconsigo de ver qual é, pois até que penso foi só cenário para este sonho.
Estava assim muita gente até parecia uma reunião de gente importante porque até a roupa era um vestir de gente importante.
Ela estava lá. Ela, a do biquini azul, que nunca mais nem me olhou quanto mais me disse uma palavra. Ali estava na sua altura e no seu porte de quem nem é hoje me vai dar confiança. Se cruzou num para lá e para cá comigo que eu nem parecia estar ali. Me senti fantasma de ver e não poder ser visto. Me apeteceu gritar até os pulmões saírem cá para fora. Mas me calei porque acho queria ver o filme até ao fim e lhe tinha um bom percentimento.
Pouco a pouco foram saindo. O lugar desconhecido começou a ficar parecia bem maior e ainda mais eu lhe desconhecia o lugar. Ela ainda estava ali a conversar com mais ns outros.
'Me vou lhe perguntar se ela se lembra ainda quem eu sou' falei-me assim num sussurrar tímido de um medo pavoroso. Mas a conversa estava animada e se eu chegasse ali ia levar berrida estou na certeza.
'Esquece' me mentalizava eu.
Bati com as costas no momento e decidi que eu ia fazer assim como os outros e me ia dali embora, logo ia saber o caminho para uma volta a casa.
Na rua, amplo parque de estacionamento, só restavam meia dúzia de carros. Procurei onde eu pensava estava o meu e lhe encontrei lugar vazio. Procurei tudo e e dele nem a sombra tinha lá ficado. Agora aqui gritei toda a raiva eu sentia que todos os que ainda estavam na casa grande de cenário vieram ver o que estava a acontecer. Um a um fui contando. No último não contei porque era ela e ela não estava ali nem perto para me ouvir. Mais uma vez eu lhe era um fantasma que ela não acredita nessas coisas.
Os carros poucos que estavam foram arrancando um a um numa fila parecia estava combinada. Eu era o único que não podia seguir. Tentei com o telemóvel ligar num socorro qualquer e do outro lado da linha me diziam tinha de aguardar. Eu ia ficar ali naquele cenário desconhecido, complexo de fantasma e ainda por cima apeado.
Um carro parou. Me baixei ao nível da janela e se eu ia dizer alguma coisa fiquei mais mudo que sem corda vocal. Era ela. Disse-me qualquer coisa que eu vi a sua boca mexer mas meus ouvidos estavam que nem eu numa paralisia mortal. Pelo gesto percebi que era para entrar e foi o que fiz e não sei como me consegui mexer.
Arrancou. Acho o carro nem tinha motor que eu ouvia o silêncio era total.
Sempre olhou na estrada que tal como a casa era feita só para este filme pois eu acho ela não podia nem existir. Bela para não dizer belíssima.
Aos poucos o meu corpo foi parecia estava a acordar de ser morto. Aos poucos eu estava a consegui ser eu outra vez. Lhe ia dizer que ela estava ainda bela como a última vez que eu lhe tinha visto fazia aí uns vinte anos e que acho devia acabar a minha prisão perpétua, foi quando o sonho acabou e o despertador me disse em altos berros que era hora de acordar.
Sanzalando

29 de agosto de 2008

Vou caminhando

Vou caminhando que um dia vou chegar lá. Num lá que fica para lá do desejo, para lá da branca noite dum poema de amor, do branco silêncio do encontro de duas almas gémeas.
Vou caminhando sobre as palavras, equilibrado na sombra das recordações perfumadas de maresia.
Tu e eu num movimento perpétuo, luta corpo a corpo, sombras sombreadas de vida.
Vou caminhado até lá chegar.

Sanzalando

28 de agosto de 2008

sobre linhas

Os meus caminhos são percorridos entre duas linhas. É, parece eu sou um equilibrista que caminha sobre corda, dando os meus passos na busca do equilibrio dos pensamentos, sentimentos e do que faço ou não.
Tem dias que é dificil e nem sempre consigo.
Hoje é um dia destes.


