Afinal de contas porque ando a divagar se posso simplesmente estar calado?
Dentro de cada um de nós existe um mundo interior, de pensamentos e sentimentos. Sei que é invisível porém tem uma força enorme esse interior mundo.
O meio ambiente que nos rodeia, com todas as suas alterações momentâneas, permanentes ou ocasionais, é o resultado da nossa atitude mental que predomina. O mundo externo é o reflexo do interno.
Exemplifico, se conseguir encontrar as palavras certas. Há dias que um dia de chuva tem algo de maravilhosamente belo e outros em que é uma grande chatice. Portanto, podemos mudar o mundo exterior mudando o mundo interior.
Bem, vistas as coisas, medindo os prós e os contras, é melhor não divagar por hoje.
Sanzalando
31 de outubro de 2008
meu semba
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30 de outubro de 2008
eu queria tanto
Eu queria tanto ir. Sabes, não sabes? Se eu pudesse eu ia. Mesmo sabendo que o meu ir se calhar ia contra a tua vontade.
Se eu fosse se calhar eu ia ouvir dizer que não devia ter ido, que não ia comer o teu pão, beber a tua água e tocar a tua alma.
Mas eu queria tanto ir. Queria brincar na areia, pés descalsos como fazia quando era kandengue, jogar ao garrafão, trouxa-lavada, picles e outras coisas como o prego.
Mas eu queria tanto ir e voltar a ter a gargalhada facil, olhar inocente.
Eu queria tanto ir, esvazear as tantas garrafas de vinho barato, desenvelhecer antes de ser atirado num buraco.
Eu queria tanto ir e continuar a ser banal.
Sanzalando
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29 de outubro de 2008
esperança
- Traços negros em fundo branco, neste meu caso concreto, as letras se conjugam num som cujo o significado procuro.
Cliques e claques da força de martelar as teclas se fundem no ambiente proporcional do meu êxtase. Estas palavras são minhas filhas. Eu sempre as sonhei. Ou não. Legítimas, ou não. Enfim, rezo a uma virgem inspiração na esperança de encontrar as ditas palavras que procuro.
Afinal de contas eu o que tenho é esperança de vir a ter esperança de ter futuro um dia.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 1:10 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
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28 de outubro de 2008
um dia especial
Bah!
Olhar o espelho e pensar o que eu podia ter feito e que ficou por fazer numa qualquer estante da minha imaginação, já coberta de teias de aranha, pó fino de muitas cores em que mais tarde os arqueólogos se iram debruçar na tentativa de desvendar a minha existência, não me leva a remédios mentais.
Olho ao espelho apenas para me ver quando me tenho saudades.
Hoje vou é olhar para a janela.
Já sei que não vou ver nada. A neblina espessa continua a pairar no meu coração e as sombras escurecem-me a alma. Ponho as mãos magoadas sobre o frio vidro das janelas. Sinto alívio mas não o descanso de ter andado a escavar os alicerces da minha existência. Vejo a impaciência do vento como que se estivesse à espera que eu abrisse a janela. Ouço o silêncio do nada a toldar-me o corpo.
Toca o telefone. Eras tu. E tu. Tu. Tantos tus.
Sorri e passei a ter um dia feliz.
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 8:52 da manhã 5 comentários Hiperligações para esta mensagem
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27 de outubro de 2008
42 - Estórias no Sofá – Estevanov e o doido
O sitio mais não é que o que agora resta da traseira do que era o Kinaxixe. A hora era qualquer uma pois é coisa que ele não faz é sair dali.
Tantas vezes lhe perguntei o nome. Outras tantas me respondeu Estevanov. E para mim ficou a ser mesmo o Estevanov sem mais dúvidas ou pés na retaguarda.
Já lhe conheci louco. Ele me disse que não. Não era e nunca tinha sido louco.
- Estevanov, tu com tanta bebida e tanta ganza em cima não podes ser normal. Lhe dizia eu todas as vezes para iniciar a conversa, lhe despertar ideais.
- Me disseram que beber bebidas com álcool mata as células da cabeça. Né?
- Sim, portanto com essa bebedeira que tens faz para ai uns quinze anos…
- Te enganas, pula. As células que se morrem são as mais fracas, as que não aguentam a pedalada, que já não fazem falta e nem atrapalham mais os circuitos.
- E…
- Portanto, me ficam as células fortes, logo te digo que não sou louco, apenas mais inteligente, porque só tenho as células fortes.
Era hora de mudar de assunto e caminhar para outras estórias.
Conta-me então uma tua estória.
- Era chófer de general soviético, esse Conselheiro que já te falai muitas vezes.
- Sim, eu sei. Não precisas repetir.
