Navega à vontade que a Sanzala é segura, mesmo que te pareça lenta!
A Minha Sanzala
recomeça o futuro sem esquecer o passado

20 de outubro de 2008

hoje escrevo com os olhos




(tentando arrumar as imagens perdidas nas viagens da solidão)

Sanzalando

19 de outubro de 2008

o mar de mim


Às vezes consigo ouvir o mar e lhe vejo milhares de gaivotas na areia da praia como se fosse um dia de verão.

Meus olhos se enchem de mar quando lhe vejo a espraiar ao ritmo do bater do coração.

Mas têm sido poucas vezes as que ouvindo o mar eu lhe consigo escutar.

Mas têm sido raras as vezes que lhe vejo parece me está a chamar.
Às vezes me apetecia estar fundido num abraço de água, seguir no meu bote de imaginação e como uma carícia lhe navegar numa melodia de serenidade. Às vezes me apetece ver os segredos nas mensagens das ondas como se um código fosse.
Às vezes o mar me entra e me afogo de nostalgia.



Sanzalando

18 de outubro de 2008

duvidosamente duvido



Eu sei que devia estar ali mas não estou. É um devia de dever moral. Umas vezes sinto que seria uma obrigação. Engano-me. Posso, não?


Mas a verdade é que eu devia estar ali. Devia, o que não sei é mesmo se devo.
Um dia me disseram que os sentimentos morrem. Duvidei. Duvido. Modificam-se. Ou não. Mas se morrem, estão mortos e portanto não voltam. Pelo menos para mim que não acredito em fantasmas.
Enganei-me outra vez? É claro que posso, ou não?
Mas afinal de contas porque é que eu te sinto perto de mim, por vezes reles, outras pressionante, outras intensa e não estás onde devias? Lá, sossegadamente lá.

Não entendo como posso perder este tempo a pensar-te.
Já sei. Estas poucas linhas, tal como tu, não deviam estar aqui.


Sanzalando

17 de outubro de 2008

já sei que sou um Outubro

Correm-me pela cara lágrimas caté me parecem é de sangue. Já sei que ninguém as vê. Lágrimas de impotência, de tristeza e de vazio. Já sei que ninguém as vê.

Só eu que as vejo, que as sinto. Só eu que as choro.

Afinal de contas não sou mais do que sou e tenho que convencer-me que nada sou, nem frio nem calor, nem noite nem dia, mero espectador duma vida.

Mais nada sou que as minhas pegadas e as minhas recordações.

Sou um Outubro cinzento a ver se me encontro.




Sanzalando

16 de outubro de 2008

viajarei ao deus dará


Acho vou mesmo entrar no mundo, lhe viajar e lhe conhecer todos os cantos mesmo os que sejam redondos que nem rotundas. Me apetece viajar para lá das estrelas, desviar-me de asteróides. Motor para isso. O que é que é mais rápido que o pensamento? Me diz só se para viajar é preciso tocar com as mãos.

Olha só essa paisagem linda que está que nem aí na mão que faz a sementeira. Agora põe o calor insuportável, lhe bota o cheiro nauseabundo que vem da lixeira que fica quase que nem a cem metros, lhe coloca os mosquitos e outros insectos visíveis mais os invisíveis. Deu mesmo o quê?

Nas estrelas não podemos nem tocar. Olhar apenas e deixar o sonho nos levar para lá da realidade.

Galáxias que me tornam insignificante.

Vou viajar num mágico pincel de pensamentos.