Sanzalando

27 de agosto de 2008

às vezes

Aqui vou eu neste incerto caminho das palavras e ideias. Às vezes aqui estou apenas por medo que notes a minha ausência, que sintas que o meu corpo não está nos teus braços. Às vezes me apavoro de pensar que possas pensar que eu não te estou a contemplar, a te adorar. Às vezes cubro-me de silêncio para que não vejas as lágrimas que deixo fugir de mim.
Aqui estou na viagem do teu corpo, sílaba por sílaba, sem ter tempo para ter tempo e às vezes sem futuro.
Sanzalando

26 de agosto de 2008

sonhos

Te parto todo com esse teu trim que me acorda ainda não são 7 da manhã.
Acordar é uma maneira de dizer. Como que é que eu podia dormir se eu pensei que estava toda a noite contigo?
De olhos fechados te olhei e te admirei ver enquanto dormias e eu entrava nos teus sonhos. Te deixei adormecer fingindo eu que dormia, te enrolaste a mim num abraço forte como se eu fosse o teu boneco de criança. Desconsegui mexer-me e quase não respirava para não te incomodar.
Me deixei assim ficar a te admirar até que esse trim agora me manda ir pelo caminho, olhar o zulmarinho e com o sabor da maresia saber que eu tinha sonhado mais uma vez contigo.

Sanzalando

25 de agosto de 2008

38 - Estórias no Sofá - estória com moral

Era uma vez uma mulher linda dum país livre que vivia num país menos livre, numa povoação pobre e tranquila, tão pequenina que lhe preocupava o facto de não encontrar um homem caso houvesse necessidade.
Na verdade a mulher estava em idade de merecer todos os cuidados e algumas urgências. Como era um ano Olímpico se lhe passou pela cabeça organizar uma competição entre todos os homens que conseguia contactar pela Internet. O vencedor seria aquele que lhe chegasse primeiro à sua intimidade.
Todos eram recrutados com o ‘abanar’ do prémio, com muita paixão prometia a cada um ser o vencedor sem que cada outro soubesse. Cada um se entusiasmava pois o homem é um ser simples que evolui no desejo dos recursos naturais das senhoras e das coisas aparentemente menos atingíveis.
Aos poucos uns foram desistindo, outros por isto e por aquilo ficaram pelo caminho. Ficaram dois finalistas ou talvez um pouco mais que eu dessas coisas intimas não sou de olhar. Estavam quase a atingir a pérola. Um aqui, neste exacto momento gritou que desistia da competição. Apenas ele sabia o motivo, aparentemente. Ela aceitou a desistência com pesar e alguma desilusão.
A linda mulher dum país livre que vivia num país menos livre ficou com um finalista que era um homem dum país menos livre que impulsionado pela abstinência se sagrou vencedor.
Moral: há sempre alguém para contar a estória.

Sanzalando

24 de agosto de 2008

(02) Texto Pedido - ORIGENS

Aqui estou eu caminhando palavras e imagens de sonhos quando vejo que o sol está a pintar-me sombras como se eu fosse uma tela em branco.
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…


Eu vim da terra dos traídos
Vim dum monte de sonhos destroçados
Vim de cidades em ruinas
Dum bando de famintos revoltados.
Amei os pobres, as crianças, as mães amarguradas.
Fui choro, fui pranto de muitos lares,
Fui o roçar de facas, de chibatadas.
Entrei nos templos, p'ra achar pureza,
Desci às ruas, p'ra conhecer tristeza.
Fui bandeira branca, desfraldada,
Fui lágrima de noiva abandonada.
Fui grito de dor, brado de morte,
Fui brinquedo morrendo com um menino.
Fui solidão e fui miséria
Fui flor de sangue derramado.
Eu vim da terra dos traídos...
Da terra sem lares, ou maternas mãos...
Sem portos, sem ruas, sem amores,
Sem Credos, sem Deus, sem alvoradas...
Vim dum bando de crianças inocentes
Qu´esperavam com fé p´la madrugada,
Que não conheciam ódios raciais
E tinham direito à sua sobrevivência.
Eu sou a que está convosco, incompreendidos,
Que não querem curvar-se ao cativeiro,
Que querem ser livres, encontrarem-se,
E acreditam que num futuro aurifulgente,
Num mundo sem ódios, nem concessões,
Tudo será melhor, será diferente.
Vera Lucia