- Um dia, ele saiu numa depressa mais rápida que o vento e esqueceu voltar. Me deixaram aqui de viatura distribuída e desconseguia de saber onde eu trabalhava mais, Uns diziam era ali, outros acolá. Para não perder o meu tempo aproveitei o consumista automóvel e virei chófer de táxi. Ia fazendo uns esquemas, tas a ver. De vez enquando ia numa repartição e perguntava de serviço. Me diziam silêncio e lá ia eu fazer mais uns fretes.
- … abanando a cabeça de sim lhe respondi com silêncio também.
- Um dia, desqueci mais porquê, me levaram o carro e ainda me engaiolaram lá no São Paulo.
Me soltaram uns meses depois que eu perdi a conta. A única coisa que sei é que eles disseram que eu sabia demais e por isso era melhor para mim eu ficar ali. Me esqueceram, eu acho.
- Não fazias mais nada na vida antes? Não te meteste com garinas que nem devias?
- Me ensinaram só de ser motorista. Era só mesmo chófer, de farda e tudo.
- hum…
- Me soltaram e eu nem lhe fui procurar. Ela me encontrou. Eu vivia do esquema, no esquema. Ela me foi fazendo ficar assim luado, já nem tinha dores na alma. Lhe possuía assim umas tantas vezes no dia. Era até não conseguir mais. O esquema acabou. Me fui virando no álcool. Todos os álcois. Hoje me vez aqui a pedir, mas eu já fui pessoa de farda limpa. Eu já tive paixões que até me faziam sentir borboletas a voar à minha volta. Eu já tive assim de mulher à minha volta, a me pedir um esquena.
- Tens filhos?
- Não. Me apaixonei sem dar conta. Ela me dizia que como eu não havia outro. Os outros só queriam cama e eu queria diálogo, lhe queria ouvir. Mas o esquema nos foi tirando tempo que o tempo dela acabou bem cedo. Acho também me tirou paciência que agora tenho é demais.
- Já conseguiste fugir do esquema?
- Falta combu… quando lhe arranjo ainda esquemo uma de matar saudade.
- És doido, Estevanov.
- Te digo, pula, doido mesmo és tu que não és coxo, não és gago, não és cego e te perdes aqui a falar comigo. Quem é que é o doido afinal?
Sanzalando
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26 de outubro de 2008
(04) Texto Pedido - NADA
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 8:11 da manhã 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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25 de outubro de 2008
dor de cabeça
Mas porque é que eu só vejo os meus defeitos se eu sei que também tenho virtudes?
EH. Tudo porque me dói a cabeça.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:05 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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24 de outubro de 2008
o que é real
Duas linhas irreais. Falo irrealmente. Descubro que ainda sou capaz de caminhar no ar. Basta-me querer!
Já me transpiram as mãos, a realidade não é como nós cremos que seja, é simplesmente como ela é.
Saltam-me os olhos da cara porque os sonhos podem ser pesadelos.
Afinal de contas o que é real?
A esperança sei que é.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:54 da tarde 0 comentários Hiperligações para esta mensagem
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23 de outubro de 2008
espaço em branco
Me acabo de descobrir que existe em mim um bocado que ainda não foi descoberto. Além do lado escuro da minha vida ainda tenho o lado não descoberto. Isto é que estou a ficar que nem um baralho de cartas depois de bem misturadas.
Isto tudo foi mesmo mais porquê? Porque me perguntei em voz alta o que é que eu quero mesmo da vida. E a resposta foi um longo silêncio que ainda não terminou.
Será que não há um bocado de mim que conheça essa parte e diga a resposta assim num bem alto para eu não ficar com dúvidas?
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 12:16 da tarde 2 comentários Hiperligações para esta mensagem
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22 de outubro de 2008
Outono em mim
TSSSSS que já está a ficar é de manhã. Abro só um olho de cada vez para ver se ainda não são horas de acordar, mas me desengano porque o dia está a romper, o vento sopra porque é tempo dele soprar com força que até arranca as folhas das árvores e as palmeiras até que parece dançam um semba que não lhe ouço.
Chiça que ainda por cima está de chuva e o barulho do vento mais a da chuva me fazem apetecer ficar aqui com os dois olhos fechados a escutar a música deles.
Tsssss, tem mesmo de fazer força para combater essa coisa da inércia, que devia estar de férias e me deixar ficar aqui deitado que nem um sorna.
Mas afinal de contas quem é que vai notar se eu apareci ou não?
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21 de outubro de 2008
marinheiro de água doce
Vou num barco que visto de desde lá do céu parece assim uma casaca de noz, o cordame range parece está a cantar uma canção de dor e o vento não pára de assoprar como que a me mostrar que tem força para me levar.
Parece vou na aventura do caos, à procura de tempestades que me rasguem as frágeis velas da minha casaca de noz.
Contra a canção de dor eu me canto canções de embalar. Me deixo adormecer em mar alto como se eu fosse um marinheiro.