imagem da internet
Sanzalando

15 de outubro de 2008

introspecção ao vazio

Dia cheio depois duma noite agitada. Imagina só assim uma orgia mental que até parece te estão a arrebentar com a cabeça, saiu um almoço com amigos daqueles que bebem mais que a própria pipa e comem mais que um supermercado acabado de abrir.
Chego a casa e directo no duche. Aqui, quando a água me empapava todo é que eu me assustei num assustar que acho até me gritei para dentro. A minha alma se tinha ausentado. Foi dar uma volta. Eu não conseguia pensar em nada, assim como nada parecia estar a acontecer à minha volta. Fiquei estático enquanto a água me cobria. Pensei eu estava cego pois o vazio da minha cabeça apanhava os olhos também. Paralisei-me por instantes. Desalmei-me de todo. Olhava-me para dentro e via o nada. Me derreteu o corpo através do medo de poder ficar assim para sempre. Eu sem alma. Eu a circular desalmado, carregado de vazio numa dor poética. Afinal de contas já alguém me tinha dito que quem não sabe povoar a sua solidão nunca saberá ficar sozinho na multidão. Mas também não era preciso eu ficar assim num repente sem ser avisado, preparado, treinado.
Saí do banho. Deitei-me e logo desatei a sonhar que estava a sonhar. Lutei materialmente com a minha alma e foi esta que venceu.
Hoje, quando reflicto neste episódio sinto que perdi umas horas desfeitas em vazios.
Afinal de contas todas as dores e felicidades têm os seus tempos.

Sanzalando

14 de outubro de 2008

solteira culpa

Nestes caminhos perdidos em que o norte se mistura num sueste a dar para o poente dum qualquer põe-te a andar daqui, eu gostava de culpar alguém da minha má sorte e desafortunada fortuna de pós de muitas eras. É verdade que já ouvi alguém dizer que a culpa era dos genes, destino marcado nas células, outros que era por causa da infância fracassada, dos pais e das mães. Já ouvi tanta coisa que acho tudo ficou assim num sumário imaturo de desculpas para esconder os erros próprios.
Hoje eu gostava de dizer que a culpa era da infância, da mãe, do vizinho, de sei lá de quem, que eu me queimava nuns cigarros que faziam fila indiana para serem consumidos na quase centena diária. Gostava de dizer que a culpa era do pai, da vizinha, da filha, de sei lá de quem que eu fiquei agarrado nesta coisa de dizer o que penso.
Gostava de dizer que a culpa é dos meus avós por eu ser assim esbelto, rápido a pensar e lento a decidir.
Eu gostava era mesmo de culpar alguém.
Não havendo, a culpa fica solteira.

Sanzalando

13 de outubro de 2008

presentemente instante

Acho tenho de deixar de me levar pela intuição e fazer mesmo o que é que me está a apetecer.
No futuro nem lhe vou pensar, porque o agora está a passar e o depois a gente mais logo vai ver como foi.
Por isso agora mesmo, neste presentemente instante, vou deixar a voz de lado e vou ver só com os olhos, mesmo com eles fechados a olhar-me para dentro. Vais ver ainda vou ver um brilho qualquer num céu cinzento.

Sanzalando

12 de outubro de 2008

num domingo qualquer eu te conto

Me vesti com roupa lavada que até parece é nova. Me atirei de casa para a rua movimentada dos passeios de domingo. Escolhi o restaurante que fica mais perto da praia com a mesa mais indiscreta de modo que eu lhe consiga ver toda. Ou quase.
Bebi a cerveja e atirei o meu olhar em todas as direcções. É hora de escolher a virtualidade que me acompanhará na refeição. É, depende de onde meus olhos vão parar assim eu escolho o que vou comer.
É domingo e não é dia de se comer assim numa de solidão solitária. E há que escolher a companhia, boa companhia.
O garçon já me perguntou umas tantas vezes se já escolhi. Não sei se ele se refere na companhia ou na ementa. Mas uma depende da outra e vice sem verso.
Meus olhos parece estão a ficar cada vez mais exigentes, ou cegos. Desconseguem fixar um objectivo definido.
Peço nova cerveja. Já comi um pouco de pão com manteiga. Continuo a fazer navegar os meus olhos na areia dourada da praia.
Acho hoje é mais um dia de comer na solidão.
Não, hoje não é dia de comer, pelo que paguei as duas cervejas, o pão e a manteiga e com os bolsos vazios regresso a casa.