Sanzalando

23 de agosto de 2008

Hoje é sábado


http://templatesparanovoblogger.blogspot.com/2008/08/salve-seu-blog.html

Sanzalando

22 de agosto de 2008

certezas

Me sento na areia que esteve outrora escaldante. Faz vento que me despenteia mas faz tempo que deixei de lhe ligar. O zulmarinho e vento fazem mesmo parte de mim. Assim como tu sabes que por ti estarei sempre por aqui. São as minhas certezas.
Quando te apetecer rir, chorar, falar ou ouvir, tu sabes que eu estarei aqui, por ti. São as tuas certezas.
Me sento na areia e de olhos postos na linha recta que é curva eu vou virando as páginas tantas, vivendo as mesmas linhas e sabendo que tu, minha alma gémea, és a minha verdade, de certeza absoluta. O resto, o resto é mesmo o tempo de intervalo que mediam as certezas.

Sanzalando

21 de agosto de 2008

Distraído

Aqui vou eu num caminho sem fim. Me dizem que estou deprimido.
Não! Se enganam, estou só é mesmo distraído.
Distraído da vida que levo, dos caminhos que calcorreio, das florestas que não vejo, dos mares que não provo. Distraído porque deixei passar uns anos sem que eu tivesse dado por eles. Distraído porque pensei que tinha perdido alguma coisa. Não. Só algumas coisas se adiantaram de mim.
Olha, aqui vou eu olhando o zulmarinho e caminhando sobre palavras, distraidamente.

Sanzalando

20 de agosto de 2008

Distracção

Caminho vincando bem a areia mole. Peso pesado que marcha sobre as palavras frágeis da nostalgia e saudade. Os meus olhos olham a direito como quem olha para uma alucinação, produto de desejos e de esperas desesperadas. Falo-me palavras em silêncio duma vida desgastada em equívocos, sonhos adiados, sobressaltos do destino.
Caminho enquanto o tempo decorre na sua lentidão de certeza feita.
Caminho debruçado sobre mim, perfume de maresia que me entra como se existisse uma janela aberta.
Caminho na distracção da esperança.

Sanzalando

19 de agosto de 2008

Delirando

Vou buscar o zulmarinho. Sinto-me ansioso, preciso lhe ouvir o marulhar, preciso lhe ver a espuma branca se espraiar, preciso de sentir a maresia me entranhar.
Vou buscar o zulmarinho.
Estou cansado de guardar as palavras que me grita o coração. Eu sei que ao calar-me tenho a liberdade de as mudar quando me apetecer, de chorá-las, gritá-las no meu silêncio de raiva. Mas ao calar-me os meus espaços errantes se acabam.
Eu quero a liberdade de poder ouvir as tuas palavras, dizer-te as minhas, ouvir o cair da noite ou o romper da aurora. Eu quero a liberdade de poder ocultar-me.
Vou buscar o zulmarinho e lhe ouvir as mucandas, ouvir as canções das kiandas. Vou-lhes buscar ainda.

Sanzalando

18 de agosto de 2008

pintura-me

Me sento sobre esta pedra e observo o zulmarinho no seu vai e vai se espraiando na areia.
Me deixo embalar e, de pensamento em pensamento, concluo que a minha vida é uma pintura onde se notam as pinceladas que põem a nu a minha estória e os meus amores.
Olho com olhos de ver esse quadro e vejo que há espaços escondidos em mim que nem eu nos meus sonhos sonharia ter, estórias de rua sombreada num arco-íris de essências e desejos.
Reolho e observo traços hesitantes entrecortados por certezas como se fossem palavras ditas na afirmação.
O zulmarinho me embriagou mais uma vez.
Sanzalando

17 de agosto de 2008

(01) Texto Pedido - NOSTALGIA

Aqui estou eu caminhando palavras e imagens de sonhos quando vejo que o sol está a pintar-me sombras como se eu fosse uma tela em branco.
Assim, ao domingos e quando tiver textos pedidos, publicarei textos alheios.
Vá lá, quem tem mesmo uma caixinha com eles assim num esconde esconde manda para mim…