Ai uê, mamãe, acho de me ter lembrado agora que eu não sei nem nadar por isso é melhor eu ir assim numa de ir a pé, devagar, olhar as estrelas e sonhar.
Sanzalando
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20 de outubro de 2008
hoje escrevo com os olhos
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 6:17 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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19 de outubro de 2008
o mar de mim
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18 de outubro de 2008
duvidosamente duvido
Um dia me disseram que os sentimentos morrem. Duvidei. Duvido. Modificam-se. Ou não. Mas se morrem, estão mortos e portanto não voltam. Pelo menos para mim que não acredito em fantasmas.
Enganei-me outra vez? É claro que posso, ou não?
Mas afinal de contas porque é que eu te sinto perto de mim, por vezes reles, outras pressionante, outras intensa e não estás onde devias? Lá, sossegadamente lá.
Já sei. Estas poucas linhas, tal como tu, não deviam estar aqui.
Sanzalando
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17 de outubro de 2008
já sei que sou um Outubro
Correm-me pela cara lágrimas caté me parecem é de sangue. Já sei que ninguém as vê. Lágrimas de impotência, de tristeza e de vazio. Já sei que ninguém as vê.
Só eu que as vejo, que as sinto. Só eu que as choro.
Afinal de contas não sou mais do que sou e tenho que convencer-me que nada sou, nem frio nem calor, nem noite nem dia, mero espectador duma vida.
Mais nada sou que as minhas pegadas e as minhas recordações.
Sou um Outubro cinzento a ver se me encontro.
Sanzalando
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16 de outubro de 2008
viajarei ao deus dará
Acho vou mesmo entrar no mundo, lhe viajar e lhe conhecer todos os cantos mesmo os que sejam redondos que nem rotundas. Me apetece viajar para lá das estrelas, desviar-me de asteróides. Motor para isso. O que é que é mais rápido que o pensamento? Me diz só se para viajar é preciso tocar com as mãos.
Olha só essa paisagem linda que está que nem aí na mão que faz a sementeira. Agora põe o calor insuportável, lhe bota o cheiro nauseabundo que vem da lixeira que fica quase que nem a cem metros, lhe coloca os mosquitos e outros insectos visíveis mais os invisíveis. Deu mesmo o quê?
Nas estrelas não podemos nem tocar. Olhar apenas e deixar o sonho nos levar para lá da realidade.
Galáxias que me tornam insignificante.
Vou viajar num mágico pincel de pensamentos.
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15 de outubro de 2008
introspecção ao vazio
Chego a casa e directo no duche. Aqui, quando a água me empapava todo é que eu me assustei num assustar que acho até me gritei para dentro. A minha alma se tinha ausentado. Foi dar uma volta. Eu não conseguia pensar em nada, assim como nada parecia estar a acontecer à minha volta. Fiquei estático enquanto a água me cobria. Pensei eu estava cego pois o vazio da minha cabeça apanhava os olhos também. Paralisei-me por instantes. Desalmei-me de todo. Olhava-me para dentro e via o nada. Me derreteu o corpo através do medo de poder ficar assim para sempre. Eu sem alma. Eu a circular desalmado, carregado de vazio numa dor poética. Afinal de contas já alguém me tinha dito que quem não sabe povoar a sua solidão nunca saberá ficar sozinho na multidão. Mas também não era preciso eu ficar assim num repente sem ser avisado, preparado, treinado.
Saí do banho. Deitei-me e logo desatei a sonhar que estava a sonhar. Lutei materialmente com a minha alma e foi esta que venceu.
Hoje, quando reflicto neste episódio sinto que perdi umas horas desfeitas em vazios.
Afinal de contas todas as dores e felicidades têm os seus tempos.
Sanzalando
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14 de outubro de 2008
solteira culpa
Hoje eu gostava de dizer que a culpa era da infância, da mãe, do vizinho, de sei lá de quem, que eu me queimava nuns cigarros que faziam fila indiana para serem consumidos na quase centena diária. Gostava de dizer que a culpa era do pai, da vizinha, da filha, de sei lá de quem que eu fiquei agarrado nesta coisa de dizer o que penso.
Gostava de dizer que a culpa é dos meus avós por eu ser assim esbelto, rápido a pensar e lento a decidir.
Eu gostava era mesmo de culpar alguém.
Não havendo, a culpa fica solteira.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 11:57 da manhã 3 comentários Hiperligações para esta mensagem
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13 de outubro de 2008
presentemente instante
No futuro nem lhe vou pensar, porque o agora está a passar e o depois a gente mais logo vai ver como foi.
Por isso agora mesmo, neste presentemente instante, vou deixar a voz de lado e vou ver só com os olhos, mesmo com eles fechados a olhar-me para dentro. Vais ver ainda vou ver um brilho qualquer num céu cinzento.
Sanzalando
Publicada por João Carlos Carranca à(s) 4:19 da tarde 1 comentários Hiperligações para esta mensagem
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