Sanzalando

11 de outubro de 2008

41 - Estórias no Sofá – Carta de Arnaldo

Ali está Arnaldo sentado no seu canto. Ele sempre se senta nesse canto quando a saudade lhe aperta. Me apetece dizer que Arnaldo sufoca de saudade, assim num cada vez mais frequentemente, e quando isso lhe acontece ele escreve cartas. Acho ele tem uma colecção tão grande que faz inveja nos coleccionadores de verdade.
Lhe falo coisas à toa para ver ele se acorda dessa saudade que lhe afoga. Me responde com palavras mais pequenas de duas letras. Os olhos não se mexem nem para ver donde lhe falo.
Lhe olho de lado para um papel que descansa no seu ladoe consigo ler a sua redonda letra:

Querida amiga, espero que estejas bem de saúde. Melhor ainda, espero que estejas mesmo feliz. Te estou a escrever não é para pedir desculpas porque eu penso que não tenho motivo para tas pedir. Te escrevo mesmo só porque faz tempo que estas palavras me rebolam na cabeça com vontade de sair. Não sei se são os meus sentimentos que vão escritos nestas palavras ou se é apenas um relato das coisas feito pela minha cabeça. Acho vai sair assim tudo junto parece é uma misturada muito grande que nem eu vou depois descobrir, mas que eu tenho que te dizer isso é mais que certo. Talvez assim tu e eu nos possamos entender no meu interior.
Eu sei que, por muito tempo, controlei as minhas emoções. Pelo menos assim me pereceu. Podia eu até calhado dizer-te que te queria que eu sabia que nunca me ia enamorar assim numa de pés para a cova, pois estava certo que nunca me ia enamorar com coração e tudo. Mas depois que te repensei foi um secretamente crescente de amor nascido. Fui atrás dos teus passos, segui as tuas palavras, saboreei os teus perfumes. De verdade que nem sei bem que é que aconteceu.


Parei aqui de ler porque tinha de virar a folha e eu não ia fazer isso assim sem pedir com licença e disse mais umas outras palavras ao Arnaldo para lhe acordar desse afogamento. Me desligou como se eu não estava nem ali. Continuei a falar, acho lhe falei do tempo, da luz do céu até parecia fotografia. Lhe recebi o silêncio. Foi assim num repente que lhe perguntei se podia ler o que é que ele estava a escrever. Me respondeu com encolher de ombros que eu interpretei é um sim e logo virei a folha e continuei a ler me esquecendo de lhe dizer um obrigado pá.



Acho brinquei com o fogo e me queimei. Eu não queria viver isto que vivo agora. Eu queria continuar a ser livre e não um manso cabrito que sofre de amor. Mas eu acho enlouqueci quando me deste esperanças, ou fui eu que fiquei cego de amor e me confundi. É verdade que passei uns belos momentos até sentir as verdades futuras, até começar a sentir o medo do amor e recomecei a desprender-me e desconsegui. Antes pelo contrário. Me desliguei do medo e recomecei a viver esse momento como o momento mágico da vida. Enlouqueci. As tuas carícias, os teus beijos. Tudo o que sonhei estava a sentir através dos teus sussurros e dos teus acenar de sinais que eu percebia.
Fui feliz. Esqueci os meus medos. Empolguei.
Mas afinal sucedeu o que o meu coração sempre me dizia. A felicidade diminui com o passar dos dias. Me aconteceu isso num progressivamente sentir vindo de ti. Vi que o brilho do teu olhar já não me olhava com o mesmo brilho. Senti num sentir que até parece cobra que escapavas furtivamente da minha vida dedicada a ti. E eu ali sentado à espera das tuas carícias, dos teus sinais, dos teus beijos. Fugias assim por entre os meus dedos mais rapidamente tinhas entrado.
O tempo me foi abrindo os olhos enquanto o coração chorava as lágrimas da dor sentida. Eu estava à espera que tu te entregasses assim que nem eu. Mas foi-te um amor volátil. Mas é assim a realidade. Chorarei em silêncio até à última vez, até ao meu destino mais próximo. Não te negarei os meus sentimentos de antes, não te nego os de agora e os do futuro logo a gente os vai ver. Sei que te escrevo palavras se calhar sem sentido, se calhar para libertar os meus fantasmas, se calhar para te esquecer.
Não, esta carta não é uma forma de fazer queixas, lastimar ou chorar-me porque não te sentes igual que nem eu.
Se calhar esta carta é apenas mais um equívoco. Quem sabe?


