Olho as teclas do computador. Olhar fixo em cara de poucos amigos. Não sou parvo para estar aqui sozinho a sorrir para um teclado. Em vários relances olho para todas as teclas como que esperando que se formem palavras por uma qualquer ordem mental. Acho que espero que as palavras dialoguem comigo e assim consiga desconstruir uma ideia que ainda não tive. Mas o que vejo são apenas teclas, letras negras fundidas num plástico que já foi branco. Teclo uma ao acaso. Outra e depois uma terceira. Não consigo formar uma palavra. Pelo menos na minha língua. Com estas três letras não me safo. Apago. Volto a olhar para o monitor e vejo uma folha em branco. Uma espécie de folha, entenda-se.
Não, hoje não é dia. Há dias assim. Dias que não são dias. Já percebi. É mais um daqueles que vai passar ao lado de mim, um dia gasto à toa.
Que vale é que não sou de obsessões. Já teclei a exclamação, a interrogação e nem uma ideia me veio à tona.
Não vale a pena ir contra a lei da lógica sem ter lógica nenhuma.
Hoje não vou ver o mar porque está vento e está frio.
Hoje não teclo nada porque nada me vem à mente.
Hoje desisto do dia. Desconto num outro qualquer que quiser viver a dobrar.
Sanzalando

Tal como o sol o zulmarinho está ali melancolicamente espraiado na areia. O marulhar hoje é silêncio como se tudo por aqui estivesse cinzentamente adormecido.
Se eu conseguisse entoar barulho para os acordar…
Dá ideia que é preciso que lhes abrace e os acorde desses sonhos tristes com que me carregam o dia. Eu preciso do sol e do marulhar, da luz e do som para caminhar no meu tempo.
Acho que preciso entrar no dia aos gritos, saborear os sabores tropicais dos desejos ardentes para conseguir libertar-me dos desejos impossíveis que me enervam a flor da pele.
Tenho que acordar de olhos abertos e coração livre…
Sanzalando

Abri as cortinas num gesto de quase as rascar. Alguém poderia pensar que me faltava o ar, tal a brutalidade imposta no meu gesto. Era só para ver a Rosa.
Hoje apenas me apetecia ver uma Rosa. E vi.
Sanzalando

Me disseram, assim como que num sussurro do estilo de que é segredo mas diz a toda a gente, que ontem era dia da Mãe. Eu que não sou ligado a essas coisas, que ainda por cima mudam porque eu quando ligava era em Dezembro, deixei escapar o dia ao mesmo tempo que me enchi de dúvidas.
Por isso e por mais coisas que não digo resolvi hoje fazer uma homenagem à ternura, a todas as carícias que nasceram apenas com o objectivo de acariciar. Hoje me apetece homenagear aquelas mãos doces que te secam as lágrimas, que te limpam as feridas da alma e se solidarizam na pena máxima de sofrer a teu lado. Hoje me apetece homenagear as mãos que fazem milagres num simples aperto simpático de mão, aos sorrisos sorridos com paixão, aos silêncios de quem escuta.
Hoje quero apenas juntar o cantar do cair da tarde.
Sanzalando

Antes de beijar e abraçar todos aqueles sorrisos que me esperavam, de cumprir as formalidades que imaginava me esperavam, eu me fiz um resumo. Antes de deixar o chão do grande avião que me tinha levado, imediatamente após o abrir das portas, eu fiz um recuo no tempo e num flash de memória vi que a nossa estória de amor se tinha escrito, como todas, em tintas de tristeza e rabiscos de alegrias, num amor verdadeiro, o meu, e nada mais. Ali, pronto a reenfrentar-me, nada mais me interessava, nem frases bonitas nem palavras não ditas. Aliás, todas as frases pareciam-me já terem sido ditas, pelo menos pensadas e todas me pareciam iguais. Aqui chegado dei conta que a vida corre depressa e eu me tinha esquecido de vivê-la, procurando complicações em remorsos, fantasias imagináveis duma estória de amor criada em premissas que só tinham um lado.
Afinal de contas, foi uma estória de amor que terminou, como todas, diluída no tempo, ferida de substância e marcada pela renúncia de alguma coisa que se calhar valia mais que esse amor adolescente que imaginei.
Sanzalando

Amor, morte, poesia, política, actualidade, futebol, efemérides,
solidão, paz, humor, musica...tudo e nada; Here we talk about life, love, death,
On this day in History, poetry, politics, football (soccer), solitude,
peace, humour, music ... nothing and all.

Atribuiu-nos o "Manifesto Jovens que pensam" que recebera pela sua intervenção na blogosfera. Deixamos aqui os agradecimentos e a divulgação pública do facto.
Ditam as regras que teremos de dividir o prémio com mais ou menos jovens pensadores. Eis então os "laureados":
E pronto se algum dos laureados pretender destacar mais bloggers jovens (independentemente da idade) que pensam, é só cumprir as seguintes regras:
1. Exiba a imagem do prémio
2. Poste o link do blog que o premiou
3. Indique dez blogs para fazerem parte do “Manifesto Jovens que Pensam”
4. Avise os indicados
5. Publique as regras Sanzalando