Escondida na minha choupana, nos caminhos que serpenteiam na verdura da minha montanha/paraiso, onde a saudação dos pássaros me anunciava a hora de começar o dia...
Perdida na tranquilidade da natureza, onde o tocar do tambor consolava pelo excesso de paz, nesse sorridente, belo e doce vale, entre os companheiros meigos e mudos da minha silenciosa solidão: o meu cão e as minhas filhas miudas.
A realidade do quotidiano (a minha realidade) não conhecia nada, além do bom senso que me era legado por esse Deus, que eu alcançava, interpretando-o como fogo, chuva, trovão, ou mesmo sol, mas com o Qual eu vivia em harmonia.
Fosse esta uma interpretação bárbara, era esse o meu Credo, era essa a minha vida.


Sanzalando

16 de agosto de 2008

retorno

Parei de caminhar para descansar à beira do zulmarinho. Bebi o perfume da maresia, despenteei-me com a brisa marítima, e cansei-me a dar braçadas na imaginação à procura dum porto seguro que fizesse sentido.
Mas agora, assim num instante para desentrançar a língua, resolvi falar-me numa mistura de ideias e provérbios, porque me lembrei que o pior cego é mesmo só aquele que não quer ver, assim como a pior ausência é aquele que falta e a pior vitória é a alheia, pelo que o pior morto é aquele que não quer ressuscitar.
Misturadas as coisas, frases feitas na imperfeição da voz rouca, vou dar um passeio pelas ideias que me atormentam os sonhos.

Sanzalando

13 de agosto de 2008

eternamente

Aqui estou eu caminhando num destino predestinado a lado nenhum. E volto todas as tardes, quer faça calor ou chova rajadas de frio na vontade do meu desejo. Caminho percorrendo o teu corpo na imaginação dos meus dedos, na nuvem das minhas recordações.
Caminho cansado com o saber que amanhã voltarei como que avivado num fogo de paixão que me nasce no interior e percorre todas as minhas entranhas.
Aqui estou caminhando com a mesma vontade de saciar um amor eterno.

Sanzalando

12 de agosto de 2008

mente-me

Hoje caminho como em muitos outros dias, levando estampado na cara um sorriso que te sorrio sempre. É, podes assim num instante me olhares e eu quero que me vejas a rir, porque eu sorrio sempre para ti. Mesmo quando me fazes chorar eu te sorrio. Mesmo quando te esqueces de mim eu ainda te sorrio.
Diz-me só quem te tem amado que nem eu? Anda, mente-me!
Diz-me quem te fez feliz tal como eu te fiz, sem trocas?
Diz-me quem te tem dado o prazer de sentir viva como nunca?
Diz-me quem me mostrou o inferno e te deu o céu?
Diz-me quem te tocou numa carícia de alma?
Anda, mente-me por favor!


Sanzalando

11 de agosto de 2008

sorrio

Aqui vou caminhando de sorriso em sorriso, palavra em palavra ou de silêncio em silêncio. Hoje mesmo vou assim como que vestido de riso, maquilhado de desejo e penteado de ilusões. É, transpiro energia, cantarolo canções que invento.
Olha, afinal mesmo hoje só sorrio para ti.

Sanzalando

10 de agosto de 2008

hora da sesta

Me estendo na areia escaldante deste final de zulmarinho. É a hora da sesta porque o sol morde as costas e provoca assim um cansaço em que o sono e a vigília se misturam numa salada de inconsciência em que até apetece dizer novas poesias.
È nesta hora que surgem novas palavras em outras tantas vozes dentro da gente, umas carregadas de cor outras assim num tom de cinzento parvo, em que se ouvem ecos de silêncio agonizante misturados com surdos gemidos, ecos do subconsciente.
É nesta hora que a cabeça entra de fantasia noutras épocas em pensamentos delirantes de outras liberdades.
Me estendo na areia como que pintado de palavras poéticas de delírios, de ideias naufragas de inspiração e se me afasta a audácia e entro no pântano da obnubilação.
É só porque é a hora da sesta e depois no despertar serei invadido de insustentável imaginação para rescrever os poemas mortos que nunca tiveram vida.

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007