Arnaldo olhava em frente com olhos de quem não está a ver nada. Tinha uma folha em branco à sua frente. Lhe voltei a falar e lhe perguntei se ainda ia escrever mais. Me olhou num olhar triste e me respondeu:
- Quem é que sabe o que é o futuro?

Sanzalando

10 de outubro de 2008

me escondo

Cada vez mais perdido que nunca, não me encontro. Bem, de verdade nem encontro as minhas escapatórias, as minhas portas SOS. Tento, insisto e nem sei onde procurar-me. Acho que já nem sei quem sou nem quem eu podia ser. Já não sei o caminho que me leva a mim mesmo.
Procuro-o com a esperança dum regresso de mim, dum reencontro com a ilusão. Encontro labirintos, caminhos sem saída, escadas sem degraus e imagens sem som.
Mas onde é que eu me escondi?

Sanzalando

9 de outubro de 2008

viagem no tempo

Faço mais uma das muitas viagens dentro de mim e presto atenção à paisagem e vejo um céu cinzento prometendo uma chuva de palavras ou quem sabe uma tempestade de ideias. Deixo o tempo passar e me vou ficando nesta contemplação enquanto ouço na memária umas canções de saudade, song song blue, let it be, outras mais que às vezes já nem sei de que ano e neste exercício mais o tempo vai passeando por algum desencanto ou outro mal entendido.
Hoje a viagem torna-se mais longa porque me perco em labirintos de sonhos, porque vagabundo-me por rostos que fantasio num queimar de tempo fazendo esquecer que foi um dia duro de mais um dia aqui sem poder ouvir os sons dela.
Me entro pelo duche num correr de água sem confirmar qual a temperatura. Me arrepio. Acho até gritei da dor do gelo escorrendo-me nas costas ao mesmo tempo que me ouço por dentro o cair da coluna do disco ao vivo dos Creedence Clearwater Revival em Tóquio. Retemperado nas forças e nas emoções salto para Because I Love do MajoratY One. Me aqueço na saudade de poder viver amanhã sem calafrios e como os seus olhos me olhando com a ternura de quem ama.
Saio do meu carro do tempo, entro na viagem real e tento não perder o controlo.

Sanzalando

8 de outubro de 2008

espaço em branco

Acabo de descobrir um espaço em branco dentro de mim. Bem, na verdade nem eu sei se ela já estava aqui antes, mas ao sentir a tua falta senti um vazio que até me doeu. Vasculhei à volta desse espaço em branco e encontrei um vazio de tempo, um silêncio de vida, um gesto seco de interrogações infinitas.
Abracei-me na ternura dos meus dedos e vaguei por pensamentos e recordações.
Amor, chamei eu ao espaço em branco dentro de mim.

Sanzalando

7 de outubro de 2008

às vezes estou por aqui

Às vezes estou num estar por aqui que até parece desejo que a nostalgia me invada, que a tristeza me afogue nas margens dum texto. Às vezes estou por aqui, com dificuldade de empacotar a minhas recordações, de fazer deslizar os meus pés até te conseguir olhar, de seguir viagem com destino traçado num caminho de estrelas desenhado no céu de ida sem volta.
Às vezes estou por aqui de janela aberta a ver se há um ar que me dá.

Sanzalando

6 de outubro de 2008

a cabeça sonha e o corpo engorda

Queria eu vibrar assim na velocidade com que a minha cabeça me exige. É, minha cabeça se sente outra vez preparada para mais um choque que abala os sentimentos e lhe chamam de emocional. Minha cabeça está sempre a dizer no corpo para ele aguentar os meus delírios e as minhas divagações e quando ele se sente assim gordo, cansado é porque está preparado para levar com o choque, com o embate da manipulação emocional. Mas essa coisa vem mesmo é de onde? Lhe olho de todos os lados e desvejo um que possa aparecer. Se ele tardar em chegar ainda vai encontrar um corpo gordo de músculo atrofiado. É melhor que esse choque chegue já asssim num repente que o corpo me está a preparado é agora.
É, estou a ver a coisa da minha cabeça a me gritar que está aqui a ter um novo sonho, um ataque de ideias soberbas, infalíveis e coisas e tal.
Afinal o que eu sei é sonhar.


Sanzalando

5 de outubro de 2008

04 - Texto Pedido - Tempo Perdido e Sempre

TEMPO PERDIDO

Sinto raiva só de pensar

Em todo esse tempo perdido,

Nesse oco, esquivo tempo,

Nesse tempo não vivido

Porque o tempo eras tu.

Tempo que nada levou

Porque nele nada valia.

Eras tu a noite e o dia

E como eras tempo te foste

Deixando só amargura.

E porque o tempo tem pó

E é vago tempo sòmente

Não me doi o ficar só.

Tenho raiva unicamente

De ter perdido esse tempo.

  

 SEMPRE

É sempre do passado o mesmo incenso

Qu'envolve o presente

Em luto intenso.

É sempre no meu peito a mesma garra

Este tédio, este andar

Sem uma amarra.

É sempre em cada dia

A escura noite

Sempre dentro de mim amarga essência

Porque o sempre, do meu sempre

É a tua ausência.

Vera Lúcia Kalaari
Sanzalando

4 de outubro de 2008

Hoje não falo, vejo!

Ponta Delgada - Açores


Alvor
Sanzalando

3 de outubro de 2008

é aqui

Reina o silêncio. Ouço apenas o meu respirar. Lá fora cai a tarde num suave apagar de luminosidades ao mesmo tempo que a silenciosa brisa de Outono desparaliza as folhas da árvore que se despede lentamente. Consigo imaginar o azul laranja do pôr do sol que vai acontecer não tarda lá para os lados da minha alma. É aqui que o meu coração se acelera como se quisesse que a noite chegasse num repente. É aqui que eu sinto o teu imaginado perfume, teu corpo quente chamando por mim. É aqui que eu desejo cada teu centímetro da minha esperança.
Enfim, atrás deste silêncio existe uma algazarra de ideias, recordações e futuros que me deixam por aqui.

Sanzalando

2 de outubro de 2008

quando estou só

Quando estou só na sala o relógio de parede já não faz tic-tac, nem o dingdong das meias horas se ouve e nem lhe sinto a respiração.
Quando estou sozinho, perna cruzada, vagueando pelos pensares todos da vida, me patece ouvir a tua voz a me acariciar o ouvido vinda do outro lado de lá.
Quando me encontro na solidão do meu eu ouço o bater do tempo no ritmo da passagem.
Quando estou só, as tuas palavras ressoam na minha mente como se as tivesses acabado das dizer.
Quando estou só, tu existes na realidade da minha fantasia

Sanzalando

1 de outubro de 2008

a verdade verdadeira que eu não sei

Eu sei. Sim, é verdade. Tu reparaste que desde faz algum tempo que eu tenho estado desatento do lugar, do modo e do falar.
Eu sei. É verdade que muitas das coisas que eu disse tinham um sabor enlatado, outros de reciclado e outros há muito deviam ter desaparecido numa limpeza mental.
Mas a verdade é que eu não sei o motivo de tanta desatenção. Um livro que não nasceu, uma viagem que não aconteceu, uma mudança que não apareceu, uma coisa qualquer poderia ter sido a explicação que eu te estava a dar. Podia ter sido até um anel que eu teria oferecido, uma promessa que eu não tinha cumprido. Tanta coisa podia estar aqui a divagar.
Mas na verdade eu não sei mesmo o que é que me aconteceu para tanta desatenção inspirativa e até esquecida.
Bem, acho vou voltar ao ano de 2004 e recomeçar num começar de coisas novas mesmo que tenham um sabor antigo, porém não amargo.
De verdade é que eu não sei que vai acontecer amanhã. Hoje foi assim!

Sanzalando


WebJCP | Abril 2007